Gu Nan chegou muito rápido, foi o primeiro entre todos os responsáveis a aparecer.
Quando a figura alta e indiferente surgiu na delegacia, Nuan Nuan foi a primeira a notar — e também a primeira a pular do banquinho, correndo com suas perninhas e bracinhos curtos.
— Irmão mais velho!
A garotinha realmente sentiu saudades do irmão mais velho. Seus olhos brilhavam ao olhar para o jovem bonito.
Muita gente achava que aquele rapaz indiferente não teria nenhuma gentileza, mas, quando ele se agachou, todos perceberam que estavam enganados.
O jovem abraçou a menina que corria em sua direção, e a ternura nos olhos dele parecia reservada apenas para aquela criança delicada.
— Você ficou com medo?
Gu Nan passou os dedos levemente frios pela cabecinha de Nuan Nuan.
A menina balançou a cabeça obedientemente. O tio policial tinha dito que eles não iriam para a cadeia. Brigar era algo que acontecia entre crianças, que eles só estavam sendo travessos, não eram crianças más.
Nuan Nuan ficou aliviada. Desde que seu irmão não fosse preso, ela não teria mais medo.
— O quarto irmão e os amigos dele estão todos machucados.
A garotinha segurou a mão do irmão mais velho.
— Irmão mais velho, eu quero levar eles para o hospital.
Os olhos de Gu Nan caíram sobre o grupo de jovens. No mesmo instante, seu olhar ficou gelado. Todos estremeceram com o frio repentino, e cada um endireitou a postura, ficando mais obediente diante dele do que diante de qualquer professor ou mesmo da polícia.
Yang Xingchen gritou por dentro: Por que esse demônio maior apareceu aqui!!!
Ao mesmo tempo, o que ele tinha acabado de presenciar foi tão chocante que começou a duvidar da própria existência.
O frio e temido rei demônio da família Gu — o pesadelo das crianças, e dele inclusive — nesse momento... se agachou e acariciou a cabeça de uma criança com tanta delicadeza!!?
Ele não sabia se deveria ficar chocado por descobrir que aquele monstro tinha um pingo de ternura além da frieza, ou se deveria se impressionar com a ousadia daquela garotinha.
As crianças da família Gu eram assustadoras demais!
No fim, ele não conseguiu resistir ao olhar preocupado de Nuan Nuan. Então Gu Nan, com a expressão de sempre, acabou levando Gu Mingli e os outros para fora.
Todos olharam para Gu Nan e, por algum motivo, tiveram a impressão de que ele estava... com uma certa má vontade.
Como se... ele até quisesse que eles ficassem lá mais tempo.
Gu Mingli e os outros: “...”, coçaram o nariz e seguiram obedientemente até o hospital. Depois que todos foram atendidos, Nuan Nuan finalmente ficou aliviada.
— Quarto irmão, ainda tá doendo? A Nuan Nuan vai te dar um abraço.
Ao ouvir a voz suave e preocupada da menininha, e vendo o olhar aflito dela, Gu Mingli, pela primeira vez, refletiu se não tinha sido impulsivo demais.
— Não dói, esse machucadinho vai sarar logo.
Gu Nan disse com firmeza:
— A partir de hoje, você está proibido de levar a Nuan Nuan a qualquer lugar por um mês. E também vai escrever uma autocrítica pra me entregar.
Gu Mingli, que reconheceu o erro, coçou o nariz.
Não poder levar a Nuan Nuan pra comer e passear? Que sofrimento!
Eu ainda tinha tanta coisa legal pra mostrar pra ela...
E escrever uma autocrítica? Um tormento!
Na escola, ele conseguia escapar de escrever esse tipo de coisa. Mas, da última vez em que teve que ler uma na frente dos alunos, foi perseguido e espancado pelos professores da escola inteira.
Ai... tão difícil!
De volta para casa, os pais da família Gu logo ficaram sabendo de tudo. Resultado: Gu Mingli e Gu An foram perseguidos pela casa inteira pelo avô e pelo pai.
Gu An gritava, ressentido:
— Não foi culpa minha!
Pai Gu: — Quem mandou não trazer sua irmã de volta?!
AI! Doeu! Preciso correr!
Do outro lado, a garotinha comportada correu atrás e se pendurou no tio com um abraço de urso.
— Tio, para de bater no meu irmão, ele tá machucado!
Gu Mingli ficou emocionado. Essa garotinha é mesmo a melhor!
Gu An quase morreu de raiva. Eu sou o irmão de verdade aqui!
O tio Gu pegou a pequena “coala” no colo e beijou seu rostinho, rindo:
— Tá bom, o tio vai ouvir a Nuan Nuan, não vou mais bater nesse pestinha.
Pai Gu já não teve mais coragem de brigar com Gu An. Inclinou-se com o coração amolecido e... um leve ciúme.
— Quem te autorizou a pegar ela no colo?
O olhar ressentido dele quase perfurava o irmão.
Tio Gu: — “...”
Irmão, que tipo de irmão mais velho é você?!
Nuan Nuan então foi parar nos braços do Pai Gu e lhe deu um beijo na bochecha. O ciúme dele evaporou, e ele passou a rir como um pai bobo segurando sua filha fofa e comportada.
Se fosse em outro dia, os pais talvez se preocupassem com o estado dos filhos. Mas quem mandou brigarem na frente da Nuan Nuan?
Eles disseram: Podem brigar o quanto quiserem, mas a Nuan Nuan é uma boa menina. E se ela ficasse traumatizada por aquela cena?
Felizmente, a pequena não se assustou.
Gu Mingli resmungou:
— Qual é, tem como a gente ser mais assustador que o irmão mais velho quando ele briga?
Todos: “...” Não parece errado.
Gu Nan olhou para ele com frieza — como uma facada.
Logo chegou a segunda-feira, o dia mais odiado pelos bagunceiros — porque acordar cedo era um sofrimento.
Nuan Nuan havia dormido com o irmão mais velho naquela noite. Gu Nan, como sempre, manteve o hábito de correr de manhã.
Ele acordava mais cedo que Gu An, que era estudante. Nuan Nuan estava enrolada nos braços do irmão, dormindo tranquilamente, segurando a roupa dele com seus dedinhos finos e macios. Mas acordou quando ele se mexeu.
Ainda sonolenta, abriu seus olhos grandes e bonitos, e bocejou como um gatinho, com uma camada de neblina cobrindo seus olhos puros.
— Irmão~
Ela esfregou sua cabecinha fofa contra o peito de Gu Nan, enquanto a mão bem definida dele apertava suavemente a nuca da garotinha.
— Vou correr agora de manhã. Pode continuar dormindo.
Nuan Nuan balançou a cabecinha e saiu da cama.
— Nuan Nuan vai com o irmão.
Gu Nan a observou e foi ajudá-la a se vestir. Depois, levou-a para lavar o rosto e escovar os dentes.
Um grande e uma pequena estavam juntos no banheiro: escovando os dentes, lavando o rosto, e, por fim, ela levantou o rostinho para que ele passasse o perfume. Pronto!
Gu Nan correu ao redor da mansão. Antes fazia isso sozinho, mas, hoje, havia uma pequena sombra atrás dele — e um cachorro insano de tão animado.
Rhubarb abanava o rabo, latia e corria mais rápido que qualquer um. Passava na frente e deixava um “presente” no caminho.
Gu Nan franziu a testa, claramente incomodado. Então viu Nuan Nuan tirando um saquinho do bolso, indo até lá com esforço, franzindo as sobrancelhas e dizendo “fedido” para o Rhubarb enquanto limpava.
As sobrancelhas de Gu Nan se fecharam ainda mais.
— Deixa que os empregados cuidam disso.
Nuan Nuan levantou a mão, mostrando a luva descartável.
— Tudo bem, irmão. Tô usando luva. Os empregados não sabem onde o Rhubarb fez. E se alguém pisar? É fedido.
A garotinha era bastante responsável pelo seu cachorro.
Ok.Mas, pelo resto da corrida, Gu Nan encarou Rhubarb com tanta seriedade que o cachorro nem conseguiu mais fazer cocô, mesmo forçando.
Rhubarb: “…” — ganiu e fugiu correndo. Essa pessoa é muito assustadora!
Gu Nan falou com um tom raro de seriedade:
— Vou pedir pra alguém ensinar ele a usar o banheiro quando a gente voltar.
Nuan Nuan olhou para o Rhubarb. Como ela também não queria mais pegar cocô de cachorro, concordou com o irmão.
— Tá bom!
Rhubarb estava acabado. Brincar lá fora já não teria mais graça!
0 Comentários