— Venha cá, este é o seu tio.

A garotinha tímida e obediente se aproximou cautelosamente, ficando quietinha ao lado da mãe. Levantou levemente o rostinho delicado e olhou para o homem de meia-idade com timidez.

— Tio...

Chamou docemente, segurando com força a mão da mãe. O tio era realmente tão imponente quanto a mãe dissera, e a criança à sua frente não pôde deixar de querer se comportar bem.

— É.

O homem de meia-idade também olhou para a garotinha e assentiu devagar. Não demonstrou muito entusiasmo, mas também não transmitia frieza ou distância.

— O que você acha desta árvore?

Ele estava ereto sob a árvore e ergueu levemente o queixo. Seus olhos sábios, por trás dos óculos, encaravam a árvore de ginkgo. Parecia uma observação comum, mas havia algo em seu olhar como se contemplasse um velho amigo.

Nuan Nuan olhou para ele e depois para a árvore de ginkgo, falando com voz suave:

— Ela me cumprimentou agora há pouco, e a Nuan Nuan ouviu eles dizendo oi.

Os olhos de Bai Jinyan se moveram levemente ao ouvir aquilo.

— Por que "eles"?

Nuan Nuan se esforçou para não parecer nervosa e respondeu baixinho. Embora falasse devagar, a pronúncia era clara e a voz macia como algodão, agradável de se ouvir.

Ela balançou a cabeça com sinceridade:

— Eu não sei, a Nuan Nuan ouviu muitas vozes.

Os cantos da boca de Bai Jinyan se ergueram levemente. Ele fez um gesto natural e se aproximou.

A grande e gentil palma do tio pousou sobre a cabeça dela e a pressionou levemente.

— Que bom que voltou.

A velha árvore tinha espírito, e a criança era Linglong, uma menina rara com alma pura.

Ao lado do tio, Nuan Nuan sorriu com os olhos e sobrancelhas arqueadas, e esfregou a cabecinha peluda na palma da mão dele.

A antiga casa da família Bai era muito silenciosa, mas não aquele silêncio solitário — era uma tranquilidade serena e acolhedora.

Nesse momento, uma bela mulher de qipao apareceu. Apenas por estar ali, já se podia sentir uma beleza clássica em sua presença, como se tivesse saído de uma pintura antiga. Tinha um ar reservado e um estilo elegante.

— Esta é sua tia.

Mamãe Gu deu um tapinha suave na cabeça da filha ao apresentá-la, depois acenou para a mulher com um sorriso:

— Cunhada.

— Tia...

Nuan Nuan também a chamou obedientemente, e a bela mulher sorriu. Apesar de estar perto dos cinquenta, o tempo parecia ter parado em seu rosto. Tirando alguns fios de cabelo branco, ela ainda mantinha o charme da juventude.

— Venha cá.

A mulher de qipao tinha uma voz suave, e quando sorria, transmitia um calor reconfortante no olhar.

A garotinha a observou se aproximar lentamente, até que a tia segurou suas mãozinhas macias e a analisou com um sorriso.

— Que maravilha, você se parece muito com sua avó. Com certeza será uma bela moça no futuro. Quando crescer, seu pai e seus irmãos vão ficar de cabelo em pé.

A tia falou com suavidade. Nuan Nuan gostou tanto dela que não conseguiu evitar se aproximar. Mas havia uma pontinha de confusão nos olhos límpidos diante do que foi dito. Ainda assim, outra coisa chamou mais sua atenção.

— A tia também conheceu a vovó?

A mulher de qipao assentiu devagar, pegou sua mãozinha e caminhou com ela para dentro da casa. Olhou para o céu, como se recordasse de algo, e sorriu com os lábios.

— Sim. Ela era a musa minha e da sua mãe.

Os olhos de Nuan Nuan se arregalaram. A vovó era mesmo incrível, tanta gente ainda lembrava e a admirava.

Claro, depois de ouvir tantas histórias da mãe sobre a avó, Nuan Nuan também passou a admirá-la. Mas era uma pena que não pudesse conhecê-la pessoalmente — só tinha uma única foto da vovó, que guardava com muito carinho.

Caminhando por corredores com entalhes esculpidos e pinturas nas vigas, ela viu muitos jardins com pedras ornamentais, lagos elegantes e flores bem cuidadas. Nuan Nuan sentia que seus olhos não eram suficientes para ver tudo.

Diferente de mansões grandiosas e ostensivas, o pátio transmitia delicadeza — uma beleza de outro tipo.

Depois de se sentarem na sala, a tia serviu o chá com elegância. Todos estavam em cadeiras de madeira, ninguém falava, apenas bebiam o chá em silêncio. Mas não era um silêncio entediante — havia uma tranquilidade sofisticada no ambiente, como uma pintura viva.

— Quando a Nuan Nuan voltou, não conseguimos visitar. Eu teria levado sua cunhada no aniversário dela. Mo Hua está voltando logo, mas ainda não conseguimos contato com Mo Shu. Se ele puder estar aqui no aniversário da Nuan Nuan, com certeza o levaremos.

Mamãe Gu assentiu:

— Entendemos a situação do Shu’er. Mas Hua’er vai voltar? Quando?

— Ele disse que amanhã, mas você sabe como ele é... talvez queira nos surpreender.

Nuan Nuan segurava a xícara e bebia em pequenos goles. O chá verde-esmeralda parecia uma pedra de jade translúcida dentro da xícara de argila roxa, e o vapor branco e suave trazia um leve aroma de chá ao nariz. Cheirava muito bem.

Ela assoprou e tomou mais um golinho. Seus olhos brilhavam de alegria como luas crescentes, e um ar de felicidade pura surgiu em seu rostinho comportado.

A bela tia de qipao sorriu ainda mais ao vê-la, e não resistiu a apertar sua bochechinha.

Ela só tinha dois filhos, e gostava muito daquela menininha doce e obediente da família da cunhada.

A garotinha era tão tranquila que deixou a tia apertar seu rostinho fofinho. Talvez por timidez, um rosado suave apareceu em sua pele branca como leite, parecendo uma bolinha de algodão cor-de-rosa.

Sentou-se ao lado, quietinha, sem falar nada, apenas escutando atenta com as orelhinhas alertas.

Pelo que ouviu da conversa, deduziu que quem estava para voltar era seu segundo primo — o que gostava de desenhar.

Só não sabia que tipo de surpresa era essa a que se referiam.

Durante esse tempo, o tio e a tia foram até o escritório. Quando voltaram, a tia colocou uma pulseira de jade verde no pulso de Nuan Nuan.

— Esta é a pulseira de jade que eu usava quando era criança. A tia não tem meninas em casa, então estou dando para a Nuan Nuan cuidar.

A pulseira de jade verde-esmeralda destacava-se no bracinho branquinho dela. Mas Nuan Nuan teve uma intuição de que era algo muito precioso, então olhou nervosa para a mãe.

Mamãe Gu também parecia surpresa:

— Cunhada, isso não é... É aquela que você guarda desde a infância!

Pelo visto, aquela pulseira era mesmo muito valiosa para a tia.

A mulher de qipao apenas sorriu:

— O valor está na amizade com quem a gente presenteia. Afinal, é só um objeto. Ele precisa ser usado e amado. Se ficar escondido por muito tempo, será um desperdício.

Diante disso, Mamãe Gu não insistiu mais. Apenas assentiu para a filha:

— Presentes dos mais velhos não se recusam. Então, Nuan Nuan, aceite.

Ela disse um "obrigada" suave e sincero.

— Obrigada, tia. A Nuan Nuan vai cuidar bem dela.

A mulher sorriu e acariciou sua cabeça.

Nesse momento, o tio imponente também empurrou uma caixa de madeira para frente dela.

— Este é o presente do tio.

Nuan Nuan olhou para ele com olhos brilhando:

— Posso abrir?

Bai Jinyan ergueu a mão, tomou um gole de chá e assentiu devagar.

Nuan Nuan abriu cuidadosamente a caixa de madeira. Dentro havia um selo — um carimbo de coelho feito de jade branco.

Nuan Nuan era do ano do coelho. Debaixo do carimbo, havia um caractere "Nuan" esculpido em estilo de escrita antiga.