Enquanto resmungava com raiva, Bai Mohua cobriu Nuan Nuan com o edredom e depois se enfiou junto com ela na cama.
Ele havia acabado de voltar da rua e, como saiu vestido de forma um pouco leve, suas mãos e pés estavam frios.
Sua pele era muito clara, e seu corpo parecia um pouco magro por passar muito tempo sentado em ambientes fechados desenhando. Resumindo, ele parecia frágil — do tipo que Gu Mingli derrubaria com um único tapa.
Por isso o círculo vermelho em seu pulso esquerdo chamava tanta atenção.
Na verdade, Gu Mingli nem tinha usado tanta força assim, mas a pele dele era clara demais e delicada, então a marca parecia ainda pior do que realmente era.
Ele ainda não sabia xingar, e se não sabia nem brigar nem xingar, só levava a pior quando se desentendia com alguém.
Claro, com sua personalidade naturalmente ensolarada, ele dificilmente se desentendia com alguém — a não ser que a pessoa fosse clinicamente perturbada!
Bai Mohua esfregou o pulso. Em sua pele leitosa, parecida com a de Nuan Nuan, o círculo de marcas de dedos parecia ainda mais visível.
Nuan Nuan se sentou com as perninhas cruzadas, e seus dedinhos brancos e finos esfregaram e pressionaram o círculo da marca.
— O pulso do primo tá doendo?
A vozinha macia e dengosa da garotinha perguntou cheia de preocupação. Ela fez um biquinho, soltou um “humph” e decidiu que, quando visse o quarto irmão, ia dar uma bronca nele por causa do primo. Ele parecia muito miserável!
— Não dói.
Bai Mohua bagunçou o cabelinho fofo de Nuan Nuan.
Não doía, de verdade não doía, mas só de pensar naquilo ele ficava furioso. Nunca tinha levado uma dessa na vida!
— É melhor você brincar menos com o seu quarto irmão no futuro. Ele é muito bruto.
Como não conseguia vencê-lo, Bai Mohua resolveu jogar veneno contra Gu Mingli escondido, usando Nuan Nuan como isca.
Já era bem tarde. Bai Mohua abraçou a criança fofa por um tempo, depois a ajeitou na cama e a abraçou para dormir.
Uma priminha tão macia e cheirosa… dormir com ela no colo era uma delícia.
Bai Mohua era um se despreocupado e não guardava rancor, mas lembrava do que Gu Mingli fez até a manhã seguinte. No momento em que viu o nome dele ligando para Nuan Nuan, o pavio estourou de novo.
Nuan Nuan ainda estava na cama e não tinha acordado, mas o celular na mesinha de cabeceira começou a vibrar. Ao ver o nome “Quarto irmão" aparecendo na tela, ele teve a ousadia de recusar a chamada.
Cinco segundos depois, outra ligação.
Dessa vez, Bai Mohua foi ainda mais ousado e colocou o número na lista negra.
— Hehe...
Sorriu, triunfante, sentindo-se vitorioso.
Enquanto levantava os braços e espreguiçava, o celular tocou de novo — agora era um número desconhecido.
— Alô?
— Bai Mohua.
A voz fria de Gu Mingli veio do outro lado da linha, seguida de uma risadinha sombria.
— Covarde.
A voz carregada parecia envolver seu pulso através do telefone, fazendo com que Bai Mohua, apavorado, jogasse o celular longe.
— Gu-Gu-Gu... — Ele quase morreu de susto!
— O que foi, primo?
Uma voz suave e sonolenta veio do lado. Nuan Nuan, que ele nem percebeu que já estava acordada, esfregava os olhos e o encarava com um olhar confuso.
— Na-nada, não é nada.
Bai Mohua desviou o olhar, claramente culpado.
Assim que terminou de falar, uma chamada de vídeo apareceu no celular de Nuan Nuan.
Era Gu Mingli.
Bai Mohua ficou em silêncio... virou-se e saiu rapidamente da cama.
— Bai Mohua.
Mas a mãozinha de Nuan Nuan foi mais rápida. Quando a videochamada foi atendida, Gu Mingli apareceu do outro lado da tela. Vestia preto, encostado de leve na varanda com os cotovelos apoiados, com um ar preguiçoso como um grande gato. Tinha as sobrancelhas rebeldes, um ar selvagem, e olhos estreitos fixos em alguém do outro lado da tela que claramente tentava fugir.
Como uma pantera negra feroz encarando um cervo assustado.
Bai Mohua sentiu todos os pelos do corpo se arrepiando quando Gu Mingli pronunciou seu nome em um tom gelado.
Nuan Nuan: — ???
Ela achou o clima entre o quarto irmão e o primo um tanto esquisito.
— Nuan Nuan, pede pra ele me tirar da lista negra.
Gu Mingli foi direto. E agora, Bai Mohua se sentia ainda mais culpado, respondendo com a voz alta.
— Tá bom, já vou tirar, que grosseria!
Pegou o celular de Nuan Nuan fazendo bico, sentou-se de pernas cruzadas na cama e começou a fuçar na tela com os dedos finos e brilhantes, com raiva.
Gu Mingli não disse nada. Apenas lançou-lhe um olhar sombrio e começou a brincar com um isqueiro prateado entre os dedos. O isqueiro girava entre seus nós dos dedos até que, com um estalo claro, a chama surgiu, refletindo nos olhos escuros dele.
— Pronto.
A voz de Bai Mohua veio, e ele ainda tentou se justificar.
— Nuan Nuan ainda estava dormindo, eu só bloqueei pra não incomodar ela.
Gu Mingli deu uma risadinha.
— Então eu devo te agradecer em nome da Nuan Nuan?
O rapaz bonito e de aparência limpa tentou manter a pose.
— Não precisa disso tudo. Basta guardar no coração. Agora o primo da Nuan Nuan vai escovar os dentes.
E saiu correndo.
Gu Mingli sorriu, e voltou a olhar para a garotinha que ainda tinha uma expressão confusa.
— Nuan Nuan...
A voz dele ficou ainda mais suave, e ele a ensinou pessoalmente como encontrá-lo mais tarde. Por fim, pediu que ela levasse o celular de volta para Bai Mohua.
— Primo, primo, o quarto irmão tá te chamando.
A garotinha correu até Bai Mohua, puxando a camisa dele com seus chinelinhos fofos, e se esticou na ponta dos pés para entregar o celular.
Bai Mohua fez uma careta, o rosto expressando pura contrariedade.
— Pra que ele quer falar comigo? A gente nem é tão próximo assim!
Nuan Nuan o olhou com olhos pidões.
— Primo, você pode ir com a Nuan Nuan ver o jogo do quarto irmão?
Bai Mohua achou isso… muito cruel! Como resistir à Nuan Nuan pedindo daquele jeito?
Ficou visivelmente em conflito. Se dissesse não, ela ia ficar tão triste… seria crueldade!
Se dissesse sim, estaria fazendo exatamente o que Gu Mingli queria. Ele não queria ver aquele brutamontes jogando!
— Primo, você pode ir ver se o quarto irmão vai perder.
Essa era a frase que o quarto irmão tinha ensinado a ela no dia anterior.
Ao ouvir isso, os olhos de Bai Mohua brilharam. Sim! Ele podia ir só pra ver se Gu Mingli perdia. Aí poderia zombar dele e vê-lo passar vergonha.
Mas ainda não aceitou de imediato.
— Pergunta pra ele: quantas vezes ele já participou de campeonato? É a primeira?
Nuan Nuan segurou o celular e virou microfone entre os dois, sua vozinha ecoando nos ouvidos deles.
— Quarto irmão, o primo perguntou quantas vezes você já participou do campeonato.
Gu Mingli: — Infantil… é a primeira vez.
Respondeu com preguiça.
Bai Mohua se levantou na hora, pensando que se era a primeira vez, com certeza ele perderia.
— Tá bom, eu vou.
Depois disso, pegou o celular e desligou assim que Gu Mingli indicou onde eles deveriam se encontrar.
Após o café da manhã, Bai Mohua saiu com Nuan Nuan no colo, usando como desculpa que iam brincar juntos.
O pai Gu gritou atrás deles:
— Voltem cedo! E se faltar dinheiro, liga pro papai, viu, Nuan Nuan?
A vozinha dela respondeu:
— Tá bom~
Quando chegaram ao local combinado, Gu Mingli já os esperava. Estava com a mesma roupa preta e casual da manhã, apoiado preguiçosamente no parapeito da calçada, com um ar entediado.
Usava uma máscara, o que dificultava ver seu rosto, mas só a parte que estava visível já chamava muita atenção — especialmente sua silhueta esguia e bem proporcionada, as pernas longas e o ar selvagem e despreocupado, que só aumentava seu charme.
Pessoas que passavam, de todos os gêneros, não conseguiam evitar de lançar olhares — alguns discretos, outros bem descarados.
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