Capítulo 88: Torcida


Diante de tal situação, todos na plateia ficaram um pouco constrangidos.

 Em suas mentes, era a primeira vez que um garoto que havia acabado de crescer participava de uma competição em tão grande escala, e era basicamente impossível para ele vencer a menos que pudesse voar.

Nuan Nuan estava tão ansiosa que lágrimas brotaram em seus lindos olhos.

— Aff… esse garoto não vai ganhar, então é inútil esperar por isso.

 — Eu até tinha grandes expectativas nele antes, mas ele é jovem demais e inexperiente.

 — Ele é só um enfeite, não acho que consiga.

 — Bobagem!

Enquanto os jovens ao lado dela comentavam assim, a voz de uma garotinha suave e chorosa irrompeu com firmeza.

Eles se depararam de frente com o olhar furioso de uma menininha de jade branco. A garotinha parecia frágil, mas agora, com lágrimas nos olhos, estava feroz.

Os jovens ficaram sem reação por um momento. Por que… por que ela ainda estava chorando?

— Meu quarto irmão é muito poderoso!

Nuan Nuan parecia uma galinha protegendo seus pintinhos. Ninguém tinha permissão para falar mal de seu quarto irmão. Para ela, ele era o melhor.

— Isso mesmo, incrível! — Bai Mohua também se colocou ao lado de Nuan Nuan nesse momento. Não importava o quanto ele e Gu Mingli não se dessem bem, não gostava de ouvir os outros falarem mal dele. Afinal, ele era o irmão de Nuan Nuan.

 — Ele não é um enfeite, a corrida está muito acirrada!

Todos: "…"

Como é que isso virou uma briga?

Mas aqueles jovens perceberam que tinham provocado a criança errada, já que o assunto era o irmão dela.

Isso era realmente constrangedor. Quem imaginaria que a irmã mais nova do garoto estivesse sentada bem ao lado deles?

Nesse instante, a plateia de repente exclamou, e a comoção foi tão forte que parecia capaz de derrubar o teto.

Nuan Nuan e Bai Mohua rapidamente viraram a cabeça para olhar o telão, e viram Gu Mingli saltar com a própria moto pesada. Seu corpo era ágil e firme como uma pantera negra, descrevendo um arco afiado e elegante no ar, ultrapassando diretamente duas motocicletas antes de aterrissar.

O jovem inclinou o corpo e cravou o olhar à frente. Ao pousar, disparou como um guepardo em fuga, numa arrancada desesperada. O público só conseguia ver um borrão de velocidade, e os outros competidores no campo ainda menos — nenhum deles ousava ficar em seu caminho.

Era absolutamente insano! Quem teria coragem de provocá-lo?

— Caralho! Ele é um cachorro louco?

 — Até que gostei dele, isso é muito emocionante! — e os competidores aceleraram para alcançá-lo.

 — Merda, ele não tinha sido barrado pelos Greys lá atrás?

Os pilotos que corriam na frente não viram o que acontecera atrás, mas pelo barulho do público podiam imaginar que o garoto tinha feito algo espetacular.

— Boa! Ele alcançou Kerr!

Kerr era o piloto da moto azul e branca que havia ultrapassado Gu Mingli antes. Pelo trabalho em conjunto com Grey e os outros, Gu Mingli sabia que faziam parte do mesmo grupo.

Kerr também percebeu o perseguidor vindo atrás e imediatamente começou a praguejar.

Ele acelerou, tentando segurar Gu Mingli, mas na curva o jovem, como uma fera saindo da jaula, o alcançou completamente e o bloqueou com um movimento da traseira da moto.

O rapaz rebelde apoiou a moto com uma mão, ergueu a outra para trás e mostrou um polegar para cima a Kerr — em seguida virou o gesto para baixo.

Era arrogante e direto, mas tinha capacidade para isso.

— Ahhh…!!! Gu Li… Gu Li!

 — Gu Li!!!

Essa arrogância, na verdade, cativou os jovens. Num instante, todos se tornaram fãs fervorosos, gritando seu nome com a voz mais intensa possível.

Naquele momento, todos se lembraram do nome daquele jovem piloto!

Nuan Nuan e Bai Mohua não conseguiram evitar: levantaram-se e gritaram seu nome com entusiasmo. Só que um o chamava de "quarto irmão" e o outro de "Gu Mingli", então suas vozes estavam destinadas a se perder na multidão. Mesmo assim, ambos coraram de excitação, com os olhos brilhando.

— Eu disse que meu quarto irmão é muito poderoso!

 — É mesmo! — Bai Mohua abraçou Nuan Nuan e respondeu cheio de emoção, mas logo congelou.

Ele parecia ter vindo… para vaiar Gu Mingli e rir dele!

Como as coisas tinham chegado a esse ponto? No calor da empolgação, ele até gritou o nome do rival como um louco.

Bai Mohua cobriu o rosto claro com as mãos. Suas orelhas estavam vermelhas, e ele não queria admitir que aquele doido de instantes atrás era ele mesmo.

Os jovens que haviam falado mal de Gu Mingli também se recuperaram da empolgação, trocando olhares constrangidos.

Especialmente aquele que dissera que ele não tinha chance e era apenas um enfeite. Agora isso soava como um tapa na própria cara. Mas, a verdade é que a corrida tinha sido eletrizante de assistir.

Esse tipo de esporte tinha mesmo um encanto extremo: quando a adrenalina batia, as pessoas esqueciam de tudo e se deixavam levar pela emoção.

A corrida prosseguia. Depois de ultrapassar Kerr, Gu Mingli alcançou outro competidor com velocidade e ousadia incríveis, deixou o segundo colocado, Chris, para trás e finalmente emparelhou com o primeiro, Andre.

A linha de chegada estava cada vez mais próxima. As duas motos pesadas se alternavam na liderança, uma ultrapassando a outra. Todos estavam tão tensos que as palmas suavam, os corações batiam forte e as gargantas secavam.

Incontáveis pares de olhos fixavam-se no telão, sem querer perder nem um segundo.

Por fim, já diante da chegada, Andre e Gu Mingli deram tudo de si, disparando lado a lado e cruzando a linha de chegada num piscar de olhos. Mas os mais atentos já tinham visto: o primeiro a passar era o jovem veloz como uma pantera negra.

— Ahhh…!!! Gu Li!

Dessa vez os gritos foram ainda mais ensurdecedores, ondas de aplausos e vibração que pareciam um maremoto. Alguns até jogaram roupas ou bonés para o alto de tanta euforia, aplaudindo o rapaz.

Uma luz mais brilhante que o próprio sol iluminava o rostinho de Nuan Nuan. Ela, abraçada pelo primo, gritava para o quarto irmão com sua vozinha doce, quase se esgoelando.

Ao se dar conta, rapidamente cobriu a boca com a mãozinha, mas seus olhos brilhavam, e sua expressãozinha era tão orgulhosa quanto se tivesse vencido a corrida.

Um sorriso escapou no rosto de Bai Mohua, mas logo ele franziu os lábios, confuso.

— Quer saber? Não sou tão mesquinho assim.

Depois de refletir, Bai Mohua relaxou, riu feliz, abraçou a prima e beijou o rostinho macio dela.

— Ele venceu, ele é incrível!

Nuan Nuan envolveu o pescoço do primo e retribuiu o beijo, erguendo o queixinho afiado e bonito com orgulho.

— O quarto irmão é demais!

Na linha de chegada, o jovem tirou o capacete, revelando o rosto bonito. Os cantos da boca se ergueram com arrogância, e ele mostrou um polegar para cima na direção da câmera. Seus lábios se moveram, formando uma frase, mas ninguém conseguiu ouvir.

Alguém que sabia ler lábios arriscou a tradução:

— Parece que ele disse: “Nuan Nuan, eu venci?”

O jovem estava cheio de vigor e confiança. Era, sem dúvida, a melhor fase de sua vida.


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