Cercado no aeroporto por muito tempo, Gu Mingyu conseguiu acalmar os fãs animados e enlouquecidos e, quando entrou no carro, parecia cansado. O assistente, aflito, serviu-lhe uma xícara de água quente.
— Irmão Yu, não saia do carro da próxima vez. Você não tem seguranças?
— Está tudo bem. — Soou uma voz magnética e preguiçosa.
Algumas pessoas diziam que a voz de Gu Mingyu era como a da lendária sereia, capaz de fazer o coração das pessoas palpitar com apenas uma palavra. De fato era assim. Mesmo convivendo com ele há muito tempo, o assistente ainda sentia o coração acelerar toda vez que o ouvia falar.
"É criminoso demais, criminoso demais... Como pode existir alguém tão perfeito neste mundo? Até o cabelo dele é perfeito."
Mas agora, Gu Mingyu, que parecia cansado, transmitia uma fragilidade que fazia qualquer um sentir compaixão. Ele se recostou, tirou os óculos escuros e revelou um rosto impecável, com belos e afetuosos olhos de pêssego, além de uma pintinha vermelha no canto que acrescentava ainda mais charme à pele alva como a neve. O brinco de pedra preciosa vermelha em sua orelha esquerda chamava bastante atenção. Se fosse em outra pessoa, seria difícil sustentar aquela cor vermelha tão vibrante; nele, porém, parecia apenas acrescentar o toque de um orgulhoso ameixeiro na neve, de uma beleza impressionante.
Gu Mingyu tinha um rosto belo a ponto de ultrapassar as barreiras de gênero, cabelos negros até a cintura, mas bastava lançar um olhar para que ninguém o confundisse com uma mulher, pois seu temperamento nobre e elegante lembrava o de um filho de família real antiga.
Depois de cochilar levemente no carro por um tempo, chegou à empresa. Colocou novamente os óculos escuros e desceu. Seu empresário veio cumprimentá-lo.
— Voltou? Deu tudo certo?
Gu Mingyu respondeu com um leve resmungo, em tom preguiçoso e afetuoso. No elevador, com as mãos enfiadas naturalmente nos bolsos da calça, permanecia impecavelmente belo até mesmo parado. De fato, pessoas bonitas eram perfeitas em qualquer situação.
— Durante o tempo em que estive gravando, ninguém me xingou na internet, certo? — Gu Mingyu virou ligeiramente a cabeça para encarar seu agente.
O agente ficou em silêncio.
Ele já sabia! Esse cara parecia perfeito, mas, na verdade... era extremamente narcisista. Não só usava uma conta falsa para entrar em grupos de fãs e ver os elogios exagerados, como também era o primeiro a puxar o coro! Descarado ao ponto de tirar o fôlego.
Ele não suportava ver alguém falando mal dele, especialmente críticas sobre seu rosto. Podiam dizer que ele não tinha talento, que fazia exigências ou até espalhar escândalos, mas não aceitava que dissessem que ele não era bonito ou que havia feito plástica. Quando isso acontecia, ele mesmo arregaçava as mangas e partia para a batalha, sempre sem usar palavrões. Para ele, até brigar com uma conta falsa era pouco; se não fosse pela rígida vigilância sobre sua conta oficial, provavelmente já teria discutido com haters diretamente pelo perfil de estrela.
— Fique tranquilo, depois que você viajou, eles ficaram quietos. Ninguém disse que você era feio.
Muito bem. Gu Mingyu ficou satisfeito.
— Ah, a propósito, seu irmão está aqui.
Gu Mingyu parou, tirou os óculos escuros e semicerrrou seus belos olhos de pêssego, como um grande gato nobre e preguiçoso.
— O que aquele pirralho está fazendo aqui?
Quando o elevador chegou, Gu Mingyu saiu com suas pernas longas e retas.
— Deve ter vindo ver você.
— Hah... Aquele moleque vir me ver de boa vontade? Com certeza fez alguma coisa e veio se esconder aqui.
O empresário não disse nada.
— Aliás, ele ainda trouxe...
Antes que o empresário terminasse, Gu Mingyu já havia empurrado a porta do próprio camarim. Lá dentro, viu o irmão sentado no sofá como um verdadeiro chefe de bandidos, com uma perna cruzada e os braços apoiados no encosto, e no colo dele havia uma garotinha delicada. Ao lado, um menino bonito e limpo desenhava algo sério em um caderno com caneta.
Esse trio estranho fez Gu Mingyu hesitar, perguntando-se se tinha aberto a porta do jeito errado. Seu irmão arrogante, que não respeitava nem pai nem mãe, deixando uma menininha sentar no colo?
Nesse momento, o celular de Gu Mingyu tocou: era sua mãe. Assim que o som ecoou, os três dentro da sala olharam para ele ao mesmo tempo. Dois pares de olhos limpos e brilhantes pousaram sobre ele, cintilando.
— Alô, o que foi, mãe?
Normalmente, ele responderia com ironia, mas agora, sob o olhar de tantos olhos, até alguém de pele grossa como ele abriu a boca e falou de modo sério.
— Mingyu, antes você estava em filmagem fechada e não conseguimos contato. Sua irmã foi encontrada. Ela é a filha da família do seu tio. Quando você era pequeno, gostava de abraçá-la. Deixe eu te dizer, ela continua quentinha e macia, além de muito bonita. Volte logo, Nuan Nuan e seu tio devem chegar em casa ainda hoje...
Gu Mingyu segurou o celular, ouvindo a mãe falar da prima, e seus belos olhos caíram sobre a pequena bolinha branca e delicada, sentada no colo do irmão.
— Irmã? — Sua voz magnética soou levemente cética. Talvez não fosse preciso voltar para casa: a irmã bonita, obediente e macia de que sua mãe falava estava bem ali diante dele.
Os olhos claros e úmidos de Nuan Nuan olharam nervosos para o belo irmão mais velho na porta. Seus dedos finos e brancos agarravam nervosamente a barra da roupa do quarto irmão e, ao ouvir o terceiro irmão chamando-a com suavidade, seus olhos se curvaram em pequenos crescentes brilhantes.
Os lábios carnudos, cor-de-rosa claro como pétalas, se ergueram lentamente, revelando um sorriso suave e doce, delicadamente encantador.
E Gu Mingyu não era apenas narcisista: desde pequeno era um verdadeiro obcecado por rostos bonitos. Por isso, travava batalhas de inteligência e coragem contra a família do tio, competindo para abraçar a doce irmã. Agora, mais do que nunca, sentia vontade de segurar aquela menininha delicada e macia nos braços e apertá-la.
Nuan Nuan pulou do colo do quarto irmão, olhando ansiosa e nervosa para o terceiro irmão na porta. Aos olhos de Gu Mingyu, parecia um filhotinho de cachorro indefeso, esperando que o dono o chamasse.
— Está bem, entendi. — Depois de desligar o telefone, Gu Mingyu entrou devagar. — Venha cá.
Ele levantou a mão e fez um gesto para Nuan Nuan.
Os olhos da menininha brilharam na hora, e ela correu até ele com passinhos curtos.
Gu Mingyu sorriu. "Realmente parece um cachorrinho indefeso... tão obediente."
Nuan Nuan levantou o rostinho delicado e bonito, encarando-o com olhos límpidos e puros. Seus cílios curvados tremiam levemente, e seus dedos finos e brancos se mexiam nervosos.
— T-terceiro irmão... — A voz suave e macia parecia a de um gatinho manhoso. Essa aparência tímida e obediente era realmente de partir o coração.
O empresário e o assistente, ao verem a cena, ficaram cheios de inveja, com vontade de oferecer todas as coisas boas do mundo àquela menininha.
Diante daquela criança delicada e bonita como uma boneca de porcelana, Gu Mingyu sentiu todo o cansaço do corpo desaparecer. Seus dedos longos e bem definidos pousaram lentamente sobre os cabelos fofos e macios da garotinha.
Nuan Nuan piscou seus belos olhos grandes, arqueou as sobrancelhas e se aninhou na palma da mão do terceiro irmão. Então, os cantos dos lábios se ergueram em um sorriso obediente e envergonhado. Ela estava muito feliz.
O terceiro irmão lhe afagava a cabeça.
0 Comentários