Capítulo 41
CONTRATANDO UMA LAVADORA DE PRATOS
Nos arredores da cidade, atrás da Academia Piyong, erguia-se uma fileira de delicadas cabanas de bambu aninhadas nas montanhas tranquilas.
O sol acabara de atingir o zênite quando Feng Qiniang, carregando uma cesta de comida coberta, subiu os degraus de pedra e chegou à cabana de bambu. Ela bateu levemente na porta entreaberta e ouviu uma voz fraca vinda de dentro, como se fosse desaparecer a qualquer momento:
"Entre".
Balançando a cabeça, ela tirou os sapatos nos degraus, levantou a saia e empurrou a porta.
O interior da cabana de bambu era elegantemente mobiliado com um charme antigo, com o chão coberto por esteiras grossas e macias.
Contudo, assim que entrou, ela tropeçou de surpresa ao ver papéis amassados espalhados por toda parte e pincéis gastos jogados desordenadamente. Seu pé chegou a pisar em uma poça de tinta fresca — fresca, porque claramente acabara de ser derramada, ainda úmida enquanto penetrava na esteira.
A raiva explodiu nela, enquanto franzia a testa e se dirigia ao homem de meia-idade desgrenhado, sentado atordoado em meio às pilhas de papéis:
"Pai, quanto tempo mais pretende ficar neste deserto, antes de voltar para casa? Nestes últimos dias, mamãe tem cuidado da vovó, que fica cada vez mais senil — ela nem reconhece mais ninguém e fica batendo nas pessoas com a bengala! Além disso, mamãe tem que cuidar do nosso irmãozinho rebelde. Ela mal consegue se manter de pé, e mesmo assim se preocupa se você está comendo e se aquecendo aqui!"
O Dr. Feng agarrou os cabelos emaranhados, agitando os braços descontroladamente:
"Eu não consigo escrever! Eu simplesmente não consigo!", gritou ele, quase em desespero. "Por que isso está acontecendo? O Imperador disse que o Wenyuan é prolixo demais e o Guangji fantasioso demais — ele quer que eu compile um livro abrangente documentando fatos históricos e códigos legais ao longo dos séculos. Mas, na metade do caminho, travei! Não consigo escrever mais uma palavra!"
De repente, ele se levantou bruscamente e começou a rasgar e amassar a pilha de papéis entintados sobre a mesa, uivando como um macaco da montanha em um acesso de fúria. Só então pareceu notar a jovem parada perto da porta. Seus olhos vermelhos se ergueram, suas bochechas encovadas de exaustão:
"O que você está fazendo aqui? Saia! Não me perturbe com trivialidades mundanas! Estou prestes a ter uma grande descoberta... tão perto... não me atrapalhe…"
Dito isso, ele pegou o pincel novamente e se curvou sobre a mesa, rabiscando furiosamente.
Lágrimas brotaram nos olhos de Feng Qiniang, enquanto sua frustração transbordava. Ela atirou a cesta de comida no chão com um estrondo alto e soluçou:
"Mamãe e eu não deveríamos ter desperdiçado nossa preocupação com você! Nós até enfrentamos multidões, para comprar essa comida para você! Ótimo — continue escrevendo seu livro! Que você passe fome ou congele, para nós, tanto faz! Não moveremos um dedo por você de novo!"
Com um estrondo retumbante ela saiu, furiosa, batendo a porta atrás de si.
A cesta rolou até os pés do Dr. Feng, sua tampa de vime quebrada, revelando metade de um pão sírio frito que havia caído.
Perdido no caos emaranhado de sua escrita, à beira do delírio, o Dr. Feng de repente sentiu o aroma de algo tentadoramente picante. O perfume dissipou sua névoa, trazendo-o violentamente de volta à realidade.
Seus olhos secos piscaram, depois se voltaram lentamente para a cesta virada. Após uma longa pausa, ele a pegou em silêncio.
Dentro da caixa havia dois pedaços partidos de macarrão seco, dois cubos de molho, um ovo, algumas fatias de carne e alguns legumes assados picados finamente. No fundo, havia um bilhete escrito com a caligrafia delicada de sua esposa, cada traço ternamente preenchido:
‘Meu querido,
lembre-se de comer nos horários certos e não se esforce demais. Um livro não se escreve em um dia — não há necessidade de pressa. Este é um novo prato de macarrão seco de uma barraca de comida na cidade. Basta despejar água fervente e está pronto para comer. É muito prático e não atrasará seu trabalho. Por favor, certifique-se de comê-lo.’
Lágrimas brotaram nos olhos do Dr. Feng enquanto ele segurava o bilhete, seu coração doendo de remorso pela forma dura como havia tratado sua filha.
Ele enxugou o rosto, dobrou a carta cuidadosamente dentro da túnica e, em seguida, recolheu os pedaços de macarrão seco espalhados, um a um.
Com a cesta na mão, ele saiu para a varanda dos fundos, juntou lenha para ferver água e preparou o macarrão em uma tigela de bambu.
A brisa da montanha sussurrava pelo bosque de bambu, enquanto o Dr. Feng aspirava o ar, atônito. O macarrão seco, duro e quebradiço, havia se transformado em uma tigela fumegante de sopa perfumada e saborosa em meros instantes! Era simplesmente milagroso!
Tendo se privado de comida por dias, sem escrever uma única palavra, o Dr. Feng agora sentia seus problemas se dissiparem sob o impacto do rico aroma. Ele devorou o macarrão avidamente, mal se importando com a temperatura.
Na metade da refeição, um calor se espalhou por sua barriga, e até mesmo seus pensamentos confusos começaram a se clarear.
"… Sim! É isso!", exclamou de repente, quase se engasgando com a comida. "Por que não categorizar por pessoas, eventos e objetos, e depois organizá-los cronologicamente? Dessa forma, o fluxo da história através das dinastias se tornaria perfeito!"
Dominado pela empolgação, ele inclinou a tigela para trás para engolir a última gota, soltou um arroto satisfeito e pulou de pé — apenas para tropeçar ao perceber que havia calçado os sapatos nos pés errados.
Cambaleando de volta para a mesa da cabana, ele pegou seu pincel e começou a escrever febrilmente mais uma vez.
Enquanto isso, na trilha sinuosa que descia a montanha, Feng Qiniang conduzia a criada da família, em um acesso de raiva, apenas para encontrar a carruagem de Xie Shiyiniang ainda esperando ao pé da colina.
Ela suspirou, cansada, e se aproximou, levantando a cortina:
"Shiyiniang, eu disse para você não me esperar. Por que você ainda não voltou?"
"Como eu poderia te deixar sozinha? Prometi acompanhá-la para entregar comida ao Tio Feng", respondeu Xie Shiyiniang, com um sorriso.
Ela havia herdado todas as características arredondadas dos pais — rosto redondo, nariz redondo e olhos redondos. Embora não fosse de uma beleza estonteante, tinha um certo charme.
Naquela manhã, ela implorou à mãe por um dia de folga para passear com Feng Qiniang. Normalmente, sua mãe insistia para que ela ficasse em casa, aprendendo a administrar a casa.
Ela tinha acabado de completar dezesseis anos. Enquanto algumas moças se casavam jovens, outras esperavam até os dezenove ou vinte anos, mas sua família já havia começado a procurar pretendentes para ela.
Desde o Ano-Novo, sua mãe, Lady Xi, havia se tornado mais rigorosa. Acabaram-se os dias em que ela podia vagar livremente, visitar a propriedade rural da família ou mesmo ficar na casa do tio em Youzhou. Hoje em dia, seus passeios se limitavam a acompanhar a mãe em eventos sociais, cobrar o aluguel das lojas da família ou inspecionar os grãos recém-entregues no celeiro nos arredores da cidade. Ela não tinha um dia de diversão de verdade há tempos.
Ansiosamente, ela sugeriu:
"Mais tarde, você pode vir comigo à joalheria, buscar meu novo grampo de cabelo. Depois, compramos um chá e assistimos ao teatro de rua na Ponte Zhou! Ouvi dizer que está em cartaz uma peça nova chamada 'O Ministro Wang se Divorcia da Esposa' — dizem que é hilária e tem belas canções."
"Como quiser. Buscar coisas, assistir a peças... De qualquer forma, não estou com vontade de ir para casa agora", murmurou Feng Qiniang, ainda de mau-humor.
A menção ao pai trouxe à tona lembranças do caos em casa — sua avó ficando cada vez mais senil, batendo em todos com sua bengala, inclusive em sua pobre mãe. Ela sabia que não deveria guardar ressentimento da avó, mas seu coração doía pela mãe, que sofria as consequências de tudo.
Com um suspiro pesado, ela entrou na carruagem, desanimada demais para se animar com o passeio:
"Qiniang, por que você se tortura assim?" Deixe os assuntos do papai e da mamãe para eles — já que não podemos ajudar, devemos ao menos cuidar de nós mesmas", Xie Shiyiniang inclinou a cabeça. Na sua idade, ela era extremamente justa, então cruzou os braços e bufou: "Principalmente não gaste sua energia se preocupando com seu pai. Você está sempre pensando nele, mas tudo o que ele quer são os livros. Até o macarrão seco que compramos com tanto esforço na Loja Shen foi para ele — mas ele agradeceu? Olha só para você, claramente desanimada! De agora em diante, não se preocupe com ele."
Feng Qiniang baixou a cabeça, sombriamente:
"É fácil dizer 'não se preocupe', mas como posso realmente ignorá-lo? Ele ainda é meu pai. Eu sei que você quer me consolar, mas não diga essas coisas no futuro. Eu entendo que suas intenções são boas, mas se a pessoa errada ouvir, pode acusá-la de ser ingrata."
"Eu sei, por isso só falo o que penso para você. Não estou dizendo para cortar relações com ele para sempre — apenas para lhe dar uma lição. Minha mãe diz que uma mulher não deve ser virtuosa o tempo todo. Sem um pouco de firmeza, você será tratada como uma banana", Xie Shiyiniang inflou as bochechas, indignada. "Veja meu pai, que é absolutamente detestável, por exemplo. Esta manhã, ele levou todos os pacotes de macarrão seco de casa para o escritório, dizendo que ia oferecer um banquete aos colegas! Fiquei tão furiosa que jurei não falar com ele por três dias — e eu estava falando sério!”
Falando naquele macarrão seco, a boca de Xie Shiyiniang salivou. Ela tinha planejado saborear uma tigela esta manhã, mas quando mandou Juli buscar uma na cozinha, o cozinheiro Fang abriu as mãos, impotente — seu pai tinha levado tudo! Não sobrou nem uma migalha, nem mesmo a cesta.
Naquele momento, Xie Shiyiniang sentiu como se o mundo tivesse acabado.
Por sorte, seu irmão Xie Qi conhecia Shen Miao. Depois de muita insistência, ele finalmente mandou Zhou Da à Loja Shen, para comprar mais.
Ultimamente, a porta da loja de macarrão dos Shen estava quase transbordando. A fila para comprar macarrão seco se estendia até a Ponte Golden Beam.
Shen Miao não conseguia atender à demanda sozinha, então acabou anunciando que venderia apenas duzentas porções por dia. Mesmo assim, não foi suficiente. Logo, os ociosos começaram a acampar do lado de fora da loja, entrando em massa assim que abria, para comprar dezenas de porções. Eles compravam várias porções de uma só vez e, depois, as revendiam a preços exorbitantes para quem não conseguiu comprar. Xie Qi disse que Shen Miao chamava essas pessoas de "cambistas".
Xie Shiyiniang não entendeu. Por quê? Talvez, porque a revenda frenética se assemelhasse a uma debandada de gado em pânico? (‘cambito’ é o suporte em ‘v’ invertido que se coloca sobre o animal para apoiar os cestos laterais.)
Mas ontem, Shen Miao introduziu uma nova regra: no máximo três tigelas por pessoa por dia. Ela até distribuiu fichas de bambu para quem estava na fila — uma ficha por tigela. Quando as fichas acabassem, os atrasados não precisariam perder tempo esperando.
Outras lojas começaram a imitar o macarrão seco frito de Shen Miao, mas sem a receita adequada, algumas acabaram com massa queimada e carbonizada, enquanto outras produziram macarrão que não amolecia na água quente. Nenhuma conseguia replicar o caldo rico e saboroso dos Shen. Por enquanto, o macarrão dos Shen continuava sendo o único que era delicioso e prático.
Macarrão, macarrão — Xie Shiyiniang nunca imaginou que sentiria tanta vontade de comer macarrão. Só de pensar nele, já dava água na boca.
Olhando para o rosto ainda carrancudo de Feng Qiniang, Xie Shiyiniang sussurrou:
"Por que não vamos à Loja Shen para comer alguma coisa? Provavelmente já acabaram os macarrões secos, mas Xie Qi disse que os outros pratos de macarrão de Shen Miao são tão gostosos quanto. Vamos experimentar."
Feng Qiniang balançou a cabeça:
"Não estou com apetite."
"Você está agindo igualzinho ao seu pai agora! Como pular refeições vai resolver alguma coisa? Confie em mim, uma tigela de macarrão quente vai te fazer bem. Se te fizer suar um pouco, você vai se sentir revigorada por dentro e por fora." Vendo-a impassível, Xie Shiyiniang estreitou os olhos e jogou sua carta na manga: "Xie Qi pode estar lá também. Eu o vi sair mais cedo."
Ao ouvir a menção de Xie Qi possivelmente estar lá, a expressão de Feng Qiniang suavizou um pouco. Timidamente, ela murmurou:
"Bem... acho que podemos tentar."
Perfeito! Xie Qi havia mencionado que a loja de Shen Miao servia uma excepcional "sopa de macarrão cozido". Xie Shiyiniang estava ansiosa para experimentá-la. Radiante, ela ordenou ao cocheiro que virasse a carruagem em direção à Rua Leste dos Salgueiros, perto da Ponte da Viga Dourada.
Enquanto isso, Shen Miao — a pessoa com quem Xie Shiyiniang sonhava — sentava-se em frente à Tia Gu durante a calmaria do meio-dia, ouvindo com preocupação seus conselhos sobre contratar ajuda por meio de um agenciador de mão-de-obra.
Ela não aguentava mais. Por três ou quatro noites seguidas, lavara pratos e limpara até meia-noite.
Os negócios estavam prosperando, ultimamente. O pote de dinheiro estava tão cheio que transbordava, embora ela não tivesse tido tempo de contá-lo direito. Estimativas aproximadas sugeriam que ela havia ganho mais de dez fileiras de dinheiro vivo!
Mas o dinheiro tinha um preço — ela estava exausta!
Ela, o Irmão Ji e a Irmã Xiang estavam trabalhando sem parar. A falta de sono os deixava lentos, e ultimamente, até ela vinha derrubando tigelas, quebrando coisas e confundindo pedidos.
Ela conseguia suportar dificuldades, mas os dois jovens ainda estavam crescendo. Vê-los cambaleando, exaustos e instáveis, a entristecia. Hoje, ela finalmente insistiu que descansassem na livraria, proibindo-os de trabalhar.
Ela precisava contratar ajuda, e rápido.
A popularidade do macarrão seco a pegou de surpresa. Embora prático para comer, era trabalhoso de fazer — muito mais do que o macarrão comum!
O processo envolvia sovar, deixar descansar e esticar a massa, pré-cozinhar o macarrão, mergulhá-lo em água fria e, em seguida, escorrer bem. Somente esse tratamento alternado de calor e frio garantia que o macarrão frito ficasse crocante e elástico ao mesmo tempo.
Depois vinha o tempero do macarrão escorrido com especiarias secretas, como pimenta de Sichuan e sal, antes de fritá-lo pacientemente em fogo médio-baixo, virando os discos enrolados delicadamente até dourar. E isso sem contar o caldo, os flocos de vegetais desidratados, os ovos marinados ou a carne cozida!
Apesar de sua experiência de vida passada torná-la excepcionalmente eficiente, a produção em massa era impossível. O frenesi já durava vários dias. Embora estivesse diminuindo lentamente, a demanda diária permanecia alta.
Para um negócio sustentável, ela não podia continuar se esforçando dessa forma. Para atingir a cota diária de duzentas porções de macarrão seco, ela quase havia paralisado sua barraca de café-da-manhã e outras ofertas de macarrão.
O surgimento de "cambistas" a alarmou. Isso não era sustentável — parecia uma bolha prestes a estourar.
O apelo do macarrão instantâneo residia em sua novidade e conveniência, mas nenhum alimento agrada a todos para sempre. Ela sabia que essa euforia iria passar. Depender exclusivamente dele era arriscado. Ela precisava de opções de cardápio diversificadas e com funcionamento eficiente. Caso contrário, assim que os imitadores descobrissem a receita, as coisas piorariam.
Mas a imitação era inevitável. Na Dinastia Song, a proteção da propriedade intelectual dependia unicamente de acordos morais — como imprimir em livros anotações como "Impresso pela Editora Fulana de Tal, Proibida a Reprodução" – mas isso era inútil, pois não havia proteção legal formal. Artesãos como Shen Miao ou o Velho Yang se apoiavam em segredos familiares ou em tradições de mestre-discípulo para manter sua vantagem competitiva.
Contudo, mesmo em épocas posteriores, tais práticas eram difíceis de erradicar, quanto mais há mil anos!
O povo das Planícies Centrais sempre fora excepcionalmente habilidoso na arte da imitação, e Shen Miao não ousava subestimar a sabedoria da classe trabalhadora. Um dia, o método de fabricação de macarrão seco inevitavelmente seria copiado. Então, ela precisava se preparar para essa eventualidade.
A preparação, em termos práticos, começou com a contratação de ajuda. Ela precisava liberar as mãos das tarefas tediosas e repetitivas e se concentrar na culinária, criando iguarias cada vez mais diversas. "Um ferreiro precisa, primeiro, fortalecer suas próprias ferramentas" — somente um trabalho artesanal excepcional poderia realmente fidelizar clientes.
Tia Gu, ciente de suas dificuldades, assentiu com aprovação quando ouviu que Shen Miao pretendia contratar trabalhadores e explicou:
"Há mais de uma dúzia de agenciadores de mão-de-obra no centro da cidade. Recomendo Zhang Yazi — ele é bastante honesto. Diga a ele exatamente o tipo de pessoa que você precisa e ele encontrará candidatos para você. Em cerca de meio dia, ele trará quatro ou cinco pessoas para você entrevistar. Se nenhuma lhe agradar, ele procurará novamente. Se você encontrar alguém adequado, combine o salário e ele providenciará para que um advogado conhecido elabore um contrato. É só isso." Tia Gu olhou para as olheiras de Shen Miao, enquanto costurava. "Não estou criticando, mas você deveria ter contratado alguém antes de abrir a loja."
Shen Miao sorriu amargamente:
"Não esperava que as coisas decolassem tão de repente."
Tendo crescido cercada por inúmeras marcas e sabores de macarrão seco em sua vida passada, ela subestimou a febre desse tipo de comida no mundo antigo. Talvez, quando o macarrão instantâneo surgiu no Japão em seu mundo anterior, tenha conquistado o mundo com a mesma intensidade.
"Mas a tia acha que você não deveria apenas contratar funcionários — você deveria comprar duas empregadas", disse Tia Gu, baixando a voz de repente, dando conselhos como se falasse por experiência própria. "Nossa família guarda uma receita ancestral secreta para fabricar licor, e ela jamais deve ser revelada! É por isso que só contratamos trabalhadores temporários em março e setembro para mover os potes de vinho — nada mais. No resto do ano, seu Tio Xie e Tusu cuidam de tudo, e estranhos jamais são permitidos na cervejaria. Até mesmo o fermento é mantido em segredo. Mas a sua situação é diferente. Se você contratar pessoas para lavar a louça, varrer, buscar água ou cortar lenha, sua cozinha é pequena demais para impedir que vejam tudo. E se eles aprenderem suas técnicas? É melhor comprar dois servos, exigir contratos e mantê-los vinculados a você para sempre — incapazes de servir a outro mestre. Essa é a maneira mais segura."
Shen Miao ponderou por um instante, mas permaneceu hesitante.
Primeiro, não era ano de fome, então contratar trabalhadores competentes provavelmente custaria de trinta a cinquenta cordas de dinheiro — uma quantia considerável.
Segundo, ela não tinha o perfil para ser uma patroa implacável. Possuir pessoas não lhe parecia certo, e ela inevitavelmente se sentiria responsável pelo bem-estar delas, incluindo seus cuidados ao longo da vida.
Terceiro, uma vez comprados, não havia volta. E se o empregado se mostrasse preguiçoso, lento ou mal-humorado? Ela o revenderia, como gado?
Contratar era diferente. Um contrato significava uma transação clara e justa. Se o trabalhador tivesse um desempenho ruim, ela poderia devolvê-lo ao intermediário e solicitar uma substituição. Ela poderia se comunicar abertamente e manter um relacionamento normal e igualitário.
No entanto, as preocupações da Tia Gu eram válidas. Nesta época, suas habilidades eram seu sustento, e ela não queria que fossem roubadas por alguém que mais tarde competiria com ela. Como dizia o ditado: "Ensine seu aprendiz, deixe seu mestre passar fome." Ela não queria passar fome.
Após muita deliberação, Shen Miao suspirou:
"Vou pensar mais um pouco sobre isso."
Ela se despediu da Tia Gu e voltou para sua loja, onde o espaço vazio aguardava silenciosamente os clientes.
Na noite retrasada, ela passou a noite fritando quatrocentos bolinhos de macarrão para durarem dois dias, finalmente conseguindo respirar aliviada.
Esta manhã, vendeu duzentos, com outros duzentos guardados na cozinha, o que lhe permitiu preparar a próxima fornada com calma, sem pressa ou erros.
Mas, como o movimento da manhã foi rápido, a loja ficou bem mais tranquila depois.
Muitos clientes pareciam não saber que ela oferecia outros pratos de macarrão, vindo apenas para comprar o macarrão seco, antes de irem embora.
A agitação inicial se dissipou, deixando o lugar deserto novamente – principalmente depois do meio-dia, o vazio era palpável.
Shen Miao estava sentada em sua loja, refletindo sobre o dilema das contratações, enquanto Thunder e o cachorrinho se esparramavam perto da entrada, aproveitando o sol até que seus pelos ficassem eriçados e seus olhos âmbar se fechassem, sonolentos.
Quando o cachorro estava prestes a se derreter, uma comoção incomum irrompeu na rua:
"Você disse que eu podia testar sem pagar! Testei por dias e não fiquei satisfeita — por que não posso demiti-la? Quem está voltando atrás na palavra agora? Não era esse o acordo? Pare de me importunar, ou quer provar dos meus punhos?"
Shen Miao olhou para cima. Embora não pudesse ver as partes em conflito, a sombra alongada projetada no chão revelava um homem corpulento empurrando uma mulher menor e mais frágil.
"Vá embora! Se não fosse pela minha bondade, você e sua filha tonta teriam comido nesses últimos dias? Continue me importunando e eu vou denunciá-la às autoridades — que os soldados da guarnição deem uma lição a uma velha ladra como você. Quem contrataria uma idiota?"
A sombra da mulher foi projetada no chão, mas ela se agarrou desesperadamente à barra da saia do homem. Porém, diante da ameaça de envolver as autoridades, ela recuou com medo e o soltou.
O homem bufou, cuspiu com desdém e saiu furioso.
"Quem contrataria uma idiota? Continue sonhando!"
À medida que seus passos se distanciavam, um lamento dilacerante ecoou.
Incapaz de resistir, Shen Miao se levantou e olhou para fora — apenas para reconhecer a mulher.
Do outro lado da rua, a velha, antes tão arrumada, agora parecia desgrenhada, com uma bochecha machucada e os cabelos despenteados, sentada na terra, suas roupas manchadas de tanto implorar.
Atrás dela, sua filha, alheia a tudo, agachada, com as mãos ainda sujas de cinzas da lenha.
Uma multidão de curiosos se reuniu, apontando e murmurando.
Instintivamente, a velha abriu os braços para proteger a filha mais alta, engolindo os soluços e lançando um olhar desafiador. Ela tentou se levantar, mas a queda fora brusca e suas palmas escorregaram no chão.
"O que vocês estão olhando? Não é da conta de vocês! Saiam daqui!", ela rosnou, a voz cortante de fúria.
Shen Miao não hesitou muito, antes de abrir caminho pela multidão e dar um passo à frente. Ela se abaixou e, com um leve esforço, ajudou a idosa a se levantar.
A velha ergueu o rosto banhado em lágrimas, assustada com a ajuda repentina, e olhou para Shen Miao, surpresa. Seu rosto manchado de lágrimas carregava marcas de poeira e sujeira, lavadas pelos filetes de suas lágrimas, deixando dois rastros de lama que se estendiam até seu queixo magro, fazendo-a parecer ao mesmo tempo lamentável e estranhamente cômica.
Tia Li observava a comoção da multidão — onde quer que houvesse drama, lá estava ela —, especialmente porque sua loja ficava perto. Ela estava mastigando sementes de melão, completamente entretida, quando notou Shen Miao se espremendo de repente. Instintivamente, puxou a manga de Shen Miao e sussurrou:
"O que você está fazendo, menina? Não se meta nos assuntos alheios, ou você acabará se metendo nos problemas deles também.”
Sua voz não era particularmente baixa, e a expressão já humilhada da velha se contorceu ainda mais de indignação.
“Sua... sua mulher de boca suja! Não ouse me caluniar! Não estou aqui para causar problemas ou enganar ninguém! Minha filha trabalhou dez dias duros para aquele Mestre Tao — carregando água, cortando lenha, até mesmo passando a noite em claro, cuidando do forno sem pregar o olho! E o que ele lhe deu? Duas tigelas de mingau ralo por dia, e agora se recusa a pagar uma única moeda! Tudo o que eu quero é justiça, mas seus servos me bateram e me humilharam! Como isso é culpa minha?”
“Sua filha não é idiota? Como uma idiota pode trabalhar?”
“Disseram que você concordou com um período de teste de três dias sem pagamento — por que voltar atrás na sua palavra, agora?”
“Exatamente, já é uma bênção terem contratado uma idiota…”
As lágrimas da velha voltaram a brotar, seus punhos cerrados em frustração:
“Combinamos três dias sem pagamento, mas ela trabalhou dez! Não deveria receber pelos sete dias extras?”
Seus protestos foram abafados pelas risadas zombeteiras da multidão, que se perguntava o que uma idiota poderia fazer.
Apenas Shen Miao ouviu seu apelo.
Shen Miao delicadamente tirou a poeira das roupas da mulher e, então, tomou uma decisão. Suavemente, ela perguntou:
“Tia, minha loja está contratando. Sua filha sabe lavar pratos ou varrer o chão? Se sim, ela gostaria de trabalhar para mim? Se a senhora estiver preocupada, posso pagar por dia — um dia de trabalho, um dia de salário. Mas se ela não se sair bem, haverá descontos. Se a senhora estiver disposta, entre e conversaremos sobre os detalhes.”
A velha senhora ergueu a cabeça bruscamente, como se só agora reconhecesse Shen Miao como a mesma pessoa que, certa vez, lhe servira uma grande tigela de sopa de macarrão. Subitamente perturbada, tentou soltar o braço discretamente do aperto de Shen Miao, gaguejando:
"É você? Você... você não está... tentando me enganar para que eu pague por aquela sopa, está? Eu realmente... não tenho mais um centavo."
Então era por isso que ela havia fugido naquele dia, quando lhe disseram para esperar. Shen Miao deu uma risadinha:
"Se você está sem um tostão, o que tem a temer? Vamos, conversaremos lá dentro."
Então, ela conduziu a velha pela mão, que por sua vez puxou sua filha alta e robusta. Como espetos de carne em um palito, as três se espremeram entre os curiosos que murmuravam e entraram na Loja de Macarrão dos Shen.
Para falar a verdade, quando essa mãe e filha vieram implorar por trabalho enquanto comiam em sua loja, Shen Miao já havia se sentido tentada a contratá-las. Portanto, o ato de bondade de hoje não foi apenas caridade impulsiva.
Ela as levou diretamente para o quintal, acomodando-as sob o beiral, e então pegou duas toalhas limpas na cozinha, para que pudessem lavar o rosto e as mãos. Só depois que elas recuperaram um pouco da dignidade, ela se sentou para conversar.
A velha aceitou as toalhas com gratidão emocionada, primeiro cuidando da filha, antes de se limpar. Depois de refazer o coque frouxo, sentou-se corretamente e curvou-se para Shen Miao novamente, seu olhar agora repleto de profunda gratidão.
Shen Miao balançou a cabeça e trouxe duas xícaras de chá quente:
"Bebam primeiro, depois vamos conversar."
"Obrigada, Srta. Shen."
A mulher terminou a xícara, lançando um olhar para a filha — que encarava fixamente as galinhas orgulhosas que desfilavam pelo quintal —, antes de suspirar e se virar.
“Senhorita Shen, o que você disse sobre contratar alguém é verdade?”
“É, sim. Administrar esta loja de macarrão sozinha está ficando demais para mim. Preciso de alguém trabalhador e honesto para ajudar com as tarefas — lavar a louça, varrer, carregar água, cortar lenha. Nada muito complicado.” Shen Miao sentou-se de pernas cruzadas sob o beiral e perguntou cautelosamente: “Mas ela realmente consegue fazer essas coisas?”
“Consegue! Consegue!”
A esperança reacendeu nos olhos da velha. Ela pousou a xícara de chá, enxugou as mãos nervosamente na roupa e, hesitante, apertou a mão de Shen Miao. Com a voz trêmula, ela explicou:
“Senhorita Shen, ela é muito capaz. Eu tinha quarenta anos quando a tive, e os irmãos dela já eram adultos. A diferença de idade era muito grande, e com a condição dela, nenhum deles queria ter nada a ver com ela. Eles a viam como um fardo. Até meu marido me implorou para abandoná-la nas montanhas — que os lobos ou tigres a levassem, contanto que eu não arrastasse a família para o fundo do poço. Mas ela é uma alma viva! Eu a trouxe a este mundo. Ela não entende muita coisa, mas, de alguma forma... ela sabe. Ela sabe que sou a única que se importa com ela. Ela se agarra a mim o dia todo, abraçando minhas pernas. Como eu poderia ser tão cruel? Então, não importa o que os outros dissessem, eu a criei sozinha.
“Mas quanto mais velha ficava, mais minhas noras a desprezavam. Certa vez, quando fiquei doente, meu filho mais velho tentou levá-la para as montanhas e abandoná-la. Arrastei-me para fora da cama para procurá-la e finalmente a encontrei em uma vala — imunda, chorando, agarrando-se a mim como se sua vida dependesse disso. Foi então que percebi: não posso apenas alimentá-la. Se eu morrer, ninguém cuidará dela. Não importa o quanto eu seja desprezada, preciso ensiná-la a sobreviver sozinha.”
Enxugando as lágrimas incessantes, os olhos da velha não demonstravam fraqueza — apenas uma determinação inesperada:
“Não culpo meus filhos, nem suas esposas. Os tempos são difíceis e eles têm seus próprios filhos para sustentar. Mas parei de depender deles. Então, desde que ela tinha oito ou nove anos, ensinei-a tudo: cortar lenha, carregar água, lavar roupa, dobrá-la, esfregar tigelas, limpar mesas, varrer o chão. Ela aprende devagar, mas com paciência, consegue. Ela realmente sabe fazer tudo — e muito bem.”
“Se a senhora estiver disposta a contratá-la, Srta. Shen, cumpro minha palavra: deixo-a trabalhar para a senhora de graça por três dias! Se a achar útil, fique com ela. Não peço nada além de duas refeições substanciosas por dia, roupas adequadas para cada estação e trinta moedas diárias — ela só sabe contar até trinta, mesmo. Com isso guardado, ela terá dinheiro, se ficar doente. Se ela quebrar uma tigela ou cometer erros durante o período de teste, eu a compensarei. E se a senhora decidir que ela não é adequada, basta dizer isso francamente. Não guardarei ressentimento, nem me apegarei onde não sou bem-vinda.”
Sua voz vacilou enquanto ela baixava a cabeça, tremendo, como se aguardasse o veredito de Shen Miao.
Em vez disso, Shen Miao perguntou:
"Qual é o nome dela?"
"O nome dela é Youyu. O sobrenome do meu marido é Nian, então a chamamos de Nian Youyu", disse a velha, com um sorriso amargo. "Para alguém como ela, não ouso esperar muito. Só rezo para que ela tenha o suficiente para comer e se vestir todos os anos, que não sofra."
"Onde vocês moram?", perguntou Shen Miao novamente.
A velha respondeu apressadamente:
"Logo fora das muralhas da cidade, em um barraco perto da comporta. Meu marido e meu filho trabalham para os soldados da guarnição local que guardam a comporta. Temos um pequeno barco — eles dragam e limpam a sujeira do leito do rio para ganhar a vida modestamente. Não se preocupe, senhorita Shen, somos pessoas honestas." Ela baixou a cabeça. "Procurei por toda a periferia, mas ninguém a contratou. Por isso vim para o centro da cidade tentar a sorte."
Quem diria que, no centro da cidade, ela seria enganada e obrigada a trabalhar em uma olaria, quase escravizada para o resto da vida? A velha estremeceu ao pensar nisso.
Shen Miao assentiu e chamou:
"Youyu?"
A garota estava absorta observando duas galinhas brigando, mas ao ouvir seu nome, virou a cabeça sem expressão, com a boca entreaberta. Depois de se debater, conseguiu murmurar um "ah" antes de ficar olhando, atônita.
‘Ela responde ao seu nome’, pensou Shen Miao. Sem hesitar, levantou-se e bateu palmas:
"Não precisa de três dias de teste. Se ela é capaz de trabalhar ou não, ficará claro imediatamente. Venha, vamos testá-la agora, enquanto está tudo calmo. Youyu, siga-me", fez um gesto.
Youyu virou-se lentamente para olhar para a mãe. A velha senhora assentiu com a cabeça, encorajando-a, e acenou silenciosamente:
"Vá em frente."
Então, ela se levantou lentamente e seguiu Shen Miao, sem dizer uma palavra. ‘Ela obedeceu’. Mais um ponto positivo para Shen Miao.
Na cozinha, ela entregou a Youyu uma pilha de tigelas e metade de uma bucha vegetal, instruindo-a a lavá-las. Sem dizer nada, Youyu abaixou a cabeça e esfregou diligentemente.
A velha senhora pressionou o rosto contra a janela da cozinha, observando nervosamente, como se temesse que a filha pudesse derrubar as tigelas a qualquer momento.
Depois de lavar as tigelas, Shen Miao as inspecionou sem dizer nada, depois pediu que ela varresse o chão, buscasse água e cortasse lenha.
Ótimo. Exatamente como a velha senhora havia dito, Youyu não era rápida, mas era concentrada e minuciosa — seu trabalho era surpreendentemente bom. Justamente por sua simplicidade, ela não tinha pensamentos que a distraíssem, nunca se acomodava e permanecia alheia ao que acontecia ao seu redor.
Assim que as tarefas foram concluídas, Shen Miao se virou para a velha senhora, que estava com o coração na boca, e sorriu:
"Vamos."
Vamos? A esperança da velha senhora se esvaiu. Desesperada, ela pegou a mão da filha, pronta para partir.
Mas, assim que se viraram, Shen Miao bateu palmas e perguntou:
"Ah, vocês trouxeram o registro de casa?"
"Trouxemos... Hã?"
"Vamos procurar um tabelião e fazer um contrato", disse Shen Miao, despreocupada, enquanto pegava a mão áspera e calejada de Youyu. "De agora em diante, ela ficará comigo. Eu me certificarei de que ela esteja alimentada e, em vez de trinta moedas por dia, pagarei cinquenta. Já que ela não sabe contar, você pode guardar o dinheiro para ela. Quando ela ficar velha e não puder mais trabalhar, pelo menos terá algo com que se apoiar."
Dessa vez, os olhos da velha se encheram de lágrimas. Ela tentou se conter, mas acabou se agachando e chorando abertamente.
Youyu entrou em pânico, agachando-se ao lado dela, aflita. Hesitante, estendeu os braços e abraçou a velha desajeitadamente, murmurando:
"Mãe... Mãe... sem dor, sem choro. Sem dor, sem choro."
Depois, Shen Miao levou Youyu e sua mãe a um cartório para assinar o contrato e, em seguida, comprou para a menina dois conjuntos de roupas de algodão simples.
Depois, levou-a a uma "casa de perfumes" — não um lugar que vende fragrâncias, mas um banho público em Bianjing. Quem sabia que dificuldades a menina havia enfrentado naquela olaria? Ela cheirava a suor e suas roupas estavam chamuscadas e cheias de buracos.
Shen Miao mandou que as atendentes do banho a esfregassem vigorosamente e, depois que as camadas de sujeira foram removidas, sua pele ficou visivelmente mais clara.
Assim que ela vestiu roupas limpas, Shen Miao não hesitou: entregou cinquenta moedas de cobre à mãe de Youyu e colocou a menina para trabalhar imediatamente.
Outros poderiam achar tolo contratar uma simplória, mas Shen Miao achou ideal. Youyu era a funcionária perfeita: diligente, nunca reclamava, nunca fofocava, nunca se esquivava do trabalho e era até mais barata que uma funcionária comum.
Ouvindo o som de Youyu lavando a louça na bacia, Shen Miao finalmente se sentiu tranquila o suficiente para se concentrar em fazer seu macarrão.
Nesse instante, duas jovens com robes de gaze transparente e saias plissadas entraram na loja. Ao ouvir a comoção, Shen Miao espiou pela janela e viu criados esperando por elas.
Essas não eram garotas comuns. Assim que entraram, seus olhos instintivamente se voltaram para o cardápio na parede. Uma delas, de rosto oval, comentou: "Que curioso", antes de notar os dois pergaminhos de caligrafia pendurados ao lado. A princípio, ela pareceu não reconhecer a caligrafia.
A garota de rosto oval se virou para sua companheira de rosto redondo e ponderou:
"Que curioso — um restaurantezinho humilde como este, e as paredes cobertas de caligrafia. Vamos ver o que está escrito... Hm? Espera... essa caligrafia... Não, isso não pode ser..." Sua voz falhou, depois se tornou aguda em choque. "Essa não é a letra do Nono Irmão?"
A garota de rosto redondo ficou igualmente atônita.
"Você tem razão. É a letra do Nono Irmão. A assinatura diz Xie Jiu, e o selo é o pequeno de sempre — aquele com 'Guanshan' gravado."
A revelação foi como um trovão. O rosto da garota de rosto oval se contorceu em angústia, enquanto ela apontava para o pergaminho, seu dedo tremendo levemente.
"Eu implorei ao Nono Irmão tantas vezes para que escrevesse para mim, e ele sempre recusou. Por que o trabalho dele está pendurado aqui?"

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