Capítulos 106 ao 110

 

106: Esforço aquático 


Embora dissesse que não estava com medo, como poderia não ficar nervosa ao entrar na água pela primeira vez? Felizmente, estava usando uma boia.


Mas quando realmente começou a aprender a nadar, Nuan Nuan ficou mesmo nervosa. A água em seus grandes olhos úmidos tremia, seus cílios curvados estremeciam levemente, e seus bracinhos como raízes de lótus abraçavam com força o terceiro irmão. O pescoço e os tornozelos estavam submersos, e ela engoliu em seco.


A água naquela área era relativamente rasa. O corpo esguio e bem-proporcionado de Gu Mingyu estava firme sobre o fundo plano do lago, e a água cobria apenas sua cintura.


Comparado aos outros dois, que tinham músculos mais evidentes, o corpo de Gu Mingyu tinha uma textura suave e delicada. Ele também tinha abdômen definido, mas não tão marcado. Sua linha de cintura era como a de uma sereia.


Como normalmente precisava dançar e treinar, o corpo de Gu Mingyu não era apenas esguio e proporcional, mas também bonito — tão belo quanto uma obra de arte cuidadosamente esculpida em jade.


Sob o sol, sua pele branca como neve parecia refletir luz, e as pontas do cabelo comprido preso em um rabo de cavalo flutuavam na água, espalhando-se como nuvens submersas. A cena era extremamente bela.


E agora havia uma garotinha nervosa e frágil pendurada em seu peito.


Nuan Nuan estava praticamente agarrada ao pescoço dele. Era sustentada pelas pernas do terceiro irmão. A menina lisinha e branquinha mergulhava os pés na água com cautela. Seus dedinhos rosados, como pequenas pérolas, se curvavam levemente de medo, mas ainda assim ela não conseguia evitar continuar. Seus grandes olhos úmidos olhavam para o irmão de maneira inocente e aflita.


— Terceiro irmão, eu… eu não tenho coragem de descer.


Gu Mingyu apertou de leve os pezinhos brancos, macios e brilhantes dela, consolando-a com um sorriso.


— Não tenha medo, eu estou aqui.


A menina olhou para o incentivo nos belos olhos do terceiro irmão, abriu a boquinha rosada e respirou fundo. Então, aos poucos, soltou uma das mãos e deslizou o corpo para baixo com a ajuda dele. Quando metade do corpo ficou submersa e seus pés já não alcançavam o chão, ela abraçou o braço do terceiro irmão em pânico.


Gu Mingli e Gu An, que usavam bermudas, nadaram até eles.


— Do que você está com medo? Somos tantos olhando por você! — Gu An gritou de forma arrogante. — Quando eu aprendi a nadar, levei só um dia.


Gu Mingli não disse nada. Mergulhou e, por baixo d’água, segurou os pezinhos delicados e pequenos de Nuan Nuan com as duas mãos.


Sentindo os pés apoiados nas palmas do quarto irmão, segurando o braço do terceiro com as duas mãos e vendo os irmãos ao redor, Nuan Nuan se sentiu muito mais tranquila.


Depois de superar o medo desconhecido da água com a ajuda dos irmãos, o aprendizado entrou nos trilhos.


Seu corpinho repousava sobre os braços do terceiro irmão, que pareciam finos, mas eram fortes. As duas perninhas curtas balançavam para cima e para baixo na água, espirrando a superfície, e seus bracinhos como raízes de lótus imitavam os movimentos demonstrados.


Gu An ficava nadando ao redor dela, demonstrando, enquanto o terceiro irmão corrigia seus erros de postura e a puxava para nadar pequenas distâncias.


Nuan Nuan apertava os lábios e estudava com muita seriedade. Às vezes, só por abaixar a cabeça e engolir um pouco de água, já deixava os irmãos nervosos. Ela se sentia um pouco envergonhada.


Na verdade… quando a água chegava perto do nariz, era um pouco desconfortável, mas não era nada tão exagerado.


Ela também se esforçava mais, tentando não preocupar os irmãos.


Bai Mohua estava sentado na margem, usando uma sunga azul. Suas duas pernas finas e brancas balançavam entediadas na água. A parte de cima do corpo estava coberta por uma toalha branca, e seus cabelos macios e fofos ainda estavam secos.


Ele segurava dois gatinhos nos braços, e seus dedos longos apertavam de vez em quando as orelhinhas deles e cutucavam suas barriguinhas macias. Estava se divertindo bastante.


Ao lado dele, deitada, estava uma gata mãe de pelo longo e branco como a neve. Elegante, gentil e bonita, ela vigiava seus dois filhotes, apenas esperando que Bai Mohua se cansasse de brincar e os devolvesse.


Ao lado da gata mãe estava o muito dominante e estável gato Senhor Briquetes. Claro, exceto pelo nome Briquetes e… pelo fato de que às vezes roubava secretamente o leite dos dois filhotes, ele não era nada dominante.


A cauda do gato era extremamente longa, quase do tamanho do próprio corpo. Ela balançava relaxada atrás dele e então caía levemente na água. Ele levantava a cabeça, torcia o pescoço para olhar para trás, e quando a ponta da cauda ficava molhada, levantava-a novamente, apenas para deixá-la cair devagar outra vez.


Depois de repetir isso várias vezes, bocejou — e foi surpreendido por um respingo repentino de água.


Briquetes ficou em silêncio.


Ele se levantou e sacudiu a água do corpo, e seu pelo preto macio imediatamente se transformou em tufos desgrenhados. Olhou para o idiota que havia saltado na água animadamente com um olhar igualmente idiota, já pensando secretamente em como se vingar dessa “rivalidade aquática”.


Pequeno Laranja, que foi atingido pelos respingos, saltou assustado quando a água caiu sobre ele. Miou alto e saiu correndo, as quatro patinhas escorregando rapidamente pelo chão.


Gu Mingli, que nadava como um tubarão, de repente emergiu da água bem na frente de Bai Mohua. Bai Mohua se assustou tanto que o gatinho que estava em suas mãos voou para longe.


— Ah!


Ele rapidamente colocou o “tubarã” que o atacava no fundo da mente, e instintivamente, tentou agarrar o gatinho que tinha sido arremessado, mas acabou caindo na água.


Ele não sabia nadar e sentiu uma sufocação extremamente desconfortável dentro da água.


O gatinho arremessado foi pego por Gu Mingli. Ele estendeu o braço e o colocou em segurança na margem. Depois, com a outra mão, puxou o “afogado”.


— Cof… cof… cof…


Bai Mohua, completamente encharcado e engasgando com água, tossia desconfortavelmente. Seus cílios estavam fechados e tremendo, e gotas cristalinas escorriam de seus olhos.


— Você está bem?


Gu Mingli carregou o homem, que estava agarrado nele como um polvo, até a margem com certa dificuldade.


Bai Mohua limpou o rosto e apontou para Gu Mingli, as mãos tremendo de raiva.


— Você é um porco? Por que apareceu de repente para me assustar?


A gata mãe já havia levado seus dois filhotes para longe do perigo. Ela quase morreu de susto por eles agora há pouco.


Gu Mingli coçou a cabeça. Seu cabelo preto já era curto e, depois de ser esfregado, quase não restava água nele, mas seus traços pareciam ainda mais marcantes e definidos.


— Como eu ia saber que você era tão medroso? Eu tinha planejado vir te ensinar a nadar.


Bai Mohua piscou. Seu rosto claro ainda estava molhado, e o cabelo curto, antes fofo, agora grudava na testa, fazendo-o parecer ainda mais jovem.


— Sério?


Ele já nem ligava mais para ficar bravo. Na verdade, queria muito aprender a nadar.


— Vai para lá.


Gu Mingli ergueu levemente o queixo, indicando a área onde Nuan Nuan estava aprendendo, pois só ali a água era mais rasa.


Bai Mohua hesitou ao lembrar da sensação sufocante e desconfortável de antes.


— Tem certeza de que consegue me segurar?


Ele não queria se afogar de novo. Era horrível demais.


Gu Mingli olhou para o corpo dele em silêncio.


— Você se acha muito pesado?


Como passava muito tempo pintando, não gostava de se exercitar e comia pouco, Bai Mohua era bem magro e não parecia pesado. Pelo menos na visão de Gu Mingli, ele poderia levantá-lo com um único braço.


Bai Mohua chutou água na direção dele.


Ele tinha cerca de 1,70 m de altura, afinal! O que aquilo queria dizer?! Que insulto!


107.1: vingativo 


Gu Mingli entrou na água assim que terminou de falar, mas… o que ele tinha dito era obviamente a verdade, então por que aquele homem não gostava mais de ouvir?


Depois de um tempo, ele emergiu novamente e disse a Bai Mohua, que estava rangendo os dentes de raiva:


— Se você não quiser que eu te ensine, tudo bem.


Bai Mohua pensou na aura extremamente opressiva do irmão Gu Nan e em seu rosto inexpressivo de iceberg.


Ele balançou a cabeça rapidamente. Não, ele não ousava nem se mexer na frente do irmão Gu Nan.


Então… se quisesse aprender a nadar, agora só Gu Mingli poderia ensiná-lo.


— Então… então você me ensina.


Gu Mingli sorriu com irritação.


— Mas agora eu não estou com vontade de ensinar.


Bai Mohua ficou chocado.


Essa pessoa… essa pessoa era demais!


Ele se levantou e virou-se para ir embora com raiva. Se ele não queria ensinar, no futuro encontraria outra pessoa.


Mas assim que se levantou, uma mão agarrou seu tornozelo e o puxou para a água.


Com um “ploc”, Bai Mohua foi arrastado para dentro do lago.


Nuan Nuan, que estava aprendendo a nadar, segurou o braço do terceiro irmão e virou o pescoço para olhar para lá.


— Meu primo está bem?


Seus grandes olhos úmidos estavam cheios de preocupação, e ela até pediu ao terceiro irmão que fosse ver.


Os dedos longos e bem definidos rasparam levemente o narizinho quente e delicado dela.


— Não se preocupe tanto, seu quarto irmão está lá.


Quando a água se acalmou, Nuan Nuan viu o quarto irmão segurando o primo enquanto flutuava e nadava em direção à margem.


Ele conseguia até sustentar alguém enquanto nadava — a força dos braços era realmente impressionante.


— Cof… cof… cof…


Bai Mohua, que tinha engolido alguns goles de água, tossia, mas segurava firmemente os braços fortes de Gu Mingli com as duas mãos, com medo de afundar.


No coração, ele estava socando e chutando Gu Mingli inúmeras vezes.


Embora o processo tivesse sido um pouco tortuoso, Bai Mohua começou a aprender a nadar como Nuan Nuan. Mas cada vez que olhava para Gu Mingli, havia uma pequena chama em seus olhos, e seus dentes rangiam audivelmente.


Em um dia, Nuan Nuan já conseguia flutuar sem afundar ou se engasgar. Se segurasse na margem do lago, também conseguia nadar ao redor da borda com suas perninhas curtas. Mas ainda não sabia respirar dentro da água; se soltasse, só conseguia prender a respiração e nadar uma curta distância.


Bai Mohua estava quase igual — até um pouco pior que Nuan Nuan. Além de não saber respirar, também não ousava soltar as mãos.


Ele só conseguia segurar a margem com as duas mãos, com a cabeça molhada exposta fora d’água, enquanto os pés, submersos, ficavam se debatendo para não afundar.


Gu Mingli ficou na margem com os braços cruzados, olhando para ele de cima.


— Você é realmente o pior aluno que eu já ensinei!


Havia um claro tom de frustração, como quem lamenta que o ferro não se transforme em aço.


Bai Mohua ficou em silêncio por um momento.


— Você já ouviu muito isso do seu professor, não é?


Soava tão familiar. Quando estava na escola, os professores diziam a mesma coisa para os alunos que não estudavam bem.


Gu Mingli ficou sem palavras.


Ele era mesmo afiado na língua, não era?


Já estava na hora de comer. Todos saíram da água e trocaram de roupa. Claro, o mais popular ali era frutos do mar. Frutos do mar frescos eram deliciosos de qualquer maneira que fossem preparados — sem mencionar que havia um chef incrível na ilha.


Não eram só as pessoas que aproveitavam a comida; os animais aproveitavam ainda mais, especialmente os gatos.


Os dois gatinhos miaram depois de provar um pouco de pasta de camarão, que ficou espalhada por seus bigodinhos.


O Senhor Briquetes sentou-se elegantemente, mordendo uma perna de caranguejo vermelha com um som crocante, comendo a casca e a carne juntos.


Gu Nan colocou a carne de caranguejo perfeitamente descascada em um prato de porcelana branca e o empurrou para a frente de Nuan Nuan.


— Coma.


A palavra foi simples e direta, mas Nuan Nuan ainda conseguia sentir a gentileza exclusiva do irmão mais velho.


— Obrigada, irmão mais velho~


Ela agradeceu suavemente. A menina balançava as perninhas enquanto mergulhava a carne no molho e a colocava na boca. No instante em que provou, seus olhos se iluminaram como se uma luz tivesse sido acesa, como se houvesse estrelinhas brilhando em seus olhos vivos e úmidos.


Com as bochechas infladas de tanto comer, o rostinho delicado como jade branco transbordava felicidade.


Bai Mohua olhou para ela e deu uma mordida no arroz. Estava delicioso demais!


Os irmãos se revezavam em alimentá-la de vez em quando. Vê-la comer tão feliz os deixava especialmente satisfeitos.


O primeiro dia na ilha foi basicamente passado montando a cavalo e nadando.


À noite, todos se deitaram em cadeiras de praia sob os guarda-sóis. O céu estava sem nuvens, e as estrelas brilhavam por toda parte, formando um romântico mar de estrelas.


O deslumbrante céu estrelado estava diante deles, e o céu noturno escuro dava a ilusão de que era possível estender a mão e tocar as estrelas.


Nuan Nuan não conseguiu evitar erguer suas mãozinhas finas e brancas, tentando agarrar o céu estrelado. Claro, não conseguiu pegar nada, mas visualmente parecia que aquelas estrelas brilhantes estavam ao alcance.


— Irmão, é tão bonito aqui.


À esquerda de Nuan Nuan, reclinado na espreguiçadeira, estava Gu Nan. Embora seu corpo estivesse relaxado naquele momento, sua mente continuava girando, pensando em uma série de assuntos que só profissionais poderiam resolver.


Seu cérebro era como um computador, sempre funcionando incansavelmente — e ainda assim ele conseguia ouvir o que a irmã dizia ao lado.


— Sim.


Ele respondeu suavemente, seus olhos escuros e profundos fixos nas estrelas.


— Vou trazer você aqui para brincar de vez em quando.


A menina curvou os lábios em um sorriso. Os cantos de sua boca rosada, como gelatina, se ergueram, e seus dentinhos de tigre pareciam adoráveis.


Seus olhos brilhantes e claros se curvaram enquanto olhavam para o céu cheio de estrelas. Eram tão luminosos e bonitos que pareciam quase irreais.


— O irmão mais velho é muito bom.


Ela disse baixinho:


— Irmão mais velho, traga a Nuan Nuan aqui quando não estiver ocupado.


Ela gostava dali, mas não queria atrapalhar o irmão nem ocupar o tempo que pertencia a ele.


Gu Nan entendeu e estendeu o braço para afagar a cabecinha macia da menina.


Por que você é tão boazinha?


Sendo sua irmã, o único tesouro da família Gu, ela poderia ser mimada e caprichosa se quisesse.


Nesse momento silencioso e acolhedor, ouviu-se um latido acompanhado de um “ploc” de algo caindo na água. Várias cabeças na praia se viraram e viram que o cachorro na água era Ruibarbo. Quanto ao motivo do latido…


Briquetes lambeu a pata, balançou o rabo e saiu andando com passos felinos dominantes e calmos, escondendo seu mérito e sua fama…


Também havia Doudou, que tinha assistido a tudo e estava narrando.


— Briquetes agarrou o bumbum do Ruibarbo, e o Ruibarbo caiu na água. Briquetes agarrou o bumbum do Ruibarbo, e o Ruibarbo caiu na água…


Hum… repetir essas duas frases sem parar era… constrangedor.


Se Briquetes fosse humano.


Briquetes se virou e saltou de repente, suas garras pretas afiadas indo direto para o papagaio tagarela que estava irritando o gato. Doudou não fazia ideia de que ele voltaria, e quase foi pego.


Ele bateu as asas rapidamente e fugiu de maneira desajeitada.


Briquetes bufou friamente, sacudiu a cabeça e pulou aos pés de Nuan Nuan, pressionando o corpo sobre os pezinhos brancos e macios dela como um cobertor quente.


Estava quentinho e confortável. Sua cauda se enrolou e repousou sobre a panturrilha de Nuan Nuan.


Gu An riu de Ruibarbo por um tempo.


— Por que o Ruibarbo ofendeu o Briquetes de novo? Hahaha…


Bai Mohua piscou.


— Talvez porque o Ruibarbo pulou na água durante o dia e respingou água no Briquetes?


Muito bem… caso resolvido.


Mas ele ainda se lembrava do que tinha acontecido durante o dia. Briquetes era realmente… muito vingativo.

107.2: Trabalhadores injustiçados 
O dia foi passado tranquilamente ali, enquanto em outras cidades algumas pessoas ainda faziam hora extra — quase ficando carecas de tanto estresse.

No estúdio de Gu Nan, um homem bebeu uma lata de energético e arrancou um punhado de cabelo. Quando abriu a mão, havia dois fios entre os dedos.

Ele desabou sobre a mesa e gritou:

— Eu já estou com saudade do Sr. Gu no primeiro dia que ele foi embora!

Essas palavras imediatamente encontraram eco.

— Uuuuuuuuuuuuuuuuu… eu também estou com saudade do chefe! Quando é que ele volta…?

Como estavam com tanta saudade, calcularam o horário — e às seis da tarde Gu Nan recebeu uma videochamada “assediadora”.

Vestindo um pijama de seda preto listrado, Gu Nan estava encostado na cama quando atendeu à chamada com expressão impassível.

— Chefe, olha as olheiras embaixo dos nossos olhos!

Aquelas pessoas estavam com Gu Nan havia vários anos. Trabalharam juntos por muito tempo e entendiam até certo ponto o temperamento dele. Embora fosse realmente frio como um iceberg, seu olhar inexpressivo era extremamente opressor.

Mas todos já tinham sido treinados para suportar pressão. Desde que o Sr. Gu não estivesse irritado, ainda conseguiam dizer algumas palavras com um sorriso forçado.

Gu Nan olhou para as olheiras do homem sem expressão alguma e soltou um frio “hm”.

O jovem recuou com expressão séria, e outro rapaz, mais ou menos da mesma idade de Gu Nan, se aproximou.

— Chefe, quando o senhor volta?

Ao ver que a pele de Gu Nan estava em ótimo estado, sem olheiras, parecendo ter acabado de acordar e cheio de energia, ele ficou profundamente invejoso. Quando seria a vez dele de tirar férias…

— À noite.

A voz grave de Gu Nan soou quase mecânica, respondendo sem emoção. Em seguida, seus lábios finos se abriram e ele disparou uma sequência de termos técnicos de programação eletrônica. Aquilo virou uma pequena reunião improvisada. Do outro lado, a pessoa rapidamente se sentou diante do computador, os dedos voando pelo teclado.

Com medo de acordar Nuan Nuan, Gu Nan pegou o celular e foi para a varanda. A brisa do mar soprava sobre ele, mas sua postura continuava ereta como um pinheiro.

Nuan Nuan acordou com os olhinhos sonolentos e, meio atordoada, estendeu a mãozinha para o lado. O irmão mais velho não estava mais na cama.

A adorável e confusa Nuan Nuan sentou-se devagar, cruzando as perninhas curtas. Ficou parada por quase um minuto, até que suas pupilas escuras começaram a focar.

Ela bocejou, e seus olhos já úmidos ficaram ainda mais marejados. Lágrimas fisiológicas escorreram pelos cantos dos olhos como pequenas pérolas.

A pequena esfregou os olhos com o dorso da mão e começou a procurar o irmão. Suas orelhinhas se mexeram, e ela ouviu uma voz baixa vindo da varanda. Não entendeu uma única palavra do que estava sendo dito.

Ela desceu da cama, sem nem calçar os chinelos, e correu com seus pezinhos brancos e macios fazendo “toc toc” no chão.

Mas não foi direto incomodar o irmão. Em vez disso, escondeu o corpinho atrás da cortina, abriu uma fresta da porta de vidro e revelou apenas metade da cabecinha fofa, espiando com seus grandes olhos úmidos.

Ela não entendia o que o irmão dizia. Parecia estar em reunião. Deveria ir até lá?

Enquanto a menina hesitava, Gu Nan já havia notado a pequena figura sorrateira. Por um instante, o canto de seus lábios se ergueu levemente em um sorriso.

Do outro lado da videochamada, todos ficaram atônitos. Alguns até deixaram a xícara cair no chão com um estrondo.

— Venha aqui.

A voz era tão suave…

O grupo do outro lado ficou arrepiado da cabeça aos pés.

Mas ninguém se importava mais com a xícara quebrada.

Quando Nuan Nuan fazia videochamada com Gu Nan antes, ele sempre se afastava para um lugar silencioso para atender. Embora estivessem curiosos, ninguém tinha coragem de ouvir escondido.

E talvez não fosse tão evidente ao atender o telefone, mas o tom de voz do chefe quando falava com a irmã era simplesmente cheio de carinho!

Isso fez todos começarem a duvidar se o chefe não tinha sido possuído.

Nuan Nuan não fazia ideia da turbulência emocional do outro lado da tela. Ao ouvir o irmão chamá-la, saiu de trás da cortina com o rostinho corado e um pouco envergonhada.

Seus pezinhos brancos e macios pisavam no chão limpo, tão branquinhos e adoráveis.

Ela caminhou até o irmão com passos leves, olhando para ele com o rostinho delicado como jade rosado erguido.

— Desculpa, irmão mais velho. A Nuan Nuan não queria atrapalhar você. A Nuan Nuan só queria vir dizer bom dia.

Ela colocou as mãos atrás das costas e pediu desculpas com uma vozinha doce e infantil.

Essa vozinha atravessou o celular e chegou aos ouvidos do outro grupo, amolecendo completamente seus corações.

Quem conseguiria culpar uma fofura dessas?

Impossível…

Como não ouviram o chefe responder nem conseguiam ver a menina na tela, todos começaram a especular se ele estava bravo.

Quase queriam tomar coragem para aconselhá-lo.

O que eles não viram foi Gu Nan pousando a palma larga da mão sobre o cabelo bagunçado e macio da menina, esfregando de leve. Vários fiozinhos ficaram espetados, especialmente no topo da cabeça.

Ela parecia ainda mais adorável.

— Está tudo bem. O que eu estava dizendo para eles não é importante.

As pessoas “não importantes” do outro lado da chamada: “…”

Haha…

E eles ainda pensaram em defendê-la! Chefe, o senhor mudou, e não é nada honesto!

Nuan Nuan não duvidou nem por um segundo do irmão. Sentou-se obedientemente, inclinou a cabecinha e esfregou-a contra a palma da mão dele. Tão macia, tão fofinha.

— Irmão mais velho, a Nuan Nuan vai trocar de roupa.

— Vá. Lembre-se de colocar os chinelos.

A menina sorriu com os olhinhos curvados e assentiu obedientemente.

— Uhum, a Nuan Nuan sabe.

Depois disso, saiu batendo os pezinhos pelo quarto.

Quando Gu Nan voltou a olhar para o celular, deu de cara com vários pares de olhos ressentidos.

Ser encarado por tantos olhares assim não mudou nem um pouco sua expressão. Sua resistência era impressionante.

— Organizem os dados por enquanto. O resto eu resolvo quando voltar.

Ele entrou em modo de trabalho em um segundo e encerrou a videochamada sem dar tempo para que reagissem.

Todos ficaram em silêncio.

Isso é que são dois pesos e duas medidas…

Mas…

— Ah… a voz da irmã do chefe é tão doce e suave.

— E ela é tão comportada. Como alguém como o chefe… pode ter uma irmã tão doce e macia? Isso não faz sentido científico!


108: Aventura na praia 

Hoje era o segundo dia após chegarem à ilha. Eles não ficaram apenas perto da villa brincando como no primeiro dia. Estavam em uma ilha, então como poderiam não ir brincar no mar?

— É uma pena que eu tenha acordado tarde, senão poderia ter visto o nascer do sol.

Bai Mohua segurava um pãozinho na boca de maneira distraída, segurando os hashis com seus dedos longos e finos e mexendo-os dentro da tigela. Seu cabelo curto e fofo parecia levemente brilhante sob a luz, quase ficando dourado.

Ele parecia ter acabado de acordar, e os cabelos em sua cabeça estavam um pouco arrepiados, como os de Nuan Nuan. Ele mastigava o pãozinho lentamente, com o pão ainda na boca, e suas pupilas estavam um pouco dispersas enquanto olhava para o sol alaranjado que havia surgido no horizonte.

Como teria sido bonito vê-lo no mar. Ele poderia tê-lo desenhado.

De repente, levou um tapa na parte de trás da cabeça, e o pãozinho em sua boca foi empurrado de volta para a tigela. Ele se virou para encarar Gu Mingli, que vinha caminhando atrás dele com um copo de água.

— O que você está fazendo?

Gu Mingli puxou a cadeira ao lado e se sentou. Assim que estava prestes a colocar suas longas pernas sobre a mesa, como fazia de costume, de repente encontrou o olhar frio de Gu Nan do outro lado.

Ele fez uma pausa enquanto bebia água e recolheu a perna que havia levantado pela metade.

Aquilo não era a casa dele, então precisava se conter.

— Não é a mesma coisa assistir ao pôr do sol à noite quando você não consegue ver o nascer do sol? Não sei quem foi o que acordou mais cedo, mas você ainda tem coragem de reclamar.

Bai Mohua curvou os lábios e bufou pelo nariz.

— Eu só comentei, não disse que precisava mesmo ver.

Gu Mingyu comeu sozinho dois pãezinhos no vapor e uma tigela de mingau de frutos do mar, e passou o resto do tempo observando Nuan Nuan comer.

Era realmente satisfatório ver a garotinha terminar suavemente a comida diante dela e então soltar um pequeno arroto.

Claro, seria ainda mais agradável apertar suas bochechas macias depois de comer.

Só que a pele da menina agora era macia e clara como pudim de leite. Mesmo um beliscão leve podia deixar uma marca de dedo. Parecia realmente delicada.

Mas ela era muito obediente, não tinha temperamento e até deixava que ele apertasse seu rosto. Era realmente…

— Nuan Nuan, lembre-se: exceto pelos seus irmãos, se alguém ousar apertar seu rosto assim no futuro, você precisa bater neles. Se não conseguir bater, venha até nós. Seus irmãos vão ajudar você a bater nele.

Nuan Nuan olhou para o terceiro irmão com seus grandes olhos úmidos. Depois que ele terminou de falar, ela assentiu obedientemente e respondeu suavemente:

— Oh, Nuan Nuan vai lembrar.

Ela era tão boazinha…

Foi isso que vários irmãos pensaram ao mesmo tempo.

— Vamos para a praia.

Gu Mingli se levantou e se espreguiçou.

— Irmão, você tem uma prancha de surfe?

Ele gostava de esportes emocionantes, e o surfe era um deles.

Gu Nan pegou Nuan Nuan nos braços. Os bracinhos da menina, parecidos com raízes de lótus, abraçaram seu pescoço. Seu queixo pontudo repousou suavemente sobre os ombros largos do irmão mais velho. Enquanto balançava levemente seus pezinhos, ela olhava para o quarto irmão com seus olhos úmidos e inteligentes.

Gu Nan disse:

— Vá perguntar ao Nan Feng você mesmo.

— Certo!

Gu Mingli foi imediatamente procurar Nan Feng.

Com duas boias de natação, Rhubarb carregava um pequeno balde vermelho na boca, abanando o rabo enquanto seguia o grupo.

Bai Mohua carregava seu quadro de desenho nas costas e, na mão, um cesto que servia como ninho de gato, dentro do qual estavam os dois filhotes da gata mãe. A gata mãe e Little Orange o seguiam.

Quanto ao Briquettes, ele seguia Gu Nan porque ele estava carregando Nuan Nuan.

Enquanto caminhava, Gu An discutia com Doudou, o papagaio.

— Pernas curtas! Anda mais devagar! Anda mais devagar!

Gu An ficou tão irritado que balançou os braços para ele.

— Acredita ou não, eu arranco as penas desse seu papagaio!

Eles foram até a praia em um carro turístico prateado. Assim que chegaram, o cachorro saltou primeiro, largou o pequeno balde vermelho que segurava na boca e correu em direção a eles abanando o rabo. Depois latiu na direção das ondas e saiu correndo loucamente pela praia. Às vezes, caía na areia e rolava de um lado para o outro, feliz como um cachorro maluco.

Nuan Nuan carregava o pequeno balde vermelho com suas mãozinhas e desceu com Briquettes. As almofadinhas macias de Briquettes pisaram no cascalho fino. Era a primeira vez que ele vinha à praia e estava bastante curioso sobre tudo ali.

Little Orange era a mais tímida. Ela ficava colocando a cabeça peluda para fora do carro, mas não queria descer. No final, foi Bai Mohua quem a pegou e a tirou de lá.

Como se tivesse sofrido uma grande injustiça, ela correu até Nuan Nuan, miando e reclamando. Com as duas patas, abraçou as perninhas curtas da menina, de pele branca como leite, mas muito esperta, manteve as unhas recolhidas.

Nuan Nuan se agachou e acariciou sua cabecinha peluda, como se estivesse consolando.

— Não tenha medo, Little Orange, todo mundo está aqui.

Rhubarb sentou-se ao lado, estreitou os olhos e olhou para Little Orange com uma expressão particularmente pouco amigável. Ele sentia que aquela gata era uma gata cheia de esquemas…

Seu rabo balançou algumas vezes e então bateu nas costas de Little Orange.

— Nuan Nuan, venha aqui rápido!

Gu An correu um pouco à frente da menina, virou-se e acenou para ela.

— Já vou!

Nuan Nuan correu até ele carregando o pequeno balde vermelho.

O cascalho branco e fino brilhava sob a luz do sol, bonito como joias e… havia muitas coisas boas escondidas ali.

— Olha, uma concha!

Gu An pegou uma concha, levantou o queixo e mostrou o que tinha na mão para Nuan Nuan.

— Irmãozinho, você é tão incrível!

Nuan Nuan correu atrás dele passo a passo, com as sobrancelhas arqueadas e os olhos cheios de sorrisos.

Ao ouvir isso, Gu An tentou ao máximo conter o canto da boca que queria se levantar, e colocou a concha dentro do pequeno balde vermelho da irmã com uma expressão orgulhosa no rosto.

Era possível ver que já havia várias conchas lá dentro.

Gu An, que havia sido elogiado pela irmã, continuou levando Nuan Nuan para procurar coisas na praia como se tivesse sido revigorado. Aparentemente, ele esqueceu que Nuan Nuan não tinha dito aquilo apenas para ele.

Mas… ela tinha um vocabulário pequeno e não conseguia falar tão bem quanto ele. Só conseguia pensar nisso para elogiar seus irmãos, e em seu coração todos eles eram muito incríveis.

— Nuan Nuan, olha para mim!

Um grito veio de algum lugar. O som era muito alto, mas depois da distância e da brisa do mar, muito pouco chegou aos ouvidos da menina.

Ainda assim, ela reconheceu a voz do quarto irmão. A garotinha levantou a cabeça e viu Gu Mingli em pé no mar, onde a água chegava apenas até a cintura, acenando na direção dela, com um olhar confiante em seu rosto profundo e bem delineado.

Então ele se deitou sobre a prancha de surfe e remou com os braços para nadar mais para dentro do mar.

Quando uma onda veio rolando, ele saltou e ficou de pé na prancha. Seu corpo controlava a prancha enquanto ele se mantinha no topo da onda. À medida que a onda avançava com força, ele a dominava com facilidade.

Sob o sol brilhante, Gu Mingli estava em pé na prancha de surfe. Ele juntou o dedo indicador e o dedo médio nas têmporas e acenou para eles, parecendo bonito e cheio de estilo.

— Quarto irmão!

A menina olhou com olhos brilhantes para o jovem cheio de energia na prancha. Seu coração deu um pulo quando ele se levantou e começou a surfar, com medo de que o quarto irmão fosse derrubado pelas ondas.

Mas agora, ao vê-lo em pé sobre as ondas, seu rostinho ficou corado de empolgação. Ela pulou e acenou suavemente, chamando pelo quarto irmão.


109: 

Embora Gu Mingli realmente parecesse muito bonito enquanto surfava, e Gu An estivesse ansioso para tentar também, mas… ele simplesmente não sabia como fazer isso.

As outras pessoas não o deixariam correr um risco desses. Com uma idade tão pequena, ele deveria ficar na boia e nadar no mar. Surfar? Eles tinham medo por ele, porque ele ainda era muito pequeno.

Gu An ficou tão chocado que chegou a ficar atordoado. Ele olhou para a prancha de surf de Gu Mingli com olhos gananciosos, como se realmente desejasse poder crescer logo.

Gu Mingyu e Gu Nan também foram surfar, e então os três subiram nas pranchas e começaram a mostrar vários truques. Todos ficaram maravilhados. Nuan Nuan segurava o celular e tirava fotos com os olhos brilhando.

Pessoas tão extraordinárias eram todas seus irmãos!

Um sorriso brilhante e doce apareceu no rosto da garotinha, e ela olhou para os irmãos à sua frente com um olhar extremamente orgulhoso.

Ela era muito sortuda.

Bai Mohua estava sentado de pernas cruzadas na praia, com seus pincéis e tintas ao lado. Ele segurava uma prancheta de desenho com uma mão e, com a outra, delineava a cena de surfe no mar com apenas alguns traços. Os rostos das pessoas ao longe não podiam ser vistos claramente, mas os movimentos e expressões de cada um estavam retratados com nitidez.

Diferente do traço delicado de antes, desta vez suas pinturas tinham cores mais ousadas e um impacto evidente. Depois de desenhá-las, ele se sentiu inexplicavelmente nervoso, animado e de mente aberta.

Quando Nuan Nuan correu até lá depois de assistir seus três irmãos surfando, a pintura de Bai Mohua já estava pela metade. Embora estivesse apenas pela metade, ainda era muito bonita.

Sob o sol, o jovem de aparência limpa na praia tinha uma pele clara e delicada que parecia refletir a luz. A maneira como ele estava sentado ali, pintando silenciosamente, tinha uma sensação inexplicável de santidade.

Depois que Nuan Nuan se aproximou, ela não perturbou o primo enquanto ele pintava, mas caminhou silenciosa e obedientemente para trás dele, olhando para a pintura com seus olhos claros, preto e branco, observando com emoções intensas enquanto a pintura gradualmente tomava forma em suas mãos.

O jovem imerso em seu próprio mundo parecia isolado de todas as distrações. Ele usava seus dedos longos para desenhar e pintar no papel com o pincel de forma cuidadosa. As pupilas de seus olhos não refletiam nada além da pintura diante dele.

Embora Nuan Nuan não entendesse de pintura, ela conseguia sentir claramente que as pinturas atuais de seu primo eram diferentes daquelas que tinha visto antes em seu estúdio, mas não conseguia dizer o que exatamente era diferente.

Os três surfistas também saíram do mar. Seus cabelos estavam completamente molhados. Gu Mingyu cobriu diretamente a cabeça com uma toalha seca. Gu Mingli passou a mão pelos cabelos, empurrando-os da testa para trás, e a maioria das gotas de água acabou se espalhando para todos os lados.

Os olhos de Gu Nan eram profundos e seus lábios finos estavam pressionados em uma expressão sem emoção, o que o fazia parecer particularmente frio. No entanto, a forma como seu cabelo preto curto grudava na testa parecia suavizar o contorno de seu rosto, fazendo-o parecer muito mais jovem.

— O que vocês estão fazendo?

Gu Mingli se aproximou casualmente, segurando uma prancha de surf com uma mão.

Nuan Nuan rapidamente colocou o dedo indicador nos lábios e fez um gesto de silêncio. Ela abriu a boca e falou baixinho, com uma voz suave.

— O primo está pintando.

Gu Mingli levantou as sobrancelhas e sorriu, caminhando alguns passos para trás de Bai Mohua. Ele também percebeu que aquele cara parecia estar imerso em seu próprio mundo e nem havia notado que eles já tinham saído do mar.

Ele já tinha ouvido falar da reputação do gênio Bai Mohua antes, mas nunca tinha visto com os próprios olhos.

Uma razão era porque eles nunca tinham se encontrado antes, e a outra era que ele não gostava dessas coisas artísticas. Ele já tinha visto algumas pinturas famosas na internet, mas era muito rude para apreciar aquelas pinturas abstratas e distorcidas.

Mas quando ficou atrás de Bai Mohua e seus olhos caíram sobre a pintura, Gu Mingli ficou maravilhado pela primeira vez com esse tipo de arte que ele achava que não conseguia entender.

O mar e o céu azuis pareciam não ter fim, e sobre as ondas altas, três humanos relativamente pequenos estavam “conquistando” o oceano.

Era apenas uma pintura, mas fazia as pessoas sentirem como se realmente estivessem ali, e realmente sentir aquela excitação tensa, mas revigorante.

— Incrível.

Ele murmurou baixinho para si mesmo enquanto olhava para Bai Mohua.

Antes, Bai Mohua lhe dava a sensação de ser “fraco e inexperiente”, com aparência juvenil e um tipo de ingenuidade que mostrava que ele não estava familiarizado com o mundo. Mas agora era a primeira vez que ele olhava para essa pessoa com seriedade. Embora ele fosse muito bonito, era um pouco masculino de menos, mas realmente tinha um par de mãos mágicas e um cérebro igualmente mágico.

Caso contrário, como poderia se lembrar de tanto e desenhar perfeitamente a cena daquele momento?

Será que todos os pintores eram tão inteligentes?

— Ele realmente é um pintor talentoso.

Gu Mingyu também tocou o queixo e elogiou.

Embora Gu Nan não tenha dito nada, seu olhar permaneceu na pintura por um longo tempo.

Realmente muito boa.

O tempo passou lentamente, e Bai Mohua não sabia quanto tempo havia passado pintando. Quando finalmente colocou o pincel de lado, a fragrância dominadora que chegou à ponta de seu nariz fez seu estômago começar a revirar.

Já era hora do almoço, mas ninguém voltou. Em vez disso, pediram aos guarda-costas da vila que trouxessem uma churrasqueira e comida para fazer um churrasco diretamente na praia.

Embora parecesse bem fácil quando observavam outras pessoas fazendo churrasco, quando realmente chegou a vez deles…

— Que p*rra! Por que o fogo acendeu de repente? Ainda dá pra comer depois de virar esse fantasma preto?

Gu Mingli disse enquanto olhava para a carne escura em sua mão, e as linhas pretas em seu rosto ficaram ainda mais profundas.

Nan Feng lembrou ao lado:

— Quarto Jovem Mestre, o senhor colocou óleo demais. Se o óleo for muito, o fogo queima e deixa tudo preto facilmente.

Gu Mingli disse:

— Não fica mais gostoso se colocar mais óleo?

Mesmo depois de o problema ter sido apontado, quando começou a assar novamente, ele ainda achou que havia pouco óleo. Naquele momento, sua mente e suas mãos pareciam pertencer a pessoas diferentes.

"Cérebro: com base na última experiência, esse óleo já é suficiente."

"Mão: acho que precisa de um pouco mais."

Então… acabou ficando preto de novo sem querer.

Gu Mingli ficou em silêncio por um momento.

"P*rra!"

Gu Mingyu estava sentado na cadeira, virando lentamente os espetos de churrasco em sua mão.

— Acho que esse aqui já está quase pronto, certo?

Parecia que ele tinha alguma experiência.

Ele estava bastante confiante e provou sem hesitar.

Três segundos depois…

Ele cuspiu a carne de peixe da boca sem expressão.

Por que o churrasco dele tinha gosto amargo?

— Como está o gosto?

Gu Mingli, que já tinha feito churrasco duas vezes e queimado dos dois lados, veio naquele momento, um pouco irritado.

A expressão de Gu Mingyu voltou ao normal instantaneamente, e ele até sorriu.

— Nada mal.

— Sério? Somos irmãos, não tem motivo pra você conseguir fazer churrasco direito e eu não…

Enquanto falava, ele comeu a carne que Gu Mingyu havia grelhado. Soprou aleatoriamente no peixe e enfiou na boca, e então…

— Bah! Gu Mingyu, você me enganou! Você colocou fel nisso? Que diabos é isso?!

Gu Mingyu riu e saiu correndo. Sofrer sozinho não era tão divertido quanto sofrer junto com os outros. De qualquer forma, se desse para enganar alguém, já estava ótimo.

Nuan Nuan, que originalmente estava pensando em comer o churrasco feito pelos irmãos…

Ela ficou em silêncio.

Ela estava… um pouco com medo de comer.

Ela e seu irmãozinho voltaram seus olhares para Gu Nan, o último sobrevivente.

— Pah…

Gu Nan ficou parado em silêncio, olhando para o molho de churrasco derramado e os frutos do mar completamente cobertos de molho diante dele.

Nuan Nuan & Gu An:

— ……

110

Ninguém esperava que o churrasco desses três homens adultos pudesse dar tão errado.

Nan Feng: “…”

Ele já achava que aquilo seria pouco confiável. Afinal, todos eram jovens mestres, mas os três irmãos queriam fazer churrasco para a irmã. O resultado foi… melhor nem comentar agora. Sem falar da senhorita Nuan Nuan comer, nem eles mesmos conseguiam comer aquilo.

Eles também desperdiçaram muitos ingredientes, o que realmente era um pouco de desperdício.

— Irmão Nan Feng, ensine a Nuan Nuan a fazer churrasco.

A garotinha já tinha desistido de comer o churrasco feito pelos irmãos e queria fazer ela mesma.

Ela também cozinhava sozinha quando estava na Vila Xiaoxi. A vovó dizia que a comida dela era deliciosa. Isso deveria ser… não muito difícil, certo?

Mas depois de ver o desastre dos irmãos, ela ficou um pouco sem confiança.

Gu An também correu e disse que queria aprender. Então todos começaram a assar, exceto Bai Mohua, que ainda estava imerso em seu próprio mundo.

A churrasqueira era um pouco alta, e Nuan Nuan era baixa demais para alcançar direito. Nan Feng foi procurar uma pedra para ela e colocou no chão. Nuan Nuan subiu nela, e então ele começou a orientar a pequena e delicada garota sobre como fazer o churrasco.

Comparado a orientar os outros, ele sentia muito mais satisfação ao ensinar a senhorita Nuan Nuan, porque ela era realmente obediente. Diferente dos outros irmãos. Mesmo não entendendo, eles ainda tinham suas próprias ideias e insistiam em fazer tudo de acordo com o que achavam certo.

E não eram apenas os três mais velhos que pensavam assim, o mais novo, Gu An, também era igual.

Ele franziu a testa e encarou seu churrasco, sempre sentindo que o molho parecia faltar alguma coisa.

Gu An pensou: "Vamos colocar um pouco mais…"

O resultado final não foi surpresa nenhuma. Ficou tão salgado que não dava para comer. Ele deu uma mordida e cuspiu imediatamente. Não ficou melhor que o dos três anteriores.

Nan Feng nunca soube que um churrasco poderia ter tantos tipos diferentes de resultados intragáveis. Os molhos e tudo já estavam preparados. Como aquilo podia ser tão difícil?

Depois de mais de dez minutos, finalmente um aroma normal começou a se espalhar.

A pequena e calorosa garota em pé sobre a pedra olhava feliz para os camarões, coxinhas de frango, asas de frango, vieiras e ostras diante dela.

Ela não deu muita atenção às coisas com concha depois de adicionar tudo que precisava conforme as instruções de Nan Feng. Quanto aos outros alimentos, ela apenas passava óleo e molho quando necessário, e os virava na hora certa.

As amêijoas e as vieiras estavam quase prontas, com o aroma de alho e macarrão de vidro se espalhando ao longe. O cheiro estava realmente delicioso.

Os outros irmãos olharam para a culinária sombria fracassada diante deles e depois para o delicioso churrasco diante da irmã, e todos ficaram extremamente silenciosos.

Gu Mingyu cobriu o rosto.

— Estou com vergonha demais para encarar as pessoas…

Esses homens adultos eram piores no churrasco do que uma criança de cinco anos!

Nan Feng disse:

— As ostras e as vieiras já estão quase prontas para comer, assim como os camarões e os vegetais.

Um sorriso brilhante imediatamente floresceu no rosto delicado de Nuan Nuan. Ela se virou para olhar os irmãos e acenou com suas mãozinhas, olhando para eles com olhos brilhantes, muito feliz.

— Irmão mais velho, terceiro irmão, quarto irmão e irmãozinho, venham comer~

Ela chamou todos os irmãos novamente, e por fim seu olhar caiu em Bai Mohua. Nesse momento ele também havia guardado o pincel, e um cheiro extremamente tentador chegou à ponta de seu nariz.

Gu Nan pegou Nuan Nuan no colo e a tirou de cima da pedra, enquanto os outros ajudavam a juntar os alimentos prontos e colocá-los na pequena mesa ao lado.

— Você não precisa mais trabalhar. Nan Feng vai assar.

Eles já tinham desistido. Não conseguiam comer o que faziam, e ainda fizeram a irmã cozinhar para eles…

Claro que não podiam deixar Nuan Nuan se cansar, então Nan Feng e o chef fariam o resto.

Nuan Nuan estava cercada por vários irmãos. O irmão mais velho esfriou cuidadosamente a carne de ostra ainda quente e a entregou para ela com cuidado.

O quarto irmão estava descascando camarões e depois alimentando-a com a carne perfumada.

O terceiro irmão, o primo e o irmãozinho também estavam ocupados.

Nuan Nuan só precisava abrir a boca. Suas bochechinhas estavam cheias de comida, e seus grandes olhos úmidos olhavam para os irmãos.

— Vo…vocês comam também. A Nuan Nuan consegue sozinha.

— Não. A pele das suas mãos é muito delicada. Se queimar, vai doer.

Gu Mingli disse:

— A nossa pele é grossa, não tem problema.

Nuan Nuan: “…”

Realmente não precisava falar assim de si mesmo.

Os chefs profissionais não eram apenas eficientes ao assar, mas o sabor também era muito delicioso. No final, Nuan Nuan, Gu An e Bai Mohua não conseguiram se controlar e comeram bastante.

Gu Mingyu comeu menos por causa de sua profissão e comeu mais vegetais.

Na maior parte do tempo, ele estava alimentando Nuan Nuan. Enquanto conversavam, ele continuava oferecendo comida com entusiasmo, e Nuan Nuan acabou comendo mais do que esperava.

Depois de comer, Nuan Nuan tocou sua barriguinha levemente estufada, pegou o pequeno balde vermelho, Briquettes e Rhubarb, e foi para a praia pegar conchas e outras coisas para ajudar na digestão.

Os outros também seguiram e caminharam pela praia. No final, acabou virando Bai Mohua flutuando no mar com uma boia e aprendendo a nadar. Claro, havia pessoas observando ao redor. Gu An também queria descer direto para o mar, mas acabou levando uma bronca do irmão mais velho. Era obrigatório usar boia antes de entrar no mar.

Risadas e latidos de gatos e cães ecoaram por muito tempo na ilha antes silenciosa.

Quando o sol se pôs, Gu Nan os levou novamente para o cruzeiro particular.

Gu Mingli olhou para o cruzeiro flutuando no mar com total inveja.

— Irmão, você já tem tanto dinheiro antes mesmo de assumir a família Gu?

— Que tipo de capacidade de ganhar dinheiro é essa? Irmão, você é a reencarnação de um Pixiu!

Gu Nan os levou do porto da ilha até o cruzeiro sem nem levantar as pálpebras ao ouvir isso.

— Bem, eu ganhei um pouco de dinheiro.

Todos: “…”

Isso é um pouco?

Antes tinha um jato particular, depois uma ilha particular tão grande, e agora um cruzeiro. Você também tem um submarino?

Eles não sabiam que o irmão mais velho era tão rico antes, e ele ainda ganhou tudo sozinho. Ele nem tinha vinte e cinco anos ainda. Como ele conseguiu fazer isso!

O interior do cruzeiro era discreto e luxuoso, com tudo que alguém poderia precisar.

Assim que chegaram, Gu An saiu correndo animado e declarou em voz alta:

— Quando eu crescer, vou comprar meu próprio cruzeiro!

No entanto, um desejo tão apaixonado não recebeu apoio caloroso nem aplausos. Vários irmãos olharam para ele como se fosse um idiota.

Gu Mingli esfregou a cabeça dele.

— Você? A menos que tenha a capacidade de ganhar dinheiro do seu irmão mais velho, é melhor só alugar.

Gu Mingyu, com um sorriso nos olhos de flor de pêssego, deu um tapinha no ombro dele e disse de forma superficial:

— Força aí.

Bai Mohua piscou.

— Por que comprar um cruzeiro? O irmão Gu Nan já tem um.

Gu Nan lançou um olhar frio para ele.

— Já terminou sua lição de casa?

Gu An: “…”

Pronto, eles não podiam mais ser irmãos!

Quando ele estava triste e indignado, Nuan Nuan correu até ele, segurou sua mão e o encorajou com seriedade. Seus grandes olhos preto e branco úmidos estavam cheios de sinceridade.

— Irmãozinho, você consegue.

Gu An abraçou Nuan Nuan com lágrimas nos olhos. Como esperado, só sua irmã era o pequeno casaco acolchoado mais atencioso!

O rostinho de Nuan Nuan, apertado no abraço, ficou todo amassado.

Antes, seu irmão tinha dito que queria comprar um avião. Quanto dinheiro ela teria que juntar para ajudá-lo…

Notas de rodapé:

[1] Pixiu é uma criatura mítica chinesa. Os Pixiu são considerados poderosos protetores do feng shui. Eles se parecem com leões fortes e alados. Um Pixiu é uma criatura especial associada à riqueza.

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