Capítulo 14


 Capítulo 14


Os estreitos olhos de fênix de He Siyu se ergueram ligeiramente enquanto ele falou arrastado, em uma voz profunda:


— Sou um homem de mente pura e simples, sempre confio demais nos outros.


Sentado ao lado dele, Gu Xingchen engasgou com o vinho e tossiu violentamente na mão.


Sang Ning: "..."


Agora ela entendia que aquele homem não era apenas dominador, mas também descarado.


Sang Ning forçou um sorriso.


— De fato, o Sr. He é um homem sincero.


He Siyu não confirmou nem negou, apenas curvou os lábios.


— Então, onde você aprendeu a avaliar antiguidades?


Sang Ning inventou uma desculpa na hora.


— Certa vez, conheci um monge viajante nas montanhas e o tomei como meu mestre. Ele morou perto da minha casa por alguns anos, e eu costumava levar arroz e farinha para ele. Em troca, ele me ensinou muitas coisas.


— Um monge?


— Ele viajava por todos os lugares. Partiu no ano passado, e não sei onde está agora.


A avó que havia criado Sang Ning falecera no início daquele ano. Foi por causa de sua morte iminente que ela publicou as informações de Sang Ning no jornal, esperando ajudá-la a encontrar seus pais biológicos.


Quanto à história sobre as montanhas, ela poderia inventá-la como bem entendesse.


Não havia muita credibilidade em uma história dessas, e a maioria das pessoas não acreditaria nela. Mas não importava, de qualquer forma, elas não tinham como verificar.


Ji Yan entrou na conversa, assentindo.


— Sim, sim, posso testemunhar por ela. Ela nem sequer tinha WeChat antes, então não teria como manter contato com aquele monge.


O olhar de He Siyu ficou mais sombrio enquanto observava os olhos límpidos e inocentes de Sang Ning.


Ele não insistiu no assunto, deixando incerto se acreditava nela ou não.


O celular de He Siyu vibrou. Ele o pegou e atendeu.


— Vovó.


Uma voz do outro lado perguntou:


— Como foi? Você conseguiu arrematar aquela pipa?


— Consegui.


— Não fique comprando qualquer coisa. E se for falsa? Você mandou autenticá-la?


He Siyu olhou para Sang Ning, com um tom preguiçoso.


— Não se preocupe, Vovó. Pedi para um especialista avaliá-la.


Sang Ning piscou, surpresa. Especialista? Ela?


— Hum. Vou levá-la para você em breve.


Depois de desligar, He Siyu se virou para Sang Ning.


— Obrigado pela sua ajuda hoje, Srta. Nan.


Aliviada por ele finalmente estar indo embora, Sang Ning soltou um leve suspiro.


Ela sorriu.


— Não precisa agradecer. Não foi nada.


— Em troca, gostaria de lhe dar um conselho.


Sang Ning piscou, com o olhar excepcionalmente sério.


Vindo de alguém tão influente quanto He Siyu, até mesmo um comentário casual poderia valer uma fortuna.


Ao encontrar seus olhos sinceros, ele baixou a voz.


— Seu sorriso é falso.


"..."


Com um sorriso de canto, como uma criança que acabara de pregar uma peça, ele se virou e foi embora.


Sang Ning finalmente saiu de seu estupor, franzindo a testa enquanto observava sua figura se afastar.


O banquete chegou ao fim.


Sang Ning e Ji Yan saíram juntas do local.


— Vamos manter contato pelo WeChat. Da próxima vez, eu te convido para sair — disse Ji Yan, que naquele dia havia conseguido arrematar um par de cetros ruyi de jade. Ela devia a Sang Ning um agradecimento apropriado.


— Claro.


Ji Yan entrou em um Maserati, acenou para Sang Ning e foi embora.


O tio Zhang já havia trazido o carro. Quando Sang Ning estava prestes a entrar, ouviu uma discussão atrás dela.


— Siya, você prefere acreditar naquela vadia, Nan Sang Ning, em vez de mim?! — exigiu Chen Zheng, furioso.


Com os olhos vermelhos, Nan Siya afastou a mão dele.


— Então explique por que você continua defendendo Zhan Yijun! Está claramente escondendo alguma coisa!


— Siya, pare de ser irracional!


Os olhos de Nan Siya se arregalaram.


— Você acha que eu estou sendo irracional?


— Sim! Você está sempre desconfiando de alguma coisa, e isso é exaustivo! Já chega! Eu organizei tudo isso para você hoje, e agora você está me culpando?!


— Você tem me desprezado esse tempo todo, não é? Então termine comigo!


As lágrimas escorreram dos olhos de Nan Siya enquanto ela soluçava lamentavelmente.


Ao vê-la daquele jeito, Chen Zheng suavizou a expressão e a puxou para os braços.


— Siya, não fique assim. Dói em mim ver você chorando.


— Uuu... você não me ama mais.


— Como poderia ser assim? Siya, não se preocupe. Eu jamais terminaria com você. Se você quiser, eu daria minha vida por você!


— Irmão Zheng!


Nan Siya o abraçou, comovida até as lágrimas.


Sang Ning ficou ali, impassível, observando aquela encenação.


Ela achava fascinante como os dois conseguiam passar de uma discussão acalorada para uma reconciliação em menos de três minutos.


Nan Siya finalmente percebeu a presença de Sang Ning. Enxugando as lágrimas, lançou-lhe um olhar furioso.


— O que está olhando? Ainda está tentando colocar um contra o outro?


Sang Ning: "..."


— Estou indo para casa. Você vem?


Elas haviam chegado no mesmo carro, e Sang Ning estava apenas esperando por cortesia.


Chen Zheng segurou Nan Siya gentilmente.


— Não se preocupe, Siya. Eu vou te levar para casa.


Nan Siya lançou um olhar de desprezo para Sang Ning.


— Vá sozinha. O Irmão Zheng vai me levar. Nan Sang Ning, não pense que eu não sei o que você está tramando. Você só está com inveja e tentando destruir nosso relacionamento! Pois vou te dizer uma coisa: o Irmão Zheng só ama a mim!


Sang Ning: "..."


Nan Siya continuou seu discurso.


— Não importa o quanto você tente, ninguém jamais vai amar você! Nem mamãe e papai, e muito menos o Irmão Zheng!


Sang Ning: "..."


"Por que eu iria querer o amor de um lixo desses?"


Encorajado pelas palavras de Nan Siya, Chen Zheng passou um braço pelos ombros dela e declarou a Sang Ning:


— Não importa o que aconteça, a única filha da família Nan com quem vou me casar é a Siya.


Sang Ning sorriu.


— Vocês dois realmente foram feitos um para o outro.


Chen Zheng e Nan Siya: ???


— Os dois têm um talento para o drama e... — Sang Ning falou lentamente — uma autoconfiança inexplicável.


Nan Siya ficou paralisada por um segundo antes de explodir.


— Nan Sang Ning, que diabos você quer dizer com—


Mas Sang Ning já estava farta. Abriu a porta do carro e entrou.


— Dirija.


Tio Zhang pisou no acelerador, afastando-se em alta velocidade.


A Antiga Mansão da Família He ficava nas profundezas da Rua Wisteria, uma modesta casa em estilo ocidental. A Velha Madame He era sentimental e se recusava a se mudar, então seus filhos e netos não tinham escolha a não ser visitá-la com frequência.


O portão de ferro forjado rangeu ao ser aberto, enquanto o mordomo conduzia um Bentley para dentro sob o céu noturno.


— O Jovem Mestre He voltou.


He Siyu saiu do carro carregando um estojo de couro e foi direto para o andar de cima.


A Velha Madame He estava sentada no sofá, lendo um livro. No momento em que ouviu seus passos tranquilos e despreocupados, soube que era ele.


— Vovó, trouxe a pipa para você.


He Siyu colocou o estojo sobre a mesa e o abriu.


A Velha Madame He deixou o livro de lado e levantou a pipa, admirando-a.


— É ainda mais bonita pessoalmente do que nas fotos.


— Quanto você gastou nela?


He Siyu se recostou no sofá.


— Cem milhões.


Os olhos da Velha Madame He se arregalaram.


— Seu esbanjador!


— Vovó, comprei especialmente para você. Considere um presente de aniversário atrasado.


Seu tom era despreocupado.


A Velha Madame He fez uma careta.


— Suponho que eu deva ser grata por essa rara demonstração de devoção filial.


A Velha Madame He não conseguiu evitar acariciar a pipa com carinho.


— Se for genuína, então o dinheiro terá sido bem gasto. Mas você precisa ter certeza absoluta. E se acabar sendo uma falsificação? Não pareceríamos tolos? Você pediu para um especialista verificá-la?


— Uhum.


He Siyu respondeu preguiçosamente:


— Se ainda estiver preocupada, Vovó, por que não chama alguém para avaliá-la pessoalmente outra vez?

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