Capítulos 191 ao 195


 Capítulo 191 – Não Gosto


Eventualmente, o sol pôde ser visto surgindo no leste.


— Já é amanhecer; eu deveria ir… Foi bom conversar com a senhora, Madame Ye. — Xia Ge ouviu a si mesma falar com indiferença. — Sinto muito por tê-la prendido por tanto tempo.


— Não há nada pelo que se desculpar — Madame Ye sorriu. — Venha visitar sempre que quiser.


Mao Qing: — Eu ia preparar o café da manhã. Você não vai ficar e comer conosco?


— Agradeço, mas não — Xia Ge recusou. — Tenho algumas coisas para fazer.


Bairen olhou para Xia Ge e disse de repente: — A formação das Dez Mil Marionetes é muito perigosa.


Mao Qing e Madame Ye olharam para ele em confusão.


Bairen continuou, como se falasse consigo mesmo: — O mestre da seita não mostra misericórdia por ninguém que… tente escapar.


Os lábios de Mao Qing se contraíram levemente.


Com a testa franzida, os passos de Xia Ge pausaram enquanto nuvens rosadas preenchiam o céu matinal.


***


Depois de deixar a residência de Madame Ye, Xia Ge foi diretamente até Su Chan, que descansava em seu salão principal.


O salão espaçoso era acarpetado em carmesim, combinando com o traje de Su Chan enquanto ela se reclinava preguiçosamente em uma cadeira estofada com pele de raposa vermelha. Uma mão pálida descansava sobre um livro, enquanto a outra segurava uma flor de pera branca como a neve, que Su Chan encarava como uma criança fascinada.


Seus cílios longos projetavam sombras sobre seus olhos, e seu rosto belo estava preenchido por um estranho cansaço.


Tudo estava em silêncio.


Então, como Su Chan não poderia ouvir os movimentos sutis de Xia Ge?


— Ouvi seus passos há muito tempo, e isso me deixou inquieta. — Su Chan levou a flor de pera aos lábios e depois à língua, girando-a para saborear seu sabor. Só então ela levantou os olhos para sua convidada indesejada. — Ontem você reclamou que eu estava bloqueando sua brisa, e hoje você vem para bloquear meu banho de sol. Um pouco de dois pesos e duas medidas, não é? Aos oficiais é permitido atear fogo, mas aos plebeus não é permitido acender lamparinas*.


A voz de Su Chan era desanimada, como se ela fosse uma pessoa comum sendo intimidada pela gestão municipal.


Xia Ge: “……” Que banho de sol?


Encarando inexpressivamente a pose de Su Chan, Xia Ge declarou: — Hoje sinto como se toda a Seita Demoníaca estivesse bloqueando minha brisa. É por isso que vim te encontrar.


O sistema não conseguiu se conter: [Fazendo uma bela atuação, hein?]


— A brisa deve ser bem grande se toda a Seita Demoníaca está bloqueando-a. — Su Chan sorriu e levantou seu livro na frente do rosto. — Detesto decepcioná-la, no entanto. A Seita das Dez Mil Almas é muito forte, e não importa o quão forte seja o vento, ela não será levada.


— Verdadeiramente, você é notável, capaz de tomar banho de sol onde não há sol. — Os lábios de Xia Ge se curvaram. — Se você não vai sair, eu vou. Se a Seita Demoníaca não vai embora, eu vou.


Su Chan: “……”


Baixando o livro novamente, Su Chan olhou para Xia Ge com um sorriso ambíguo. — Você quer sair de novo?


O gosto da flor de pera em sua boca tornou-se amargo.


Xia Ge: — Você vai me impedir?


Su Chan levantou seu livro novamente, sua voz desprovida de qualquer emoção. — Como eu poderia impedi-la?


Virando-se, Xia Ge fez menção de sair.


Ela deu um passo.


*Bang!* A porta do salão fechou-se com força, e as persianas de madeira intrinsecamente esculpidas bateram, tornando tudo instantaneamente tão escuro que Xia Ge não conseguia ver nada.


“……” Xia Ge suspirou. — Pensei que você não fosse me impedir.


O tom de Su Chan era preguiçoso, e o som das páginas virando podia até ser ouvido no salão escuro. — Eu disse: como eu poderia? Não disse que não o faria.


Xia Ge: “……”


Su Chan: — Por que você quer ir embora?


Ficando parada, Xia Ge respondeu simplesmente: — Eu não quero ficar aqui.


Su Chan disse insinceramente: — Então vá. Quem está te impedindo?


Uma pressão de nível divino foi suavemente liberada. {Primavera e Outono Manchadas de Sangue}, como a raposa que explora o poder do tigre**, tomou emprestado o poder de Su Chan para oprimir a Zhen Hun. O abismo de diferença entre a força mortal e a força da divindade do infortúnio tornou-se evidente para Xia Ge. Incapaz de mover um centímetro, Xia Ge não disse nada.


Droga.


***


*Boom!*


No pátio de Madame Ye, Mao Qing, que tinha acabado de preparar o café da manhã, olhou fixamente na direção do som incrivelmente alto. — O que foi isso?!


No meio da refeição, um Bairen assustado saltou: — O salão!


Madame Ye, que não comia nem bebia: “??”


……Sobre a jovem sacerdotisa demolir o salão principal e o mestre da seita, que todos esperavam que ficasse em uma fúria assassina, mas que em vez disso enviou carroças de tesouros raros para apaziguar a dita jovem sacerdotisa — como o incidente embaraçoso deixou os escalões mais baixos da seita tendo perdido completamente a face, é melhor não dizer.


***


Era uma noite escura.


Xia Ge estava no salão da sacerdotisa, onde ela havia acordado mais cedo.


Verdadeiramente, Su Chan só estava tentando assustar Xia Ge — a opressão foi cuidadosamente controlada. Mas isso não significava que Xia Ge gostasse disso.


Embora tivesse usado a Zhen Hun para destruir o grande salão, Xia Ge também não se sentia particularmente feliz com isso.


Pior ainda, realmente não havia necessidade de conversar com Su Chan sobre sair da seita em primeiro lugar.


Porque Xia Ge nem tinha certeza se deveria sair ou não.


Era isso.


Ela queria ver sua Irmã Mais Velha, e também queria contar a Ye Ze sobre Madame Ye.


Não por causa de Ye Ze, mas por causa de Madame Ye, que era… uma pessoa muito boa.


Possuindo um calor e uma gentileza nobre que envolvia uma pessoa, fazendo-a sentir-se à vontade.


No entanto, Xia Ge não conseguia evitar sentir-se instintivamente culpada em relação a Madame Ye.


Como se estivesse sentada sobre agulhas.


Xia Ge olhou para as mãos.


Pálidas e esguias. Inofensivas, na verdade.


Só que foram essas mãos que, de alguma forma, destruíram a família Ye.


Ela realmente não sabia o que fazer. Deveria contar a Ye Ze sobre sua mãe? Deveria reunir mãe e filho?


Não era como se isso fosse beneficiá-la de alguma forma. Ye Ze dificilmente seria grato, e Madame Ye, uma vez sabendo de todos os fatos, também…


Haveria apenas mais uma pessoa no mundo que odiaria Xia Ge.


Foi por isso que Xia Ge foi até Su Chan.


Porque ela sabia que Su Chan a impediria de sair.


Agora, apesar de ter sido impedida com sucesso, o coração e a mente de Xia Ge ainda estavam profundamente perturbados.


Ela não podia mentir para si mesma. Fingir que a culpa era de Su Chan por não deixá-la ir; fingir que não foi sua própria escolha.


Fingir que não era… culpa dela.


Não era.


Saindo, Xia Ge encostou-se em um pilar alto.


“……”


Sem entender os pensamentos de Xia Ge, o sistema perguntou: [O que há de errado com você? Não é como se você não pudesse escapar, então por que pedir a Su Chan para sair?]


Xia Ge cobriu os olhos, não querendo que a luz entrasse, e riu zombeteiramente de si mesma. — Talvez eu goste tanto deste lugar que não quero ir embora…


Sistema: [Pare com essa besteira. Não tem graça.]


O rosto de Xia Ge estava inexpressivo. — Você morreria se tivesse senso de humor?


O sistema riu secamente.


Xia Ge afastou lentamente as mãos dos olhos.


A luz das estrelas era ofuscante demais.


Ela se lembrou de quando, há muito tempo, sua Irmã Mais Velha a segurou pela mão e a levou ao palco para apresentá-la a todos.


A multidão a amava.


Agora, porém, ela não era nada.


Não havia ninguém para guiá-la, e ela não sabia que caminho seguir.


No dia seguinte, Su Chan enviou ainda mais tesouros, e os servos carregavam apressadamente caixa após caixa para dentro do salão.


Vendo que Xia Ge era favorecida por Su Chan, Qin Yue mimava alegremente a filha que não via há anos, dando-lhe tudo o que podia. Embora Xia Ge devesse ser considerada a mais júnior das sacerdotisas, na realidade ela estava a apenas um título — o de suma sacerdotisa — de ser a mais elevada.


Diante de sua filha adolescente rebelde, Qin Yue sentia apenas um afeto profundo.


Ela até se voluntariou para ser quem levaria as últimas oferendas de Su Chan.


— A líder da seita diz que todos esses são tesouros de seu próprio salão, e algumas outras pequenas coisas que ela valoriza. — Qin Yue falou calmamente. — Ela espera… que você goste deles.


— Eu não gosto — Xia Ge conseguiu ter a superioridade de alguém cuja propriedade perdida tinha sido devolvida tardiamente.


Qin Yue deu a um servo um olhar significativo.


O servo abriu imediatamente uma certa caixa.


Joias brilhantes e ouro reluziram instantaneamente, praticamente iluminando todo o salão.


O sistema ficou chocado: [Puta merda! Você tem ideia de quanto dinheiro vale tudo isso?!!!]


Verdadeiramente, o coração de Xia Ge bateu um pouco mais rápido, mas ela ainda torceu o nariz e desviou o olhar. “……”


Qin Yue disse em um tom indiferente: — A líder disse que, se você não gosta dos presentes dela, eles devem ser levados de volta. Afinal, ela não quer presentes indesejados ocupando espaço em seu salão…


Xia Ge exclamou imediatamente: — Espere!


Qin Yue sorriu para ela.


Xia Ge assumiu uma expressão imperturbável. — Embora eu não goste muito dessas coisas, vou aceitá-las relutantemente.


Ela continuou com indiferença: — Este salão é espaçoso… posso ser acomodadora.


Na verdade, quando Xia Ge vagava pelo salão, ela até se perdia algumas vezes, então nem sabia o tamanho real do local.


Era apenas que, após experimentar a pobreza extrema, ela não conseguia ver o dinheiro cair do céu e não agarrá-lo.


Ouvindo Xia Ge mudar repentinamente de tom, o sistema fingiu angústia: [Eu nunca imaginei que você fosse uma pessoa tão superficial! Você trouxe vergonha para nós duas!]


Xia Ge: “……” Vá se ferrar.


— Ah — continuou Qin Yue. — A líder da seita também me disse para te contar que, já que você destruiu o salão dela, ela virá descansar no seu salão hoje à noite.


No segundo em que Qin Yue terminou, Xia Ge viu servos resmungando e gemendo enquanto tentavam carregar uma cama de dossel de quase quatro metros de altura para dentro.


*Bang——*


*Crash——*


Um vento violento varreu o salão, fazendo joias e moedas de ouro voarem enquanto todos eram lançados para o alto. Qin Yue conseguiu sair rapidamente a tempo de evitar ser enterrada sob uma chuva de moedas — um destino sofrido pelos outros. Eles, as joias e o ouro foram então varridos para fora do salão como joaninhas, com as portas batendo atrás deles.


A voz de Xia Ge ecoou sombriamente por trás das portas: — Diga a Su Chan para dar o fora.


Esfregando a ponta do nariz, Qin Yue levantou os olhos para olhar para Su Chan, que estava sentada no telhado do salão, fingindo observar as nuvens. — Mestra…


Su Chan suspirou preguiçosamente: — Eu realmente não tenho nenhum outro lugar para dormir.


Sua voz esbanjava inocência.


A quem ela estava tentando enganar? A Seita das Dez Mil Almas era muito grande.


Qin Yue disse de forma neutra: — Ouvi dizer que você dormia em um caixão antes.


Su Chan: — Não…


***


Tendo assistido a uma quantia muito grande de dinheiro sair pela porta, Xia Ge estava inevitavelmente deprimida.


O sistema: [Você poderia colaborar com o inimigo…]


Xia Ge rebateu: — Cale a boca e pare de se envergonhar.


Sistema: [……]


Felizmente, no final, Su Chan manteve distância.


Deitada em sua cama naquela noite, Xia Ge sentiu uma dor de cabeça surgir. Ela puxou a colcha sobre a cabeça, esperando acalmar seus pensamentos caóticos.


O sistema estalou a língua: [Ainda pensando no ouro e na prata? Pessoas…]


Xia Ge estava pronta para colocar a retidão acima da família: — Não é sobre dinheiro.


Sistema: [Que sentimento nobre.]


Xia Ge não respondeu.


Ela realmente não estava pensando em dinheiro, mas sim — Mao Qing, sua Irmã Mais Velha inconsciente e a irritante Su Chan.


Sua mente vagou, e ela se lembrou de uma cena aleatória.


Uma pessoa vestida com roupas brancas imaculadas, dizendo com uma voz rouca, porém gentil: — "Este grande pecado, eu expiarei em seu lugar."


O coração de Xia Ge disparou no peito.


Quem tinha dito aquilo?


Ela tentou se lembrar, mas o rosto da outra pessoa não entrava em foco.


Como um sonho nebuloso.


Com a cabeça enterrada sob as cobertas, Xia Ge murmurou: — Não faz sentido. Que pecados terríveis eu cometi para que alguém tenha que expiar por mim?


Ela nunca tinha nem matado uma galinha, certo?


O sistema ofereceu palavras de sabedoria: [O homem nasce pecador.]


Xia Ge, inexpressiva: — Amém.


Sistema: [……]


As palavras de Madame Ye ecoaram nos ouvidos de Xia Ge.


— Passando dia após dia como um cadáver vivo — nunca consigo ser verdadeiramente eu mesma.


Uma grande onda de melancolia tomou conta de Xia Ge de repente.


Ela não conseguia dormir. Saiu da cama, vestiu algumas roupas, caminhou descalça até uma janela e a abriu.


Zhen Hun estava pendurada na cama, tremulando na brisa noturna.


Enquanto Xia Ge sentia-se desesperadamente sufocada.


Por uma fração de segundo, a bainha de seu manto brilhou branca como a neve, mas foi rapidamente engolida pela escuridão densa.


Olhando para o vasto céu noturno, o humor de Xia Ge finalmente melhorou um pouco.


O sistema: [Você deveria descansar um pouco.]


Xia Ge: — Estou com saudades de casa, pequena marionete. Quando você acha que posso ir para casa?


Sistema: [Você está fazendo isso de novo…]


Xia Ge: — Hum?


Sistema: [Esqueça. Você está apenas evitando a realidade novamente.]


— Eu mudei de uma garota inocente para uma fugitiva assassina… Por que eu não evitaria a realidade? — Xia Ge revirou os olhos, seu tom melancólico. — Se eu estivesse me divertindo, por que iria querer ir para casa e ser babá daquela pirralha Xia Wuyin?


Além disso… havia a Irmã Mais Velha.


Xia Ge baixou os olhos.


Mesmo que ela pudesse voltar para casa, ela gostaria…


Que a Irmã Mais Velha acordasse.


Sistema: [Seu irmão é uma boa criança, não é?]


Xia Ge animou-se. — Ouvir você dizer isso me faz sentir mais saudades dele. Nem sei se ele já arranjou uma namorada.


[Você não menciona ele há muito tempo.] O sistema pausou. [Hum, quero dizer que você não fala sobre 'casa' há algum tempo. Eu estava começando a pensar que você não planejava tentar voltar.]


Xia Ge riu com indiferença. — De qualquer forma… não importa quais sejam meus planos, não tenho como voltar agora.


O sistema: [Deve haver alguma esperança.]


Com os lábios curvados, Xia Ge respondeu: — O que a esperança vale? Certamente não tanto quanto aquele ouro e prata de hoje.


Sistema: [E, no entanto, você jogou aquele ouro e prata fora.]


Xia Ge: — Eu me arrependo agora.


Sistema: [Talvez seja melhor você continuar com saudades de casa.]


***

*Nota do tradutor:

*只许州官放火,不许百姓点灯 (zhǐ xǔ zhōu guān fàng huǒ, bù xǔ bǎi xìng diǎn dēng): Expressão chinesa que significa "apenas aos oficiais é permitido atear fogo, mas aos plebeus não é permitido acender lamparinas". É usada para descrever hipocrisia ou quando quem detém o poder faz o que quer enquanto restringe as liberdades dos outros.

**狐假虎威 (hú jiǎ hǔ wēi): Expressão que significa "a raposa explora o poder do tigre", descrevendo alguém que usa o prestígio ou a autoridade de outra pessoa para intimidar os outros.*


Capítulo 192 - Apenas por precaução


Xia Ge deu de ombros. "Próximo o suficiente."


Tendo extravasado suas frustrações e sentindo-se melhor, Xia Ge foi fechar a janela.


A brisa tornou-se mais suave.


Sob o manto da noite, uma borboleta Folha Murcha, carregando uma fragrância suave, voou silenciosamente para dentro do quarto de Xia Ge no segundo antes que a janela se fechasse.


Percebendo-a imediatamente, Xia Ge reabriu a janela a contragosto. "Ai, borboleta, tudo bem, serei uma boa pessoa até o fim e te mandarei de volta para o Buda... Eu realmente sou muito boa."


Não estava na hora de ela conseguir um pouco de bom karma?


Os céus devem ser cegos.


Sistema: [……]


Xia Ge sentiu mais uma vez o vento frio vindo de fora.


Mas, em vez de voar pela janela, a borboleta decidiu pousar na cama de Xia Ge.


"Ei", exclamou Xia Ge. "Entrando no meu quarto, tomando minha cama. Você não tem vergonha?"


Ela arregaçou as mangas para tentar pegar a borboleta.


Infelizmente, a borboleta provou ser mais esperta que Xia Ge. Xia Ge não conseguia pegá-la, não importava o quanto tentasse. Em vez disso, a borboleta fez de Xia Ge uma tola que corria em círculos.


Xia Ge: “……”


Apertando Zhen Hun¹ contra o peito, Xia Ge disse com lágrimas nos olhos: "Viu, Irmã Sênior, sem você, até uma borboleta pode me intimidar."


O sistema: [A Zhen Hun não é sua Irmã Sênior.]


Xia Ge: "Vou encontrar uma maneira de recuperar a {acácia}……"


O sistema explodiu: [{acácia} também não é sua Irmã Sênior!!]


Xia Ge brincou com Zhen Hun. "Sem brincadeira. Você está falando demais."


Enquanto puxava a Yimei², Xia Ge de repente duvidou dos próprios olhos. "Alguma parte de Zhen Hun ficou branca agora há pouco?"


O sistema não sabia. [Não acho que isso seja possível. Você provavelmente está apenas vendo coisas, certo?]


Xia Ge olhou pela janela para a noite escura, sem nenhuma lua visível.


Ela olhou de volta para a Zhen Hun, confusa. "Tem algo errado."


Não havia luz para refletir na Zhen Hun. Nenhuma luz para enganar os olhos.


O corpo de Xia Ge congelou abruptamente.


Respiração……


Respiração humana……


Muito repentina.


Suave e rasa, com um aroma delicado.


Segurando a Zhen Hun com força, o coração de Xia Ge disparou de medo——Ela teria ficado menos horrorizada se uma cabeça humana tivesse surgido de dentro de sua taça de vinho.


Braços finos abraçaram suavemente o pescoço de Xia Ge.


Um hálito quente pousou em sua orelha.


"Há quanto tempo……"


"Irmão."


= =


A vida anterior—


Estrondo!


Um precioso frasco de jade jazia em pedaços no chão.


"Tio! Quem lhe disse para enviar tal carta?"


Em um magnífico salão do palácio, uma garota em vestes de dragão fumegava de raiva: "Mudar meu destino era uma coisa, mas eu——"


"Você! Como pôde me envergonhar assim?!"


Como Chu Shi enfrentaria Xia Wushuang agora?


Chu Huai tinha um rosto quadrado, sobrancelhas grossas e uma expressão sombria. "Ninguém pediu a ela para mudar o seu destino. Ela fez isso por iniciativa própria."


"Mas e desta vez?!"


Chu Shi apontou irritada para um servo trêmulo ajoelhado perto da porta. "Fazê-lo falsificar minha letra…… Tio, você foi longe demais!!"


O comportamento calmo de Chu Huai não mudou. "O tesouro está esgotado e temos uma guerra que precisamos lutar. Aumentar os impostos imediatamente após assumir o trono só criaria ressentimento no povo."


Ele fez uma pausa antes de acrescentar: "Quem não conhece Xia Wushuang, da Seita Lingxi, e sua habilidade inigualável com marionetes?"


"Ha……"


O tom de Chu Shi tornou-se triste: "Deixe-me perguntar novamente. Depois do que você fez, como poderei enfrentá-la novamente?"


Chu Huai estava indiferente. "Como governante, os assuntos de estado devem vir acima de tudo. Envolvimentos românticos são um grande tabu."


"É hora de você se afastar dos desejos juvenis."


Chu Shi encarou seu tio sem expressão; a atmosfera entre eles tornou-se assustadoramente fria.


Depois de ter seu destino alterado, a aura de Chu Shi começou a mudar sutilmente. Agora, até um mero olhar dela poderia deixar o veterano de guerra Chu Huai apreensivo.


Após uma breve pausa, Chu Huai continuou: "Quando o reino estiver em paz, o povo viverá com conforto, então…… tais coisas dependerão de você."


Chu Shi cerrou os punhos.


"……Mesmo que não seja pelo bem da paz, por favor, considere as pessoas comuns que estão passando fome." Chu Huai suspirou. "As pessoas estão com fome, os bárbaros se tornam ousados demais e os bandidos correm soltos. Xia Wushuang foi resgatada de bandidos pelas suas próprias mãos— No entanto, pessoas morrem nas ruas. E a fome transforma quantas delas em criminosas? Algumas até recorreram ao canibalismo. Quantos outros como Xia Wushuang, perseguidos e desamparados, existem por toda esta terra? O desespero transformando pessoas comuns em bandidos! Como monarca, seus olhos devem ver mais do que apenas uma pessoa!"


Quando Chu Huai terminou de falar, um silêncio pesado caiu sobre o local.


O pequeno servo que falsificou a letra de Chu Shi olhou cautelosamente para ela.


Ela parecia estar perdida em seus próprios pensamentos.


——“O quê? Hoje é seu aniversário? Ah, não, eu esqueci completamente.”


——“Oh, você está chateada? Eu estava brincando, eu estava brincando. Como eu poderia esquecer o seu aniversário, pequena princesa~”


——“Sou pobre demais, no entanto. Só posso te dar uma flor de pessegueiro. Se você não pode se casar com seu homem ideal, fisgar um bonitão não seria tão ruim, hahaha——”


——“O quê? Você não quer um bonitão nem um homem ideal? Então o que você quer?”


——“Hã? Eu? Você me quer? O que você me quereria para quê? Oh, meu Deus, você não gosta de mim, gosta? O quê? Você gosta? Diga isso de novo? Você gosta de mim? Hmm, eu ainda não entendi bem o que você disse—você gosta de mim? Oh, você gosta de mim.”


Então Chu Shi dissera a Xia Wushuang para sumir.


Aqueles dias passados estavam desaparecendo lentamente.


Chu Shi estava parada silenciosamente em seu palácio, uma mão pálida segurando o pingente em seu peito e uma expressão nublada. O dragão de cinco garras em suas vestes exibia uma expressão feroz, porém ela se sentia inexplicavelmente fraca.


"Mas quem mais neste mundo", ela murmurou para si mesma, "colheria uma flor de pessegueiro para mim no meu aniversário?"


Chu Huai: "Ter um amor de infância é verdadeiramente invejável, mas o mundo inteiro está agora em seu alcance. O que é uma flor de pessegueiro para você?"


Era apenas a alegria passageira da juventude. Flores dispersas ao vento, depois caíam no chão para serem esmagadas na sujeira pelos passos, e eventualmente erodiam sem deixar vestígios.


Apertando seu pingente de cabeça de dragão, o punho de Chu Shi ficou branco.


Finalmente……


"Passe meu comando."


"Dê a Xia Wushuang a espada imperial e o título de Segunda General……"


"……"


Cada palavra que ela dizia raspava o coração de Chu Shi, uma dor tão forte que a deixava sem fôlego.


Não importava que ela tivesse acabado de conceder um alto cargo que vinha com um salário generoso.


Isso não aliviou a turbulência dentro dela.


——“Wushuang, o que você quer fazer no futuro?”


——“Oh, comer e beber até ficar satisfeita, suponho. Viver como um peixe salgado…… Ah, espere, não, eu quero trabalhar duro para me tornar a melhor e mais poderosa mestre de marionetes do mundo!”


——A expressão de Chu Shi tornou-se complicada. “……Você mudou de ideia rapidamente.”


——“Não é só porque eu não quero que você pense mal de mim?” Xia Wushuang sorrira radiantemente. “Se for para trabalhar duro ocasionalmente para você, não me importo.”


——“Você vai ser desesperadoramente pobre, do jeito que fala.”


As lanternas no palácio oscilavam.


Chu Shi abaixou os cílios.


Lingxi Peak-


Xia Wushuang recebeu um edito imperial, uma espada imperial com uma bainha de ouro e prata, e um grande monte de tesouros.


Uma espessa camada de pó cobrindo seu rosto, o eunuco que trouxera o edito deu um sorriso largo e alegre. "A General Xia tem boa sorte. Esta é a espada imperial pessoalmente concedida pelo monarca. Além disso, um grande banquete será realizado para você na capital. Quando você acha que entrará na cidade……?"


"Não irei para a cidade." O rosto de Xia Wushuang estava impassível enquanto ela retirava a espada de sua bainha ornamentada.


Ao contrário da bainha, a lâmina lisa da espada não era adornada.


O eunuco tremeu de medo aparente. "General Xia…… você…… você está desafiando o edito imperial?!"


O eunuco sabia que essa pessoa seria altamente favorecida na corte do monarca e comandaria trinta mil soldados de marionetes. Mesmo que Xia Wushuang desafiasse o edito imperial, havia pouco que o eunuco pudesse fazer além de lançar ameaças vazias.


Colocando a espada de lado, Xia Wushuang embrulhou cuidadosamente o edito imperial e a bainha ornamentada juntos, depois os entregou casualmente de volta ao eunuco. "Não."


"Posso parecer um pouco hipócrita." Xia Wushuang pegou a espada de volta. "Mas é melhor você levar tudo de volta para o palácio, exceto esta espada."


O eunuco encarou Xia Wushuang. Ele nunca pensou que viveria para ver uma tola ter dinheiro caindo do céu e não apenas recusar-se a pegá-lo, mas até mesmo pisar nele pretensiosamente.


"Use todas essas coisas para ajudar a pagar os soldados."


Ignorando a expressão do eunuco, Xia Wushuang acrescentou com toda a sinceridade: "Por favor, diga isso ao monarca—eu posso não ter muito dinheiro, mas não a ajudo na esperança de obter um alto cargo, nem por riqueza e honra."


"Então ela não precisa se sentir culpada."


Levantando-a horizontalmente, Xia Wushuang olhou para a espada em suas mãos.


A lâmina longa era simples e limpa, verdadeiramente não condizente com aquela bainha incrustada de ouro e joias.


Assim como aquela garota em pé sob a árvore de pessegueiro, suas bochechas coradas.


Além disso……


——“Como uma realeza, não posso fazer isso…… não posso me entregar a envolvimentos românticos.”


"Entendo as aspirações do monarca", Xia Wushuang quase sussurrou. "E espero que seus desejos sejam realizados."


O eunuco acabou partindo em um estado de confusão.


Embora, antes de escapar, Xia Wushuang o chamou: "Ei, pequeno eunuco, esta espada tem um nome?"


O poderoso eunuco, que sobrevivera a vários reinados, tinha uma expressão bastante complicada por ser chamado assim. Mas ele respondeu: "A espada pertenceu ao primeiro general que serviu ao primeiro monarca Chu. A bravura daquele general era tamanha que a espada foi colocada no tesouro real. Apenas aqueles que alcançaram muito como aquele general estão qualificados para segurar esta espada……"


Xia Wushuang: "……Eu te perguntei se ela tinha um nome?"


"Disseram-me que, se a General Xia gostasse, ela mesma poderia nomeá-la."


"Ah."


O eunuco se foi.


Su Chan, empoleirada em uma árvore, bufou levemente e jogou um galho que atingiu a cabeça de Xia Wushuang. "Um eunuco? Um mariquinha. Por que ela não enviou uma pessoa adequada?"


Xia Wushuang riu amargamente para si mesma. "É um eunuco que sempre entrega um edito imperial, certo?"


"Por que ela não veio pessoalmente?", persistiu Su Chan. "Em vez disso, ela apenas envia um eunuco e uma espada velha?"


Tirando o galho do cabelo, Xia Wushuang rebateu: "Não é uma espada velha; é a espada imperial do primeiro general da dinastia."


E também havia muito dinheiro.


Su Chan estava determinada a ser do contra. "Aquele galho em sua mão foi concedido por uma divindade!"


Com o galho em uma mão e a espada na outra, Xia Wushuang teve que fazer uma escolha. Ela silenciosamente espetou o galho no chão, dizendo: "Tudo bem então, galho concedido pela divindade da fortuna, apresse-se e cresça. Precisamos de mais lenha para fazer sopa de cogumelos."


Su Chan ficou ainda mais irritada. "Você está apenas zombando de mim!"


Infeliz, ela pulou da árvore e saiu correndo.


Foi então que Gu Peijiu emergiu de trás de outra árvore.


Ela viu Xia Wushuang agachada no chão, suspirando para si mesma. "Peijiu, você vê? Ninguém gosta de ser tratado com indiferença."


Gu Peijiu: “……”


"Ainda assim, é uma boa espada." Xia Wushuang balançou a espada pelo ar. A lâmina brilhando, ela tinha uma aura feroz. "Mas Shi realmente não sabia qual bainha lhe dar…… Ai, mesmo que Shi saiba que eu gosto de dinheiro, ela não deveria ser tão óbvia sobre isso."


Gu Peijiu pensou na bainha de prata e ouro, incrustada de joias, e um pequeno sorriso apareceu em seus lábios.


Nos dias seguintes, Xia Wushuang carregava a espada enrolada em um pano branco. Mas as olheiras sob seus olhos aumentaram e sua tez ficou mais abatida, como se não estivesse dormindo o suficiente.


Mais alguns dias se passaram.


Gu Peijiu montava guarda na porta de Xia Wushuang, com os olhos semicerrados. Como uma marionete, ela não precisava dormir e, portanto, sempre vigiava Xia Wushuang.


Um som fraco veio de dentro do quarto de Xia Wushuang.


Em seguida, a porta se abriu lentamente. Gu Peijiu abriu totalmente os olhos e viu Xia Wushuang acordada quando deveria estar dormindo.


Sem falar com Gu Peijiu, Xia Wushuang saiu da pequena casa de bambu, ainda carregando a espada enrolada no pano branco.


Gu Peijiu a seguiu.


“……”


Na floresta de bambu, Xia Wushuang cortou bambu com uma velocidade impressionante com a mão e então começou a esculpi-lo com uma pequena faca. A espada sem nome foi finalmente deixada de lado.


Enquanto Xia Wushuang esculpia, ela parecia perdida em pensamentos. Devido à sua distração, ela acidentalmente cortou a mão, sangue carmesim escorrendo.


Com as pupilas contraindo-se, Gu Peijiu agarrou o pulso de Xia Wushuang.


"Pare", disse Gu Peijiu, seu tom muito sério.


Xia Wushuang disse: "Hehe, é apenas um pequeno arranhão, nada com que se preocupar."


Não prestando atenção às palavras de Xia Wushuang, Gu Peijiu sentou-a em uma rocha próxima e tirou um rolo de bandagens e remédios.


Enquanto Gu Peijiu enfaixava a mão de Xia Wushuang, Xia Wushuang expressou sua surpresa: "Você realmente carrega remédios com você?"


Gu Peijiu estava sem expressão. "Apenas por precaução."


***


¹ *Zhen Hun*: Em chinês, significa "Alma Calma" ou "Acalmar a Alma".

² *Yimei*: Um acessório/pingente ou parte específica da arma/ornamento.


Capítulo 193 - As flores que caem têm vontade


Xia Wushuang não tinha pressa, apoiando o queixo na mão enquanto Gu Peijiu enfaixava seu ferimento.


A lua brilhava clara, e a marionete de vestes brancas, Gu Peijiu, era muito gentil.


Observando Gu Peijiu, um tanto inebriada, Xia Wushuang finalmente riu: “Peijiu, é uma pena que você seja minha líder das marionetes. Alguém tão adorável quanto você... se você tivesse nascido em uma família comum...”


Ela pausou por um segundo e então acrescentou: “Hmm, uma garota assim não nasceria em uma família comum”.


Gu Peijiu não respondeu. Quando terminou de enfaixar o ferimento de Xia Wushuang, ela cortou eficientemente uma pilha de bambu e a colocou diante de Xia Wushuang.


Xia Wushuang: “......”


Gu Peijiu: “Você deveria deixar esses assuntos triviais para outros.”


Xia Wushuang: “Mas fazer você mesma é o que dá significado.”


Gu Peijiu fixou silenciosamente seus olhos negros em Xia Wushuang.


Por algum motivo, o olhar de Gu Peijiu deixou Xia Wushuang inquieta, e ela desviou os olhos com um pouco de culpa.


Gu Peijiu também parou de olhar para Xia Wushuang, voltando sua atenção para a espada embrulhada em tecido branco. “Você quer fazer uma bainha para essa espada?”


Xia Wushuang disse: “Mmm, o luar refletido na espada à noite fere meus olhos.”


“Eu não consigo evitar olhar para ela, mas depois não consigo mais dormir.”


Ela tentou manter uma postura corajosa. “Como é mesmo? Em um estupor de embriaguez, acendo a lâmpada para inspecionar minha espada; nos meus sonhos... que sonhos...”


Gu Peijiu: “Nos meus sonhos, ouço as cornetas ecoando pelo acampamento.”


Xia Wushuang estalou os dedos: “Ai, sim, é isso.”


Então ela riu: “Mas como você sabia?”


Gu Peijiu: “Você ensinou isso a Su Chan.”


Xia Wushuang: “Eu ensinei? Huh, eu realmente não me lembro...”


Gu Peijiu mudou de assunto: “Já que sua mão está ferida, deixe-me fazer.”


Xia Wushuang respondeu: “Ai, é algo que uma pessoa deve fazer sozinha—”


“Eu sou sua líder das marionetes.” Os olhos de Gu Peijiu eram escuros como uma noite sem estrelas. “Eu fazer isso é o mesmo que você fazer.”


Ela se curvou e pegou a faca que Xia Wushuang estava usando, sua mão pálida como jade quente sob o luar, sua voz baixa: “Assim como você usa sua faca, naturalmente você pode me usar.”


Subconscientemente, Xia Wushuang sentiu que as palavras de Gu Peijiu estavam erradas. “Não...”


Isso não era verdade, certo?


Gu Peijiu já estava cortando e torcendo o bambu com uma técnica muito melhor do que a de Xia Wushuang.


Tentando organizar seus pensamentos, Xia Wushuang observou a bainha de bambu tomar forma sob as mãos habilidosas de Gu Peijiu. Mas, eventualmente, Xia Wushuang simplesmente disse novamente: “......Não”.


Gu Peijiu não levantou os olhos do bambu que ela estava entalhando cuidadosamente.


“Não é a mesma coisa.” Xia Wushuang observou as mãos de Gu Peijiu se moverem. “Você é diferente da minha faca.”


Gu Peijiu: “Eu sou igual.”


Xia Wushuang estava determinada a ser teimosa. “Se eu digo que você é diferente, então você é diferente.”


Pausando por um momento, Gu Peijiu assentiu, sua voz cheia de indulgência: “Mmm, é diferente.”


Xia Wushuang: “......”


A bainha de bambu estava quase pronta. Gu Peijiu lixou cuidadosamente quaisquer bordas ásperas e a entregou a Xia Wushuang.


Ao pegar a bainha, Xia Wushuang sentiu a suavidade do bambu sob as pontas dos dedos e viu seu brilho sutil sob a luz das estrelas.


Ela murmurou: “É apenas imaginação minha? Peijiu, eu sempre sinto como se você fosse a única que sabe o que eu quero...”


Olhando para Xia Wushuang, Gu Peijiu viu olhos negros cheios de luar.


Enquanto o rosto de Gu Peijiu permanecia impassível.


Dando um bufo, Xia Wushuang riu de si mesma. “Por que eu estou dizendo isso?”


“Peijiu, vá buscar mais bambu para mim. Quero fazer algumas cadeiras também.”


Gu Peijiu se virou e foi obedientemente buscar mais bambu.


Quando retornou, encontrou Xia Wushuang agachada, olhando fixamente para a espada desenrolada, com sangue escorrendo de sua mão recém-enfaixada.


Aproximando-se com o bambu, Gu Peijiu olhou para a nova bainha e a pequena faca descuidadamente jogadas de lado.


Na bainha de bambu, as palavras *Pedir por afeição* estavam esculpidas de forma torta.


Gu Peijiu absorveu tudo antes que seus olhos caíssem novamente sobre a bandagem ensopada de sangue na mão de Xia Wushuang.


Aparentemente, quando Xia Wushuang esculpiu as palavras, ela reabriu seu ferimento.


E a lâmina da espada brilhante lançava um reflexo frio na bochecha de Xia Wushuang.


As flores que caem têm vontade, mas a água corrente é impiedosa.


Ao ouvir a aproximação de Gu Peijiu, Xia Wushuang voltou a si. “Ah, você voltou.”


Gu Peijiu colocou o bambu que havia reunido, pegou a faca e começou a entalhar silenciosamente, pensando consigo mesma—


Não importava que Xia Wushuang tivesse despido a espada de sua bainha vistosa.


Chu Shi ainda era quem estava no coração de Xia Wushuang.


= =


A Seita Demoníaca, quarto de Xia Ge—


Xia Ge ficou assustada fora de suas faculdades mentais: “......”


Mas então ela rapidamente percebeu quem estava atrás dela.


“Há quanto tempo”, disse ela.


Embora, na verdade, não tivesse passado tanto tempo assim.


Era apenas que muitas coisas irrevogáveis haviam acontecido, e nada era o mesmo.


“Irmão, você tem se divertido ultimamente?”


“Provavelmente não.” A garota respondeu à sua própria pergunta. “Imagino que você tenha estado bastante infeliz.”


O toque da pele contra a pele era muito real.


Xia Ge sentiu calafrios. “Se você não estivesse tão perto, eu seria mais feliz.”


“Irmão, não há nada a temer.” A garota segurou Xia Ge com mais força. “É apenas uma ilusão, só isso; uma pessoa não pode sonhar?”


Xia Ge: “Não.”


Soltando-a, Chu Yi se afastou de Xia Ge e disse, ofendida: “Tudo bem.”


Xia Ge deixou Zhen Hun cair e olhou para trás.


Os ombros de Chu Yi estavam nus, e ela usava um longo vestido azul claro que se arrastava pelo chão. Sob o luar, a garota parecia fria e nebulosa, mas Xia Ge podia ouvir sua respiração e sentir o calor de sua pele contra a dela.


Chu Yi estava realmente ali ou não?


“Minha Yimei pode fazer as pessoas verem ilusões.” Chu Yi viu a perplexidade de Xia Ge e explicou: “Outros me veriam apenas como a borboleta; você me vê como eu.”


Xia Ge achou que entendia.


Seus sentidos estavam confusos e, por isso, para ela, a ilusão havia se tornado real.


Mas Xia Ge realmente não se importava. “O que você está tentando fazer agora?”


Chu Yi simplesmente olhou para Xia Ge, sorrindo e em silêncio.


Depois de um tempo, Xia Ge não conseguiu conter seu desconforto.


Ela retrucou, sem tentar esconder sua impaciência: “Se você tem algo a dizer, diga. Se não — vá embora.”


Chu Yi agiu como se estivesse ferida. “Faz tanto tempo que não vejo meu irmão. Não posso olhar um pouco?”


Xia Ge: “......”


“Se você terminou de olhar, vá embora rápido. Se Su Chan descobrir sobre isso, nada de bom virá disso.”


Chu Shi: “Tudo bem, não tenho medo dela.”


Xia Ge: “......”


Percebendo que Xia Ge realmente não queria falar com ela, Chu Yi acrescentou: “Eu não acredito nos rumores sobre você.”


“Eu sei que meu irmão não faria tais coisas.”


Xia Ge: “Você diz isso agora—”


“Realmente não há nada que meu irmão queira fazer?” Chu Yi interrompeu.


Xia Ge congelou, seu coração perdendo uma batida.


“Eu sei que você está presa neste lugar.” Chu Yi caminhou para mais perto, seu vestido azul claro arrastando-se atrás dela como névoa.


Sua voz suavizou: “Eu posso ajudar meu irmão a fazer o que quer que seja que ela queira fazer.”


Uma ilusão criada pessoalmente apenas para Xia Ge.


Xia Ge: “Eu não quero... fazer nada.”


Isso não era verdade.


Havia muitas coisas que ela queria fazer, mas não sabia por onde começar.


O rosto adormecido da Irmã Sênior brilhou diante de seus olhos, então ela se lembrou do rosto gentil da Madame Yi e das palavras cruéis de Ye Ze.


“Você pode vir comigo.” Chu Yi sentiu a hesitação de Xia Ge, mantendo seu tom leve: “Eu vou protegê-lo e restaurar sua reputação. Eu sei o que fazer... e, quando tudo acabar, então... você pode ir para onde quiser.”


Xia Ge franziu a testa.


Ela não temia sua má reputação e realmente não queria ficar presa na Seita Demoníaca.


Mas ela não queria ir embora com Chu Yi.


Vendo a relutância de Xia Ge, Chu Yi afirmou: “Se você ficar aqui, não será capaz de fazer nada.”


Xia Ge a encarou.


A boca de Chu Yi curvou-se em um pequeno sorriso. “Você não está resignada a isso?”


Xia Ge: “Não precisa tentar me provocar.”


“Os de fora dizem que você convocou espíritos malignos para prejudicar seus companheiros cultivadores.”


“Mas eu sei que meu irmão nunca faria isso.” Chu Yi riu baixinho. “Eu também sei que meu irmão não se importa com o que os outros dizem.”


Xia Ge apenas a encarou.


“Apenas não acho que meu irmão saiba que, após a batalha no Monte Wuling, o selo permanece quebrado. Espíritos malignos estão correndo soltos, e o povo comum está sofrendo.”


As pupilas de Xia Ge contraíram-se: “Impossível!”


Ela havia selado pessoalmente o Monte Wuling. A única coisa necessária depois teria sido erradicar os espíritos malignos restantes que escaparam, e então——


“Irmão, nada neste mundo é impossível, e o coração de uma pessoa não é algo que possa ser compreendido.” Chu Yi balançou a cabeça. “Agora, a responsabilidade está sobre seus ombros.”


O humor de Xia Ge despencou.


O olhar de Chu Yi era gelado. “Talvez você não se importe com o que as pessoas dizem, mas eu me importo. Cada vez que os ouço falar contra você, quero arrancar suas bocas e fazê-los desejar a morte.”


Xia Ge: “Você não precisa me dizer isso.”


“Você não odeia Su Chan?” Chu Yi perguntou. “Foi obviamente ela quem fez tudo isso. E agora ela deixa as pessoas te culparem e falarem contra você. Você não a odeia?”


Xia Ge suspirou: “Não estou com vontade de discutir isso com você.”


Odiar outra pessoa era exaustivo. E dizer que você as odiava era fácil demais.


“Meu irmão sempre foi muito bondoso.” Chu Yi riu, “Mas não importa... Irmão, não há algo que você queira fazer agora?”


Os espíritos malignos do Monte Wuling estavam livres — fosse por descuido ou por outra coisa — Como Xia Ge poderia ficar de braços cruzados?


Franzindo os lábios, Xia Ge olhou para Chu Yi. “Por que você deve me forçar?”


Chu Yi respondeu: “Não estou tentando forçá-lo, apenas não gosto do que está acontecendo.”


“Não gosto de ver você sendo intimidado assim e cedendo a cada passo do caminho.”


Estendendo a mão e tocando a bochecha de Xia Ge, os olhos de Chu Yi brilharam. “Afinal, ter arestas e ser terno ao mesmo tempo — esse é você.”


“......”


= =


Su Chan não ficou particularmente chateada quando soube que Xia Ge havia escapado da Seita Demoníaca.


Ela apenas olhou para o céu azul, infinito e sem nuvens, do deserto.


Era Qin Yue, em pé ao lado de Su Chan, que estava cheia de preocupação.


Aqueles que fugiam da Seita Demoníaca nunca tinham um bom fim depois de serem recapturados.


Mesmo que Xia Ge fosse considerada uma posição alta na hierarquia da Seita Demoníaca, abandonar seu posto sem a permissão do mestre da seita era uma ofensa grave.


O salão principal de Su Chan estava sendo reconstruído, então ela estava relaxando no pátio das pereiras. Reclinada pacificamente em uma cadeira, ela bebia chá quente enquanto uma flor de pera ocasional caía graciosamente.


Baixando a cabeça, Qin Yue tentou pensar em uma desculpa para Xia Ge. “A pequena sacerdotisa está apenas sendo travessa...”


Su Chan riu para o céu. “Você está errada. Não é travessura.”


Qin Yue foi pega de surpresa.


“É simplesmente que ela encontrou um motivo para partir.” Su Chan tomou outro gole de chá, seus longos cílios lançando sombras delicadas. “Um motivo... muito convincente.”


“Motivo?”


Que justificativa ela precisava?


Confusa, Qin Yue murmurou sem pensar: “Ela sempre...”


Então fechou a boca prontamente.


Sua filha não queria sair da Seita Demoníaca desde o início?


“Mmm, é isso mesmo.” Su Chan deu a Qin Yue um sorriso frio. “Ela nunca quis ficar aqui.”


Su Chan continuou lentamente: “Ela tinha muitos motivos para não ficar aqui, mas nenhum deles era forte o suficiente para fazê-la partir.”


“Porque, afinal, o antídoto para a pessoa que ela mais queria salvar está em minhas mãos.” Su Chan riu. “E ela não é estúpida — ela sabe que eu não vou lhe dar o antídoto verdadeiro.”


Qin Yue: “......”


Su Chan lambeu os lábios. “Como alguém que odeia Gu Peijiu há tanto tempo poderia trazê-la de volta à vida? Meu ódio não é tão superficial.”


Olhando novamente para Qin Yue com um sorriso radiante, Su Chan perguntou: “O que você acha?”


Qin Yue: “A mestre é... sábia.”


Su Chan: “Ela sabia que minha oferta do antídoto era falsa, mas não lhe restou escolha. Ela não conseguia pensar em nenhuma outra maneira e, por isso, corria em círculos, tentando lidar comigo. Tão fofa.”


Qin Yue: “......”


“Depois de ver a Madame Ye, ela começou a se agitar novamente, dizendo-me que queria sair, esperando que eu a impedisse — então eu dei a ela o que ela queria e a impedi, mas ela ainda não estava satisfeita. O que mais eu deveria fazer?” Su Chan estreitou os olhos. “Ela é realmente bastante contraditória.”


Qin Yue respondeu: “Talvez... você não devesse tê-la deixado encontrar a Madame Ye.”


Su Chan: “Mas ela me deixou lá fora no vento frio a noite toda, fazendo-me sentir muito triste.”


Qin Yue: “......”


***


**Notas de rodapé:**


1. "As flores que caem têm vontade, mas a água corrente é impiedosa" é um idioma chinês que significa que uma parte está apaixonada enquanto a outra não, e é frequentemente usado para descrever o amor não correspondido em um relacionamento romântico.


2. A imagem central origina-se do poema "As flores que caem têm vontade de seguir a água corrente, mas a água corrente é impiedosa e não ama as flores que caem", no livro "Registro Continuado da Transmissão da Lâmpada", do monge budista Wei Bai, da Dinastia Song. A aplicação literária inicial deste idioma está registrada no terceiro volume de "Histórias para Despertar o Mundo", de Feng Menglong, na Dinastia Ming.


3. "Em um estupor de embriaguez, acendo a lâmpada para inspecionar minha espada; nos meus sonhos, ouço as cornetas ecoando pelo acampamento." Este verso é do poema de Xin Qiji, "Ao Ritmo de 'Quebrando a Formação do Inimigo' – Um Poema Heroico para Chen Tongfu", da Dinastia Song.



**Capítulo 194 - Rumores e Calúnias**


“Então, por que ela partiu agora?”


“Alguém finalmente contou a ela algo ruim que eu fiz”, respondeu Su Chan lentamente. “Foi por isso que ela partiu.”


Qin Yue: “Mas você disse que era uma razão convincente.” Ela supôs ser uma sorte que Su Chan tivesse algum autoconhecimento.


Su Chan: “Talvez não fosse tanto uma razão, quanto…”


“Dar a ela um objetivo.”


“Se eu lhe der apenas um pouco mais…… talvez seja a gota d’água.”


Qin Yue ficou sem palavras.


Ela acreditava que, no fim das contas, Su Chan devia ter ido longe demais.


“Ah, bem, vamos lá……” Su Chan, olhando para o céu, falando de forma distraída: “O mar é vasto o suficiente para os peixes saltarem, e o céu é alto—”


De repente, ela se lembrou.


Muito, muito tempo atrás, Xia Wushuang segurara sua mão, levara-a até a borda do penhasco de pedra, e juntas olharam para o vasto céu.


“Algum dia você estará livre de seus demônios interiores.” A voz de Xia Wushuang fora alegre. “Afinal, o mar é vasto o suficiente para os peixes saltarem, e o céu é alto o suficiente para os pássaros voarem!”


Su Chan foi beber o chá fervente.


Qin Yue exclamou: “Mestra!”


Olhando para sua {fonte de primavera e outono manchada de sangue}, que agora estava encharcada no chá quente, Su Chan colocou a xícara ofensiva de volta na mesa lateral e finalmente exibiu um leve vinco entre as sobrancelhas.


……Sua Xia Wushuang, sua Xia-Xia, aquela que estava acima de todos os outros, o demônio que dormia eternamente em seu coração.


— Eu não vou salvá-la.


— Mas estarei para sempre ao lado dela.


Su Chan levantou-se. “Ela já passou pela formação?”


O tom de Qin Yue era complicado. “Foram as pessoas da Caverna Baigui que a levaram, e elas já partiram há muito tempo.”


“……” Su Chan soltou uma risadinha zombeteira de si mesma. “Quando ela quis partir sozinha, eu deveria ter deixado.”


Mais uma vez, Qin Yue não fazia ideia do que dizer.


“Tenho medo de que ela se arrependa de novo, no entanto.” Qin Yue esfregou a testa, murmurando para si mesma: “O jeito que ela se arrependeu da última vez realmente me deixou louca.”


No segundo seguinte, Su Chan desapareceu.


Qin Yue olhou para a cadeira que ainda balançava. Ela não entendia as palavras de Su Chan, e isso só a deixava ainda mais preocupada.


==


A rota para a Seita Demoníaca não era particularmente longa.


No entanto, para Chu Yao, a jornada parecia interminável.


Casa de chá Chang’an—


Do lado de fora da casa de chá, um pessegueiro estava florescendo. Chang’an tinha um clima ameno, e as flores de pessegueiro estavam cheias e lindas.


Apenas, quando justaposta à beleza da natureza, a notícia da morte de seu pai parecia atingir ainda mais forte.


Sentada à janela, uma jovem de vestido escuro e com um pequeno embrulho ao lado observava a mão que segurava sua xícara tremer.


“O patriarca da família Chu faleceu inesperadamente……”


“Isso é secundário. Você ouviu sobre o testamento que ele deixou? Ele realmente……”


Chu Zhan morrera e deixara um testamento declarando que sua filha, Chu Yi, deveria sucedê-lo como chefe da família, enquanto sua outra filha, Chu Yao, estava prometida à família Chang.


Chu Yao não estivera presente nos momentos finais de seu pai.


E o que ela deveria fazer agora era correr de volta para a residência Chu para velar por seu pai.


Colocando sua xícara de chá, Chu Yao levantou-se.


A voz de {faca sacrificial} era muito baixa. “Você se arrepende?”


Chu Yao não conseguira suportar usar a {faca sacrificial}. Parecia demais estar se vestindo como a Monarca Chu. O compromisso fora que ela simplesmente carregaria a Yimei consigo.


Se isso significasse carregar um embrulho de aparência estranha e chamativa nas costas, tudo bem para Chu Yao.


Com um pequeno sorriso no rosto, Chu Yao deixou a casa de chá com um ar descontraído.


“Eu sou uma filha da família Chu. Uma vez que tomamos uma decisão, nós a seguimos até o fim.”


“Mesmo que nos arrependamos, não olhamos para trás.”


{faca sacrificial} respondeu: “Você realmente é muito parecida com ela.”


Chu Shi fora da mesma forma. Uma vez que decidira conquistar o mundo, nunca olhara para trás.


Alguns poderiam ter dito que o fato de ela ter cometido suicídio mostrava seu arrependimento. Mas Chu Shi trilhara os caminhos que quisera trilhar, impiedosamente decisiva e nunca hesitando.


Ouvir aquilo só fazia Chu Yao se sentir impaciente. “Você está vendo aquele fosso?”


{faca sacrificial}: “Estou vendo.”


Uma Chu Yao fria: “Diga-me isso de novo e eu garanto que você afundará até o fundo.”


{faca sacrificial}: “……”


A Yimei decidiu mudar de assunto. “Você foi prometida à família Chang.”


“Mmm.” Chu Yao soou indiferente. “Como esperado.”


“A família Chu há muito tem laços matrimoniais com a família Chang. Eu desafiei os desejos do meu pai, então não estou surpresa que meu pai tenha tomado essa decisão. É o preço que eu estava destinada a pagar.”


{faca sacrificial}: “Você vê claramente.”


“Mmm.” Chu Yao então murmurou: “A Seita Demoníaca fica no deserto do norte — chegar lá não é um problema, mas ouvi dizer que ela é guardada por uma formação muito poderosa.”


{faca sacrificial}: “Você pensou sobre…… e se……?”


Chu Yao: “Eu simplesmente voltarei e seguirei os últimos desejos do meu pai.”


{faca sacrificial}: “Retiro o que disse sobre você ser como a Monarca Chu; você é muito mais estúpida do que ela.”


Chu Yao zombou: “Ora, obrigada.”


No entanto, apesar de suas palavras, os pés de Chu Yao não se moveram, e seus olhos castanho-claros estavam fixos na direção da casa da família Chu.


O clã Chu vivera sob o brilho do esplendor imperial em Chang’an por gerações.


Chu Yao podia ouvir os sons suaves da música funerária.


Ela permaneceu imóvel.


Por muito tempo.


===


Com seu vestido vermelho tremulando, Su Chan pousou elegantemente no chão.


Não havia ninguém por perto.


Assim que deixassem o território da Seita Demoníaca, escapando de sua formação, as pessoas da Caverna Baigui provavelmente usariam uma formação de teletransporte para partir diretamente.


Virando a cabeça, Su Chan olhou para a Seita das Mil Almas atrás dela.


A seita estava nebulosa ao longe; para qualquer pessoa sem cultivo suficiente, pareceria nada mais do que uma névoa. Apenas, aos olhos de Su Chan, cada detalhe sobre ela era distinto, incluindo o pico da montanha que se iluminava à noite.


Foi naquele pico de montanha já distante que o olhar de Su Chan se concentrou.


Sua luz já estava fraca.


“……”


Franzindo a testa levemente, Su Chan acenou com uma mão pálida. No segundo seguinte, um mapa de aspecto antigo apareceu instantaneamente e se desenrolou. Ele brilhava com cinco cores divinas — azul, vermelho, amarelo, branco e preto — tornando o belo rosto de Su Chan ainda mais atraente.


Se houvesse mais alguém ali, provavelmente teria reconhecido que o mapa era das nove províncias do continente.


Su Chan tocou levemente o mapa com sua mão delicada, e várias áreas imediatamente brilharam em vermelho.


Branco denotava prosperidade e a bênção dos céus. Azul denotava áreas selvagens sem pessoas, mas com abundância de plantas e animais. Amarelo representava terras desérticas, escassamente povoadas. Preto mostrava águas correntes. E vermelho—


Mostrava calamidades e carnificina.


Espíritos malignos foram soltos. Ver vermelho no mapa era algo esperado. Su Chan olhou para as áreas vermelhas com indiferença antes de tirar {acácia} de sua manga.


{acácia} estava sem vida e opaca.


Mas a aura de Xia Ge permanecia na Yimei.


Su Chan usou essa aura para verificar o mapa, e um fio levemente tingido de sangue lentamente se enrolou em um ponto no mapa.


Assim que Su Chan viu a tonalidade avermelhada no fio, suas pupilas encolheram. Certificando-se da localização, Su Chan então guardou o mapa e {acácia} e desapareceu imediatamente.


Em uma floresta densa, uma jovem vestida de branco estava em uma poça de sangue. Sua faixa com padrão de lírio-aranha vermelho tremulava ao vento, e ela segurava uma pessoa pela garganta com uma das mãos. Os olhos da pessoa lentamente se arregalaram até que sua vida fosse completamente extinta.


Uma borboleta manchada de sangue pousou no ombro da garota.


Ela lhe lançou um olhar indiferente, seus olhos carmesins desprovidos de qualquer emoção ou desejo.


No deserto, o chão estava encharcado de sangue.


Su Chan chegou.


Em suas roupas vermelhas, ela parecia se misturar ao sangue que a cercava.


Levantando os olhos da borboleta, a garota de branco olhou cautelosamente para Su Chan. Ela fora derrotada por Su Chan antes e, portanto, absteve-se de qualquer ataque precipitado.


Apesar de ser dominada por {infortúnio}, Xia Ge ainda tinha um pouco de consciência.


“Solte.” Su Chan falou com uma voz leve e um pequeno sorriso.


A borboleta no ombro de Xia Ge agitou as asas, e então a forma de Chu Yi apareceu gradualmente.


Chu Yi encarou Su Chan. “……Su Chan.”


“Estou conhecendo você pela primeira vez, jovem mestre da Caverna Baigui.” Após uma pausa, Su Chan sorriu novamente. “Ou…… devo me dirigir a você como a futura chefe da família Chu?”


Contemplando as palavras de Su Chan, Chu Yi deu um sorriso de lado e respondeu: “Recebendo parabéns da líder da Seita Demoníaca, quão abençoada sou?”


“Oh, bastante afortunada.” Su Chan sorriu de volta. “Mas temo não poder aceitar que você leve minha pequena sacerdotisa para si.”


“Apenas olhe o estado em que ela está agora.”


O forte fedor de sangue pairava no ar.


Su Chan riu suavemente: “Você não apenas está falhando em limpar o nome dela, como também libertou um demônio que mata sem piscar os olhos.”


Xia Ge estava encarando Su Chan, ignorando o fantasma de Chu Yi. Um fantasma não poderia dar a {infortúnio} o prazer de matar.


Chu Yi riu: “O que te faz pensar que eu me importo?”


Ela acrescentou em voz baixa: “Além disso, mesmo que ela matasse cada alma no mundo, eu ainda a manteria em segurança.”


Su Chan inclinou a cabeça. “Os rumores dizem que a senhorita Chu Yi, tendo perdido a mãe quando jovem, é frágil e delicada — mas aparentemente sua crueldade rivaliza com a minha.”


Chu Yi estava indiferente. “A maioria das pessoas são tolas. A líder da Seita Demoníaca realmente sai por aí acreditando no que os fofoqueiros dizem?”


“Ha, você me entendeu mal, senhorita Chu.” Su Chan riu e continuou: “Eu não me importo com o que os rumores dizem, e não me importo com o tipo de pessoa que você é.”


“No entanto, usarei qualquer meio necessário para alcançar meus objetivos. Se rumores e calúnias me servirem, eu os usarei. Afinal, rumores podem ser fatais para uma pessoa enquanto deixam outra ilesa.”


O olhar de Chu Yi era gélido. “Oh? É por isso que você forçou Xia Wuyin a um beco sem saída?”


Porque Su Chan pensara que as opiniões dos outros não importariam para Xia Wuyin, ela de fato cortara impiedosamente qualquer rota de fuga para Xia Wuyin.


Su Chan suspirou: “A senhorita Chu realmente tem uma língua afiada.”


“Mas Xia-Xia era originalmente a pequena sacerdotisa da minha Seita Demoníaca.” Su Chan estreitou os olhos. “Que beco sem saída? O futuro dela na seita é brilhante.”


“Dói-me ver a senhorita Chu colocando tanto esforço desnecessário na minha Xia-Xia.”


“É realmente uma pena.” A voz de Su Chan baixou. “Então vamos parar com isso agora.”


Enquanto Su Chan e Chu Yi conversavam, Xia Ge já havia largado o cadáver em sua mão. Olhando para Su Chan, seus olhos carmesins estavam frios e assassinos, como se estivesse pronta para atacar. Mas no segundo em que Su Chan disse: ‘Vamos parar com isso agora’, Xia Ge desapareceu!


Como a borboleta permanecera no ombro de Xia Ge, o fantasma de Chu Yi desapareceu também!


Xia Ge escapara!


Enquanto Xia Ge corria, tudo ao seu redor era um borrão. Com suas roupas brancas tremulando ao vento, a expressão de Xia Ge era impassível enquanto ela disparava através de florestas e sobre montanhas, seu corpo como uma raposa ágil, porém exalando o cheiro de sangue.


E a borboleta continuava a se agarrar a ela.


Su Chan não perseguiu imediatamente. Em vez disso, ela examinou os cadáveres espalhados no chão. A última pessoa que Xia Ge estrangulara ainda estava com os olhos bem abertos, como se nunca tivesse visto sua morte chegando.


Por alguma razão, Su Chan viu-se lembrando da primeira vez que conhecera Xia Wuyin nesta vida.


Su Chan fingira estar em apuros, e Xia Wuyin arriscara sua própria vida para salvar Su Chan, jurando solenemente — Acredite em mim, eu definitivamente vou salvá-la!


Su Chan então pensou nos olhos carmesins de Xia Wuyin de momentos atrás.


Tão frios.


Mas será que havia lágrimas congeladas naquele gelo?


O brilho e a empatia que estiveram nos olhos de Xia Wuyin anos atrás agora estavam congelados em carmesim, transformados em fria apatia diante das lágrimas e do sangue de outras pessoas.


Estendendo suavemente a mão, Su Chan fechou os olhos da última vítima de Xia Wuyin.


A garota daquela época……


Lágrimas enchiam seus olhos carmesins agora.


Su Chan murmurou: “Não chore.”


Abruptamente, Su Chan entendeu um pouco……


O desconforto em seu coração.


***


*Nota: "O mar é vasto o suficiente para os peixes saltarem, e o céu é alto o suficiente para os pássaros voarem" é um idioma chinês, originário do "General Collection of Poetic Talks" de Ruan Yue, na Dinastia Song do Norte. É uma metáfora para ser capaz de mover-se livremente ou exibir seus talentos em um ambiente vasto. O termo evoluiu de um verso budista Zen e é comumente usado em contextos motivacionais para encorajar as pessoas a superarem limitações e perseguirem seus ideais.*


Capítulo 195 - Desastre Provocado pelo Homem: Parte 1




O vento que assobiava em seus ouvidos estava frio, e o sol se punha no oeste.


Xia Ge, vestida com trajes brancos decorados com lírios-aranha de um carmesim brilhante, aterrissou graciosamente no solo.


Em um vale, uma pequena vila estava aninhada, com fumaça subindo preguiçosamente de suas chaminés.


Com os olhos vermelho-sangue semicerrados, Xia Ge focou na fumaça que subia como um predador perseguindo sua presa — seu olhar transbordava de uma excitação assassina.


Suas mãos se contraíram, mas ela hesitou, como se sentisse que algo estava errado.


Então, ouviu passos fracos. Suas pupilas se contraíram, mas seu corpo permaneceu completamente imóvel.


“Ai, este tempo está quente demais. Tenho que dizer à minha esposa para me dar roupas mais leves...”


“Do que você está reclamando? O verão nem começou! Teve uma insolação só de cortar lenha!?”


Eram dois lenhadores a caminho de casa.


Com os dedos se curvando, as pupilas de Xia Ge encolheram ainda mais.


“Ei, ei, já vai escurecer. Vamos nos apressar e voltar antes do jantar.”


“……”


A borboleta no ombro de Xia Ge agitou-se nervosamente.


Enquanto conversavam, os dois lenhadores se aproximavam, batendo papo tranquilamente.


Cada um carregando um grande cesto de lenha nas costas, os lenhadores caminhavam rapidamente, vestidos com roupas desbotadas.


“Ai, Velho Xu...”


Um dos lenhadores avistou a silhueta de Xia Ge no crepúsculo e perguntou, incerto: “Aquilo ali é uma garota ou uma boneca?”


O Velho Xu então avistou Xia Ge também, e uma sensação instintiva de perigo tomou conta dele. “Velho Chen... vamos chegar em casa logo.”


As florestas montanhosas estavam cheias de todo tipo de coisas estranhas; a vigilância era sempre sensata.


Os dois lenhadores diminuíram o passo, prestes a mudar ligeiramente sua rota.


Só que era tarde demais, e Xia Ge era rápida demais!


“Aaaah—”


O Velho Chen foi prensado contra o solo! Com olhos brilhando em carmesim e implacáveis, as mãos delgadas de Xia Ge apertaram lentamente o pescoço do Velho Chen. O Velho Xu ficou paralisado de medo por um momento, mas seus reflexos assumiram o comando enquanto ele gritava: “Velho Chen!”


Ele golpeou Xia com seu machado!


As roupas brancas de Xia Ge subitamente brilharam em um vermelho intenso, e o machado do lenhador se estilhaçou ao atingi-la. O Velho Xu foi arremessado para o alto. Quando caiu de volta ao chão, desmaiou.


O rosto do Velho Chen havia ficado roxo, seus olhos saltados encarando o Velho Xu inconsciente com uma expressão de desespero e raiva!


Ainda segurando o Velho Chen pela garganta, Xia Ge o levantou facilmente no ar, com um pequeno sorriso no rosto.


Sua humanidade enterrada sob a {desventura} [1], tudo o que restava era um desejo animal de matar.


E derivar prazer do ato.


O fantasma de Chu Yi apareceu subitamente. “Irmão! Pare!”


As pessoas da Caverna Baigui não eram de coração mole, e não recuavam diante da morte. Mas—


Chu Yi sabia.


Se Xia Ge assassinasse os dois lenhadores, quando — e se — ela voltasse a si, ela se arrependeria disso!!


Chu Yi gritou novamente: “Irmão, você deve parar! Não faça isso! Você não quer fazer isso!”


Xia Ge não prestou atenção às palavras de Chu Yi, com uma mão continuando a estrangular o Velho Chen e a outra movendo-se levemente, como se estivesse medindo algo.


Com os olhos revirando, o Velho Chen perdeu a consciência.


Chu Yi estava frenética. Ela tinha que parar Xia Wuyin! O que ela deveria fazer?!


Ela forçou-se a falar: “Se você fizer isso... a pessoa, a pessoa de quem você gosta, nunca acordará!!”


Assim que ela disse as palavras, uma dor surda encheu seu coração.


Ela não queria dizer aquele nome.


— Metade dela esperava que Xia Wuyin não tivesse reação ao que ela acabara de dizer, enquanto a outra metade esperava que Xia Wuyin parasse. Parasse de se destruir.


Foi uma verdadeira luta interna.


Os movimentos de Xia Ge pararam, seus olhos vermelho-sangue tornando-se confusos enquanto ela olhava lentamente para Chu Yi.


Encarando diretamente aqueles olhos vermelhos, o coração de Chu Yi ficou como cinzas. Então, com uma risada de autodepreciação, Chu Yi deixou tudo para trás. Ela falou com cuidado e seriedade: “Se você continuar a fazer isso, ela não a verá novamente.”


“Ela ficará desapontada com você.”


“E... ela nunca, nunca acordará.”


Um segundo depois, Xia Ge soltou a pessoa em sua mão e, em vez disso, agarrou Chu Yi!


Chu Yi não se preocupou em desviar enquanto se encaravam nos olhos. Pois a mão de Xia Ge atravessou o corpo ilusório de Chu Yi.


——Chu Yi nem sequer tinha dito o nome de Gu Peijiu.


As ações de Xia Wuyin eram simplesmente instinto?


Com uma mão pairando no ar, Xia Ge encarou Chu Yi com raiva por um longo tempo. Esperançosamente percebendo que qualquer ataque físico seria inútil, Xia Ge não desperdiçou sua energia tentando. Eventualmente, ela virou o rosto para o lado e preparou-se novamente para matar os dois lenhadores.


Ela estava de muito mau humor.


Embora não soubesse o porquê.


Agarrou o Velho Xu pelo pescoço, Xia Ge começou a aplicar pressão —


Naquele exato momento —


“Você não sente que falta alguma coisa?”, Su Chan perguntou calmamente.


Jogando o Velho Xu de lado, as pupilas de Xia Ge se contraíram enquanto ela instintivamente tentava desviar. Foi inútil, no entanto. Uma videira explodiu do solo, juntamente com incontáveis lírios-aranha vermelhos, bem sob os pés de Xia Ge. As gavinhas verdes de aparência delicada eram como aço e resilientes como jade. Balançando sua manga, Xia Ge liberou grandes rajadas de vento forte, mas nem uma única gavinha foi cortada. Em vez disso, pareciam crescer mais fortes. Um instante depois, mais gavinhas brotaram em todas as direções, cortando qualquer rota de fuga possível para Xia Ge!


Não demorou muito para que Xia Ge fosse completamente amarrada.


Na luz fraca do pôr do sol, as árvores balançantes lançavam sombras profundas, e Su Chan segurava graciosamente um lírio-aranha vermelho em uma das mãos.


“Deixe-a ir, Srta. Chu.” O tom de Su Chan era despreocupado. “Você não pode controlá-la, e você não pode salvá-la.”


A borboleta no ombro de Xia Ge agitou suas asas enquanto Chu Yi franzia os lábios, examinando Su Chan com olhos frios.


Su Chan perguntou ociosamente: “O que você ganhou ao levá-la embora assim?”


Chu Yi: “Pelo menos eu a mantive longe de você.”


Su Chan riu. “Uma razão boa o suficiente. Mas não acho que essa seja a única razão pela qual você se esforçou tanto.”


Chu Yi olhou para Xia Wuyin, emaranhada nas videiras atrás de Su Chan, e para os dois lenhadores inconscientes.


Seus punhos fantasmagóricos estavam cerrados com força.


“Srta. Chu, você pode ser cruel e impiedosa, mas deve ter algum sentimento genuíno por Xia Wuyin... para chegar a tais extremos.” Su Chan riu. “É por isso que não acredito que você queira que ela permaneça como está agora.”


Chu Yi: “Eu encontrarei uma maneira de salvá-la. Sem entregá-la de volta a você.”


“Não há outra maneira.”


O lírio caiu silenciosamente da mão de Su Chan enquanto ela sorria para Chu Yi. “Neste mundo, sou a única que pode salvá-la.”


Exceto por Gu Peijiu, talvez.


Que pena que Gu Peijiu nunca acordaria.


Chu Yi ficou em silêncio.


Xia Wuyin ainda estava lutando contra as videiras, seus olhos vermelhos fixos nos dois lenhadores, seu desejo avassalador de matá-los claramente aparente.


Não havia razão para isso; ela simplesmente queria matar pelo prazer de matar.


Que cura poderia haver?


“Ouvi dizer que o mestre da Seita das Mil Almas conduziu alguns experimentos bastante estranhos...” Chu Yi desviou o olhar, incapaz de continuar observando, mas sua voz estava fria como gelo. “Você diz que pode salvá-la... mas, eu me pergunto, o estado atual dela tem algo a ver com sua ‘experiência’?”


Su Chan deu de ombros, indiferente. “Você me acusa injustamente. Dificilmente é minha culpa. A culpa deve ser atribuída aos seus novos parentes por afinidade.”


Chu Yi franziu a testa: “Parentes por afinidade?”


“Ouvi dizer que sua irmã está noiva do filho mais velho da família Chang. Isso não os torna seus parentes por afinidade?” Su Chan riu. “Mas não importa. Só me pergunto se a Srta. Chu ouviu falar da {desventura} [1] Yimei?”


{desventura}?!


Chu Yi virou a cabeça para encarar as roupas no corpo de Xia Wuyin.


Ela sentia há muito tempo que o Yimei que Xia Wuyin vestia tinha uma aura anormal que era vagamente familiar. Ela simplesmente pensou que fosse algum estratagema de Su Chan. Só agora, graças às palavras de Su Chan——


Chu Yi lembrou-se de quando a {desventura} reapareceu, cerca de três anos atrás.


Na época, estava claro que o alvo da {desventura} era Xia Wuyin. Mas Chu Yi simplesmente considerou a {desventura} uma ferramenta útil. Somente mais tarde ela pesquisou o Yimei e descobriu que era uma coisa amaldiçoada, nascida da ira dos céus para trazer calamidade ao reino mortal. Insaciavelmente sedenta de sangue e regozijando-se no massacre, ela se alimentava das emoções negativas dos mortais para se fortalecer!


Além disso, depois que ela descobriu que Xia Wuyin era seu ‘irmão’, ela não teve mais nada a ver com a {desventura}. Ela nunca esperou que ela realmente alcançasse seu objetivo!


Era realmente uma calamidade!


“É um Yimei nascido para causar estragos na terra. Nascido para matar e se deliciar com o sofrimento humano — não posso tolerar isso”, Su Chan opinou indiferente. “Eu até montei pessoalmente uma formação dentro da minha seita para contê-la. Nunca previ que a Srta. Chu viria interferir. Verdadeiramente surpreendente.”


“Por que a {desventura} teve como alvo Xia Wuyin?”, perguntou Chu Yi. “E o que isso tem a ver com a família Chang?”


“Por que ela a teve como alvo?” O sorriso de Su Chan tornou-se cada vez mais ambíguo. Ela não tinha intenção de revelar a Chu Yi que Xia Wuyin já tinha sido Xia Wushuang. Ela apenas disse: “O patriarca da família Chang deu a {desventura} como um presente de aniversário para ela... Quanto a quaisquer outras reviravoltas, assuntos tão irrelevantes são fáceis para você descobrir usando sua Caverna Baigui.”


Su Chan lançou um olhar sorridente aos lenhadores desmaiados. “Você é uma jovem inteligente, Srta. Chu. Você deve saber que levar Xia Wuyin embora não serve a nenhum propósito real — isso só trará derramamento de sangue desnecessário e rumores mais cruéis.”


“……”


As mãos cerradas de Chu Yi estavam brancas. “Muito bem. Então vou perguntar novamente. Por que você a forçou a tal ponto?”


***


[1] Nota: O termo original {misfortune} (desventura/calamidade) é apresentado como um objeto/entidade amaldiçoada (Yimei) que habita ou se manifesta através das roupas/aura da personagem.


Capítulo 195 - Desastre Provocado pelo Homem Parte 2





No Monte Wuling, Su Chan havia sido verdadeiramente impiedosa.


Será que Su Chan encurralou Xia Wuyin dessa maneira porque sabia sobre o {infortúnio}?


Afinal, a Yimei perseguia Xia Wuyin há anos.


Com os olhos semicerrados e um sorriso, Su Chan disse: "Acho que você quer perguntar se eu sabia sobre o {infortúnio} o tempo todo, não é? E se foi por isso que eu a arruinei?"


Chu Yi: "É esse o caso?"


"Não." Su Chan riu sem qualquer hesitação. "Eu não precisava de um motivo. Eu queria fazer, então eu fiz."


Xia Wuyin não passava de uma estranha familiar para ela naquela época, uma pequena sacerdotisa desgarrada da Seita Demoníaca.


Se Su Chan soubesse quem Xia Wuyin realmente era...


Isso só teria fornecido uma motivação ainda mais forte.


Chu Yi: "Estou surpresa que você tenha me dado qualquer tipo de resposta."


"Eu também." Su Chan deu de ombros. "Não sei por que me dei ao trabalho."


Chu Yi lançou um olhar profundo a Su Chan. "Você tem que prometer que a restaurará à sua aparência original."


Su Chan riu novamente. "Naturalmente."


Virando a cabeça, Chu Yi observou Xia Ge.


A garota de branco não prestava atenção em Chu Yi. Ela apenas continuava encarando os lenhadores, depois suas próprias mãos e, em seguida, tentava desesperadamente se libertar das gavinhas flexíveis, porém fortes, que a aprisionavam.


Chu Yi lembrou-se do 'irmão' gentil e resiliente de anos atrás.


Que raio de luz ela havia sido... Então, por que ela se tornara assim agora?


A família Chang, é?


O olhar de Chu Yi tornou-se ainda mais gélido.


As palavras de Su Chan não podiam ser confiáveis, mas, por outro lado, Chu Yi não acreditava que Su Chan jogaria aquele nome no ar sem motivo.


Chu Yi não pôde evitar tramar em seu íntimo.


Com um bater de asas, a borboleta no ombro de Xia Ge desapareceu.


Suspirando, Su Chan caminhou até Xia Ge.


Xia Ge olhou para Su Chan com cautela, com os olhos carmesim, o corpo todo tenso, não muito diferente de um gato com os pelos eriçados.


As gavinhas cederam naturalmente, e Su Chan alcançou Xia Ge, que estava amarrada, e deu um tapinha em sua cabeça.


"Boa menina."


Os dentes de Xia Ge encontraram imediatamente o pulso pálido de Su Chan, afundando profundamente onde sua pulsação batia.


Impulsionada por um ódio profundo.


Su Chan não se importou; não hesitou. Ela deixou Xia Ge mordê-la, com o sangue fluindo e seu aroma preenchendo o ar. Como se estivessem confortadas, as pupilas de Xia Ge dilataram-se lentamente enquanto uma doce felicidade banhava sua mente e corpo.


Aparentemente sem sentir dor, Su Chan murmurou para si mesma: "Eu não deveria ter contado tanto para aquela pessoa."


Su Chan nunca teve interesse em intervir nos assuntos de famílias importantes. A Seita Demoníaca geralmente se contentava em vê-los lutar entre si e então lucrar com a desgraça alheia.


Além disso, as outras seitas não culpavam sempre a Seita Demoníaca por tudo o que dava errado?


Como dizia o ditado, quando se está coberto de piolhos, não se sente mais coceira, e quando se está afogado em dívidas, para-se de se preocupar. Enquanto Su Chan liderasse a Seita Demoníaca, ninguém poderia realmente feri-la.


Foi a tolice de Qin Yue com a família Chang que arrastou a Seita Demoníaca para tamanha estupidez. Mas isso não tinha nada a ver com Su Chan, e ela estava com preguiça de se importar.


Só que agora...


Su Chan encarou a garota desumana à sua frente.


A garota, outrora apaixonada, havia se transformado em uma criatura fria, impiedosa e sedenta de sangue...


Ela só queria que a família Chang provasse a verdadeira dor.


O que eles mereciam estava apenas começando.


Depois de roer o pulso de Su Chan por um tempo, Xia Ge ficou irritada por Su Chan não estar sentindo dor ou medo e parou de morder, infeliz.


Xia Ge queria dor, medo e toda emoção negativa que surgisse quando alguém se aproximasse da morte.


Era isso que a fazia sentir-se mais forte e feliz.


Mas, ao morder Su Chan, Su Chan nem parecia estar incomodada. Em vez disso, ela parecia um tanto satisfeita.


O que, por sua vez, deixou Xia Ge muito infeliz.


"Eu não sinto dor." O tom de Su Chan era gentil. "Você não precisa sentir pena de mim. Quer tentar morder o meu outro pulso?"


Xia Ge: "..."


= =


Observando a vida passada-


"Embora Xia Wushuang tenha sido feita general, ela não mudou seus modos ociosos. Ela renunciou à liderança de seu exército de marionetes. Ao longo dos anos, porém, muitos vieram aprender com ela. Eventualmente, ela fundou a Seita Lingxi."


"Havia apenas um pico que ensinava a arte das marionetes, e era uma arte profunda. Poucos podiam realmente dominá-la. Mas aqueles que viajavam para Lingxi eram frequentemente de famílias ricas. Temendo serem ridicularizados se deixassem a seita, eles permaneciam. Então, Xia Wushuang fundou Jianfeng, convidando um mestre para ensinar o cultivo da espada. Para poupar ainda mais o orgulho daquelas crianças ricas, Xia Wushuang permitiu que Jianfeng ficasse no pico mais alto, dizendo eufemisticamente: 'Ficar no alto permite que se veja mais longe'."


"Suponho que possa ser considerado uma situação em que todos ganham", acrescentou Doudou.


Gu Peijiu: "..."


"Embora eu não suponha que nada disso realmente importe tanto", continuou Doudou calmamente. "As mudanças reais aconteceram nove anos depois."


Gu Peijiu: "Nove anos?"


"Sim."


"Chu Shi era formalmente a monarca, graças em parte às suas ilustres conquistas militares. Mas aqueles invencíveis soldados de marionetes estavam começando... a perder o controle. A Monarca Chu pediu pessoalmente a Xia Wushuang que deixasse seu pico e resolvesse o problema."


"Naquela época, a Monarca Chu já havia subjugado quase todo o continente. Apenas algumas pequenas nações com força militar formidável ainda resistiam ao seu governo. Enquanto a Monarca Chu estava determinada a incorporar os últimos territórios ao seu império."


Doudou: "Embora Xia Wushuang soubesse que a Monarca Chu só viera fazer seu pedido... Xia Wushuang ainda estava muito feliz naquele dia."


Gu Peijiu permaneceu em silêncio.


"Xia Wushuang na verdade não queria deixar Lingxi. Ela vivera lá em reclusão por tanto tempo", continuou Doudou. "Mas ela ainda concordou com o pedido da Monarca Chu."


"..."


Os olhos de Doudou baixaram. "Era apenas uma batalha, e então ela estaria de volta em casa... Capaz de viver sua vida em paz."


"Teria sido tão bom se as coisas fossem tão simples."


Um presságio surgiu no coração de Gu Peijiu.


O cenário ao seu redor começou a mudar.


Tornando-se um campo de batalha desolado no norte.


Embora Xia Wushuang fosse a general apenas de nome, a maioria dos soldados de marionetes era controlada por Gu Peijiu.


O inimigo há muito sabia do poder formidável dos soldados de marionetes de Chu e gastara muito ouro para contratar seus próprios mestres de marionetes. Embora não superassem o exército de marionetes de Chu em número, tinham muitos recrutas novos. Enquanto isso, por alguma razão desconhecida, os soldados de marionetes de Xia Wushuang frequentemente perdiam o controle.


Felizmente, a liderança precisa de Gu Peijiu até agora evitara qualquer grande desastre.


Foi uma batalha exaustiva. Ambos os lados tinham uma força forte. Depois de lutar por três dias e noites, estavam em um impasse.


E, embora uma marionete não precisasse comer ou beber, os mestres de marionetes ficavam exaustos.


Apenas Xia Wushuang tinha Gu Peijiu, então ela não estava cansada.


Ela estava tentando entender o que estava causando a perda de controle das marionetes. Ela examinou um soldado de marionete por um longo tempo, mas não conseguiu identificar o problema.


Su Chan entrou na tenda, perguntando: "Você ainda não encontrou o problema? Talvez seja melhor você parar de procurar."


Mais alta, Su Chan não parecia mais uma criança, mas ainda mantinha um ar de inocência infantil.


Xia Wushuang, esguia e usando uma espada em uma bainha de bambu na cintura, estava curvada, examinando um soldado de marionete caído. "Onde você está se sentindo desconfortável?"


Gemendo "ai" algumas vezes, o soldado de marionete olhou alegremente de olhos arregalados para o peito de Xia Wushuang. "Dói-me tudo."


Su Chan deu um golpe forte no soldado de marionete que o enviou para fora da tenda. Ao aterrissar no chão, coberto de terra e poeira, ele estava totalmente desanimado.


Agora seu corpo realmente doía por todo o lado.


Coçando a cabeça, Xia Wushuang ainda estava confusa. "Não sei qual é o problema. Substituí todas as peças por novas. Então, por que ele de repente..."


Su Chan opinou inexpressivamente: "Acho que o problema dele está apenas no cérebro."


Xia Wushuang: "..."


Então ela de repente teve uma ideia. "Cérebro?! E se for um problema de alma?!"


Su Chan: "..."


Su Chan disse: "Não se preocupe com isso. Os reforços da Monarca Chu chegarão em breve, em meio dia, no máximo. Assim que esta batalha terminar, você não terá mais que se preocupar com essas coisas."


Xia Wushuang não pôde ser dissuadida. "Vá, traga-o de volta rapidamente. Vou ver se ele tem algum cérebro..."


Amaldiçoando-se interiormente por não ter esmagado o cérebro daquela marionete antes, Su Chan respondeu: "Não há nada de errado com ele! O cérebro dele está ótimo! O único problema dele é que ele está pedindo uma surra!!"


Os reforços chegaram rapidamente. Com o valor e a bravura da Monarca Chu e seu exército forte, a batalha feroz foi vencida e outro território conquistado.


No final, Xia Wushuang nunca descobriu o que, se algo, estava errado com o cérebro daquele soldado de marionete.


A tarefa simples de Xia Wushuang fora manter o inimigo afastado até a chegada da Monarca Chu.


Uma vez que isso foi alcançado, Xia Wushuang não tinha desejo de se envolver nos assuntos políticos. Que a Monarca Chu e outros cuidassem dessas coisas.


Xia Wushuang pediu para retornar a Lingxi.


"Estas terras do norte são terrivelmente frias." A nota de Xia Wushuang era simples. "Desejo ir para casa o mais rápido possível."


Usando uma linguagem meio formal e meio coloquial, Xia Wushuang manteve as coisas profissionais.


Depois que a Monarca Chu recebeu a nota, ela olhou para ela por um longo tempo antes de finalmente rabiscar "aprovado".


Um pequeno eunuco colocou seriamente uma capa grossa sobre os ombros da Monarca Chu. "Sua Majestade, começou a nevar."


Ainda segurando a nota, a Monarca Chu olhou pela janela.


Flocos de neve delicados formavam uma queda de neve leve, enquanto em um canto uma flor de ameixeira vívida havia florescido.


Raramente nevava em Chang'an.


E as raras noites de neve na memória da Monarca Chu foram todas passadas com aquela pessoa.


A Monarca Chu apertou a nota em sua mão, seu coração doía surdamente ao pensar em 'Pedir por Afeto' [1] que pendia da cintura de Xia Wushuang.


Ela nunca havia pedido ou mencionado isso.


"Está nevando."


Estendendo a mão para fora da janela da carruagem, Xia Wushuang estava encantada.


"Está quase escurecendo; deveríamos encontrar um lugar para descansar", disse Gu Peijiu.


"Por que estamos pegando uma carruagem, afinal? Por que não voltamos direto?", reclamou Su Chan.


"Hehehe, você realmente achou que eu queria voltar tão cedo?" Xia Wushuang puxou a mão para dentro; seu cabelo preto estava salpicado de flocos de neve. Ela declarou com um pouco de entusiasmo excessivo: "Eu só quero explorar todas as belas paisagens do norte!"


Usando uma toalha macia, Gu Peijiu limpou silenciosamente o cabelo de Xia Wushuang.


Su Chan: "..."


A carruagem era grande e suntuosa. Sentados dentro, os passageiros não sentiam solavancos — verdadeiramente ideal para passeios. Aparentemente, a Monarca Chu havia lido a mente de Xia Wushuang.


Ela até forneceu vários atendentes.


Após serpentear pelo caminho, eles finalmente avistaram uma pequena aldeia onde decidiram parar e montar acampamento.


Xia Wushuang preferia sua solidão, e Su Chan e Gu Peijiu mal toleravam uma à outra. Por essa razão, cada uma montou sua própria tenda.


Quando o acampamento ficou pronto, já estava anoitecendo.


Com um bocejo preguiçoso, Xia Wushuang foi para sua tenda, dizendo casualmente: "Amanhã, vamos à aldeia brincar... Não, quero dizer, vamos observar as condições das pessoas."


Gu Peijiu: "..."


Su Chan: "O que você quiser."


Os olhos tristes de Xia Wushuang estavam escondidos pela escuridão.


Foi uma noite calma.


Soldados de marionetes montavam guarda.


Embora Gu Peijiu não precisasse dormir, ela ficou em sua própria tenda, olhando-se em um espelho.


O rosto que a encarava de volta era pálido, com olhos escuros brilhando com uma luz fraca e cabelos pretos presos por um simples grampo de madeira.


Então Gu Peijiu ouviu um movimento sutil do lado de fora.


Saindo imediatamente de sua tenda, Gu Peijiu examinou o ambiente vigilantemente.


Uma fileira de olhos verde-escuros brilhava na neve clara.


Lobos!


***


[1] "Ask for affection" (求情 - Qiú qíng): O termo pode significar pedir misericórdia, pedir clemência ou, literalmente, pedir por afeição/amor.


Postar um comentário

0 Comentários