29 - Saindo de casa


Capítulo 29

SAINDO DE CASA


Era mais um belo dia, a luz do sol prateada preenchendo o parapeito da janela. 

Li Man acordou, sentou-se, espreguiçou-se e abriu a janela. Uma brisa suave entrou, trazendo o frescor único das montanhas, revigorando-a. 

Os vegetais no quintal pareciam estar crescendo melhor do que alguns dias atrás. A fileira de feijões trepando na treliça já havia brotado; deveriam estar prontos para comer em alguns dias. 

Lembrando-se do sonho que tivera na noite anterior, Li Man riu baixinho, virou-se, levantou-se agilmente da cama, calçou os sapatos e as meias e saiu do quarto com um humor alegre. 

O sol já estava alto no céu quando ela viu Li Xiaowu agachado na porta, brincando com os pintinhos amarelos, com a testa suada. 

Hmm, ela dormiu demais de novo. Por que ninguém a acordou? Li Man, esfregando os cabelos, caminhou até Li Xiaowu. 

O quintal estava silencioso, indicando que todos já haviam saído para trabalhar.

"Você já alimentou os pintinhos? E os leitões?" 

Xiaowu se levantou, sorrindo bajuladoramente para Li Man. 

Os pintinhos eram os tesouros de sua irmã; antes de sair, seu irmão mais velho havia lhe dito para não brincar com eles. 

Sabendo que ele não entenderia, Li Man não se importou.

Ela pegou a cesta e notou que os pintinhos pareciam um pouco apáticos; seus piados não eram tão alegres quanto no dia anterior. Pensando que talvez estivessem com fome, correu para a cozinha e pegou um punhado de arroz para alimentá-los. E, de fato, os pintinhos bicavam sua mão com avidez. 

Li Xiaowu achou isso muito engraçado e se agachou para observar. 

Logo, o punhado de arroz havia desaparecido. Li Man voltou para a cozinha, pegou outro punhado de arroz e colocou na mão de Xiaowu, deixando-o alimentá-los. 

Xiao Wu estava incrivelmente animado. Observar Li Man alimentando os pintinhos o deixou com muita vontade de participar. Ele rapidamente se agachou, colocou a mão na cesta e observou os pintinhos aconchegados, bicando os grãos de arroz em sua palma. Era tão fofo! 

Um pintinho menor era constantemente empurrado para o lado, e Xiao Wu sentiu pena dele, preocupado que ficasse sem arroz, então o pegou e o segurou na palma da mão, deixando-o comer até se fartar. 

Li Man voltou para a cozinha e viu os dois leitões aconchegados perto da pilha de lenha atrás do fogão, até roncando. 

Mas, enquanto os pintinhos eram fáceis de alimentar, o que alimentaria os dois leitões? Arroz, mingau ou pão de milho? 

Que absurdo! Uma lavagem seria mais adequada, mas não havia nenhuma lavagem em casa. Com vários homens adultos por perto, parecia que não havia comida suficiente. Onde sobraria alguma coisa? 

Li Man começou a se arrepender de sua decisão impulsiva. Sua família era tão pobre; eles tinham sorte se tivessem o suficiente para três refeições por dia, quanto mais comida extra para alimentar dois porcos. Eles ainda eram pequenos, mas comeriam ainda mais quando crescessem. Mas agora que os havia comprado, ela tinha uma responsabilidade para com eles. 

Li Man pensou por um momento, pegou uma cesta vazia no canto e saiu da cozinha. 

Xiao Wu já havia alimentado os pintinhos. Ao vê-la sair com a cesta, levantou-se e a seguiu. 

"Vamos, vamos procurar um pouco de ração para os porcos", disse Li Man, pegando a mão de Li Xiao Wu e a conduzindo para fora. Ela não conhecia a região e precisava de um guia. 

Li Xiao Wu ficou surpreso. 

"Irmã, você ainda não tomou café da manhã." 

Os dois caminharam juntos em direção à parte de trás da montanha. Havia muitas hortas ao pé da encosta, e vegetais silvestres eram abundantes. 

Uma mulher caminhava em direção a eles, seu gingado provocando a imaginação de qualquer um. 

"Oh, Xiao Wu, para onde você está levando a esposa de vocês?" 

Embora a pergunta fosse dirigida a Xiao Wu, os olhos da esposa de Er Shun estavam fixos em Li Man. 

Li Man sentiu como se o olhar dela tivesse espinhos, o que a deixou muito desconfortável, então a ignorou e conduziu Xiao Wu para longe.

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