38 - Marca de Nascença


Capítulo 38

MARCA DE NASCENÇA


O olhar do menino era claro e puro, como se pudesse purificar a alma. Li Man de repente sentiu seu coração ficar menos perturbado.

Vendo sua tez melhorar gradualmente, Li Hua sorriu gentilmente. 

“Pronto, pronto. Pare de se preocupar. Descanse um pouco. Vou preparar algo para comer.”

Quando ele se virou para sair, Li Man entrou em pânico e agarrou sua mão. 

“Você ainda não me disse o que realmente está acontecendo!”

“O quê?”, Li Hua voltou-se para ela.

Li Man apontou para onde ela havia perguntado anteriormente e, em seguida, entregou-lhe o galho. 

“Conte-me.”

A expressão de Li Hua ficou preocupada. Talvez fosse melhor que ela não soubesse dessas coisas. Ele escreveu: Disputas entre vizinhos. Não é da sua conta. Resolvido.

Disputa entre vizinhos? Li Man relembrou os acontecimentos em sua mente e achou plausível. Aquela mulher tinha vindo à casa deles naquela noite agindo de forma bastante imprópria. Hoje, ela a agarrou na rua, aparentemente com más intenções. Então veio Li Shu brigando com ela, o que escalou até envolver aquele velho.

Ah, sim. Uma mera disputa entre vizinhos. Por fazer parte dessa família, ela naturalmente arcou com uma parte do peso disso. Essa constatação acalmou consideravelmente a mente de Li Man. 

Ela percebeu que Li Hua usava apenas uma camiseta fina de gola redonda — uma peça praticamente remendada, agora pequena demais para ele. Seus braços estavam meio expostos, a gola estava desgastada e felpuda, e os laços pareciam impossíveis de apertar. Ligeiramente abertos, eles revelavam uma clavícula fina e delicada. Uma marca de nascença vermelha ficava ao lado de sua clavícula esquerda, como uma pétala, vermelha como sangue.

“O que foi?”

Li Hua olhou para seus olhos fixos, intrigado.

Li Man rapidamente desviou o olhar, tirando a capa que estava sobre os ombros para oferecê-la a ele. 

“Isto é seu. Obrigada.”

O repentino clarão da pele branca como a neve diante de seus olhos fez os olhos de Li Hua arderem. Seu rosto claro ficou vermelho, refletindo a marca vermelha na clavícula delicada dela, tornando sua beleza ainda mais requintada.

“Não preciso disso. Fique com ele.” 

Li Hua pegou a capa e a colocou de volta sobre os ombros dela. Suas pontas dos dedos tremeram levemente. Apesar de não ter intenção, ele acidentalmente roçou a pele delicada e branca como a neve dela. Como se tivesse sido atingido por um raio, ele rapidamente retirou a mão e a capa escorregou de suas mãos e caiu no chão.

Ambos se abaixaram para pegá-la, e um leve aroma subiu até suas narinas. Li Hua sentiu uma tontura momentânea. Antes que pudesse reagir, Li Man já havia pegado a peça, mas prontamente a colocou de volta em suas mãos. 

“Use você. Tenho mais no meu guarda-roupa.”

De repente, incapaz de encarar o olhar dela, Li Hua agarrou a peça e saiu correndo do quarto.

Qual é a pressa? Li Man achou sua retirada apressada bastante divertida. Ela mesma abriu o guarda-roupa e pegou outra jaqueta.

Só depois de tirar a roupa que vestia é que percebeu uma marca de nascença vermelha em seu próprio braço direito — embora sua forma fosse menos agradável do que a de Li Hua.

Não era à toa que parecia vagamente familiar antes. Será que essa marca de nascença vermelha era uma característica comum entre os Li?

…..ooo0ooo…..

No momento em que Li Hua saiu, encontrou seus irmãos mais velho, terceiro e mais novo esperando na porta.

“Como ela está?”, perguntou Li Mo, ansioso.

Li Hua sentiu a boca secar. Ele apertou os lábios, prestes a responder, quando Li Shu se inclinou para perto, com uma expressão intrigada. 

“Por que seu rosto está tão vermelho?”

“Er...” Li Hua inconscientemente tocou sua bochecha. “Está mesmo? Provavelmente é só o calor.”

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