Capítulo 54
TEIMOSIA
Vendo que ela estava quase quebrando a tigela, Li Yan finalmente não conseguiu se conter e a interrompeu:
"No que você está pensando?"
"Ah!"
O coração de Li Man disparou. Ela sentiu como se sua alma tivesse deixado seu corpo, e a tigela em sua mão caiu na bacia com um baque, felizmente sem se estilhaçar.
Li Yan cruzou os braços, encostou-se no fogão, franziu a testa e olhou para ela com divertimento:
"Ainda tão assustada?"
Ela parecia bem alegre e animada nos últimos dias; ele pensou que ela tivesse ficado mais ousada.
Li Man agarrou o coração acelerado, olhando para ele como se tivesse visto um fantasma.
"O que você está fazendo?"
Ela o encarou com os olhos arregalados, tentando interrogá-lo no dialeto local para se sentir mais confiante.
"Ah, muito melhor." Li Yan ergueu uma sobrancelha, elogiando-a com prazer: "O que mais você aprendeu a falar?"
"Hum?"
Ela entendeu a primeira parte, mas o que ele disse depois?
O olhar de Li Yan recaiu sobre o cabelo dela.
"Onde está o grampo?"
Ele não o tinha visto durante o jantar; aparentemente, ela o tirou assim que ele saiu.
Li Man sabia que ele se referia ao grampo. Ela estava pensando no que fazer, mas agora que ele havia perguntado, ela poderia muito bem devolvê-lo. Rapidamente, ela tirou o grampo do busto e entregou a ele.
"Aqui está."
Li Yan estreitou os olhos.
"Você não gostou?"
Ao ver o sorriso nos olhos dele instantaneamente substituído por frieza, o coração de Li Man disparou.
As aparências realmente enganam. Antes, ela o considerava a pessoa mais gentil, seu sorriso o mais reconfortante. Agora parecia que, embora seu sorriso fosse de fato gentil, uma vez que desaparecesse, era verdadeiramente aterrorizante.
Li Man fingiu não o entender, colocou o grampo de cabelo no fogão e disse baixinho:
"Obrigada, mas não estou acostumada a usar isso."
Então, rapidamente voltou a lavar a louça.
Mas, antes que terminasse de lavar um prato, o pano de prato foi arrancado de sua mão e seus ombros foram imobilizados, forçando-a a encará-lo novamente.
Li Man, irritada, lançou-lhe um olhar furioso.
"O que você quer?", perguntou, olhando para a porta, na esperança de que alguém os visse e os impedisse, mas também apavorada por ser flagrada naquele momento íntimo. Seu coração estava em turbilhão.
Li Yan a encarou fixamente, com um olhar firme e dominador.
Sob aquele olhar, Li Man gradualmente perdeu a capacidade de resistir, perguntando ansiosamente:
"O que exatamente você quer?"
Será que valia a pena devorá-la viva por um grampo de cabelo?
Só quando ela finalmente desistiu de lutar, Li Yan soltou uma das mãos, pegou o grampo de cabelo do fogão e o colocou de volta no cabelo dela.
Li Man revirou os olhos por dentro. Esse homem era realmente teimoso.
Tudo bem, era só um grampo; ela o usaria.
"Você pode usá-lo por enquanto", disse Li Yan, vendo-a teimosamente de cabeça baixa, com um leve sorriso nos lábios. Ele ergueu o queixo dela com uma das mãos, fazendo-a olhar para cima.
"O quê?"
Li Man estava ficando irritada, mas pelo canto do olho notou um longo corte no polegar dele, como se tivesse sido feito por uma lâmina afiada. De repente, lembrou-se dos belos veios da madeira do grampo — seria da época em que ele o estava fazendo?
"Você machucou o dedo?"
Li Man pegou o dedo, perguntando preocupada.
Li Yan entendeu a preocupação em suas palavras e viu o cuidado em seus olhos. Um sorriso surgiu em seus olhos, e ele acariciou suavemente os cabelos dela com o dedo ferido, dizendo com uma certeza quase como uma promessa:
"Te darei algo melhor no futuro."
Li Man instintivamente virou o rosto, evitando o toque dele, mas nesse instante viu Li Mo parado na porta da cozinha, congelado como uma escultura de gelo, o rosto pálido.

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