Capítulo 57
PEÔNIA
Ao ver sua expressão irritada, Li Yan riu baixinho, enfiou o pão de milho na mão dela, deu um tapinha na cabeça de Xiao Wu e disse com um sorriso:
"Vamos lá."
"Ah."
Xiao Wu olhou para Li Man.
"Irmã, vamos encontrar o irmão mais velho."
"Certo."
Li Man respondeu, comendo seu pão de milho e seguindo atrás.
Os três tinham acabado de sair do pátio quando ouviram uma voz feminina agradável chamando Li Yan:
"Irmão Li Yan..."
Ao se virarem, viram uma garota parada junto ao muro do pátio da Família Li. Essa garota era muito bonita, com rosto oval, sobrancelhas finas como folhas de salgueiro, olhos grandes e expressivos, lábios pequenos e uma expressão tímida.
"Irmã Peônia?", Xiao Wu chamou carinhosamente.
Peônia murmurou um "Ai" baixinho, seus grandes olhos expressivos fixos em Li Yan, e sussurrou:
"Irmão Li Yan..."
Li Yan olhou para ela, o sorriso desaparecendo de seus olhos. Disse a Li Man e Xiao Wu:
"Vocês dois vão na frente e me esperem na entrada da vila. Já vou."
"Certo", respondeu Xiao Wu, pegando a mão de Li Man. "Irmã, vamos primeiro."
Li Man assentiu, com um olhar compreensivo, lançando um último olhar para Peony.
Aquela garota, de quinze ou dezesseis anos, era mais bonita do que qualquer outra que ela já vira. A julgar por sua expressão, ela definitivamente estava interessada em Li Yan.
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Li Yan esperou até que os dois tivessem se distanciado um pouco, antes de se aproximar de Mudan, olhando para ela e perguntando:
"O que foi?"
Ao ouvir seu tom frio, os olhos de Mudan se encheram de lágrimas.
"Irmão Li Yan, você trabalhou na minha casa nesses últimos dias, por que não me procurou nenhuma vez?"
"Por que eu te procuraria, se não tinha nada para dizer?" Li Yan olhou para ela com indiferença, notando seus longos cílios tremendo levemente, como se ela estivesse prestes a chorar novamente. Ele suspirou baixinho: "Se você tem algo a dizer, diga logo. Se não, estou ocupado."
"Irmão Li Yan," Mudan ergueu o olhar, com lágrimas já se acumulando nos olhos, "eu sei que a culpa é da minha família, mas aquele casamento não foi algo que eu procurei. Você deveria saber que, da infância à vida adulta, a única pessoa que eu amei..."
"Basta." Li Yan bateu impacientemente na mão dela. Ele a interrompeu, sem olhar para ela novamente, e se virou. Vendo que os dois estavam quase na entrada da vila, disse: "Se não há mais nada a dizer, eu vou indo."
"Irmão Li Yan!" Mudan gritou, agarrando o braço de Li Yan, com a voz embargada pelos soluços, "Você realmente não vai fazer nada? Vai ficar aí parado, me vendo casar com outra pessoa?"
Li Yan afastou a mão dela, e ao ver seus olhos cheios de lágrimas e cheios de pena, uma onda de irritação o invadiu. Ele falou sem rodeios:
"Mudan, quantas vezes eu tenho que dizer isso? Eu nunca senti nada por você. Se você não quer se casar, diga aos seus pais."
"Não, eu não acredito, irmão Li Yan, eu sei que você só está dizendo isso por raiva."
Os olhos de Mudan se arregalaram em descrença, e grandes lágrimas finalmente rolaram por suas bochechas.
Li Yan a encarou atentamente, ainda dizendo pacientemente:
"Mudan, estou falando a verdade. Eu sempre a considerei como uma irmã..."
"Não!"
Mudan gritou de repente, seus olhos marejados brilhando com ressentimento e má vontade.
Li Yan percebeu de repente que não adiantava discutir com ela; caso contrário, por que ela não o ouvira nenhuma vez depois de todas as vezes que ele disse isso?
"Muito bem, eu já disse tudo o que precisava dizer. Se você vai me ouvir ou não, é problema seu."
Dito isso, Li Yan, sem querer discutir mais, virou-se e saiu.

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