Capítulo 103 a 105


 Capítulo 103: An Lan Está No Topo! (1)

Para An Lan, a melhor forma de relaxar era dormir.

Afinal, ela podia prolongar sua vida a qualquer momento, então perder tempo dormindo não era nada vergonhoso.

Você a inveja?

Exatamente o que ela queria.

Sempre que suas colegas reclamavam de sua preguiça, ela não conseguia conter o riso.

— Se você já foi um Senhor Celestial Imortal, poderia dormir como eu!

Se soubesse lidar com seus inimigos, já teria ascendido ao Mundo Imortal há muito tempo.

Mas, naquela noite, An Lan não dormiu bem.

Depois de selar a fenda, ela se despiu e deitou em sua cama de pedra, revirando-se sem conseguir pegar no sono.

O cobertor estava frio como ferro, um velho relicário de muitos anos atrás.

Comentário negativo.

A almofada era dura como pedra.

Comentário negativo +2.

Quando seus dedos redondos dos pés espiaram por baixo do cobertor, o frio do ar noturno a fez estremecer.

Algo estava errado.

An Lan rapidamente se sentou.

Sua figura, perfeitamente simétrica, quase não se mexeu — apenas seus longos e macios cabelos balançaram com o movimento violento.

— Beba um pouco de água quente.

Ela acenou a mão em direção ao bule, estalando os dedos. A água fria dentro aqueceu quase que instantaneamente.

Ela deu um gole.

— ?!

An Lan encarou o bule por um longo tempo.

Deveria estar tudo normal, mas por que a água estava um pouco azeda hoje?

— Será que meu Qi está com algum problema?

Ela rapidamente se vestiu de novo, determinada a encontrar um lugar para verificar sua condição.

Assim que seus pés descalços tocaram o frio chão de pedra, seu corpo tremeu violentamente. Instintivamente, segurou o peito, sua mente correndo a mil.

Com seu cultivo, seria impossível pegar um resfriado em uma noite de inverno comum como aquela.

Alguém deve estar tramando contra mim!

Uma longa lança materializou-se em sua mão. Era grossa, comprida, mais alta que ela.

Era a lança selada do Senhor Celestial, uma arma que ela já usara para varrer 3.000 campos no Mundo Imortal sem derrota — até ser atingida no joelho por uma espada.

Mas uma boa mulher nunca se vangloria de glórias passadas.

O olhar de An Lan varreu a caverna. Seu sentido divino disparou, inspecionando cada canto como uma onda gigante. Para sua surpresa, era o único ser vivo em toda a caverna.

— Estou ficando velha?

An Lan voltou a se sentar na cama, perdida em pensamentos por um longo tempo.

Quando sua segunda tentativa de dormir falhou, ela usou seu sentido divino para escanear todo o Pico Qiongming.

Ao encontrar Bai Lian sozinha em seu quarto, lendo, o coração de An Lan relaxou um pouco.

— Venha até mim sozinha. Não incomode os outros.

— Hã?

Bai Lian ficou atônita.

Se não estivesse enganada, aquela era a voz da Mestre An Lan!

O que diabos?

Bai Lian conferiu as horas — já eram quatro horas.

A mestre queria que ela fosse sozinha até a área proibida, sem chamar atenção de ninguém…

Um sentimento de inquietação a dominou.

Ela apressadamente deixou o jade slip sobre a mesa.

Isso não pode ser bom.

Tinha que ser algo privado — caso contrário, a mestre não teria acrescentado a segunda parte da instrução.

Talvez…

Ela queria que eu fosse buscar a Quarta Irmã Marcial e a trouxesse para a seita!

Bai Lian ficou horrorizada.

Que absurdo!

Normalmente, a Quarta Irmã Marcial só seria notada por An Lan dois anos depois que a Segunda Irmã Marcial tivesse chegado à montanha.

Mas agora An Lan estava agindo rápido demais. Bai Lian não conseguiria acompanhar!

Silenciosamente, ela recolocou o jade slip em suas vestes.

— Mestre, estou indo agora mesmo.

Não entre em pânico.

Ela tinha que recusar o pedido de An Lan — afinal, ainda não havia colocado as outras duas irmãs marciais no caminho certo.

Se mais uma fosse trazida, ela seria completamente deixada de lado.

Bai Lian respirou fundo.

Seu sentido divino se estendeu, verificando as camas das duas irmãs marciais mais novas.

Bom. Ambas estavam dormindo.

Ela escaneou o restante do pico, mas não encontrou Qing Luan, e o coelho de jade dormia profundamente no jardim de ervas, segurando um feixe de grama em seus braços.

Confiante, ela abriu a porta e partiu, dirigindo-se à área proibida onde a caverna estava localizada.

— Mestre.

Bai Lian saudou, sempre modesta.

Mas hoje, An Lan parecia diferente.

Suas sobrancelhas estavam franzidas, o nariz levemente enrugado, e ela não parecia notar que metade de suas roupas havia deslizado do ombro esquerdo, expondo sua pele alva como neve ao ar.

— Você está aqui.

Recobrando os sentidos, An Lan ajustou rapidamente suas roupas. Seus olhos se fixaram em Bai Lian, como se estivesse perdida em pensamentos.

Bai Lian, percebendo que algo estava estranho, perguntou:

— Mestre, o que posso fazer por você?

An Lan tossiu suavemente e indagou:

— Você encontrou alguma dificuldade recentemente?

Bai Lian ficou surpresa. Do que se tratava aquilo?

Ela respondeu rapidamente:

— Não… mas…

Mencionou suas Irmãs Marciais.

— As pílulas medicinais são insuficientes.

E então, Qing Luan.

— Não sei o que posso ensinar a ela.

An Lan assentiu, mas não parecia interessada nessas respostas.

Ela não queria ouvir nada sobre os problemas de Bai Lian com Qing Luan, Xiao Jinse ou Su Youwei.

— Você não tem problemas próprios?

Claro que Bai Lian tinha problemas.

Ela ainda era apenas uma cultivadora no Estágio Núcleo Dourado, longe do Estágio de Transformação da Alma, como todos pareciam pensar.

Não estava fingindo modéstia — ela realmente não era tão forte!

Ela se lembrou da conversa com Tong Yao no caminho de volta à Seita Duxian. Tong Yao a parabenizou por ter rompido para o Estágio de Transformação da Alma, mas quando Bai Lian tentou explicar, Tong Yao apenas assentiu entusiasmada, dizendo:

— Entendi. O Ancião Gaoyi deve ter lhe dito para esconder sua força e esperar o momento certo. Entendi!

Que diabos ela entende?!

Bai Lian balançou a cabeça em pensamento. Esse era seu problema mais sério, e An Lan não poderia ajudá-la.

Ela baixou a cabeça, preparando-se para falar, quando de repente a tarefa do sistema apareceu.

[Task 1: “No momento, não tenho nenhum problema.” (Recompensa: Símbolo da Luz de Poeira)]

[Task 2: “Na verdade, tenho um problema e quero consultar você, Mestre.” (Recompensa: Habilidade Suave +1)]

O Símbolo da Luz de Poeira era um talismã de baixo nível, útil para afastar fantasmas de baixa categoria, mas Bai Lian não se preocupava com a recompensa.

Por que a tarefa do sistema estava aqui?

Bai Lian olhou para An Lan.

A personalidade da mestre era profunda e imprevisível.

Então decidiu manter a calma.

— Falando…

Bai Lian puxou seu livro de círculos mágicos básicos.

[Task concluída. Habilidade Suave +1]

Enquanto processava as informações do livro, novos problemas surgiam. Aquele maldito livro de círculos mágicos envolvia conceitos matemáticos profundos!

Bai Lian finalmente entendeu por que Mestres de Arrays Mágicos eram mais raros que Mestres de Alquimia.

Sentiu-se aliviada por não ser uma tola.

An Lan, outrora Senhor Celestial Imortal, talvez tivesse perdido grande parte de seu poder, mas seu conhecimento ainda era vasto.

Ela pegou o jade slip de Bai Lian.

Bai Lian se aproximou, e as duas ficaram a poucos centímetros de distância. O batimento constante do coração de Bai Lian parecia ressoar com o de An Lan.

O coração agitado de An Lan encontrou paz milagrosamente.

— Mestre, não entendo bem esta parte.

Seu dedo pairou sobre os caracteres dourados, despertando uma memória distante em An Lan.

Ela lembrou de quando Bai Lian havia chegado pela primeira vez ao Pico Qiongming.


Capítulo 104: An Lan Está no Topo! (2)

Lanternas verdes, estátuas de pedra.

Naquele tempo, Bai Lian ficava ao seu lado, exatamente como agora, perguntando sobre os pontos principais do cultivo. A diferença era que, naquela época, Bai Lian parecia tão jovem e imatura. Sempre que erguia os olhos e via An Lan, desviava o olhar timidamente.

Agora, Bai Lian havia crescido, estava mais calma, mas já não era tão fofa quanto antes.

Suspiro.

Por que essas lembranças eram tão vagas?

Se não fosse pela cena diante dela, talvez nem se lembrasse delas.

Outro suspiro. An Lan percebeu que seu bom humor tinha desaparecido junto com as memórias esmaecidas. Odiava essa estranheza, essa sensação de que algo lhe faltava.

Ela era a Imortal Senhor Celestial! Podia ter o que quisesse!

Devia ser assim…

An Lan fechou o punho sob a longa manga.

Aqueles círculos mágicos básicos eram simples demais para ela. Hoje, iria ser uma boa mestra e fazer com que Bai Lian a admirasse de verdade!

— Olhe isto — disse An Lan, estendendo um dedo. — É muito simples… você pode acertar de imediato… consegue perceber isso num instante…

Ela gesticulou com a outra mão, e círculos mágicos começaram a se materializar um a um dentro da caverna.

À medida que as chamas amarelas das velas tremeluziam, a caverna escura foi iluminada por explosões de luzes coloridas.

Bai Lian sentiu como se estivesse no meio de uma galáxia radiante. Incontáveis estrelas cintilavam na noite profunda e sombria…

Essa mestra…

Incrivelmente foda!

Ela jamais teria conseguido agir de forma tão natural e despreocupada.

Mas, à medida que An Lan explicava, Bai Lian começou a se sentir confusa.

Isso é fácil assim?

Como ela fez isso?

O que é isso?

Droga!

É esse o mundo dos gênios?

— Você entendeu? — perguntou An Lan com um sorriso.

— Entendi, entendi! — Bai Lian assentiu, sorridente. Desistiu de tentar compreender tudo e disse: — Mestra, você é incrível!

— Você realmente entendeu? — insistiu An Lan, sentindo uma vaga estranheza lhe subir à mente.

— Eu realmente entendi! — garantiu Bai Lian.

An Lan ficou satisfeita por ora. Bai Lian realmente tinha potencial! Prosseguiu:

— Há mais alguma dúvida?

Como não surgiu nenhuma notificação do sistema, Bai Lian balançou a cabeça.

An Lan silenciou por um momento, um pouco desorientada.

De repente, percebeu que Bai Lian era esperta demais — talvez até demais — e isso não era necessariamente algo bom.

Imaginou a si mesma e Bai Lian passando a noite em claro, discutindo os obstáculos que ela enfrentava em seu cultivo, como faziam antes.

Como nos velhos tempos.

Mas agora… era como se tivesse escrito um livro inteiro, e Bai Lian mal tivesse aberto a primeira página.

Sabia que não era culpa de Bai Lian. Afinal, não poderia simplesmente forçá-la a se tornar uma tola, poderia?

An Lan balançou a cabeça em silêncio, seus pensamentos vagando enquanto observava bem Bai Lian.

Já fazia mais de meia lua que não se viam, e havia um aumento visível nos símbolos de “Morte” ao redor de Bai Lian, em comparação com antes.

Isso, em si, era irracional.

Como alguém com tantos símbolos de “Morte” ainda poderia ser favorecida pelo Céu e possuir um halo do Tao?

O halo do Tao era, afinal, a personificação da vitalidade.

Se o equilíbrio entre vida e morte fosse mantido tão facilmente, An Lan já teria alcançado o verdadeiro desapego. Por que ainda não havia conseguido?

An Lan bateu no espaço ao lado. — Sente-se.

Bai Lian sentou-se, movendo-se um pouco para o lado para não pressionar as roupas de An Lan.

“…”

An Lan ficou boquiaberta.

A distância entre elas era de apenas cinco centímetros, mas aqueles cinco centímetros pareciam um mundo inteiro de separação.

O ar ao redor se tornou denso, carregado de uma tensão silenciosa.

An Lan falou, quebrando o silêncio. — Coloque os pés para fora.

— Eh? — perguntou Bai Lian, confusa.

— Preciso verificar seu halo do Tao, para ver se há algo de errado.

— Oh — respondeu Bai Lian, um pouco envergonhada.

Ela tirou suas botas e meias, e colocou lentamente o pé direito descalço sobre a coxa de An Lan.

Para ser sincera, sentiu-se um pouco constrangida.

Afinal, An Lan era sua mestra.

An Lan pegou o pé de Bai Lian com graça, examinando-o cuidadosamente. Seu coração permaneceu calmo enquanto planejava fazer um check-up completo.

Mais cedo, ela já havia percebido que não queria ver como Bai Lian morreria.

Após a nervosidade inicial, Bai Lian começou a se acalmar.

Ela olhou nos olhos concentrados de sua mestra, e uma estranha sensação de calor se espalhou pelo peito. Algo em seu coração mudou.

Essa cena…

Surpreendentemente reconfortante.

Ela parou de pensar no status de An Lan por um momento. Por agora, ela era apenas uma mestra comum — alguém que a fazia se sentir confortável e segura.

Depois de um tempo, An Lan soltou o pé de Bai Lian, embora suas sobrancelhas permanecessem franzidas.

Bai Lian hesitou, então perguntou cautelosamente: — Mestra, há algo incomum com meu halo do Tao?

An Lan balançou a cabeça. — Está normal. Na verdade, parece estar crescendo.

Normal… era a maior anormalidade. Até An Lan não entendia o que isso significava.

Esqueça.

An Lan retirou vários itens de seu anel de armazenamento, empurrando-os para Bai Lian.

“?”

Bai Lian piscou, os olhos se arregalando de surpresa.

Diante dela estavam pílulas medicinais, livros de círculos mágicos, as melhores contas de proteção mágica, diversos talismãs funcionais e vários conjuntos de Bandeiras de Formação Mágica.

An Lan disse: — Leve todos estes.

Bai Lian ficou atônita.

Além da Espada Livre de Sujeira, era a primeira vez que recebia tantos itens de An Lan.

Com isso, poderia facilmente derrotar um cultivador no auge do estágio Núcleo Dourado!

— Mestra, eu… — Bai Lian gaguejou, quase caindo de joelhos.

Minha mestra é incrível demais!

A expressão de An Lan ficou séria. — Você é a Irmã Marcial mais velha. Se for pobre, os outros vão menosprezar o Pico Qiongming.

“…”

— Certo, vá cuidar das suas coisas — An Lan acenou com a mão, ansiosa para mandar Bai Lian embora.

Bai Lian juntou tudo rapidamente, fazendo uma reverência. — Obrigada, mestra.

Ela se virou para sair, mas, quando estava prestes a dar o primeiro passo, An Lan chamou-a.

— Espere!

“?”

An Lan retirou um pergaminho de seu anel. — Lembro que você gosta de pendurar quadros na parede. Acho que este é bem bonito. Leve e pendure.

— Sim.

Bai Lian não perguntou nada.

Ela voltou para seu quarto e começou a organizar os itens que An Lan havia lhe dado. Após um momento, desenrolou o pergaminho, revelando um retrato de An Lan, vestida com uma longa saia e flutuando como uma fada.

Bai Lian olhou para o quadro que já estava pendurado na parede — um retrato de suas Irmãs Marciais, feito enquanto testava suas habilidades de pintura. Havia um espaço vazio ao lado, então Bai Lian cuidadosamente pendurou o novo quadro no lugar.

Não ficou nada mal.

Decidiu que o admiraria todos os dias. Talvez, só talvez, quando An Lan estivesse de bom humor, ela recebesse mais presentes.

De volta à caverna, An Lan deitou-se na cama, um sorriso satisfeito no rosto. Era assim que deveria ser — o retrato de sua Irmã Marcial sempre deveria estar na parede!

O cobertor já não parecia mais frio, e a colcha estava mais macia.

Após algumas respirações, An Lan adormeceu, seus sonhos repletos de pensamentos sobre como ser uma boa mestra.

Capítulo 105: “Foto em Grupo” de Você e Eu

Acordando do sonho, Bai Lian sentou-se na cama, espreguiçando-se enquanto a luz do sol entrava pela janela. O calor preenchia o quarto, criando uma atmosfera de felicidade.

Ela estendeu a mão, tocando a colcha—molhada?

“…”

Bai Lian observou ao redor. Portas e janelas fechadas, o ar imóvel, e um leve resquício de suor da noite anterior ainda permanecia. Era normal, pensou. Afinal, ela estava no meio de um sono profundo.

Virando-se para o lado, abriu a janela de madeira ao lado da cama, permitindo que uma brisa fresca entrasse no quarto.

— Pensando bem, tive um sonho que parecia perdido há muito tempo — Bai Lian esfregou a testa, pensativa.

Como cultivadora, raramente sonhava, mas na noite passada seus sonhos haviam sido vívidos. Ela havia “se exercitado” durante toda a noite — sua mestra estava observando.

Primeiro, dançou com a espada por horas, depois brincou com a lança por uma eternidade. Por fim, nadou em círculos na piscina por mais de uma dúzia de voltas. Quando finalmente saiu, sentiu que poderia nadar por horas. Foi um sonho tão confuso.

O que permaneceu com ela foi o sorriso que viu. Ela até pensou que sua conversa secreta com a mestra na caverna fazia parte do sonho. Mas então, olhou para o quadro pendurado na parede…

Bai Lian suspirou. — Não é à toa que a mestra é tão popular no jogo.

Sua aparência já atraía muitos jogadores, e o mistério sobre sua identidade tornava tudo ainda mais fascinante. Sem contar que a mestra tinha o hábito de fingir ser “descolada”, mesmo quando era derrotada por “Bai Lian” no jogo.

— Bai Lian? Você é um lixo.
— Se ousar dar mais um passo, vou te mostrar algo devastador!
— Pode tentar!
— Hmph! Achou que eu não tomei café da manhã?

Não era surpresa que a mestra tivesse se tornado a personagem feminina mais popular nos doujins criados pelos fãs.

No entanto, quando Bai Lian olhou para o quadro na parede, não sentiu nenhuma emoção especial sobre a mestra. Ela simplesmente arrumou a cama e se dirigiu à porta.

Lá, Xiao Jinse a esperava.

— Segunda Irmã Marcial, tudo bem? — Bai Lian perguntou, abrindo a porta com um sorriso caloroso.

Xiao Jinse parecia preocupada. — Irmã Marcial, pensei que algo tivesse acontecido. Você ainda estava dormindo, e eu fiquei preocupada.

Bai Lian pausou, percebendo que já era quase meio-dia. Seu sono havia sido inesperadamente longo.

Ela sorriu e deu um leve tapinha na cabeça da segunda Irmã Marcial. — O que poderia me acontecer? Com a mestra, o Pico Qiongming está seguro de qualquer perigo.

An Lan, embora um pouco estranha, não era cruel. Bai Lian lembrou-se de como, no jogo, mesmo traída por um inimigo, An Lan ainda estava disposta a entregar a lança não selada em troca da segurança da Seita Duxian.

Bai Lian conhecia An Lan melhor do que ninguém. Ela entendia que, embora as reações de An Lan pudessem ser lentas, seu coração não era malicioso.

Neste mundo, ninguém conhecia An Lan melhor do que Bai Lian. E por causa desse entendimento, Bai Lian sempre era paciente com ela, desde que não envolvesse as irmãs mais novas.

O Pico Qiongming estava crescendo, e Bai Lian estava determinada a proteger todos — fossem suas Irmãs Marciais ou a mestra. Todos mereciam um final feliz.

Xiao Jinse sorriu, visivelmente tranquila com a confiança calma de Bai Lian. Ela confiava plenamente nela.

Quando Xiao Jinse notou algo diferente no quarto, aproximou-se da parede.

— Há algo diferente — observou, apontando para a pintura. — É… a mestra?

Bai Lian assentiu. — Sim, é nossa mestra de muito tempo atrás.

Xiao Jinse examinou o quadro mais de perto e encontrou um pequeno selo vermelho no canto. Ela leu a inscrição em voz alta: — Yan Yue, quinto dia de setembro. Espera, isso é da Mestra Yan Yue?

A mente de Bai Lian imediatamente se lembrou da imagem da mulher de cabelos flamejantes.

— Mestra Yan Yue? — ecoou, aproximando-se de Xiao Jinse.

O selo de fato pertencia a Yan Yue, algo que Bai Lian não esperava.

Ela se lembrou de como, quando eram mais jovens, Yan Yue sempre permanecia ao lado de An Lan, mesmo que An Lan demonstrasse pouco interesse por ela. An Lan frequentemente repreendia Yan Yue, chegando a ignorá-la às vezes.

Bai Lian nunca imaginou que An Lan teria guardado tal pintura de Yan Yue. Talvez ela simplesmente tivesse se esquecido dela.

Xiao Jinse suspirou. — A Mestra Yan Yue é realmente muito talentosa.

Ela cruzou os braços e fixou o olhar sério na parede.

Bai Lian ergueu uma sobrancelha. — O que houve?

Xiao Jinse franziu a testa, seu olhar demorando-se na parede. — Parece que falta algo.

Bai Lian ficou intrigada. — Falta algo?

Xiao Jinse apontou para a parede. — Tem a mestra, eu e a terceira Irmã Marcial, mas você não está aí, Irmã Marcial.

Bai Lian olhou para o espaço vazio na parede e percebeu que Xiao Jinse estava certa. A parede realmente parecia incompleta.

— Sabe, quando eu vi pela primeira vez a mim mesma com a terceira Irmã Marcial na pintura, quis rasgá-la ao meio. Como eu poderia sorrir no mesmo quadro que Su Youwei? — admitiu Xiao Jinse, com um tom leve, mas firme.

— Mas adicionando a mestra… agora parece completa — completou, sorrindo. — Irmã Marcial, você já fez uma pintura de si mesma?

Bai Lian assentiu. — Já fiz.

— Mostre, rápido! Vou pendurá-la aqui! — exclamou Xiao Jinse, empolgada.

Com um sorriso, Bai Lian entregou a pintura, e Xiao Jinse a ajustou cuidadosamente na parede. Agora, a pintura de Bai Lian estava posicionada entre ela e a mestra, criando um equilíbrio perfeito. À distância, a terceira Irmã Marcial fora empurrada para o canto direito, como se estivesse exilada.

— Perfeito! — sorriu Xiao Jinse, sentindo-se vitoriosa.

Bai Lian olhou para a pintura, então puxou uma caneta. Rapidamente, desenhou um coelho de jade aos seus pés, brincando com suas orelhas.

— Agora sim, está completa — disse suavemente.

Xiao Jinse não comentou. O coelho era apenas um coelho, afinal — nada com que se preocupar.

Bai Lian guardou a caneta, voltando seus pensamentos para outras tarefas. Era hora de sair. Ela e sua segunda Irmã Marcial saíram do quarto, mas pararam logo do lado de fora.

No portão do jardim de ervas, Qing Luan estava em um duelo silencioso de olhares com o coelho de jade.

Uma pessoa. Um coelho. Nenhum disposto a ceder.

“…”


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