Capítulo 466: O desaparecimento da Ying Mei
— Impossível! — a voz de Leng Ye quase escapou num grito.
Se Ying Mei já tivesse ido embora há tanto tempo, como poderia não ter
retornado para encontrá-lo e ao pequeno mestre?
Mesmo que Ying Mei pudesse deixá-lo de lado, era absolutamente impossível
que abandonasse o pequeno mestre.
— Você está mentindo!! — a figura de Leng Ye vacilou enquanto ele agarrava
Xu Fu pelo colarinho e o erguia no ar. — Fale logo, onde está a Ying Mei? O que
você fez com ela? Se não disser, não me culpe por não pegar leve!!
— E-eu… eu realmente não sei! A Ying Mei de fato já foi embora! — Xu Fu
gritou de medo. — Talvez… talvez ela tenha passado pelo Coliseu e achado
interessante, então entrou para dar uma olhada? Por que o jovem senhor não vai
procurar no Coliseu?
Leng Ye o arremessou com força no chão e virou-se para sair.
Xu Fu soltou um gemido doloroso.
Em seguida, o peito foi violentamente atingido pelas algemas, produzindo um
som claro de ossos se quebrando.
— Eu te aviso — a voz de Leng Ye era fria como gelo —, é melhor não brincar
comigo. Se algo realmente acontecer com a Ying Mei, eu farei você implorar pela
morte… sem conseguir morrer!
Xu Fu estava encharcado de suor frio, o corpo tremendo, e implorou com a voz
fraca:
— J-jovem senhor, poupe-me… poupe-me! Se não acredita, seus subordinados
podem levá-lo para procurar em todos os lugares da Cidade Fantasma…
……
A inquietação no coração de Leng Ye ficava cada vez mais pesada.
Especialmente depois que ele, arrastando Xu Fu, revirou cada canto da Cidade
Fantasma — e ainda assim não encontrou sequer a sombra de Ying Mei.
— Han Gongzi, eu… eu já não disse tudo? — Xu Fu forçou um sorriso trêmulo. —
A Ying Mei já tinha ido embora há muito tempo. Talvez… talvez ela já tenha voltado
para casa agora?
Leng Ye finalmente perdeu todo o controle do pânico e da fúria em seu
coração.
Ele agarrou o pescoço de Xu Fu e começou a apertar lentamente.
— Seu velho miserável, eu não acredito em uma única palavra sua! Já que você
insiste em não dizer a verdade, então manter você vivo não serve para nada!
Crac.
O som abafado do esmagamento da garganta ecoou levemente.
Ao ver a intenção assassina nua e crua nos olhos de Leng Ye — uma crueldade
sem qualquer disfarce —, o medo no coração de Xu Fu finalmente explodiu por
completo.
— N-não… não me mate… eu… eu vou falar… cof, cof!
Leng Ye afrouxou a mão e, em seguida, chutou violentamente o abdômen de Xu
Fu.
Seus olhos sombrios e profundos eram tão frios que arrepiavam a espinha.
— Onde está a Ying Mei? — perguntou em voz baixa. — O que vocês fizeram com
ela?
— N-não fui eu… cof… s-sim… sim…
As
palavras de Xu Fu ainda não tinham terminado quando seus olhos se arregalaram
de repente, soltando um grito abafado, o rosto tomado por um terror absoluto.
Em seguida,
ele abaixou lentamente a cabeça e olhou para o próprio abdômen.
Viu-se
então uma lâmina fria cravada em sua barriga redonda.
Sangue
escorria, misturado com gordura amarelada e viscosa, e até mesmo as vísceras
pendiam para fora — uma cena extremamente repugnante.
Xu Fu
virou a cabeça com rigidez e viu duas pessoas paradas atrás dele. No rosto, uma
expressão indescritível de ressentimento e desespero.
— O
Fantasma Negro… o Fantasma Branco… eu… eu fui tão leal ao rei… por quê… por
quê…?
— Boom!
O corpo
gordo tombou pesadamente no chão e se partiu por completo.
— Inútil.
Nem uma coisinha dessas consegue fazer direito — disse uma voz fria. — Que
qualificações você tem para continuar no Mercado Fantasma?
Leng Ye
nem sequer olhou para o cadáver de Xu Fu.
Seu olhar
gelado pousou sobre as duas figuras não muito longe dali.
Um deles
vestia branco, o outro preto; em suas roupas, havia bordados em fio de seda da
cor oposta.
Leng Ye
os reconheceu imediatamente.
Esses
dois eram os Fantasmas Preto e Branco.
Estritamente
falando, eles não eram considerados subordinados do Mercado Fantasma.
Eram, na
verdade, os lacaios pessoais do senhor de cada Cidade Fantasma.
Leng Ye
os encarou friamente.
— Foram
vocês que levaram a Ying Mei? O que pretendem fazer?
O
Fantasma Negro e o Fantasma Branco trocaram um olhar e sorriram de forma
estranha.
Capítulo 467: Yanwang Xuan Ji
— Você
está falando daquele garoto bonito e ainda verde? — disse o Fantasma Branco,
rindo. — Sim, fomos nós que o levamos… mas isso foi ordem do nosso rei!
O
Fantasma Branco lambeu os lábios com a língua.
— Ser
levado por ele… é uma honra para esse garoto!
— Porque
o nosso grande Rei Supremo o viu.
As
pupilas de Leng Ye se contraíram violentamente, e uma aura sombria e assassina
explodiu por todo o seu corpo.
— O que
você disse…?!
O
Fantasma Negro soltou uma gargalhada cheia de desprezo.
— Qual é
todo esse alarde? Ser notado pelo nosso rei é uma honra imensa. Além disso,
mesmo que você fique ansioso, de que vai adiantar? O rei já o levou há meia
hora.
— Tenho
medo de que… o assunto já tenha sido resolvido há muito tempo, hahaha…
— Eu vou
matar vocês!! — Leng Ye rugiu furioso.
Seu corpo
avançou num instante. Ele não tinha espada nas mãos, mas atacou no ar.
Ainda
assim, o Fantasma Negro e o Fantasma Branco mudaram drasticamente de expressão,
gritando enquanto recuavam apressados.
Ambos
possuíam cultivo no nível inato, e suas técnicas eram idênticas.
Quando
lutavam em conjunto, o poder que liberavam chegava a quatro ou cinco vezes o
normal.
Mesmo
especialistas inatos de alto nível, diante deles, geralmente só teriam um fim.
Os dois
haviam pensado que lidar com Leng Ye seria algo trivial.
Mas,
inesperadamente, após apenas algumas trocas de golpes…
Eles
sentiram, pela primeira vez, o terror real da morte se aproximando.
Após um
quarto de hora.
Leng Ye
segurava o pescoço do Fantasma Negro com uma mão, enquanto a espada da outra
atravessava diretamente o coração do Fantasma Branco.
Seus
olhos eram frios como o inferno.
Completamente
diferentes do sorriso despreocupado e brincalhão que ele costumava exibir no
dia a dia.
— Fale —
disse em voz baixa e gelada. — Onde está a Ying Mei? O que vocês fizeram com
ele? Com as habilidades dele, como conseguiram controlá-lo?
Naquele
momento, Leng Ye já havia se acalmado aos poucos.
Mesmo que
o senhor da Cidade Fantasma de Wang Xiu tivesse um cultivo extraordinariamente
alto, quem era Ying Mei?
Ela era
uma imortal da cultivação do Continente Yanwu, uma existência no auge,
reverenciada até mesmo nas regiões polares.
Como poderia
ter sido tramada e capturada por um rei de uma mera cidade fantasma?
— Somos
onipotentes! — o Fantasma Negro soltou uma gargalhada estridente. — Desde que
seja algo que desejamos, nunca houve nada que não conseguíssemos!
— Isso
mesmo! — o Fantasma Branco completou. — No Continente Yanwu, o nome do Rei Xuan
é ainda mais temido do que o do Imperador Fantasma!
O
movimento de Leng Ye travou de repente, e a expressão em seu rosto mudou
drasticamente.
— Xuan…
Xuan Ji?!
—
Exatamente! — disse o Fantasma Negro com orgulho. — Nosso grande Rei do
Submundo!
— A Ying
Mei já caiu nas mãos do nosso rei. É impossível que saia inteira! — o Fantasma
Branco riu de forma sinistra. — Hahaha! Mas isso não é culpa dele? Talvez,
neste exato momento, ele já esteja completamente obcecado pelo nosso rei…
A mão de
Leng Ye, que segurava a espada, começou a tremer violentamente.
Xuan Ji?
O rei da
Cidade Fantasma de Wang Xiu era, na verdade, Xuan Ji?
Era
aquele Xuan Ji que ele conhecia?!
Se fosse
realmente Xuan Ji… então, se Ying Mei tivesse caído em suas mãos…
As mãos
de Leng Ye começaram a tremer levemente.
O medo e
a urgência em seus olhos quase transbordavam.
===
Quando
Ying Mei despertou, a única sensação que teve foi a de completa fraqueza.
Ela
tentou mobilizar o poder espiritual dentro do corpo, mas parecia que toda a
energia havia sido drenada.
Franziu a
testa, virou o rosto e olhou ao redor, apenas para perceber que estava em uma
câmara de pedra desconhecida.
Ela tinha
certeza absoluta de que nunca estivera ali antes.
O que havia
acontecido?
Ela se
lembrava claramente de estar recolhendo as ervas medicinais que a Senhorita Jun
havia pedido.
Mas, de
repente, sentira uma forte tontura… e então perdera a consciência.
Mas como
isso era possível?
As drogas
do Continente Yanwu, em tese, não deveriam surtir efeito algum nela.
Ying Mei
tentou se levantar à força, mas, após lutar por um bom tempo, descobriu que
sequer conseguia erguer as mãos.
Capítulo 468: Transação (pedido de votos)
Nesse
momento, vozes de um homem e de uma mulher soaram do lado de fora.
Acompanhadas
por passos que se aproximavam cada vez mais.
Ying Mei
fechou os olhos rapidamente.
Logo
depois, ela ouviu uma voz familiar.
— É só um
homem ao redor de Jun Muyan… ou melhor, uma “mulher” — disse a voz com desdém.
— É realmente inesperado que você seja tão popular. Pelo jeito, a aparência
dessa pessoa não deve ser grande coisa, não é?
Essa voz…
era Shi Lanling!!
Foi essa
mulher que a armou?!
Mas
apenas com ela… como seria possível deixá-la envenenada e em coma?
Em seguida,
uma voz masculina levemente afeminada soou em seus ouvidos:
— Shi
Lanling, você é tão feia. Que direito tem de julgar a aparência da Ying Mei?
— Xuan
Mo, você…!!
— Chega.
— A voz masculina ficou fria. — Estou cooperando com você apenas por negócios.
Eu forneço as fórmulas, você refina os medicamentos para mim. Todo o resto não
é da sua conta.
O
ambiente ficou em silêncio por um instante.
Tudo o
que se ouvia era a respiração pesada e contida de Shi Lanling.
Depois de
um longo tempo, Shi Lanling rangeu os dentes:
— Já que
sabemos que estamos cooperando, você deveria entender que tudo o que você
queria que eu fizesse, eu já fiz. Mas aquilo que você me prometeu… ainda não
cumpriu!
— Oh,
você está falando da vida de Jun Muyan? — a voz do homem estava cheia de
desdém. — Não se preocupe. Não passa de uma mera mortal. Mais cedo ou mais
tarde, o rei vai entregar a pessoa a você. Aí, se quiser humilhá-la ou matá-la
com uma faca, tanto faz.
Shi
Lanling respirou fundo.
— E ainda
tem aquele pirralho de Jun Muyan! Ele vai pagar no lugar dela! Quando chegar a
hora, quero ver o rosto dela enquanto beija o homem dela… e eu ainda vou
transformar aquele pestinha numa pasta de carne e dar para ela comer!
Desde que
Jun Muyan e aquele pirralho desaparecessem…
O olhar
do Imperador inevitavelmente se voltaria para ela. E então, aquele homem
divino… seria dela.
— Oh,
realmente… a mulher mais venenosa de todas — o homem soltou uma risada
zombeteira.
Em
seguida, Ying Mei sentiu alguém sentar-se à beira da cama.
Logo
depois, uma mão fria, úmida de suor, tocou seu rosto.
Aquele
toque repulsivo fez Ying Mei quase perder o controle e se levantar à força.
A
respiração pesada do homem se aproximou, acompanhada por uma voz aguda e
estranha:
— Só
você… só você é diferente… hehe… depois de tantos anos, nada mudou…
Shi Lanling disse com ódio:
— Foi Jun Muyan quem primeiro me humilhou. É claro que eu tenho que revidar
mil, dez mil vezes! Basta dizer: você vai me ajudar ou não?
— Não se preocupe — o homem retirou a mão que tocava o rosto de Ying Mei e
virou-se para encarar Shi Lanling. — Eu já disse: contanto que você elimine o
Rei Fantasma para mim e me permita reunir todas as forças da Cidade Fantasma
sob meu comando, não importa quais sejam as condições, eu posso satisfazê-las.
Quanto a matar Jun Muyan… isso é apenas moleza.
— Agora, você pode ir. Eu quero passar a noite à luz de velas com meu quarto
de sombras. Ainda pretende ficar aqui olhando?
— Pervertido! Quem iria querer ficar com um homem como você… — Shi Lanling
bufou com nojo e se virou, saindo apressadamente.
O homem também deixou o aposento.
Ying Mei abriu os olhos e começou lentamente a condensar a energia dentro do
corpo.
No fundo do coração, estava cheia de dúvidas: quem era essa pessoa? Por que
ele a conhecia? E por que queria prejudicar a senhorita?
A energia espiritual em seus meridianos realmente havia sido drenada, mas
conforme ela circulava seu cultivo, uma parte da força começou a retornar pouco
a pouco.
Agora, ela já conseguia tentar se sentar.
Mas, nesse momento, a porta do quarto foi empurrada e aberta.
Capítulo 469: Preparado especialmente para você (extra por votos
mensais)
Várias mulheres entraram e levantaram Ying Mei da cama.
— O que vocês estão fazendo?!
No entanto, o olhar dessas mulheres parecia vazio, como se suas almas
tivessem sido arrancadas. Não havia qualquer consciência em seus rostos; as
pupilas estavam sem foco.
Elas apenas agiam de forma mecânica, tirando as roupas dela e removendo o
pano branco que envolvia seu peito.
Em seguida, vestiram-na com um avental vermelho e um véu vermelho
translúcido.
As belas curvas do corpo foram totalmente reveladas; a pele branca e as
longas pernas sedutoras apareciam e desapareciam sob o tecido fino.
A beleza de Ying Mei, exposta dessa maneira, não despertava nela orgulho
algum, apenas um ódio profundo e um impulso assassino.
Ela tentou se debater, mas a força dessas mulheres era absurda. Elas não
sentiam dor, não reagiam a sons, como marionetes sem vida.
Ying Mei só pôde conter à força a fúria que fervia em todo o seu corpo,
ativando lentamente a técnica do coração e concentrando seu poder.
Quando colocaram um grampo de cabelo em sua cabeça, Ying Mei subitamente se
levantou, arrancou o acessório e o cravou violentamente no peito de uma das
mulheres.
Então ela
reuniu toda a força do corpo e avançou para fora.
No
entanto, assim que chegou à porta, foi abraçada por alguém.
A voz
suave de um homem soou junto ao seu ouvido:
— Não
desperdice suas energias, Ying Mei. Meu pó do êxtase foi preparado
especialmente para você.
O coração
de Ying Mei afundou. Ela ergueu a cabeça de repente e deu de cara com um rosto
feminino demais, a ponto de não parecer nem homem nem mulher.
Os traços
ainda eram delicados e belos, mas os cantos dos olhos se erguiam de forma
exagerada, os lábios eram finíssimos, e todo o rosto exalava uma sensação
sombria, vil e repulsiva.
Nojento.
Enquanto
falava, ele esticou a língua e se aproximou do rosto de Ying Mei.
O asco
foi tão intenso que ela quase vomitou.
Usando
todas as forças que lhe restavam, ela o empurrou com violência.
Cambaleando,
recuou alguns passos e voltou para dentro do quarto.
Seu olhar
feroz se cravou no homem. Mesmo sem energia espiritual no corpo, uma intenção
assassina gelada começou a se espalhar lentamente ao seu redor.
Essa aura
de morte fez com que as mulheres vazias no quarto tremessem instintivamente.
Apenas o
homem permaneceu indiferente — pelo contrário, seus olhos brilhavam com
excitação, como se todo o seu ser estivesse tomado por um prazer distorcido.
A voz feminina ficou ainda mais aguda.
— É esse olhar, é esse temperamento… estou obcecado há tantos anos. Mesmo
que eu tenha tido inúmeros homens e mulheres, nenhum deles consegue se comparar
a você. Sombras… Sombras… Hahahaha, você finalmente caiu nas minhas mãos…
A encantadora sentiu a ira subir; o olhar que aquele homem nojento lançava
sobre ela a fazia querer matá-lo.
Mas, antes que pudesse agir—
Suas narinas voltaram a captar um leve aroma de almíscar.
A última força que restava em seu corpo foi sugada, e ela já não conseguiu se
sustentar. Cambaleou e caiu sobre a cama.
O homem riu e caminhou em sua direção, passo a passo.
— Eu já disse, o êxtase foi preparado especialmente para você. Neste
continente, não há como resistir ao poder da corrupção. Sombra, você vai
aceitar!
A Sombra cerrou os punhos, resistindo com todas as forças.
Seus olhos, frios como gelo, encararam o homem.
— Quem é você? Por que me capturou?
A expressão do homem enrijeceu por um instante; em seguida, uma fúria
violenta e ressentida passou por seu rosto.
— Você não me reconhece? Sombra, você ainda não se lembrou de mim?
A Sombra franziu a testa, mantendo a expressão inalterada.
“Estou tentando lembrar… Será que já vi essa pessoa antes?”
A aparência e a voz daquele homem eram, de fato, familiares, mas ela simplesmente
não conseguia se lembrar de quem ele era.
Capítulo 470: Náusea
O homem soltou um suspiro, e a expressão distorcida em seu rosto começou,
pouco a pouco, a se desfazer.
Então, os
olhos voltaram a se tingir de um ardor febril.
— É
mesmo… eu era apenas um ninguém sob o seu comando. Você era tão elevada, tão
brilhante e ofuscante, ainda por cima próxima do soberano. Naturalmente, não se
lembraria de uma existência tão insignificante quanto a minha.
As
pupilas da Sombra se arregalaram levemente, revelando incredulidade.
Esse
homem… já havia sido seu subordinado?
Havia
apenas uma vaga impressão.
Mas ela
tivera subordinados demais; como poderia reconhecê-los um a um?
O homem
continuou falando, como se estivesse mergulhado em lembranças antigas.
— Naquela
época, eu era apenas um membro do Departamento Xuanzhi sob a sua jurisdição.
Provavelmente você nem sabia que existia alguém como eu, Xuan Mo, não é?
— Em uma
missão casual, descobri que você era uma mulher disfarçada de homem. Desde
então, nunca mais consegui esquecê-la.
A Sombra
estremeceu; ambas as mãos se fecharam com força.
Então foi
isso — seu disfarce masculino havia sido descoberto há tanto tempo.
Não era
de se admirar que essa pessoa a tivesse capturado e, de imediato, arrancado sua
cinta peitoral e a vestido com roupas femininas.
Ela tinha
sido descuidada demais! Achou que os companheiros ao seu redor não perceberiam,
que ninguém mais descobriria.
A voz de
Xuan Mo, baixa e obsessiva, continuou:
— Naquele
tempo, você era tão deslumbrante, tão poderosa… eu só podia olhar para cima, só
podia enlouquecer nas sombras. Sonhar em tê-la nos meus braços, beijá-la à
vontade…
A Sombra
finalmente não aguentou mais e gritou:
— Cala a
boca!!
Ela nunca
havia sentido tamanha repulsa por alguém.
— Você disse que era meu subordinado? Então por que está agindo aqui, neste continente?
Ao ouvir a pergunta da Sombra, o rosto de Xuan Mo voltou a se contorcer, e a
voz parecia sair por entre os dentes cerrados.
— Isso tudo é culpa do Leng Ye!
Ele falou rangendo os dentes:
— Certa vez, ele descobriu que eu havia escondido secretamente as suas
roupas…
Naquela época, Xuan Mo desejava a Sombra de forma enlouquecida.
Mas a Sombra era forte demais, e sua maneira de agir era fria e impiedosa.
Se fosse descoberta, ele certamente morreria sem sequer deixar um corpo
inteiro.
Por isso, Xuan Mo só pôde roubar a capa da Sombra e escondê-la debaixo da
cama.
Através do aroma persistente que nela permanecia, ele encontrava uma forma de
aliviar, dia após dia, aquela tentação sufocante.
Inesperadamente, tal ato acabou sendo descoberto por Leng Ye.
Depois disso, ele foi cruelmente punido, teve os ossos arrancados à força e
foi diretamente lançado no Continente Yanwu, sem sequer conservar um fio de
poder espiritual.
Ao lembrar daquele período logo após chegar ao Continente Yanwu, em que
viver era pior do que morrer, os olhos de Xuan Mo ficaram vermelhos, injetados
de ódio, e sua voz, cerrada de rancor, parecia querer rasgar a carne de Leng
Ye.
— Se não fosse por Leng Ye, eu ainda estaria desfrutando da veneração dos
mortais e de uma vida longa no continente superior.
— Você faz ideia do quão desesperador e revoltante é cair de um imortal para
um simples mortal, condenado a viver apenas cem anos?
— Mas… o vento e a maré mudam. Agora, finalmente chegou a sua vez, hahahaha!
Xuan Mo disse isso e, de repente, caiu em uma gargalhada estridente.
— Quando vi você e Leng Ye na Cidade Fantasma, quase não acreditei nos meus
próprios olhos.
— Eu nunca imaginei que, no mesmo dia, pudesse ver o Imperador, a suprema
Sombra e Leng Ye… justamente aqueles que me expulsaram do continente e me
transformaram em um mero mortal em uma terra inferior. Hahaha…
— Agora eu sou o rei da Cidade Fantasma, detentor do mandato do Céu. O que eu quiser, eu posso ter! E você? Neste continente, não tem raízes nem apoio. Mesmo que ainda possua poder espiritual, é impossível usá-lo aqui.

0 Comentários