Capítulo 71 – Escândalo

A chuva em Shengjing veio de repente.

As folhas de cássia diante da janela caíam ao chão com a força da água. As cortinas de chuva sob os beirais formavam uma barreira densa e interminável, fazendo o mundo parecer uma vasta extensão branca.

Na residência do Príncipe Wen, a Princesa Consorte Pei Yunshu estava parada à porta e apressou-se para receber quem chegava.

O manto escarlate do jovem estava ligeiramente molhado pela chuva. Ele atravessava o pátio e, apesar do vento forte e da tempestade, mantinha uma postura elegante, sem sinal de desespero.

Pei Yunshu puxou o irmão para dentro da casa, reclamando:

— Você apareceu de repente, sem avisar nada. Quando Fangzi me contou, eu levei um susto. Está chovendo tanto lá fora, por que não trouxe um guarda-chuva...?

Pei Yunhuan sorriu e a interrompeu:

— Estava passando a trabalho e pensei em dar uma passada para ver você.

— Dar uma passada?

Pei Yunshu lançou um olhar às caixas grandes e pequenas que os subordinados traziam atrás dele. Franziu os lábios e não disse mais nada.

A noite era escura como tinta quando as lanternas foram acesas. Só se ouvia o som da chuva.

A criada Fangzi trouxe um lenço limpo a Pei Yunhuan. Ele o usou para secar os respingos da roupa. Ao ver uma serva segurando uma tigela de remédio hesitando na porta, arqueou levemente a sobrancelha:

— Ainda está tomando remédio?

Pei Yunshu hesitou por um momento antes de balançar a cabeça:

— Parei de tomar o remédio para evitar aborto há algum tempo. O Príncipe mandou a cozinha preparar mingau.

Pei Yunhuan assentiu com um tom neutro:

— Comer tarde da noite não é um bom hábito.

Dizendo isso, lançou um olhar frio à criada com o remédio.

Ao ouvir isso, o rosto da criada empalideceu.

O herdeiro do Duque de Zhaoning vinha à residência do Príncipe Wen de tempos em tempos. Dizia que era para visitar a irmã mais velha, mas na verdade era para apoiá-la, já que ela não era favorecida. Até o próprio Príncipe o temia um pouco. Apesar de parecer gentil e afável diante da irmã, aquele olhar que lançou agora... ainda que sorridente, era gelado. Era como... como se estivesse sendo encarada por um lobo.

A criada estremeceu e não ousou dizer mais nada. Curvou-se rapidamente diante de Pei Yunhuan e saiu do pátio.

Quando a figura da criada sumiu ao longe, Pei Yunshu suspirou:

— Todo mundo na residência do Príncipe já foi intimidado por você. O que veio fazer aqui, afinal?

O jovem virou o rosto, e a frieza em sua expressão se dissipou. Sentou-se diante de Pei Yunshu, pegou a xícara de chá que Fangzi lhe ofereceu, abaixou a cabeça e tomou um gole antes de sorrir:

— Já disse, estava passando e vim ver você.

Pei Yunshu o encarou, sentindo o coração pesar levemente.

Ela conhecia melhor do que ninguém o motivo da visita de Pei Yunhuan.

Todos na residência sabiam que o Príncipe Wen favorecia sua concubina e negligenciava a esposa. Agora que ela estava grávida, tornara-se um espinho nos olhos de certas pessoas do palácio. Embora Pei Yunhuan fosse poderoso, não podia ficar ao lado dela o tempo todo. Só podia visitá-la de tempos em tempos e lançar advertências veladas.

Apesar da arrogância, isso surtia efeito. A gestação vinha ocorrendo sem problemas até o sétimo mês. Em mais dois meses, poderia dar à luz em segurança.

Pei Yunshu abaixou os olhos e repousou a mão sobre o ventre saliente. Seu olhar era suave. Esperava que nada saísse do controle.

Pei Yunhuan parecia perceber a inquietação da irmã e disse:

— Fangzi e Qiongying estão ao seu lado. Se algo acontecer, diga a elas o que fazer. Não se preocupe.

Fangzi e Qiongying haviam sido enviadas por Pei Yunhuan. Não era fácil colocar pessoas na residência do Príncipe. Não que temessem o Príncipe Wen, mas sim levantar suspeitas do Imperador.

No entanto, essas duas servas haviam se tornado as pessoas mais confiáveis de Pei Yunshu naquele lugar.

Pei Yunshu sorriu:

— Eu sei. Meu pátio é calmo, é bom ter a companhia delas. Mas você...

Ela olhou para Pei Yunhuan com tom apreensivo:

— Ouvi dizer que há alguns dias o Lorde Yan, do Ministério da Guerra, lhe causou dificuldades na corte. Aconteceu alguma coisa?

O Imperador era hábil no jogo de contrapesos. O Ministério da Guerra e o Departamento de Assuntos Imperiais sempre estiveram em desacordo. O oficial comandante do Ministério da Guerra, Yan Xu, era mesquinho e cruel. Vivia criando embaraços a Pei Yunhuan na corte e usando de truques sujos.

Pei Yunhuan brincou com a xícara de chá nas mãos e deu uma risadinha:

— Onde você ouviu esse boato? Ele é um velho — como poderia me atrapalhar?

Pei Yunshu suspirou:

— Só temo que ele esteja agindo pelas sombras. Afinal, ele odeia o Pai... e desconta em você.

O comandante Yan Xu odiava Pei Yunhuan até o fundo da alma. E não era apenas por rivalidade entre os Guardas Imperiais — havia um rancor mais pessoal. No passado, quando jovem, Yan Xu havia sido rejeitado com gentileza pela Duquesa de Zhaoning.

Yan Xu amava profundamente a mãe de Pei Yunhuan. Quem imaginaria que a mulher que ele amava se casaria com outro e se tornaria a Duquesa de Zhaoning? Yan Xu sentiu-se humilhado e rancoroso. Passou a odiar toda a família da Duquesa.

Agora que a Duquesa havia falecido, a tensão entre o Ministério da Guerra e o Departamento de Assuntos Imperiais só aumentou. Naturalmente, Yan Xu canalizou esse ódio para Pei Yunhuan. Dizem que, anos atrás, Pei Yunhuan pretendia entrar no Ministério da Guerra. Mas Yan Xu usou sua influência para barrá-lo — forçando-o a entrar no Departamento de Assuntos Imperiais.

Pensando nisso, a preocupação no rosto de Pei Yunshu aumentou ainda mais. Vendo isso, Pei Yunhuan suspirou e fechou a tampa da xícara.

— Irmã... por que você sempre pensa no pior? Tente pensar pelo lado bom. O amor de Yan Xu por minha mãe era profundo. Eu sou filho dela. Talvez, ao olhar para mim, ele veja uma velha amiga. Talvez até mude de ideia e me ajude.

Pei Yunshu lhe lançou um olhar reprovador:

— Isso foi há quantos anos? Minha mãe já era casada e tinha filhos — e ele ainda agia como se ela fosse uma donzela. Por acaso você acha que está vivendo num romance? Existe mesmo homem tão obcecado assim no mundo?

O olhar de Pei Yunhuan pousou sobre o prato de ameixas na mesa. Subitamente, lembrou-se do gosto amargo que rondava o Departamento de Assuntos Imperiais por um tempo. Seus olhos se moveram ligeiramente, e os cantos dos lábios se contraíram.

— Nunca se sabe… talvez existam mesmo homens que se apaixonem por uma mulher casada e fiquem tão obcecados que não consigam se libertar.

— Não fale bobagem!

Pei Yunshu protestou, contrariada. Depois, parou e lançou um olhar desconfiado ao irmão:

— O que quer dizer com isso? Não me diga que… você também se apaixonou por uma mulher casada?

Pei Yunhuan ficou sem palavras.

Ela pareceu se lembrar de algo e se inclinou na direção dele. Baixando a voz, disse:

— Uns dias atrás, fui assistir ao Banquete de Verão, e uma senhora me disse que você parecia estar apaixonado por alguém. Perguntei quem era, mas ela se recusou a contar. Fez tanto mistério que achei que só queria me assustar.

Ela o olhava com os olhos brilhando de curiosidade.

— Ah Huan, me diga… você cometeu alguma imprudência?

Pei Yunhuan permaneceu em silêncio.

Respirou fundo, então sorriu para Pei Yunshu:

— E você acredita nisso?

— Acredito sim — respondeu ela com sinceridade. — As meninas sempre gostaram de você, mas eu nunca vi você se apaixonar de verdade por ninguém. Você é impulsivo e ousado. Não seria estranho se tivesse se apaixonado por uma mulher casada. Você nunca liga para o que os outros dizem. Se se apaixonar, em vez de se sentir envergonhado, vai é se divertir. Fala logo, qual senhora ganhou seu coração?

Pei Yunhuan ficou sem reação.

— Não tem ninguém.

— Mesmo?

— Mesmo.

Pei Yunshu o encarou por um longo tempo. Vendo que ele permanecia calmo e não parecia estar mentindo, finalmente suspirou, aliviada, e voltou ao assento. Murmurou, um pouco decepcionada:

— Então não tem ninguém mesmo...

Pei Yunhuan ficou em silêncio por um instante. Então disse:

— O Departamento de Assuntos Imperiais anda meio ocupado esses dias. Preciso ir. Não deixe Fangzi e Qiongying saírem do seu lado. Se algo acontecer, vá à Residência do Comandante Imperial e procure o Vice-Comandante Xiao. Ele vai ajudá-la.

Colocou a xícara sobre a mesa e se levantou. Pei Yunshu perguntou:

— Vai embora já?

Ele olhou para a ampulheta na mesa:

— Já está tarde.

Pei Yunshu assentiu e pediu que Qiongying trouxesse um guarda-chuva. Fangzi a ajudou a acompanhar Pei Yunhuan até o portão do pátio.

A chuva havia perdido a força, e o mundo estava agora envolto por uma névoa tênue.

Pei Yunshu parou na porta. A luz sob os beirais era difusa. Na garoa, o jovem de pé ali parecia uma pintura diante da vastidão da noite — como um quadro pendurado à entrada do Pavilhão do Encontro Imortal.

Ele estava prestes a partir com o guarda-chuva quando, de repente, se virou, como se tivesse se lembrado de algo.

— Ah, certo… quem foi que ficou dizendo besteiras para você no Banquete de Verão?

— Banquete de Verão?

Pei Yunshu ficou surpresa. Em seguida, voltou à razão e sorriu:

— Aquela que me disse que você estava apaixonado. Não a conheço muito bem. Ela se aproximou do nada para conversar, agiu de maneira estranha.

— É a Madame Dong, da residência do Templo Tai Fu.

A chuva noturna na capital encharcava tanto as residências dos altos oficiais quanto as casas do povo comum.

O Tribunal Penal estava intensamente iluminado.

O juiz, Fan Zhenglian, estava sentado diante de uma mesa no salão. A lâmpada sobre a mesa iluminava seu rosto, fazendo parecer que havia uma camada de gordura sobre a pele. Sua túnica oficial parecia apertada demais, como uma corda amarrando uma besta — prestes a se romper a qualquer instante.

Normalmente, ele já teria ido embora a essa hora, mas naquela noite, permaneceu. Ao som do tamborilar da chuva, a porta se abriu, e um homem entrou. Metade do corpo estava molhada, dando-lhe um aspecto um tanto desleixado.

Era o secretário do Tribunal Penal, Qi Chuan.

Qi Chuan entregou um livro a Fan Zhenglian. O volume estava úmido. Fan Zhenglian o pegou com dois dedos e sacudiu a água.

Qi Chuan permaneceu de lado, dizendo respeitosamente:

— Esta é a lista de candidatos ao Exame Imperial de Outono deste ano, a ser enviada ao Ministério dos Ritos. Por favor, dê uma olhada.

Fan Zhenglian murmurou em resposta e abriu o livro lentamente.

O Exame Imperial de Outono seria realizado no primeiro dia do próximo mês. Todo ano, nessa época, incontáveis estudantes vinham prestar o exame.

Todos queriam ascender, mas as vagas eram limitadas. Havia monges demais e mingau de menos. Naturalmente, todos tinham que mostrar suas “habilidades”. E o chamado “mostrar habilidades” não passava de uma disputa de quem gastava mais dinheiro e tinha mais conexões — nada a ver com talento.

O livro em suas mãos era o que seria enviado ao Ministério dos Ritos — a lista dos “habilidosos” daquele ano.

Esses nomes, sem dúvida, estariam entre os primeiros colocados em poucos meses.

Fan Zhenglian tomou um gole de chá quente. Numa noite silenciosa e fria de chuva, o chá dissipava parte da friagem. Ele semicerrava os olhos, sentindo-se particularmente confortável.

Desprezava os letrados. O que há de tão grandioso em ser um erudito? Achavam-se espertos e cultos, com o nariz empinado como se os olhos crescessem no alto da cabeça. Mal sabiam que, neste mundo, não faltavam pessoas que sabiam ler.

Todo ano, quando a lista era enviada ao Ministério dos Ritos e os resultados do Exame de Outono eram divulgados, os mais felizes não eram, via de regra, os que sabiam ler.

Assim como ele no passado — seu talento era medíocre, nada brilhante na escola. No fim das contas, foi quem alcançou o cargo mais alto e teve a carreira mais promissora.

Ao contrário de Qi Chuan, que fora o favorito dos professores na juventude, excelente em caligrafia, pintura, poesia e prosa. E agora estava ali — medíocre, servindo-lhe tinta, pincéis e correndo sob a chuva para lhe entregar livros.

Fan Zhenglian lançou um olhar de soslaio para Qi Chuan, que permanecia respeitosamente ao lado, e o sorriso em seu rosto se alargou ainda mais.

Passou a folhear os nomes na lista.

Todos os nomes ali já lhe haviam entregado o dinheiro antecipadamente. Uma parte desse dinheiro, é claro, também ia para o vice-ministro do Ministério dos Ritos. Na época, ele usou a influência do vice-ministro e pediu a Qi Chuan que prestasse o exame em seu lugar — e passou com facilidade. Depois de alguns anos trabalhando duro no Condado de Yuan’an, agora estava de volta à capital. Com a parceria do vice-ministro, podia participar diretamente do negócio — tudo ainda mais fácil.

Na burocracia, com dinheiro e conexões, não havia com o que se preocupar.

Ao chegar à última página, o olhar de Fan Zhenglian subitamente se deteve.

Após um momento, franziu o cenho, apontou um nome na lista e perguntou a Qi Chuan:

— Quem é esse? Por que deu só oitocentas taéis?

Subornar os examinadores principais e juízes do Ministério dos Ritos custava, no mínimo, mil taéis de prata. Naturalmente, esse tipo de coisa não se comprava com dinheiro apenas — quem estava naquela lista tinha alguma conexão de família.

Qi Chuan se aproximou para ver. O nome indicado era “Liu Zide”.

Qi Chuan pensou um instante antes de responder:

— Mestre, o pai dele é Liu Kun, dono de uma loja de macarrão na Rua Que’er. Dois anos atrás, o filho mais velho dele, Liu Zixian, entrou na lista. Este ano, ele mandou o caçula.

A carranca de Fan Zhenglian se aprofundou.

— Estou perguntando sobre os antecedentes dele.

Um dono de loja de macarrão com dois filhos com conexões? Obviamente havia algo incomum. Mas ele lidava com muitas coisas todos os dias — tantos nomes naquela lista, como poderia lembrar-se de todos? Ficou momentaneamente confuso.

Qi Chuan o recordou em voz baixa:

— Mestre, há dois anos, houve um caso de roubo na capital. O ladrão fugiu. Foi esse Liu Kun quem denunciou o paradeiro do criminoso, e por isso ele foi capturado.

Como Fan Zhenglian permanecia calado, Qi Chuan acrescentou:

— Na época, o senhor mandou espalhar cartazes de busca por toda a cidade.

Ao ouvir isso, os olhos de Fan Zhenglian se iluminaram.

— Ah… então foi ele!

Ele não estava no cargo de magistrado há muito tempo. Nos últimos anos, nada muito importante havia acontecido na capital. Apenas algumas capturas.

Dois anos atrás… não foi o caso da residência do Grande Tutor?

Fan Zhenglian acariciou as duas finas mechas de barba no queixo, os olhos cintilando com astúcia.

Aquele jovem de sobrenome Lu não sabia o quão vastos eram os céus e a terra. Tão tolo e arrogante que dava vontade de rir. Apareceu com uma carta, achando que conseguiria justiça. Mal sabia que, aos olhos da residência do Grande Tutor, alguém como ele não valia mais do que um cachorro. Podiam matá-lo quando bem entendessem.

Quanto a Liu Kun, tê-lo matado também seria mais seguro. No entanto, embora Fan Zhenglian não fosse um homem erudito, ainda tinha certa astúcia política.

Matando o jovem, agradou o Grande Tutor e, com isso, conseguiu abrir uma brecha de relacionamento com aquela poderosa residência. Mas esse favor era frágil. Se algo acontecesse no futuro, talvez não servisse de nada.

Por isso, Fan Zhenglian poupou Liu Kun — como carta na manga para o futuro.

Além disso, Liu Kun tinha a língua doce. Quando seu filho mais velho participou do exame de outono no ano passado, Fan Zhenglian lhe deu uma chance.

Gostava de ter esse tipo de poder: controlar a carreira dos outros na palma da mão. E quando essas pessoas virassem oficiais no futuro, lembrariam de sua “gentileza”. Teria favores em várias regiões da burocracia, tornando sua vida muito mais fácil.

Não esperava que aquele homem aparecesse de novo esse ano.

Fan Zhenglian encarou o nome “Liu Zide” no registro com expressão sombria.

Esses plebeus são mesmo gananciosos.

Vendo o desagrado do superior, Qi Chuan perguntou:

— Mestre, deseja que eu retire esse nome da lista?

Fan Zhenglian não respondeu. Apenas acariciou a barba no queixo. Após um tempo, disse:

— Vá até ele e diga para mandar mais oitocentas taéis.

Oitocentas, mais oitocentas — totalizando mil e seiscentas taéis de prata.

Qi Chuan hesitou:

— Receio que Liu Kun não tenha como pagar…

— Se não pode pagar, que não venha — zombou Fan Zhenglian. — Mil e seiscentas taéis de prata por um posto acadêmico já é um ótimo negócio.

Semicerrou os olhos.

— Se eu não fosse generoso ao lhe estender uma escada, ele passaria a vida inteira se arrastando na lama.

A expressão de Qi Chuan mudou levemente, mas Fan Zhenglian não percebeu.

— Ah, certo.

Lembrou-se de algo e abriu os olhos. Pegou o chá quente sobre a mesa e deu um gole.

— Aquela médica que veio à mansão antes — por que não apareceu mais?

Dois meses antes, Zhao Feiyan havia convidado uma médica para tratar dela. Fan Zhenglian a viu por acaso. A mulher tinha feições delicadas, como um lírio no vale. Gentil, frágil — fazia seu coração coçar. Desde então, passou a prestar atenção.

No entanto, a médica vinha pouco, e Zhao Feiyan sempre estava presente. Quando ele voltava à mansão, a mulher já tinha ido embora.

Nunca conseguiu uma oportunidade — e tampouco queria ser óbvio demais. Afinal, agora ele era o respeitável “Fan Qingtian”.

Qi Chuan respondeu:

— Ouvi Madame dizer que já está totalmente recuperada. A Doutora Lu não precisa mais vir.

— Ah?

Fan Zhenglian estreitou os olhos.

Uma mulher bela e humilde é como uma flor silvestre em plena floração. Todos querem colhê-la. E todos podem colhê-la. Basta dar-lhe uma casa, mostrar um pouco de riqueza e glória — e ela se encolherá voluntariamente numa gaiola, cantando todos os dias para seu dono. Afinal, ela é uma criatura inferior. Nasceu para ser pisada.

Fan Zhenglian pousou a xícara de chá na mesa.

— Depois do Exame Imperial de Outono, mande que ela me entregue um remédio também.

Qi Chuan abaixou a cabeça.

— Sim, senhor.


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