Nuan Nuan olhou desconfiada para seu primo de segundo grau.
Bai Mohua disse, nervoso:
— A família deles tem um cachorro muito grande. Não sei se o gatinho vai ser comido se cair lá. Se não, eu subo para dar uma olhada.
Ele largou sua prancheta e se afastou. Tomou impulso e, com um salto, acompanhado de um estrondo, bateu a testa na parede.
O menino bonito e de aparência limpa levou a mão à testa e começou a chorar.
— Desculpa, superestimei minha força física.
Ele não conseguiu pular o muro. QAQ
Nuan Nuan correu até ele, preocupada, para ver como estava sua cabeça.
— Primo, você tá bem?
— Ai... tô sim.
Bai Mohua cerrou os dentes e esfregou a testa com os dedos pálidos. Sua pele já era clara, mas depois da pancada, a testa ficou vermelha, e ele parecia bem miserável.
Nuan Nuan esfregou com delicadeza usando suas mãozinhas e assoprou algumas vezes com os lábios franzidos.
— Primo, por que a gente não vai pela entrada principal?
Sua voz era suave, e o dedinho apontava para o portão não muito longe dali.
— ...Porque eu me assustei com aquele cachorro uma vez, quando passei por ali.
Embora o cachorro não tenha latido nem mordido, na época ele se apavorou. O bicho se levantou e passou uma sensação de opressão. Era muito forte. Só de ser encarado por ele, Bai Mohua chorou e correu pra casa.
Mais tarde, o menino bonito que morava naquela casa foi até ele se desculpar, mas o pedido de desculpas o fez chorar de novo... porque ele levou o cachorro junto!
Desde então, Bai Mohua ficou traumatizado com aquele cão. Mas ele amava gatos!
— Que tal... a gente entrar pra dar uma olhada?
Ele falou depois de hesitar, com medo de que o cachorro mordesse o gato.
Nuan Nuan também ficou um pouco preocupada. Não sabia se o gatinho estava machucado por ter caído de um lugar tão alto.
Os dois andaram de mãos dadas até o portão da mansão, como se estivessem se encorajando mutuamente.
Assim como no portão da família Bai, havia dois leões de pedra imponentes à entrada da mansão vizinha.
Eles tentaram bater, mas não houve resposta. Ficar entrando assim talvez não fosse o ideal...
Justo quando hesitavam, ouviram um som alto de cachorro e gato. O miado do gato soou tão miserável aos ouvidos deles.
Os dois, tão inocentes, não pensaram duas vezes. Empurraram a porta um após o outro e correram para dentro. E então... encontraram um enorme cachorro preto.
Era... realmente grande!
Nuan Nuan achou que ele era mais alto que ela quando em pé — parecia uma fera gigante. Mesmo de longe, já dava uma sensação opressora.
O rosto de Bai Mohua ficou pálido de medo.
O cachorro preto apenas olhou para eles, depois abaixou a cabeça e abriu a boca para morder o pequeno gato laranja que tremia num canto.
— P-para!
Bai Mohua empalideceu de susto e conseguiu superar seu medo para correr até lá.
Nuan Nuan foi logo atrás e, antes que chegassem perto, perceberam que tinham se enganado. O cão só estava pegando o gatinho com cuidado, sem intenção de mordê-lo.
Embora o miado fosse sofrido, era só por medo.
O cão preto carregou o pequeno gato laranja e andou até os dois com passos firmes e inexplicavelmente poderosos.
Bai Mohua estava tão assustado quanto o gatinho, mas se posicionou firmemente à frente de Nuan Nuan e abriu os braços para protegê-la.
Mãos brancas e delicadas agarraram a roupa do primo, e uma cabecinha peluda apareceu por trás dele. Os olhos grandes, preto e branco, encaravam o cão, mas, na verdade, ela nem estava tão assustada quanto Bai Mohua.
— Nuan Nuan, fica atrás e não... não sai daí. O irmão... o irmão vai te proteger.
A voz que dizia isso tremia.
O coração da garotinha se aqueceu. Todos os seus irmãos eram tão gentis. Ela se sentia tão feliz.
Mas... ela realmente não tinha medo de cachorros.
Então, dessa vez, era melhor ela proteger o primo.
A menininha foi para frente, olhando diretamente nos olhos do cachorro com o olhar claro e puro.
— Primo, eu não tenho medo.
— !!! — Bai Mohua ficou em pânico.
“Já era!”
— Cachorrão.
Nuan Nuan chamou baixinho, e o cão preto já estava na frente deles.
Ele só lançou um olhar para Bai Mohua, que estava tão pálido que parecia ter perdido a alma, depois abaixou a cabeça e colocou no chão o gato laranja que tremia de medo. Não demonstrava nenhuma hostilidade.
Nuan Nuan tentou levantar seu pequeno bracinho, e a mãozinha branca parou a menos de uma palma de distância da cabeça do cão. Ele não se mexeu, permanecendo sentado, imponente.
Sob o olhar horrorizado de Bai Mohua, a menininha colocou a mãozinha sobre a cabeça do cachorro.
O cão preto soltou um gemido baixo, inclinou a cabeça e se esfregou gentilmente na mão dela.
Nuan Nuan sorriu feliz. Seus olhos límpidos se curvaram como luas crescentes, e os cantos da boca se ergueram, revelando os dentinhos brancos — ela parecia tão meiga.
— Irmão, o cachorrão não morde.
A alma de Bai Mohua voltou ao corpo. Ele ficou um bom tempo com a expressão travada, até finalmente levantar o polegar para a priminha.
Sua prima era mesmo corajosa. Ele, que era bem mais velho, não servia pra nada... Com cuidado, ele se abaixou e pegou o gatinho laranja que ainda estava no chão.
— V-vamos... embora...
Antes que terminasse de falar, uma melodia suave de cordas ecoou no ar. Era como jade esmeralda flutuando, uma música que fazia o tempo desacelerar.
O cachorro preto virou a cabeça e olhou para o interior da casa, depois se levantou de repente, agarrou a roupa de Nuan Nuan com a boca e caminhou para dentro.
Nuan Nuan foi puxada junto. Bai Mohua, com o gato nos braços, lançou um olhar desesperado para o cão e correu atrás.
“Solta minha prima agora!!!”
Eles chegaram a um bosque de bambu verdejante, com pequenas pontes e água corrente — um lugar poético e encantador.
E… quanto mais se aproximavam, mais nítido ficava o som da cítara. Antes, só captavam algumas notas; agora, ouviam claramente a melodia inteira.
Depois de cruzarem a ponte e seguirem por um caminho de pedrinhas entre os bambus, viram um pavilhão de onde vinha a música.
Um jovem estava sentado diante do instrumento. Seus dedos finos pareciam esculpidos em jade branco, e ele dedilhava as cordas com uma velocidade invisível aos olhos, tornando real a tensão e o fervor de um campo de batalha.
— Quem são vocês?!
A música parou de repente. O rapaz de jade branco levantou os olhos. Eles eram tão escuros quanto um poço antigo, serenos e profundos. Ele olhou para os dois com calma. Parecia ter saído de um pergaminho pintado — talvez até tivessem composto aquela melodia só para ele.
— D-desculpa. A gente não invadiu de propósito.
Nuan Nuan corou ao ser encarada. Já era tímida por natureza, mas agora se encolheu toda de vergonha por terem sido descobertos.
Bai Mohua apontou para o cão preto.
— A culpa foi do seu cachorro. Ele que arrastou minha priminha pra cá.
Disse isso com convicção.
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