Capítulo 72: Brinde de irmãos


 Os dedos finos e brancos de Bai Mohua cutucaram de leve o rostinho quente e macio, afundando imediatamente numa covinha fofa. A priminha ainda tinha um cheirinho delicioso, e ele realmente não se cansava de abraçá-la.

Quando os adultos chegaram, viram os primos se divertindo felizes.

— Olha só, a Nuan Nuan acordou enquanto vocês jogavam xadrez.

A tia olhou para Nuan Nuan com certa culpa.

— A tia devia ter mandado alguém ficar de olho em você.

Eles estavam jogando xadrez e tomando chá numa sala ali perto, não tinham ido longe, só não esperavam que Nuan Nuan fosse acordar tão cedo.

Nuan Nuan balançou a cabeça, sem graça, e disse baixinho:

— Nuan Nuan esqueceu de ligar pra mamãe e pro papai no celular.

A menininha balançou a cabeça obediente.

— Também, não é de se estranhar, ela só chorava.

Bai Mohua apertou de leve o rostinho dela:

— Estava tão tristinha que dava pena.

Ao ouvir isso, o pai e a mãe de Gu ficaram ainda mais com o coração apertado. Nuan Nuan não queria preocupá-los, então abraçou as mãos deles com suavidade e manha, e só depois os soltou.

— Mamãe, você não ficou surpresa de me ver?

Bai Mohua largou a prancheta de desenho e olhou para os pais com um sorriso. O sorriso do jovem bonito era encantador e cativava com facilidade, por isso os mais velhos da família gostavam muito dele.

— Quem é que não te conhece? O espantoso seria você conseguir voltar.

Bai Mohua riu, puxou os pais para se sentarem e conversaram por um tempo, depois voltou a abraçar Nuan Nuan.

— Tia, vou levar a Nuan Nuan pra brincar.

Nuan Nuan ficou um pouco confusa, parecia fácil de intimidar, e era tão obediente que nem pensou em resistir.

— Vai lá, vai sim. Cuida da sua irmãzinha.

— Tá bom!

Bai Mohua subiu correndo com Nuan Nuan numa mão e a prancheta na outra.

Ao chegarem no quarto dele, Nuan Nuan ficou encantada com as várias telas de pintura, grandes e pequenas, penduradas nas paredes. Muitas mostravam paisagens: montanhas nevadas sob o sol dourado, cachoeiras de conto de fadas embaixo de arco-íris, flores graciosas... cada quadro era um verdadeiro banquete visual para ela.

Já no quarto, ainda com Nuan Nuan no colo, Bai Mohua subiu direto para o pequeno sótão e abriu as cortinas. Havia ali enormes janelas do chão ao teto, de onde se podia ver perfeitamente a paisagem do lado de fora.

Esse sótão era o estúdio de caligrafia e pintura de Bai Mohua. A decoração era bem simples: tintas, pincéis e papéis de pintura arrumados com cuidado num armário de madeira encostado na parede. No centro, havia um cavalete, um banco e a prancheta. O que mais chamava atenção eram os quadros pendurados nas paredes.

Os quadros do quarto de baixo eram relativamente pequenos, mas os dali eram enormes.

O mais imponente de todos, bem no centro, era uma pintura de uma árvore de ginkgo com mais de dois metros de altura. Nuan Nuan reconheceu na hora: era a mesma árvore que ficava no pátio externo.

À primeira vista, parecia que o ginkgo do quadro estava vivo. As folhas amareladas transmitiam toda a sensação do outono. Era como se ela tivesse voltado ao momento em que chegou ali pela primeira vez, admirando a grande árvore no quintal.

Perto da pintura da árvore, havia outro quadro. Nele, uma mulher elegante trajava um cheongsam de porcelana azul e branca. Estava de costas, diante de uma janela simples com beiral marrom-avermelhado. Apenas metade do rosto aparecia, mas já era o suficiente para transmitir a nobreza e elegância de uma dama de família tradicional.

Era uma beleza que ninguém poderia deixar de gostar!

— É a minha tia...

Nuan Nuan olhou para a alta figura no cheongsam e falou baixinho. Mesmo com apenas metade do rosto visível, quem a conhecia reconheceria na hora quem era a mulher pintada.

Em poucos minutos, Bai Mohua voltou lá de baixo, já trocado e com uma mochila preta nas mãos.

— Primo, você é incrível!

Ao saber que todos aqueles quadros tinham sido pintados pelo jovem à sua frente, Nuan Nuan ficou cheia de admiração.

Ela já tinha ouvido falar sobre isso pela mãe, mas depois de ver com os próprios olhos, achou que as mãos do primo deviam ter alguma espécie de mágica especial.

Ao ver os olhinhos dela brilhando de encantamento, Bai Mohua coçou a cabeça, envergonhado, e as orelhas ficaram ligeiramente vermelhas. Estava tímido de verdade.

— Que nada! Todo mundo tem algo em que é bom. Nuan Nuan ainda vai encontrar algo de que goste, e vai ser ótima nisso também.

Enquanto falava, pegou a mochila e foi até a varanda grande além das janelas de vidro, acenando para a menina.

— Vem cá, vamos ver se você gosta dessas coisas.

A menininha foi obediente até lá, e logo arregalou os olhos de surpresa… a mochila estava cheia de todo tipo de lanches!

Bai Mohua usava apenas meias brancas, pisando sobre o tapete macio da varanda. O aquecedor estava ligado, então o ambiente era bem quentinho.

Em casa, ele gostava de usar camisa branca e calça social cinza clara, um pouco mais curta, deixando à mostra as canelas brancas. Com um leve sorriso no rosto e o cabelo preto macio, tinha uma aparência casual e limpa — parecia um pedaço de jade branca. Realmente muito bonito.

Nuan Nuan também tirou os sapatos e foi até ele, sentando-se de pernas cruzadas com suas meias brancas. Pegou com suas mãozinhas finas o leite Wangzai que o primo lhe ofereceu.

— Nuan Nuan, vamos tomar leite!

Diferente de Gu An, que vivia dizendo que já era adulto, Bai Mohua era como uma criança: pegava suas coisas preferidas só pra dividir com Nuan Nuan.

— Esse bolinho é uma delícia, e esse salgadinho apimentado é meu favorito. Mas dá trabalho, gosto de comer um por um com a mão. Experimenta, Nuan Nuan!

Nuan Nuan abriu a boca. Se inclinou e mordeu o palitinho picante que ele segurava, depois abraçou o rostinho delicado e começou a comer feliz.

— Hmm... que gostoso!

Bai Mohua riu satisfeito, levantando os dedos sujos de óleo, os olhos de gato curvados num sorriso limpo.

— Sabia que ia gostar.

Os dois sentaram juntos, como amigos de longa data, e comeram vários lanchinhos com alegria. No fim, Bai Mohua arrotou e levantou o leite Wangzai.

— Vamos lá! Com esse leite, dou as boas-vindas à minha priminha na minha casa!

Nuan Nuan ergueu as mãos igual a ele, sorrindo com as sobrancelhas arqueadas e olhos brilhando:

— Vamos beber esse leite!

Era só leite, mas parecia que estavam brindando com vinho.

— Pronto, pronto! Vamos arrumar tudo e lavar as mãos.

Bai Mohua arrumou tudo com agilidade sobre o parapeito da janela, e então levou Nuan Nuan para lavar as mãos.

Ambas as mãos ficaram cobertas de espuma branca e delicada. Uma era esguia e limpa como jade branca; a outra, pequena e fofa, de pele clarinha e quente. Por causa da carninha nas mãos, era possível ver claramente algumas covinhas adoráveis nas costas dos dedos.

— Vamos lá, o primo vai pintar pra você!

A mão longa do jovem segurava a mãozinha quente e macia, enquanto ele apoiava o queixo, procurando um cenário para pintar. Mas nenhum o agradava.

— Hmm… não, nenhuma dessas paisagens é viva o bastante. Não combinam com a Nuan Nuan.

Correndo junto com ele, Nuan Nuan de repente viu um gato laranja, do tamanho de meio braço, preso numa árvore. Ele parecia querer descer, mas estava com medo. Mia desesperado, pendurado no galho.

— Primo, gato!

Nuan Nuan puxou a roupa de Bai Mohua. O gato laranja, ansioso, acabou caindo da árvore — e foi parar no quintal da casa ao lado.

Bai Mohua ficou espantado, os olhos de gato dele se arregalaram:

— Como ele veio parar na nossa casa?!


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