Nuan Nuan olhou para trás, na direção de seu primo de segundo grau. Ele ainda estava imerso em seu próprio mundo de pinturas, completamente alheio a tudo ao seu redor.

Ela não quis interrompê-lo, então só pôde abraçar o Pequeno Laranja e sair em busca do irmão Su Ran.

Ao chegar no saguão, Nuan Nuan avistou imediatamente o jovem nobre sentado no sofá. Ele conversava com alguns adultos e, mesmo sendo tão novo, sua postura calma e autocentrada fazia com que os adultos ao redor o admirassem.

— Irmão Su Ran. — Ela o chamou suavemente, caminhando até ele com o Pequeno Laranja nos braços.

No começo, pensou que o Pequeno Laranja iria se debater ou resistir, e já estava pronta para soltá-lo. Mas, surpreendentemente, o gato que no dia anterior tinha medo de Xingyun estava agora quieto e obediente. Mesmo ao passar por ele, o Pequeno Laranja permaneceu aninhado nos braços da menina, a pontinha do rabo fofo se enrolando de um lado para o outro, as orelhinhas erguidas e as garrinhas esticadas, tentando “fisgar” Xingyun.

Talvez fosse por covardia, mas ele apenas arranhou o ar, a menos de um centímetro do nariz do cachorro.

Nuan Nuan sorriu com as sobrancelhas curvadas, exibindo alguns dentinhos brancos e bonitos.

— Nuan Nuan. — O garoto de quinze anos sorriu ao vê-la e então estendeu, com toda formalidade, um convite que segurava na mão.

— Daqui a três dias é o aniversário do meu avô. Quero convidar você e Bai Mohua para a festa.

Nuan Nuan pegou o convite e, meio atordoada, olhou para os pais. Nunca havia passado por algo assim antes e não sabia bem o que fazer.

Mamãe Gu acariciou a cabeça dela e sorriu:

— Já que são amigos, vá sim. Nós também vamos.

Se papai e mamãe fossem juntos, então ela não teria motivo para hesitar. Assim, ao receber o convite, com as sobrancelhas arqueadas e um sorriso gentil, Nuan Nuan agradeceu de forma bem educada.

Xingyun, em algum momento, se aproximou silenciosamente e sentou ao lado dela. A patinha peluda do Pequeno Laranja finalmente tocou no nariz preto do cachorro... mas ele a recolheu no mesmo instante.

"Que covarde", pensou. "Agora mesmo queria bancar o valentão, e quando chegou perto de verdade, amarelou."

— Onde está Bai Mohua? — perguntou Su Ran.

Nuan Nuan respondeu com voz infantil:

— Meu primo está pintando. Fiquei com medo de atrapalhar, então não o chamei.

Su Ran então perguntou com calma:

— Quer dar uma volta comigo e com Xingyun?

A menina olhou para o cachorro e assentiu.

Dois pequenos, um maior e um menor: Su Ran prendeu a guia em Xingyun enquanto Nuan Nuan segurava o Pequeno Laranja no colo. Lá foram eles, passeando com o cachorro e o gato.

Xingyun era muito obediente, não puxava seu dono como um husky ou um shiba faria. Acompanhava o passo dos dois, tranquilo e gentil.

Quando estavam saindo, Papai Gu começou a se preocupar com tudo. Sentia que lugar nenhum era seguro e, se pudesse, amarraria Nuan Nuan a si mesmo.

Mamãe Gu lançou-lhe um olhar impaciente.

— Nuan Nuan tem liberdade pra fazer amizades. Se você realmente se importa com ela, não atrapalhe a liberdade social da nossa filha.

Papai Gu resistiu bravamente ao impulso de segui-la e se despediu com lágrimas na porta.

— Nuan Nuan, volte cedo com o Su Ran. Se acontecer qualquer coisa, liga pro papai, tá? Papai vai te buscar na hora. E também...

O pai bobo tagarelou um monte de recomendações, enquanto Nuan Nuan escutava com atenção e assentia.

— Tá bom, papai, eu lembro.

Quando ele ia continuar, Mamãe Gu, com as veias saltadas, tampou-lhe a boca e o arrastou de volta.

Bai Jinyan: “…”

"O que será que transformou esse 'tigre sorridente' que um dia fez o mercado inteiro tremer… nesse pai bobão de agora?"

— Irmão Su Ran, a gente vai passear com o Xingyun aonde?

Su Ran respondeu com expressão serena:

— Só vamos dar uma volta por aí.

As pessoas que moravam ali eram todas ricas ou nobres, mas a distância entre algumas casas não era grande. Essas casas antigas tinham longa história, e mesmo reformadas, a estrutura original permanecia.

— A vovó Liu cultiva morangos numa estufa, são muito gostosos. Ela costuma ficar sozinha em casa. O pessoal da vizinhança vai lá trocar por morangos quando quer comer. Quer ir?

Nuan Nuan abraçou o Pequeno Laranja com os olhos brilhando:

— Posso colher eu mesma?

Su Ran assentiu.

— Pode.

E assim os dois foram à casa da Vovó Liu.

Quando Su Ran estava prestes a bater na porta, a porta marrom-avermelhada se abriu de repente. Um velhinho de sapatos pretos apareceu, segurando um balde vermelho cheio de carpas se debatendo. Atrás dele vinha uma velha de cabelos grisalhos, com um sapato levantado, gritando palavrões.

— Velhote fedorento! Pegou de novo minhas carpas! Para já!

O velhinho foi pego de surpresa pelos dois pequenos na porta e não conseguiu escapar. A velha o alcançou, com o sapato em uma mão e a outra torcendo a orelha dele.

— Quantas vezes já te falei pra não pegar meus peixes? Que chato você é, homem! Já matou todos os meus koi!

A velha obviamente não usava força, mas o velhinho largou o balde e inclinou a cabeça, gritando "ai, ai".

— É só comer uns peixinhos seus, ué! Depois eu compro mais pra você. Para de puxar minha orelha, tem criança olhando!

"Dá uma moralzinha, vai."

A velha soltou a orelha dele com um resmungo e sorriu gentilmente para Nuan Nuan e Su Ran.

— Claro que vieram! Entrem, entrem! O que querem comer hoje? A vovó Liu faz pra vocês.

Enquanto falava, olhou para Nuan Nuan e sorriu ainda mais.

— E essa pequena fada de qual família é? Tão linda e delicada! Qual é seu nome, hein? Vem cá, conta pra vovó Liu o que quer comer, que a vovó sabe fazer de tudo!

— E-eu… meu nome é Nuan Nuan. — A garotinha esfregava os dedos, com a vozinha doce e suave.

Ao ser elogiada daquele jeito, ficou toda envergonhada. A pele branquinha do rosto ganhou um tom rosado, e aquele contraste rosa e branco a deixava tão bonita quanto uma flor de pessegueiro — uma beleza rara.

Os filhos e netos da velha já tinham crescido, e os netos viviam com os pais, sem interesse em visitar a casa antiga. Quanto mais velha ficava, mais gostava de crianças dóceis e meigas.

A vovó Liu logo puxou Nuan Nuan pra dentro:

— Nuan Nuan… que nome lindo! Parece um casaquinho acolchoado que esquenta o coração da gente! Mas nunca te vi por aqui… deve ser parente do Ran Ran.

Su Ran, sério, corrigiu:

— Vovó Liu, meu nome é Su Ran. Eu não sei de nada. A Nuan Nuan é filha da irmã do Professor Bai. A gente se conheceu ontem. Os seus morangos já estão maduros? Trouxe ela pra comer morango.

— Seja de quem for, a vovó Liu dá boas-vindas! Que bom que vocês vieram hoje, meus morangos estão ótimos! A vovó leva vocês lá, mas tem que seguir o Ran Ran, viu?

Su Ran:

— Eu me chamo Su Ran, não Ran Ran.

— Tá bom, tá bom. Mas o aniversário do seu avô tá chegando, né?

O menino assentiu e, de novo, corrigiu com seriedade:

— Meu nome é Su Ran.

A velha apenas assentiu alegremente e os levou até a estufa no quintal.

— Claro, Ran Ran, leva a Nuan Nuan pra colher uns morangos e tragam um pouco pro seu avô.

Su Ran: "…"

Nuan Nuan quase caiu na risada ao ver a expressão resignada do irmão Su Ran.