O galpão de morangos da vovó Liu não era muito grande, mas os morangos ali dentro estavam todos suculentos, e o doce aroma da fruta podia ser sentido nitidamente assim que se entrava.
— Aqui estão os cestos pra vocês. Podem entrar e colher por conta própria.
Nuan Nuan abraçou o cesto de bambu, levantou o rostinho e curvou os olhos em forma de meia-lua.
— Obrigada, vovó Liu.
A menininha, tão obediente e delicada, agradeceu baixinho. A senhora acariciou sua cabecinha fofa e macia, sorrindo com carinho.
— Aqui em casa somos só eu e meu velho. Nós dois não damos conta de comer tudo. Pode comer à vontade, e ainda levar bastante amanhã, se quiser.
O galpão não era muito espaçoso, e o corpo de Xingyun era grande demais para entrar. Ele, obediente, ficou sentado à entrada, esperando.
A pequena Laranja estava nos braços de Nuan Nuan. A menina olhava ao redor com os olhos arregalados, parecendo muito curiosa com tudo ali dentro.
— Vai brincar, mas não sai por aí correndo — disse ela, apertando a gatinha num abraço suave.
— Miau~ — respondeu Laranja.
Assim que tocou o chão com suas patinhas macias, saiu correndo leve e ágil. Cheirou os morangos vermelhos e brilhantes, e logo esticou a língua rosada e delicada para lambê-los.
Quando Nuan Nuan colheu dois morangos grandes e se virou, viu que Laranja já tinha devorado boa parte de um deles.
Nuan Nuan deu um tapinha de leve no bumbum dela.
— Não pode morder os outros morangos.
— Miau~ — respondeu a gatinha com um miado suave, a boquinha ainda molhada da fruta.
— Nuan Nuan, vem aqui — chamou Su Ran.
Ao ouvir a voz dele, Nuan Nuan se levantou com o cesto de bambu nas mãos, caminhou até ele com passinhos pequenos e se agachou.
— Irmão Su Ran.
O garoto lhe entregou um morango branco grande, quase do tamanho da palma da mão dela, exalando um perfume adocicado de leite.
— Morango de leite. Acho que esse é o maior de todos. É pra você.
Depois de falar, passou a mão nos cabelos fofos da menina.
Nuan Nuan segurou o morango com um sorriso feliz.
— Obrigada, irmão Su Ran.
— Aposto que você vai gostar. Pode pegar mais.
Ela assentiu com a cabeça e, junto com Su Ran, colheu meio cesto de morangos antes de saírem do galpão.
Quando chegaram à saída, Nuan Nuan se surpreendeu ao ver a pequena Laranja com um morango de leite na boca, balançando o rabinho e caminhando com passinhos de gatinha. Chegou até Xingyun e colocou o morango aos pés dele.
Xingyun lambeu o topo da cabecinha da gatinha e a virou de barriga pra cima com o focinho.
— Irmão Su Ran, olha só! A Laranja e o Xingyun estão se dando melhor.
A gatinha até levou um morango pro cachorro grande.
Su Ran assentiu com um “hum” e pegou a mãozinha de Nuan Nuan, caminhando com ela tranquilamente até encontrar a vovó Liu e o vovô Liu.
Xingyun comeu o morango e seguiu atrás, com Laranja na boca.
Suspensa no ar pela boca de Xingyun, a gatinha encolheu as patinhas e o rabinho, ficando imóvel e toda obediente.
— Vovó Liu, depois eu trago um vaso de orquídeas que o vovô cuida lá em casa.
As pessoas dali não tinham grande necessidade de dinheiro, então Su Ran queria retribuir com outra coisa. A vovó Liu adorava flores e plantas.
Ela riu ao ouvir aquilo.
— Você vai pegar de novo as orquídeas do seu avô? Não tem medo de levar bronca, não?
Su Ran ficou sem jeito.
— Ah, é só levar uma bronca com uns dizeres enormes...
— Tudo bem então, a vovó vai ficar esperando suas orquídeas.
Nuan Nuan piscou os olhos.
— Então eu...
— A sua parte tá incluída nas orquídeas também. As do vovô são bem caras.
A vovó Liu riu satisfeita.
— Sim, sim! Por uns moranguinhos desses e uma orquídea do velho Su... ainda saio no lucro!
Su Ran apertou de leve a mão de Nuan Nuan e se despediu dos dois velhinhos.
— Então a gente vai indo.
A menininha também acenou delicadamente.
— Tchau, vovó Liu, vovô Liu.
— Nuan Nuan, venha brincar sempre.
— Tá bom — respondeu ela suavemente, andando com passinhos curtos atrás de Su Ran.
— Obrigada, irmão Su Ran.
Um sorriso surgiu nos lábios de Su Ran. Sua beleza delicada e clara lembrava jade, um tipo de beleza que transcendia o masculino ou feminino. Mas naquele momento, o ar juvenil e a leve imaturidade no rosto o tornavam ainda mais encantador.
Esse sorriso foi especialmente marcante.
— Se quiser me agradecer... deixa eu apertar sua bochecha.
— Hã?
Os grandes olhos da menina se voltaram para ele, cheios de confusão. Os cílios longos e curvados tremiam como asas de borboleta, dançando graciosamente.
O rostinho de Nuan Nuan era pequeno, com o queixo levemente pontudo, bochechas fofinhas e pele branca como leite. Dava vontade de morder.
Infelizmente, ele não podia morder — mas podia apertar.
— Eu colhi morangos pra você. Nuan Nuan podia deixar eu apertar sua bochecha.
Su Ran falava sério, como se estivessem negociando um trato, mas por dentro achava aquilo maravilhoso — alimentá-la e apertar suas bochechas era uma benção.
Nuan Nuan fez uma careta pensativa. Afinal, tinha ganhado tantos morangos deliciosos de graça, e tudo o que o irmão Su Ran queria era apertar sua bochecha. Pensando bem, parecia até que ele que sairia perdendo.
Depois de ponderar, sua expressão se suavizou rapidamente.
Su Ran ficou olhando o rosto dela mudar de expressão, achando tudo aquilo muito divertido.
— Então... então pode apertar, irmão Su Ran.
Ela se aproximou dele com o cesto de morangos no colo e, espontaneamente, ofereceu o rostinho.
O sorriso nos olhos de Su Ran se ampliou, e com dedos brancos como jade ele apertou levemente a bochecha dela.
Era macia, delicada, branca. Assim que ele colocou os dedos, surgiram duas covinhas. Ele apertou com tanto cuidado que parecia ter medo de amassar o rostinho da menina.
Mesmo assim, quando soltou, ficaram duas marquinhas no rosto claro e fofo de Nuan Nuan.
Su Ran ficou meio culpado, passando os dedos suavemente no rostinho dela.
— Toma, é pra você comer.
Ele lhe entregou os morangos que havia colhido.
— Mas eu já tenho...
— Tem muita gente na sua casa. Se você dividir com todo mundo, vai acabar rapidinho. Lá em casa só tem eu e meu avô, e ele nem gosta muito. E morango não fica bom por muito tempo.
Nuan Nuan pegou os morangos, obediente. Como o irmão Su Ran parecia tão sério, ela acreditou.
Mordeu um pedacinho, e o sabor doce tomou conta da boca. Suas bochechas inflaram, os olhos brilharam — ela estava claramente feliz.
No caminho de volta, Su Ran foi alimentando Nuan Nuan o tempo todo, e quanto mais alimentava, mais viciado ficava em fazer isso.
Depois de levá-la até em casa, ele ficou com uma expressão meio arrependida — não poderia continuar alimentando a menina.
Levantou a mão, passou no cabelinho fofo dela e disse, com a voz limpa e clara como um pingente de jade:
— Vai lá. Eu também vou embora.
A cabecinha dela se encostou em seu peito como um gatinho.
— Tchau, irmão Su Ran.
O canto da boca dele se curvou, os olhos sorrindo. Antes de ir, passou os dedos no nariz delicado da menina.
— Vou te buscar no aniversário do vovô.
Nuan Nuan assentiu, doce como sempre.
— Tá bom.
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