Depois que Shen Jin chorou o suficiente, Chu Xiuming mandou alguém trazer água para ela se lavar. Ele mesmo também pediu que preparassem água, pois também precisava se limpar. Após lavar o rosto e tirar o excesso de oleosidade, Shen Jin estufou as bochechas, pegou a mão de Chu Xiuming e o levou para o quarto interno. Quando entraram, soltou sua mão.
Chu Xiuming abriu o armário, tirou um embrulho de dentro e o colocou sobre a mesa. Ao abri-lo, havia dentro um conjunto completo de roupas. Murmurou:
— Se tivesse demorado mais, não ia mais servir.
Aquele casaco de inverno tinha sido feito pelas próprias mãos de Shen Jin. Não tinha muitos bordados, mas os pontos eram apertados e minuciosos. Dava para ver, à primeira vista, o cuidado e o tempo investido. Até os sapatos e meias estavam incluídos. Chu Xiuming tocou as roupas com carinho, e então olhou para Shen Jin com um leve sorriso.
— Felizmente, cheguei a tempo.
— Vai, troca logo de roupa — disse Shen Jin com a voz severa.
Mas seus olhos estavam vermelhos e ela fungava. Não impunha medo algum.
Chu Xiuming, no entanto, não se trocou de imediato.
— Vou tomar banho primeiro.
Shen Jin assentiu e, ao passar por ele, enfiou a mão na dele:
— Minhas batatas-doces assadas queimaram todas...
— Peça para Anping assar de novo para você — respondeu Chu Xiuming, abraçando-a com um braço e acariciando sua barriga com o outro.
Shen Jin concordou com um som baixo. Os dois ficaram um tempo em silêncio. Quando a água quente ficou pronta, Shen Jin seguiu Chu Xiuming até o banho como um rabinho, sem querer se separar nem por um instante.
Ao ver aquele jeitinho manhoso da esposa, o coração de Chu Xiuming se apertava cada vez mais, e seu olhar se tornava cada vez mais gentil. Ele dispensou as criadas; deixou que apenas um jovem servo o ajudasse no início. Quando Shen Jin e os outros adicionaram água quente à tina, dispensou também o rapaz, arregaçou as mangas e, pessoalmente, lavou o cabelo e as costas de Chu Xiuming. Só depois de confirmar que ele não tinha nenhum ferimento novo é que conseguiu suspirar de alívio. Disse, em voz baixa:
— Todos diziam que você estava desaparecido...
— En — respondeu Chu Xiuming com a voz suave, como se todo o frio e a ferocidade de um general tivessem se dissipado. Agora, ele já não parecia o invencível comandante das tropas, mas sim um nobre gentil e acolhedor. — Eu prometi que voltaria em segurança.
Shen Jin nunca havia ajudado alguém a se arrumar antes. Era inevitável que fosse um pouco desajeitada. Mas para Chu Xiuming, era simplesmente reconfortante.
Shen Jin sorriu, estendendo a mão diante dele:
— Meu braço tá doendo.
Chu Xiuming riu e a massageou. Shen Jin voltou a limpar as costas dele, satisfeita:
— A Princesa Ruyang e o marquês foram para a cidade da fronteira. Pedi ao intendente Zhao que enviasse uma carta ao irmão dela, para que ele reunisse o povo.
— Minha senhora é mesmo inteligente — disse Chu Xiuming de olhos fechados.
Shen Jin sorriu ao ouvir isso:
— E o Pequeno engordou de novo.
O corpo de Chu Xiuming aos poucos se acalmava, e seu semblante também suavizava. Mesmo ouvindo Shen Jin tagarelando sem parar, não se cansava. Como ela estava grávida, depois de lavar as costas dele, sentou-se na cadeira e não quis mais se mover. Chu Xiuming terminou o banho e se vestiu. Anping e An Ning vieram ajudá-lo. Mamãe Zhao segurou a mão de Shen Jin e alertou:
— Senhora, vá com calma.
— En — respondeu Shen Jin, olhando para Chu Xiuming. Quando seu cabelo já estava meio seco, ele caminhou até ela e estendeu a mão. Os dois voltaram juntos para o quarto de Shen Jin.
Mamãe Zhao já havia preparado a refeição. Nada muito complicado: apenas sopa de macarrão com carne bovina e batatas-doces assadas para Shen Jin. Ela pegou alguns pedaços de carne da tigela de Chu Xiuming, comeu, e sentou-se ao lado dele. Enquanto comia as batatas, de vez em quando oferecia um pedaço a Chu Xiuming. Mamãe Zhao aproveitou para continuar secando o cabelo dele com um pano.
Quando Cuixi chegou, Shen Jin estava com a tigela de Chu Xiuming nas mãos, tomando o caldo. Deu dois goles e devolveu a tigela a ele. Perguntou:
— A mãe e a concubina precisam de mim? Queria esperar meu marido comer antes de ir cumprimentá-las.
— Se for para informar à princesa, ela mandou dizer para a senhora e o senhor Yong Ningbo não se preocuparem em ir hoje. Disse que, como ele acabou de voltar, o melhor é descansar — respondeu Cuixi com um sorriso.
Shen Jin semicerrando os olhos, comentou:
— É a preocupação da minha mãe e concubina.
Chu Xiuming assentiu:
— Então aceitarei com gratidão. Mas, por favor, transmita a ela que amanhã irei com minha esposa prestar os devidos cumprimentos.
Cuixi assentiu. Shen Jin sorriu:
— Não tenha pressa. Vá até o cômodo ao lado com An Ning e termine sua sopa. A estrada está fria, cuidado para não pegar um resfriado.
— Obrigada, princesa — respondeu Cuixi, que já sabia da afeição que a Princesa Rui tinha por Shen Jin e Chu Xiuming. Não precisava de muitas formalidades.
An Ning sorriu e levou Cuixi com ela.
Ao saber que não precisava ir até o pátio principal, Shen Jin bocejou:
— Estou com um pouco de sono.
Depois de tanto chorar, era natural que estivesse cansada. Com Chu Xiuming ao seu lado, todo seu corpo relaxava.
Chu Xiuming, já de estômago cheio, amarrou os cabelos com uma fita e disse:
— Então vamos dormir.
Shen Jin não respondeu, apenas olhou para ele. Chu Xiuming então disse:
— Juntos.
— En — murmurou ela.
Mamãe Zhao nada disse. Sabia que tanto Chu Xiuming quanto Shen Jin estavam exaustos nos últimos tempos. Simplesmente os ajudou a se prepararem. Chu Xiuming ainda comentou:
— Organize as coisas.
— Sim, senhor — respondeu Mamãe Zhao, entendendo o que ele queria dizer. Como ele havia retornado, não fazia sentido continuar morando no Instituto Moyun. Depois de organizar tudo e informar à Princesa Rui no dia seguinte, voltariam ao pátio original. Tecnicamente, Chu Xiuming deveria voltar para a Mansão de Yongning Bo, mas como o Ano Novo se aproximava, e a mansão era fria demais, ele preferia ficar onde Shen Jin se sentisse feliz.
Vendo que Chu Xiuming não deu mais ordens, Mamãe Zhao se retirou, fechando a porta com cuidado.
Shen Jin estava sentada na cama, olhando para Chu Xiuming. Ele se aproximou, acariciou sua cabeça, tirou as roupas e deitou-se. Shen Jin logo se enfiou sob as cobertas, encostando-se ao peito dele, e murmurou:
— O bebê se mexeu.
Chu Xiuming pousou a mão suavemente sobre a barriga dela:
— Está cansada?
— Não — respondeu Shen Jin, fechando os olhos e bocejando de novo. — O bebê está bem... Você acha que será menina ou menino?
— Seja qual for, vou amar do mesmo jeito — respondeu Chu Xiuming, com sinceridade.
— Mas eu só tenho lido livros militares para ele... Se for menina, isso não será ruim? — perguntou Shen Jin em voz baixa.
Chu Xiuming beijou seus cabelos e respondeu:
— Claro que não.
Aliviada, Shen Jin segurou a mão dele, entrelaçando os dedos:
— Marido... que bom que você voltou.
— En — murmurou ele, a voz abafada. — Dorme tranquila.
Só então Shen Jin fechou os olhos e descansou. Chu Xiuming, embora também cansado, não conseguia dormir. Tinha a esposa e o filho nos braços. Ao ouvir todos os lamentos que ela guardara, sem uma única queixa real ou mágoa, sentiu-se ainda mais comovido. Shen Jin não cobrava, apenas manhosamente se queixava.
“Dorme. Estou aqui.”
Sua voz era baixa e suave. Shen Jin, adormecida, se aconchegou ainda mais nos braços dele. Naquela noite, dormiu profundamente, sem saber que, fora do quarto, a situação estava se complicando.
Ninguém esperava que Shen Jin, que parecia tão bem, acabasse adoecendo logo após o retorno de Chu Xiuming. Ele percebeu isso no meio da madrugada. Embora grávida, a temperatura de seu corpo estava mais alta que o normal. O ar que exalava era quente demais.
Imediatamente, Chu Xiuming se levantou, chamou Mamãe Zhao e os outros, e mandou buscar um médico.
Felizmente, Shen Jin não estava com um resfriado, era uma febre falsa. Queria vir há algum tempo... Chu Xiuming já tinha ouvido notícias do seu desaparecimento. Mesmo que Shen Jin acreditasse que ele voltaria, era inevitável que ela ainda ficasse assustada, mas não podia demonstrar. Não podia sair, pois a pessoa que a protegia não estava por perto, e lá fora havia muitos que não lhe queriam bem. Embora Shen Jin não mostrasse, ela estava sempre inquieta.
Chu Xiuming sentou-se na cama, estendendo a mão para segurar a de Shen Jin. Mesmo que ela não acordasse, choramingava baixinho quando sentia que Chu Xiuming não estava ao seu lado. Aquele som, semelhante ao de um animal ferido, apertava o coração de quem ouvia. Era especialmente angustiante.
Concubina Rui e Shen Qi vieram pessoalmente. Olhando para os olhos vermelhos da Concubina Chen, a Princesa Rui suspirou:
— Normalmente, eu via essa criança como alguém bem resolvido. Quem diria que ela ficaria assim, enterrada na minha alma.
Concubina Chen Fang disse:
— Princesa, você também está grávida, cuide-se para não adoecer.
— Está tudo bem — respondeu Shen Qi, que também sabia que Shen Jin não estava com um resfriado comum. — Minha irmãzinha ainda não acordou?
— O médico disse para deixá-la dormir — explicou Chen Fangfei em voz baixa.
Como Shen Jin segurava a mão de Chu Xiuming, ele só pôde sentar-se ao lado da cama. Quando viu a Princesa Rui e as outras entrarem, ela não conseguiu se levantar. A Princesa Rui não se importou e disse:
— Sente-se, não atrapalhe a menina Jin.
Chu Xiuming assentiu, sem falar, pegou o lenço na mão da criada e limpou suavemente a testa de Shen Jin. Ela dormia com um rubor saudável no rosto e suor na testa, se não fosse pela temperatura alta do corpo, ninguém diria que ela estava doente. A Princesa Rui, que acabara de chegar, disse:
— Cuidem bem da menina Jin. Pedi ao príncipe que pedisse licença no Chao Shang.
— Obrigado, sogra — respondeu Chu Xiuming.
A Princesa Rui não falou mais, levando Shen Qi embora. Como ela estava grávida, veio em uma pequena sedan. Depois de sair da Academia Moyun, Shen Qi disse de repente:
— Mãe, não sei por quê, mas sinto que meu cunhado está um pouco assustado.
— Isso é natural — disse a Princesa Rui, olhando para a neve lá fora. — Quando Xuan’er ainda estudava, eu temia que ele fosse para a guerra. Chu Xiuming é uma fera que já viu sangue. Foi o que o Imperador Cheng fez. Inocente, tratava Chu Xiuming como um animal domesticado para controlar à vontade.
— Irmã, é melhor ser precoce — comentou Shen Qi.
A Concubina Rui respondeu que Chu Xiuming ainda estava sensato agora. Se algo acontecesse com Shen Jin... A Princesa Rui soltou um suspiro lento e disse:
— Cuide do seu corpo também, e volte para casa.
— Sim — respondeu Shen Qi, entrando na sedan.
Vendo Chu Xiuming na sala, Concubina Chen não conseguiu persuadi-lo e, sem conseguir intervir, foi para o pequeno templo budista no pátio, rezar para que sua filha fosse segura e feliz.
Madame Zhao perguntou:
— General, quer comer algo?
— Venha aqui — Chu Xiuming entregou o véu para a criada, depois organizou tudo e levou para Shen Jin, dizendo isso.
Madame Zhao concordou. An Ning apressadamente colocou a mesinha diante de Chu Xiuming. Madame Zhao trouxe a comida. Como Shen Jin segurava a mão de Chu Xiuming, ele só podia usar uma mão para se alimentar. Madame Zhao serviu a sopa e colocou diante de Chu Xiuming.
Sentindo o aroma da comida, Shen Jin se mexeu deitada na cama, seus dedos tocaram a mão de Chu Xiuming. Ele parou de pegar os vegetais, largou os hashis e olhou para a cama. Viu Shen Jin fechar os olhos e bocejar, então mexer os lábios, abrir os olhos, claramente sentindo que dormira bem, mas o corpo estava dolorido e cansado. Por um momento, parecia confusa e meio tonta. Olhou para Chu Xiuming, bocejou novamente, soltou a mão dele, esticou os braços para fora do cobertor, esfregou os olhos com o dorso da mão e disse:
— Estou com fome também...
Acabando de acordar, a voz dela ainda estava rouca, suave e arrastada, bocejou sem se conter e piscou para se despertar.
Madame Zhao ficou feliz e rapidamente trouxe água morna. Chu Xiuming segurou Shen Jin com uma mão, ajudou-a a sentar, e com a outra levou um copo aos seus lábios. Shen Jin inclinou a cabeça e bebeu, recostando-se suavemente no corpo de Chu Xiuming, preguiçosa demais para fazer esforço.
Ela olhou para a comida próxima, abraçou o pescoço dele e disse, de forma fofa:
— Estou tão cansada, mas o bebê na minha barriga está com fome, o que eu faço?
Chu Xiuming abaixou a cabeça e beijou a testa ainda quente dela. Shen Jin escondeu o rosto nos braços dele, meio tímida:
— A mãe ainda está aqui.
— Este velho escravo não viu nada — pensou Madame Zhao, feliz por ver Shen Jin acordar. — Vou mandar preparar água para a senhora se limpar e comer.
— Certo — sussurrou Shen Jin, sentindo-se fraca. — Por que você não me acordou?
Chu Xiuming pediu para Anping e An Ning levarem a comida, sentou-se na cama com o cobertor e perguntou:
— Está acordada?
— En — Shen Jin se mexeu, ajustou-se numa posição mais confortável, segurou a mão dele e disse: — Ainda quero dormir, mas acordei pelo cheiro do arroz.
Chu Xiuming pensou que nem ele nem Madame Zhao conseguiram acordar Shen Jin. Se o médico não tivesse dito que era melhor deixá-la dormir mais, ele provavelmente teria acordado ela com água fria há muito tempo. Mas quem diria que Fanxiang a acordaria por conta própria? Realmente surpreendente. Mas, mesmo acordada, quando os soldados bárbaros cercaram a cidade, ela não parecia tão desesperada e ansiosa quanto na noite passada.
— Você está doente — Chu Xiuming disse, vendo que ela só agora se dava conta disso, e passou o queixo no cabelo dela.
— Hã? — A reação dela foi lenta. — Agora entendo por que estou tão cansada, achei que tinha dormido demais.
Chu Xiuming suspirou:
— Sua boba.
— Sou esperta! — retrucou Shen Jin, irritada. — Não pense que pode me maltratar só porque estou doente.
Chu Xiuming sorriu:
— Sua boba, fique boa logo.
Shen Jin segurou a mão dele, abriu a boca e o mordeu duas vezes antes de dizer:
— Sou esperta!
Ele respondeu, e de repente disse:
— Me dê uma filha.
Uma filha tão boba quanto a donzela dele.
— Da próxima vez — pensou Shen Jin um pouco antes de responder. — Já estou lendo livros militares há tanto tempo.
Chu Xiuming parecia um personagem de pintura, com olhos cheios de carinho e ternura, ainda mais fascinante assim:
— Está bem.
An Ning trouxe água quente. Shen Jin não precisou sair da cama e pôs tudo ao lado dela, esperando ser lavada. Sentindo-se doente, Shen Jin ficou um pouco enjoada, mas se apoiou calmamente em Chu Xiuming. Servida em seus braços, parecia uma pequena raposa roubando uvas, com um pouco de orgulho e alegria.
Depois que Shen Jin acordou, An Ping foi avisar Concubina Chen Bian. Chen Biancon chegou apressada e viu a filha sentada na cama, enquanto Chu Xiuming ajoelhava no chão, segurando o pé de Shen Jin com uma mão e calçando com a outra. Shen Jin sorriu ao ver o movimento dos dedos da mãe:
— Mãe.
Concubina Chen sabia que Yong Ningbo sempre mimava a filha, mas não imaginava que fosse tanto assim. Sua tola filha colocava o outro pé na mão de Chu Xiuming como se fosse natural, e movia para apressá-lo a calçar.
Chu Xiuming também viu Concubina Chen e chamou:
— Sogra.
Concubina Chen respirou fundo. Vendo que Madame Zhao e Anping estavam por perto, não disse mais nada. Afinal, elas estavam dispostas.
— Está desconfortável? — perguntou.
— Não — respondeu Shen Jin. Quando Chu Xiuming terminou de calçar, ela se levantou, apoiando uma mão no ombro dele e a outra na cintura.
Madame Zhao ajudou Shen Jin, e Chu Xiuming foi lavar as mãos. Após dois passos, Shen Jin ficou um pouco fraca e franziu a testa. Concubina Chen disse:
— Sente-se depressa.
— En — respondeu Shen Jin. Madame Zhao ajudou-a a sentar em uma cadeira, An Ning colocou uma almofada nas costas para ela se apoiar.
— Mãe, já comeu? Vamos comer juntos? — perguntou Shen Jin.
Concubina Chen estreitou os olhos e disse:
— Não consegui te acordar antes, por que acordou de repente?
Shen Jin fez uma careta:
— Não vou contar.
Concubina Chen acariciou a testa da filha:
— Não sei se devo insistir.
Shen Jin tocou a barriga e perguntou:
— Mãe, vamos jantar juntas?
— Está bem — respondeu Concubina Chen, que, por estar preocupada com a filha doente, não tinha apetite. Mas ao ver Shen Jin acordada, mesmo debilitada, sentiu-se mais tranquila.
Enquanto Concubina Chen respondia, Madame Zhao foi buscar comida. Chu Xiuming caminhou até Shen Jin e lhe serviu um copo d’água. Shen Jin fez uma careta, segurou o copo devagar e tomou a água.
Quando a comida estava pronta, Anping entrou e avisou:
— A concubina, o general e a esposa já podem comer.
A Concubina Chen assentiu. Queria que a criada ajudasse a filha, mas viu Shen Jin sentada numa cadeira, estendendo a mão para Chu Xiuming. Ele se inclinou diretamente e a abraçou; Shen Jin envolveu os braços ao redor dele, olhou para o pescoço da Concubina Chen e disse:
— Mãe, vamos.
Ela não conseguiu dizer o que queria, e Concubina Chen Pian perguntou:
— Já enviou alguém para falar com o príncipe e a concubina?
— Já falei — respondeu Shen Jin.
Concubina Chen assentiu e saiu primeiro. Chu Xiuming carregou Shen Jin e seguiu a Concubina Chen até o salão externo. Depois que ela se sentou, Chu Xiuming colocou Shen Jin na cadeira ao seu lado. Anping serviu uma tigela de sopa de carneiro com nabo para Chen Fangfei e Chu Xiuming, e para Shen Jin uma sopa de açúcar cristalizado com fungo branco.
A sopa de carneiro era muito quente. Embora fosse boa para o corpo no inverno, não era adequada para Shen Jin.
Afinal, ela estava com febre e sem apetite. Depois de alguns goles, naturalmente colocou o resto no prato de Chu Xiuming. Ele não se importava, às vezes também colocava alguns pratos no dela. No meio disso, o médico tinha recomendado que Shen Jin comesse mais.
Quando Concubina Chen olhava para a filha, sentia que agora ela parecia mais viva e alegre. Não era como quando Chu Xiuming estava longe. Embora estivesse feliz todos os dias, ela se mostrava sensata e aflita. Quando acabou a comida, a Concubina Chen disse de repente:
— Voltem para a mansão em Yongning.
— Mãe? — Shen Jin olhou para ela desconfiada.
— Voltem — respondeu a Concubina Chen com um sorriso.
Chu Xiuming percebeu a intenção dela e disse:
— Quando minha esposa terminar o resguardo, eu a levarei de volta.
Concubina Chen assentiu e acrescentou:
— A partir de agora... não importa quem escrever, não volte.
Shen Jin mordeu o lábio e gritou:
— Mãe...
Mas Concubina Chen apenas sorriu:
— Está bem, eu vou descansar. Deixe seu marido cuidar de você.
Shen Jin assentiu, e Chu Xiuming disse:
— Sogra, vou acompanhá-la até a porta.
— Está a apenas dois passos daqui — respondeu a Concubina Chen, balançando a cabeça. Depois, pegou a criada e saiu.
Shen Jin franziu o cenho, coçou a palma da mão de Chu Xiuming e perguntou:
— O que há com a mãe?
Chu Xiuming estendeu a mão e tocou o pescoço dela. Shen Jin encolheu o pescoço e disse:
— Não se meta em confusão.
— A sogra só quer que você seja feliz — disse Chu Xiuming. Desta vez, não a segurou no colo, mas passou os braços em volta da cintura dela e andou devagar pela casa.
Shen Jin pensou por um momento e perguntou:
— Quando vamos voltar para a mansão Yongning Bofu?
Chu Xiuming olhou para ela e respondeu:
— Por que você não quer ficar no Palácio Real?
— Embora minha mãe esteja aqui, ainda quero voltar para a mansão Yongning Bo — disse Shen Jin.
Chu Xiuming morava na mansão Ruiwang para agradá-la. Agora, ao ouvir suas palavras, não via razão para discordar, sem contar que também seria mais conveniente para ele na mansão Yongning Bo.
— Está bem — disse Chu Xiuming. — Esperaremos você melhorar.
Shen Jin assentiu. Afinal, ela se sentia mais tranquila em seu próprio espaço. A princesa Rui estava à frente do Palácio Real, e não havia problema em Shen Jin se acostumar, mas ela não suportava as dificuldades de Chu Xiuming. Como ele não entenderia? Mesmo assim, viu Shen Jin aceitar tudo sem a menor resistência.
— Vai dormir de novo? — Chu Xiuming perguntou, esperando que ela se sentasse antes de tocar a testa dela.
Shen Jin pensou um pouco e respondeu:
— É hora de ler os livros militares para as crianças.
Enquanto falava, fixou os olhos em Chu Xiuming.
Ele ouviu e disse:
— Deite-se, eu lerei para você.
Só então Shen Jin ficou satisfeita e pediu que Anping a ajudasse a se despir. Depois que ela se deitou, Chu Xiuming mandou todos descerem e foi para a cama de chinelos, sem precisar do livro militar. Depois de pensar, começou a falar. Diferente da leitura silenciosa de Shen Jin, o que Chu Xiuming fazia era explicação, contando como uma pequena história, para prender a atenção dela.
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