O celular de Nuan Nuan tocou enquanto ela comia, e a garotinha atendeu com as bochechas cheias.
— É o papai.
Ela engoliu a comida na boca e falou baixinho, olhando para o terceiro irmão com os olhos grandes e úmidos.
— A Nuan Nuan devia voltar.
Gu Mingyu esticou o dedo e cutucou suas bochechas macias. Ele mal tinha comido algumas garfadas e basicamente ficou observando a garotinha comer, principalmente porque ela era tão obediente e carinhosa. Sua aparência feliz e fofa era realmente encantadora.
— Ainda não. Amanhã eu te levo para passear.
Nuan Nuan piscou os olhos, soltou um “oh” suave e então atendeu o telefone.
— Papai~
— Quando você vai voltar, bebê?
Nuan Nuan respondeu com voz infantil:
— Papai, a Nuan Nuan está com o primo, o quarto irmão e o terceiro irmão, a gente está jantando fora, e o terceiro irmão disse que vai levar a Nuan Nuan para passear.
— O quê!!!
A voz de Gu Linmo se elevou de repente, e o celular de Nuan Nuan foi tomado por um dedo esguio de articulações bem definidas.
— Tio.
Ao atender, Gu Mingyu se recostou levemente na cadeira e cruzou as pernas. Alguns faziam esse gesto de forma vulgar, mas nele transparecia nobreza e elegância.
— A Nuan Nuan está comigo. Se o senhor e a tia estiverem ocupados, podem voltar primeiro. É difícil vir até aqui, por que não deixá-la conhecer outros lugares? Se voltarem agora, não terão tempo de levá-la para passear. Seria uma pena. Em dois dias voltaremos para Lincheng, eu volto junto com a Nuan Nuan.
O pai Gu quase saltou de pé.
— Não… não fico tranquilo deixando a Nuan Nuan aí.
Gu Mingyu manteve o sorriso no rosto, mas sua voz revelava uma tristeza de partir o coração.
— Tio, é que o senhor não confia em mim? Embora eu não seja tão maduro e estável quanto meu irmão mais velho, ainda consigo proteger a Nuan Nuan. E eu acabei de voltar e só agora pude vê-la, ainda nem conseguimos conversar direito. Diferente do senhor, que sempre convive com ela, eu não fico muito em casa e vivo viajando para filmar. Talvez no futuro eu nem tenha tempo de cuidar dela como gostaria…
Todos no local: — …
Gu Linmo, do outro lado: — …
Ele respirou fundo e estava prestes a falar, quando sua esposa pegou o celular.
— Mingyu, aqui é sua tia mais velha. Pode levar a Nuan Nuan para passear alguns dias, mas lembre-se de agasalhar bem para não ficar doente, e não fique triste.
A voz de Gu Mingyu pareceu agradavelmente surpresa, quase incrédula.
— Sério? Tia, mas o tio…
Ele parou de falar de repente.
A mãe Gu falou suavemente:
— Está tudo bem, leve sua irmã para brincar. Do lado do seu tio, eu resolvo.
O pai Gu ficou boquiaberto.
— Mas…
— Está decidido. Lembre-se de pedir para a Nuan Nuan fazer uma chamada de vídeo à noite. Vou desligar agora.
Logo depois, ouviu-se o sinal de desligamento.
Os cantos da boca de Gu Mingyu se ergueram, e ele piscou para a Nuan Nuan, que estava atônita ao lado.
— Consegui!
— …Terceiro irmão, você… você se esforçou muito! — a garotinha ficou boquiaberta, sem conseguir fechar a boca por um bom tempo.
Ele estava rindo agora mesmo… como conseguiu dizer coisas tão tristes daquele jeito?
Gu Mingyu devolveu o celular para ela.
— Coisinha.
Bai Mohua estava curioso, mas não ousou comentar em voz alta. Aproximou-se de Gu Mingli e sussurrou:
— Isso é habilidade de imperador do cinema? Seu irmão é realmente incrível!
Gu Mingli ficou sem palavras.
— Desde pequeno ele sempre gostou de atuar, já enganou muita gente.
Depois de comerem, ele assinou a conta, colocou uma máscara e saiu com Nuan Nuan.
— Vamos primeiro para o apartamento. Corri direto das gravações para cá, o terceiro irmão está cansado e quer dormir. A Nuan Nuan pode ficar comigo?
Ele olhou para a irmãzinha com um ar frágil. As olheiras embaixo dos olhos eram bem visíveis — claro, também podia ser porque sua pele era muito clara.
A garotinha segurou o belo rosto dele com as mãos, e ficou cheia de pena ao ver sua expressão cansada.
Nuan Nuan assentiu com força.
— Está bem, terceiro irmão, vá descansar.
Gu Mingli se espreguiçou como um grande leopardo saciado, ocupando quase todo o espaço ao entrar no carro. Inclinou a cabeça e a apoiou preguiçosamente no ombro de Bai Mohua.
— Vou usar seu ombro de travesseiro.
Bai Mohua se sentiu injustiçado, com o peso sobre o ombro. Fez uma expressão de desagrado e empurrou a cabeça dele.
— Sai daí, dá para sentar um pouco mais para o lado?
Gu Mingli fechou os olhos.
— Não. Eu sou grande e você é pequeno, não vai morrer se ficar um pouco espremido. Encosta em mim, minha cabeça está doendo.
Bai Mohua rangeu os dentes. Esse sujeito só via ele como alguém fraco para ser intimidado!
— Então encosta no seu irmão.
— Ele cheira forte demais.
Assim que terminou de falar, levou um tapa. Gu Mingyu semicerrava os olhos e o encarava perigosamente, com um leve sorriso frio.
— Querido irmãozinho, explica o que você quis dizer agora há pouco?
Gu Mingli resmungou:
— Eu só falei a verdade. Não dá para usar menos perfume?
Gu Mingyu soltou um riso irônico, os lábios rosados curvando-se.
— Eu ainda não reclamei do cheiro de suor no seu corpo. Só porque é meu irmão de sangue eu aguento até hoje. Se fosse outro, já teria sido chutado para fora. Você já encheu o carro inteiro com seu fedor, eu tenho que prender a respiração para não passar mal. E ainda vem me dizer que é “másculo”. Quem não sabe, pensa que coloquei uma jaca podre no carro. Pelo menos jaca dá para comer. E você, além de fedorento, serve para quê?
O língua afiada Gu Mingli se arrependeu. Não devia ter falado aquilo. Ele sabia bem como o irmão era venenoso nas palavras, capaz de soltar dez frases cortantes seguidas.
— Irmão… eu errei!
Gu Mingli admitiu a culpa imediatamente. Se fosse briga, jamais se acovardaria, mas discussão? Ninguém da família conseguia vencer esse irmão no debate.
Gu Mingyu ajeitou o tom elegante e nobre, sob os olhos cheios de admiração de Bai Mohua. Tirou o boné e soprou de leve.
— Tem mesmo que abrir a boca?
— Se um dia alguém te der uns tapas, eu vou assistir de camarote.Talvez até ajudasse.
— Sinto muito — disse Gu Mingyu. — Você provavelmente não terá essa chance. Sempre saio com vários seguranças.
Mal terminou de falar, o motorista à frente empalideceu.
— Chefe, estamos sendo seguidos.
A expressão no belo rosto de Gu Mingyu se desfez instantaneamente.
— De novo fãs obcecados?
O motorista confirmou com a cabeça. Gu Mingli zombou:
— Ah, parece que alguém hoje não trouxe segurança.
O agente e o assistente se apressaram:
— Vou chamar os seguranças agora!
A van atrás continuava colada. Assim que eles aceleraram, o carro perseguidor também aumentou a velocidade, quase loucamente.
Nuan Nuan puxou nervosa a roupa do terceiro irmão, o rostinho delicado tomado pelo pânico.
— Terceiro irmão.
Gu Mingyu apertou carinhosamente seus dedinhos finos e macios.
— Não tenha medo. Logo vamos resolver isso.
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