Assim que o carro deles parou, os veículos atrás também frearam, e logo alguns rapazes e moças, com olhares fanáticos, desceram correndo.
— Vídeo. — disse Gu Mingyu ao agente, e desceu do carro junto com o próprio irmão.
Ele não precisava usá-lo em qualquer ocasião.
— Yuyu! Nós somos seus fãs! — uma jovem olhou para Gu Mingyu de forma obcecada, a voz cheia de excitação. — Posso te abraçar?
— Não. — respondeu Gu Mingyu com frieza.
Enquanto a garota congelava no lugar, ele olhou para os outros.
— Ser meu fã está tudo bem, mas, por favor, sigam os ídolos de forma racional.
— Mas a gente queria tanto te ver… — disse outra garota, erguendo-se e olhando para ele com mágoa, como se Gu Mingyu tivesse feito algo para ofendê-la. — Tanta gente gosta de você, e com os seguranças sempre por perto, não conseguimos chegar perto de jeito nenhum. Não queremos fazer isso, mas se não fizermos, como vamos te ver de perto? Como você vai lembrar da gente?
Gu Mingli lançou um olhar frio.
— Então posso pedir que saiam agora?
— Não! — um homem de aparência desagradável se adiantou, encarando Gu Mingyu. — Foi difícil descobrir seu paradeiro e conseguir te seguir. Você não pode deixar que façamos essa viagem em vão. Você tem que nos dar um abraço pelo menos.
— Isso mesmo, Yuyu, a gente se esforçou tanto pra te encontrar.
— Yuyu, somos seus fãs, podemos abraçar e tirar uma foto? Não pedimos muito.
O empresário estava prestes a explodir de raiva. Como podiam existir pessoas tão arrogantes e sem vergonha neste mundo?
Nuan Nuan também estava indignada, o rostinho inflado de tanta raiva. Seus olhos úmidos e grandes encaravam ferozes aquelas pessoas. Estavam provocando seu terceiro irmão, esses canalhas!
Gu Mingyu riu de tanta fúria. Conseguia suportar, afinal era irmão de Gu Mingli, que não tinha exatamente um temperamento calmo.
— Vocês? Meus fãs? — ele cruzou os braços e olhou-os com desprezo. — Não me envergonhem, está bem? Quando foi que eu, Gu Mingyu, admiti que vocês são meus fãs? Com essa aparência deplorável ainda querem me abraçar? Por acaso o rosto de vocês aguenta ser atropelado por um trem ou pilotar uma nave espacial? Os adultos na casa de vocês não ensinaram a se comportar? Perseguir e seguir carros em um lugar cheio de trânsito e pessoas… o que acham que pode acontecer se der errado? Vocês realmente são os peixes que escaparam da rede dos nove anos de ensino obrigatório. Ignoram a lei e vivem num mundo de fantasia, e isso não é nada bonito. Um por um pulando sobre o limite da minha estética e ainda querem me abraçar. Se eu for infectado e ficar feio, devo ir até Nüwa para reclamar? Se não querem ir embora, então não vão. Vamos todos para a delegacia receber uma lição.
Todos ali presentes: "…"
O empresário contraiu a boca e cobriu o rosto. Irmão, você lembra que ainda estamos gravando aqui?… Já os estudantes atingidos por aquela saraivada de sarcasmo sujo ficaram pasmos.
Quando reagiram, encararam Gu Mingyu com descrença.
— Você… como pode fazer isso? Nós somos seus fãs, não sente nenhum medo no coração ao falar assim?
— Por que chamou a polícia! A gente não fez nada de errado!
De repente, o homem repulsivo avançou com a expressão distorcida, correndo direto para Gu Mingyu.
Gu Mingyu deu um passo atrás com calma e elegância, entregando o terreno ao irmão Gu Mingli.
Quando o sujeito estava a menos de meio metro de Gu Mingyu, prestes a achar que iria conseguir, já com um sorriso excitado e deformado no rosto, uma longa perna se estendeu de lado e deu um chute violento. O homem foi arremessado contra a van com um estrondo, sentindo uma dor intensa. Logo em seguida, soltou um grito.
Gu Mingli limpou o ouvido com o dedo mindinho e olhou para eles com expressão preguiçosa e cheia de desprezo.
— Com essa coragem, ainda ousam se dizer fãs malucos?
Os dois irmãos estavam lado a lado: um exalava uma aura selvagem, o outro tinha a postura de um príncipe nobre. Ambos sorriram, mas o efeito foi totalmente diferente. A única semelhança estava no desprezo estampado em seus olhos.
Eles eram como reis.
Quando a polícia chegou, levou embora os fãs enlouquecidos.
Dentro do carro, Gu Mingyu ergueu a mão e pediu ao agente que lhe entregasse o vídeo recém-gravado.
O empresário ficou desconfiado.
— O que você vai fazer? Vamos falar disso depois que eu terminar de editar.
Na postura elegante de Gu Mingyu havia um ar de preguiça. A outra mão se apoiava de forma desleixada no ombro delicado da irmãzinha.
— O áudio foi gravado?
O empresário assentiu.
Gu Mingyu bocejou, preguiçoso.
— Ótimo, então poste direto na internet, sem edição. Eu não fiz nada de rude, e mesmo que meu irmão tenha batido em alguém, foi legítima defesa.
O empresário ficou pálido de choque.
— Você não fez nada ainda! Só o que disse já é suficiente, acredita ou não!
Gu Mingyu piscou, inocente.
— Do que está com medo? Depois que isso for divulgado, se eu der uns tapas em alguém no futuro, posso…
— Não pode! — interrompeu o empresário, com a expressão vazia.
— Que chato. — Gu Mingyu estalou a língua.
Em seguida, encostou o queixo na cabecinha macia e felpuda de Nuan Nuan e a esfregou. A garotinha ficou muito obediente, sem resistir.
"Ah… que sorte ter uma irmãzinha tão dócil."
Embora o vídeo não tenha sido divulgado, Gu Mingyu ainda postou no Weibo:
"Esses bastardos, muito menos meus fãs."
Acompanhou a frase de uma foto mostrando a van perseguindo os carros pelo retrovisor e um emoji de vômito.
Assim que publicou, causou alvoroço imediato. Em menos de um minuto, incontáveis pessoas correram para comentar e compartilhar.
"Meu Deus, meu marido está sendo perseguido por fãs loucos?"
"Sinto tanto por Yuyu, será que ele está bem?"
"Aigoo! Esses fãs loucos correm atrás como cães farejando carniça, que nojo! Quero vomitar, a expressão de Yuyu está perfeita."
"Desgraça pros cachorros! O que um cão gosta, ele protege com lealdade. Isso aí é claramente rato fedorento de esgoto."
"Só quero saber como meu marido está agora, estou tão preocupada. Não entendo por que existem pessoas tão nojentas como esses filhos ilegítimos no fandom. Não é melhor acompanhar o ídolo de longe? Por que precisam atrapalhar a vida deles?"
"Gente assim é distorcida, sem educação e sem consciência da lei."
Gu Mingyu navegou na internet por um tempo. Muitos estavam preocupados e perguntavam se ele estava bem. Com um leve sorriso, ele escolheu um comentário para responder:
"Um fã maluco não é digno de ser fã, sinto muito por Yuyu, espero que esteja bem."
Ele respondeu:
"Estou bem, eles já foram entregues à polícia."
Antes mesmo de a fã reagir, uma multidão de invejosos correu para comentar.
"Ahhh… Jimei, você cultuou carpa da sorte? Que sortuda, Yuyu respondeu você!"
"Não estou nem um pouco com inveja, nem com ciúmes…"
"Meu marido não pode ser vencido, vamos dar essa honrazinha a essa fãzinha humilde."
"Esse é o meu marido, tá?"
"Tudo bem, o importante é que Yuyu não está triste. Gente que ignora a lei será tratada pela polícia. Yuyu, sempre vamos te apoiar."
Nuan Nuan segurava o braço do terceiro irmão com suas mãozinhas brancas e finas, apoiando o queixinho delicado sobre elas. A cabecinha felpuda se inclinava para acompanhar os comentários junto dele.
Os olhos úmidos e claros da garotinha brilhavam de curiosidade. Macia, obediente e grudada, parecia até mais fofa que um gatinho.
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