Capítulo 43
O CALOR DE SEUS BRAÇOS
A noite no campo estava calma e tranquila, pois todos basicamente dormiam antes das sete horas, e toda a vila estava completamente escura à primeira vista. Apenas algumas famílias que dormiam mais tarde tinham uma luz fraca vinda das janelas.
A noite estava densa, os sons de insetos e sapos iam e vinham, formando uma sinfonia única.
Entre essas poucas pessoas que dormiram até mais tarde estavam Jiangang e Xiuyun.
"Vista-se, está ventando à noite." Yang Jiangang pegou seu casaco grande e a ajudou a se vestir. "Vamos ao banheiro e voltamos logo."
Embora Xiuyun tenha murmurado baixinho, ela obedientemente o ajudou, entrando no casado.
"Seja boazinha! Vista-se, para não sentir frio." Yang Jiangang era negligente consigo mesmo, mas cuidava de Xiuyun com delicadeza e meticulosidade.
Ela geralmente vai ao banheiro sozinha. Embora tenha um pouco de medo do escuro, ela se vira bem com uma lanterna.
Hoje, Yang Jiangang tinha voltado para casa e Xiuyun sentiu que ela havia começado a ser mimada. Um pouco de medo se transformou em muito medo, e tudo era culpa dele. Acostumar-se a ele a torna cada vez mais dependente, sem perceber.
Yang Jiangang colocou seu casaco nela. Ela parecia pequena e delicada em seu casaco grande. As mãos dela sumiram nas mangas. Ele abaixou a cabeça dela e dobrou delicadamente as mangas, para que ela pudesse deixar as mãos à mostra.
Yang Jiangang caminhou à frente e apontou a lanterna para que ela enxergasse o caminho. Xiuyun o seguiu dois passos atrás e colocou sua pequena mãozinha na palma da mão dele. Homens machões como Yang Jiangang gostam de tomar a liderança, e mulheres como ela gostam de depender deles. Quanto mais Xiuyun se aproxima dele, mais feliz ele fica. Ele não demonstrava isso no rosto, apertando a mãozinha macia da esposa, mas em seu coração, a beleza borbulhava deliciosa.
Depois de ir ao banheiro, Xiuyun sentiu a barriga roncar e, de repente, ficou com muita fome. Ela havia tomado canja de galinha à noite, que foi digerida muito rápido e desapareceu depois de algumas idas ao banheiro.
“Você está com fome?” Xiuyun perguntou a ele. Ela não queria comer sozinha.
“Mais ou menos.” Ele não achava que estivesse, mas quando ela perguntou, Yang Jiangang sentiu que poderia comer alguma coisa.
“Seu filho também está com fome. Nós três estamos.” Xiuyun deu um tapinha leve na barriga.
“Pergunte ao meu filho o que ele quer comer”, Yang Jiangang concordou.
“Ele quer comer ovos e batatas cozidas, mas amanhã ele quer comer arroz glutinoso.” Xiuyun enumerou com os dedos o que lhe dava apetite.
“Tudo bem, já que meu filho falou, vamos cozinhar ovos e batatas daqui a pouco, comer arroz glutinoso amanhã e colocar um pouco de feijão com açúcar na comida dele, ele com certeza vai adorar.”
Ela quase sentiu o gosto da comida.
"Que tal?", Yang Jiangang a provocou.
Xiuyun quase babou ao ouvir o que ele disse; só de pensar na textura doce e macia do arroz glutinoso, misturado com açúcar, seu estômago se encheu de alegria. Depois de engolir, Xiuyun disse:
"Aceito sua proposta em nome do seu filho."
Yang Jiangang quase riu ao vê-la quase babando, dizendo:
"Me faz companhia na cozinha, enquanto eu cozinho os ovos e as batatas?"
"Sim. Levamos a lanterna e eu fico lá te esperando."
Xiuyun foi para a cozinha com a lanterna atrás dela. Yang Jiangang, naturalmente, não queria que Xiuyun fizesse qualquer coisa, então a fez sentar em um pequeno banco e esperar.
Yang Jiangang acendeu o fogão cuidadosamente e, quando o fogo estava quase pegando, as chamas se apagaram, restando apenas faíscas da lenha, onde ele colocou as batatas e os ovos.
"Certo, espere um pouco. Vou ficar de olho no fogo aqui. Melhor você ir para a cama."
Yang Jiangang fez tudo certinho. A cozinha estava fria naquela noite de outono, e ele temia que sua esposa congelasse.
"Não quero, quero esperar com você."
Ela não queria entrar no quarto sozinha. Depois de ficarem separados por mais de um mês, Xiuyun pensou bastante e não queria se separar dele nem por um instante, então decidiu ficar perto dele.
Ao ouvir que sua esposa não queria voltar para o quarto, Yang Jiangang a abraçou e a aconchegou em seus braços.
Ele estava sentado em frente ao fogão. O fogão tinha acabado de apagar e ainda havia uma chama acesa, para que sua esposa não sentisse frio.
“Não está com frio?” Ele tirou o casaco para envolvê-la.
“No calor dos seus braços eu não sinto frio”, Xiuyun respondeu a ele.
Yang Jiangang a segurou firmemente em seus braços e colocou suas mãos grandes em sua barriga. Desta vez, mãe e bebê estavam em seus braços.
Os ovos cozinham mais rápido que batatas, e o cheiro dos ovos desperta a gula de Xiuyun. Com medo de se queimar, ela esperou.
Yang Jiangang descascou os ovos e deu para ela comer. Era preciso assoprá-los antes de dar para ela comer. Os ovos basicamente entraram no estômago dela, então ela não conseguiu comer as batatas quando ficaram assadas. Ela deu uma mordida e Yang Jiangang comeu o resto.
Talvez seja por causa da gravidez, mas ela tem mais sono do que o normal e quer dormir quando está de barriga cheia.
Yang Jiangang olhou para Xiuyun:
"Você está com sono? Quando eu terminar de limpar, vamos voltar para casa e dormir. Amanhã, vamos acordar cedo para moer o arroz."
Xiuyun assentiu; estava com muito sono e mal conseguia abrir os olhos. Observando-o arrumar ali, seus bracinhos envolveram o peito largo dele pelas costas, abraçando-o com força. Ele continuou se mexendo, então ela o segurou pelas roupas, esfregando a cabeça para encontrar uma posição confortável, fechou os olhos e adormeceu.
Yang Jiangang a abraçou com cuidado e simplesmente recolheu as cascas de ovo e de batata, despejando-as no fogão para queimá-las no dia seguinte. Com o corpo dela nos braços, Yang Jiangang entrou em casa cuidadosamente. Ele não achou-a pesada, mas tinha medo de acordá-la.
…..ooo0ooo…..
Yang Jiangang acordou cedo no dia seguinte.
Não havia arroz glutinoso pronto em casa. Ele se lembrou de que havia um pouco de arroz glutinoso no depósito. Depois de revirar por um longo tempo, encontrou meio saco de arroz glutinoso.
Eles não tinham um moinho de pedra em casa, então Yang Jiangang correu para a brigada carregando esse pouco de arroz. Havia um moinho de pedra na brigada, para uso público. Pessoas que não têm um moinho de pedra em casa moem suas rações aqui.
Quando ele se levantou cedo, havia apenas algumas pequenas chaminés fumegando nesta Vila Huizi. Yang Jiangang queria ir rápido. Quando sua esposa acordasse, ele já teria terminado.
Ele não esperava que alguém houvesse chegado à brigada mais cedo do que ele. A pessoa estava moendo soja. Era um parente da geração de seu pai. Ele ainda tinha algum contato com ele. Deveria ser chamado de Segundo Tio.
O segundo tio o observou se aproximar com um saco de longe e perguntou, enquanto moía os grãos de soja:
"Jiangang, o que você veio moer esta manhã?"
Yang Jiangang respondeu alegremente:
"Segundo tio, vim moer um pouco de arroz glutinoso. Você está fazendo leite de soja? Eu te ajudo a moer."
“Não, já estou quase terminando. Só esse pouquinho? O que você quer fazer em casa? Moer arroz glutinoso de manhã vai demorar um pouco, e você tem que tirar a casca e polir antes de moer. Qual é o propósito de moer esse arroz glutinoso?”
“Ah, eu não tenho nada para fazer esta manhã e não consigo mais dormir. Vou moer e poderei comer algo diferente mais tarde.”
Diante dos mais velhos, Yang Jiangang não podia dizer que era sua esposa quem queria comer. A segunda tia é fofoqueira e ele tem medo de que outros interpretem mal sua esposa; a imagem da nora deve ser preservada.
“Oh, se seu priminho da minha família fosse metade de você, eu ficaria aliviado. Não quer nem saber de trabalhar. Isso já é o suficiente para me deixar com raiva, e ele ainda quer que eu encontre uma esposa para ele."
Vendo que Yang Jiangang era tão capaz, seu segundo tio balançou a cabeça e não pôde deixar de pensar. O filho pródigo de sua família é realmente perigoso em comparação com os outros. Aquele com braços e pernas fortes não é tão bom quanto aquele com pernas e pés fracos.
Os pais podem dizer que seus filhos não são bons, mas Yang Jiangang sabe que não pode dizer nada, então sorriu e ficou quieto.
Logo depois que o leite de soja do segundo tio acabou ele quis deixar um pote para Yang Jiangang. Ele queria recusar, mas pensou que sua esposa poderia estar disposta a beber, então aceitou, lembrando-se de devolver a gentileza mais tarde.
Por causa desse atraso, quando Xiuyun acordou, Yang Jiangang ainda não havia chegado em casa.
Quando ela acordou, estava sozinha em casa. Ela ainda estava um pouco atordoada, pensando que tinha sonhado que Yang Jiangang tinha voltado para casa, e demorou um pouco para acordar até perceber que não era um sonho. Essa ideia se repetia em seu coração, deixando-a um pouco atordoada, e querendo vê-lo, ela calçou os sapatos e foi primeiro à cozinha procurar.
Não havia ninguém lá, então ela foi procurá-lo no quintal.
Ele não estava no quintal.
Xiuyun ficou um pouco preocupada. Por quê ele teria saído esta manhã? Pensando sobre isso, ela não conseguiu imaginar nada que o fizesse sair correndo antes do sol nascer em uma manhã como aquela.
Como não encontrou ninguém, só lhe restou voltar para casa e esperar. Ela ainda estava um pouco sonolenta, mas isso logo passaria. Ela queria saber por que ele tinha saído e não tinha visto ninguém de manhã. Ela ficou aflita por não vê-lo ao acordar de manhã, como uma criança.
Yang Jiangang voltou com arroz glutinoso moído e uma panela de leite de soja. Ele não ousou foi muito rápido, com medo de derramar o leite de soja.
Ao entrar no quintal, ele largou o arroz e levou o leite de soja para dentro de casa, com cuidado, sem sabendo se sua esposa estava acordada ou não.
Assim que entrou no quarto, viu sua esposa sentada lá, com uma expressão de mágoa. Os olhos dela brilharam quando ele entrou, mas seu tom não foi educado:
"Onde você estava? Por que não estava aqui de manhã?"
Yang Jiangang ouviu claramente o que estava por trás da pergunta. Ela se sentiu sozinha e entrou em pânico, sem vê-lo a manhã toda. Ele sabia que ela devida estar assustada quando acordou e não o viu, porque ele havia estado fora por mais de um mês e isso a havia magoado, mas ele tinha trazido o leite de soja para casa para ela.
Yang Jiangang se aproximou, acariciou os cabelos dela e disse suavemente:
"É que uma gatinha gulosa disse que queria comer arroz glutinoso, e a farinha precisava ser moída antes. Levantei-me cedo de propósito para moer arroz para a gatinha gulosa."
Xiuyun ficou um pouco envergonhada. Ela havia esquecido o que disse casualmente na noite anterior, mas ele ainda assim se lembrou e foi moer o arroz de manhã, e ela ainda deu uma bronca nele.
Sabendo que estava errada em culpá-lo, ela umedeceu os lábios e disse suavemente:
"Eu não te vi quando acordei esta manhã. Pensei que estava sonhando quando você voltou. Não queria me irritar. Não consegui te encontrar e fiquei triste."
Ele sabia que a esposa estava arrependida de ter agido como uma criança mimada com ele. Boba, como ele poderia ficar com raiva dela? Ele sorriu e a puxou para seus braços:
"Eu fui humilhado por você, você precisa me compensar..."
“Que compensação você quer?”, Xiuyun perguntou, sem jeito.
Yang Jiangang sussurrou:
“Me beija...”
Ao ouvir isso, Xiuyun corou. Ela mordeu o lábio, sem saber o que dizer.
Yang Jiangang abaixou a cabeça e encostou a testa na dela, com os olhos ardendo.
Xiuyun sussurrou:
“Você quer fazer amor?...”
“O que você acha? Eu disse que só quero um beijo", disse Yang Jiangang, de forma ambígua.
Xiuyun ouviu isso e, assim que ouviu, percebeu que ele queria dizer que ela não era pura em seus pensamentos e estava pensando sobre isso.
Vendo o rosto dela corar, temendo que sua esposa ficasse brava e não o beijasse, ele baixou a cabeça para não se distrair e beijou os lábios macios que tanto desejava saborear.

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