7 - Escrita

 


Capítulo 7

ESCRITA


Apesar da cama dura e da roupa de cama com mau cheiro, Li Man adormeceu assim que se deitou. Dormiu profundamente, quase sem sonhar. Quando acordou no dia seguinte, o sol já estava alto no céu e a luz quente do sol entrava pelas frestas da pequena janela de madeira.

Ela se sentou, olhando para o estado dilapidado do quarto, ainda meio atordoada.

As lembranças dolorosas vieram tardiamente. Na entrada do hospital, ela deu de cara com a sogra e o marido, que acompanhavam uma jovem grávida para uma consulta pré-natal. Ao descobrir que o marido a havia traído com outra mulher, antes mesmo que ela pudesse confrontá-los, a sogra a atacou verbalmente, acusando-a de atrapalhar a felicidade do marido e chamando-a de galinha estéril. Depois, a sogra a empurrou para o meio do trânsito intenso em um cruzamento, quando ninguém estava olhando.

Li Man balançou a cabeça violentamente. As lembranças de seus momentos finais eram tão cruéis que ela não queria mais pensar nelas. Ela sabia que havia transmigrado e ganhado uma nova vida, então deveria recomeçar.

Recuperando o fôlego, Li Man saiu da cama, abriu o guarda-roupa e começou a vasculhá-lo. Havia claramente roupas femininas lá dentro.

Talvez o homem de ontem tenha sido muito descuidado e escolhido a opção errada.

Li Man rapidamente tirou um conjunto de roupas femininas de tecido grosseiro e vestiu-as. Para sua surpresa, elas lhe serviram perfeitamente.

Após dobrar o traje masculino que usara na noite anterior e colocá-lo no grande guarda-roupa, Li Man saiu.

Ao ouvir a porta abrir, Xiao Wuzi, sentado num pequeno banquinho junto à porta, virou-se imediatamente. Ao ver Li Man parada na entrada, levantou-se sem jeito, olhou para ela com expectativa e chamou-a baixinho: "Irmã".

O pátio estava silencioso, então Li Man perguntou: "Você está sozinho?"

Xiao Wuzi também não conseguia entender o que ela estava dizendo, apenas deu um sorriso bobo.

Li Man sorriu, impotente. Olhando para o céu, devia ser meio-dia. A essa hora, todos os adultos da família já deveriam estar trabalhando, certo?

Que bom, isso lhe dá mais tempo para se preparar mentalmente para passar um tempo com eles.

Virando-se, Li Man voltou para o quarto e fez um esforço para levantar a banheira, com a intenção de despejar a água do banho da noite anterior.

Ao ver isso, Xiao Wuzi correu para ajudar.

"Obrigada", disse Li Man educadamente, e junto com a criança, levou a água para o canto do jardim da frente.

Li Man esvaziou a banheira e aproveitou a oportunidade para se familiarizar com o ambiente.

Os três cômodos de tijolos de barro e telhados de palha eram cercados por um muro de barro. O quintal da frente era pequeno, com um pessegueiro junto ao muro, repleto de folhas verdes, com alguns ramos já carregados de frutos. O quintal dos fundos era bem maior, com várias hortas plantadas ao lado das casas. Um pequeno caminho de pedras se estendia da borda das hortas até o pequeno anexo no canto noroeste.

Su Ya caminhou até a beira da pequena horta e observou as poucas fileiras de vegetais, principalmente acelga chinesa, mas eles não estavam crescendo bem, estavam secos e murchos, além de infestados de insetos. Havia também alguns feijões-verdes que já haviam criado trepadeiras, e alguns pepinos pequenos pendiam de uma treliça feita de galhos grossos. Provavelmente estavam com falta de nutrientes e pareciam que nunca iriam crescer.

É óbvio que, embora seja uma pequena horta, provavelmente não recebe os devidos cuidados. Dá para perceber que as sementes foram apenas jogadas ali e a colheita estava à mercê do clima.

Xiao Wuzi não entendia o que a bela irmã mais velha estava olhando. Ele a seguiu silenciosamente, indo aonde quer que ela fosse.

Quando Li Man se levantou, finalmente notou o pequena acompanhante. Na verdade, ela não era muito mais alta que Xiao Wuzi, mas mesmo assim se abaixou como de costume e perguntou gentilmente: "Qual é o seu nome? Você sabe escrever?"

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