— Sinto que sua casa não é muito segura. Melhor eu levar minha priminha e irmos embora!
Bai Mohua puxou Nuan Nuan para se levantar. Embora não soubesse muito da vida, ele ainda tinha consciência de que, normalmente, uma mulher como aquela era amante, e que uma família com dois filhos raramente era tranquila.
Su Ran lançou-lhe um olhar.
— Não. Eu moro aqui com meu avô, e aquele homem com aquela mulher estavam me incomodando, então eu os expulsei.
— !!!
Bai Mohua ficou em choque.
— Você... expulsou seu pai?
Esse garoto deve ser agressivo demais!
Su Ran assentiu, com o tom calmo e um leve sorriso no canto dos lábios.
— Eu sou o próximo herdeiro da família Su. Meu avô já transferiu essa casa para o meu nome. Se eu não quero que eles morem aqui, tenho o direito de mandá-los embora. Eles estavam irritando demais.
— Você acha que fui exagerado? — Ele inclinou levemente a cabeça e os olhou. Seus olhos escuros eram como um poço profundo, impossível ver o fundo. O jovem parecia um pergaminho desenrolado, sentado com postura ereta como um bambu. Cada movimento era agradável aos olhos.
Ele apenas abriu a boca.
Com olhos limpos e claros, Nuan Nuan o encarou e respondeu com uma voz suave:
— Se alguém que eu não gosto roubar as coisas da Nuan Nuan, a Nuan Nuan também ficaria brava.
Mas, para quem ela gostava, entregaria suas coisas espontaneamente.
Bai Mohua assentiu e já não tinha tanta pressa em ir embora. Estava bastante curioso com aquele jovem... não, para ser exato, ainda mais curioso com aquela fofoca esquisita.
Ele olhou curioso para Su Ran.
— E você... vai mesmo deixá-los do lado de fora?
Su Ran balançou a cabeça.
— Claro que não.
Ele não achava que fosse um escândalo ou grande problema. Falava sem muita emoção.
— O vovô disse que essa casa é minha, e eu posso fazer o que quiser, desde que me faça feliz. E como eles viviam me deixando infeliz, expulsá-los foi natural. Se eu não quisesse fazer isso pessoalmente, bastava pedir ao Xingyun para assustá-los.
Nuan Nuan, segurando o queixinho delicado com as mãos, escutava atentamente. Sentada em um banquinho pequeno, parecia um animalzinho fofo e macio. Su Ran, de repente, teve vontade de alimentá-la, assim como fazia com Xingyun.
Só que essa era mais manhosa.
Pensando nisso, ele pegou um pedaço de bolo de osmanthus e o levou até a boquinha da menininha obediente.
— Bolo de osmanthus. É delicioso.
Nuan Nuan piscou os olhos, abriu a boquinha e deu uma mordidinha no bolinho branco como a neve, pontuado com mel de osmanthus. Em seguida, seus olhos lindos e limpos se curvaram de alegria. Quando sorriu, seus olhos brilharam como estrelas.
As bochechas branquinhas da garotinha inflaram enquanto ela comia, e aquilo realmente dava vontade de apertar ou cutucar.
Su Ran encarou aquelas bochechas gordinhas e macias por alguns segundos e, quando Nuan Nuan abriu a boca para uma segunda mordida, seus dedos alvos como jade realmente se estenderam e pressionaram suavemente uma das bochechas. Um traço de surpresa brilhou em seus olhos antes indiferentes.
Tão macia.
Nuan Nuan, que acabara de ser cutucada na bochecha, parou por um instante, mas logo continuou comendo como se nada tivesse acontecido. Em troca de ser alimentada, ela... ela não se importava.
Bai Mohua, observando ao lado, arregalou um pouco os olhos felinos. Como ele teve coragem de fazer isso!
— Não precisa alimentar, minha priminha sabe comer sozinha!
Su Ran assentiu lentamente... e continuou alimentando.
Nuan Nuan sentou-se direitinho, abrindo a boquinha e comendo obedientemente tudo o que ele lhe oferecia. Era como um coelhinho branco e macio.
Bai Mohua: "..."
Ele queria impedir, mas suas mãos começaram a coçar ao ver a priminha comendo daquele jeito mole e fofo. Então também pegou um pedacinho de bolo e alimentou-a.
A menininha comeu de novo, abrindo a boca rosada e tenra e mordiscando o bolinho. Depois ficou com sede. Seus olhos úmidos olharam para o bule, e antes que pudesse se servir, uma bela mão girou o bule e lentamente lhe serviu uma xícara de chá perfumado.
Segurando a xícara quente, Nuan Nuan agradeceu baixinho:
— Obrigada, Irmão Su Ran.
Com aquela obediência fofa, Su Ran suspirou em silêncio.
"Será que você não pode mudar e virar minha irmã? Se não puder, será que eu posso te manter comigo…?"
Claro, isso foi só o que ele pensou. Nem precisava mencionar outras pessoas — o rapaz ao lado de Nuan Nuan com certeza não permitiria.
— Olha só...
Uma voz idosa ecoou do lado de fora. Su Ran se levantou e abriu a cortina de bambu do pequeno pavilhão. Um senhor vigoroso, usando um traje tradicional chinês (Tangzhuang), entrou.
Ele olhou com certa surpresa para os dois jovens e para seu neto dentro do pavilhão.
— É raro você receber visitas aqui, hahaha...
O velho tinha a barba branca, corpo alto e postura ereta. O semblante era bondoso e o sorriso aberto, transmitindo simpatia.
— Vovô Su! — Bai Mohua se levantou e o cumprimentou com respeito. Ele não conhecia muito Su Ran, mas o velho à sua frente, sim.
— Você é... da família Bai? Como cresceu rápido!
Apesar de as famílias não morarem longe, era raro ver os jovens, pois todos estudavam e viviam nas escolas.
— Hehe... Vovô Su, o senhor ainda lembra de mim! Essa é minha priminha.
Nuan Nuan olhou para o velho com olhos preto-e-branco límpidos e o cumprimentou educadamente.
— Olá, Vovô Su.
Se o primo chamava assim, ela também devia chamar.
O velho acariciou a barba com uma das mãos, olhou para Nuan Nuan e assentiu gentilmente.
— Nunca a vi antes. Mas essa menininha parece familiar...
Após pensar um pouco, ele de repente parou.
— Qual a sua relação com Qingqian?
Sim, essa menina parecia muito com alguém da família Qin. Já fazia tanto tempo...
— Ela era minha vovó.
Nuan Nuan respondeu com voz de criança. Ela lembrava do nome da avó pelas conversas da mãe e do avô.
O velho se iluminou de alegria.
— Ah, é mesmo! Esqueci que a garota da família Bai se casou com a família Gu, de Lincheng. Quando Qingqian se casou com o velho da família Gu, a gente vivia batendo nele.
Ele até riu ao contar.
Nuan Nuan: "..."
Bai Mohua: "..."
Era mesmo apropriado contar isso na frente da neta dele?
— Vamos, vamos... Está frio aqui. Venham para a casa do Vovô Su descansar um pouco.
Enquanto falava, aproximou-se e segurou a mãozinha de Nuan Nuan, como se fosse sua própria neta.
— Quando você nasceu, seu avô deve ter ficado tão feliz! Quando ele começou a cortejar sua avó, foi de forma tão determinada! Sua avó tinha dois irmãos mais velhos e era criada como uma joia pela família. Como aqueles irmãos iam deixá-la sair de casa assim?
— Ah, lembro que seu avô foi tão insistente que seus tios… eles viviam arrumando encrenca com ele na escola!
O velho contou sobre o passado com olhos cheios de saudade.
— Os dois tios da sua avó e eu éramos bons amigos, e eu e a própria Qingqian também. Eles tratavam a irmã como um tesouro, mas fizeram de tudo para atrapalhar seu avô.
Nuan Nuan o acompanhava com passinhos miúdos.
— Mesmo assim, vovô conseguiu se casar com a vovó. Vovô é incrível.
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