96 Lua de Outono

O ar de outono tornava-se cada vez mais frio, e folhas caídas cobriam os degraus de pedra do pequeno pátio.

Dentro dos aposentos do Wenjun Wangfu [Residência do Príncipe Wenjun], uma luz amarela e difusa escapava pelas frestas da janela.

Fang Zi usava uma tesoura de prata para aparar o pavio da lâmpada sobre a mesa antes de fechar a porta silenciosamente e se retirar. No quarto, restavam apenas sombras, suavizadas pela luz da vela.

Pei Yunshu sentava-se à cabeceira, balançando suavemente o berço ao lado. A bebê dentro dormia profundamente. Não havia passado nem meio mês, e os traços antes enrugados já começavam a se suavizar, sua pele adquirindo uma tonalidade clara e cheia. Exceto pelo tamanho particularmente pequeno, não havia vestígio do nascimento prematuro.

Pei Yunshu sorriu. — Olhe para ela… dormindo como um gatinho. Não acha que o nariz e a boca dela se parecem mais comigo?

O jovem, que enchia o aquecedor de água quente, soltou um risinho. — Isso não seria uma boa coisa, não é? — Ele inclinou a cabeça, examinando atentamente a bebê no berço. — De fato, ela não tem a menor semelhança com o pai.

Pei Yunshu lançou-lhe um olhar brincalhão antes de voltar a atenção para a criança adormecida. Quanto mais olhava, mais encantada ficava. — Aquele dia, quando induziram o parto, não conseguia parar de me preocupar… e se ela fosse fraca demais para sobreviver? Mas agora, vendo-a, sinto-me aliviada.

Nos últimos dias, vários médicos imperiais haviam examinado a criança. Todos asseguraram que a bebê estava em excelente saúde. Tinha bom apetite e dormia bem. Quanto aos efeitos residuais do veneno Xiao’er Chou, embora não completamente eliminados, Lu Tong havia declarado que a vida dela não corria mais perigo.

Pensando em Lu Tong, Pei Yunshu falou de repente. — A Ying, devemos muito à Doutora Lu por isso. Ela é a salvadora da Baozhu. Estava pensando… quando Baozhu completar um mês, deveríamos convidá-la para a residência. Ela partiu tão apressadamente da última vez que nem tive a chance de agradecê-la devidamente.

Pei Yunying riu. — Boa ideia. — Entregou o aquecedor cheio a Pei Yunshu.

Ela pegou-o e o segurou nas mãos. O clima estava ficando mais frio, e as noites já começavam a ser geladas. Lu Tong proibira camadas e mais camadas de cobertores no período pós-parto, mas as amas insistiam que uma mulher recém-parida não podia se resfriar. Depois de muita discussão, chegaram a um acordo: sem braseiros no quarto, mas também sem necessidade de empilhar três camadas de edredons.

— Jiejie [Irmã mais velha].

Pei Yunying falou de repente.

— O que foi?

Ele não respondeu de imediato. Sentado à mesa, parecia perdido em pensamentos. Após um breve silêncio, finalmente perguntou: — Você quer deixar o Wenjun Wangfu?

Pei Yunshu congelou.

Era como se um tabu silencioso tivesse sido pronunciado em voz alta, mergulhando o quarto em silêncio.

Nos últimos dias, Wenjun Wang Mu Sheng não havia aparecido.

No começo, os guardas pessoais de Pei Yunying haviam bloqueado o pátio de Pei Yunshu. Mu Sheng havia enfurecido-se por dias, ameaçando invadir o palácio e exigir que o imperador punisse Pei Yunying por sua audácia. Mas, fosse o que Pei Yunying dissesse ao imperador, Mu Sheng nunca recebeu o decreto imperial que aguardava.

Após retornar à residência, Mu Sheng simplesmente deixou de ir aos aposentos de Pei Yunshu.

Por um lado, ela havia dado à luz uma filha, algo de pouca importância aos olhos dele. Por outro, ele queria usar isso como meio de despejar sua raiva sobre ela.

Ele não podia fazer nada contra Pei Yunying, mas podia ignorar Pei Yunshu. Logo, toda a residência sabia que, desde que a princesa consorte dera à luz uma filha, o príncipe não havia pisado uma única vez em seu pátio. Pei Yunshu, naturalmente reservada, apenas engolia suas mágoas em silêncio.

A humilhação que Mu Sheng sofrera nas mãos de Pei Yunying—ele descontaria em Pei Yunshu dez vezes mais. Esse era simplesmente o seu modo.

O vento lá fora estava amargamente frio, fazendo as chamas das velas vacilarem. O sorriso de Pei Yunshu desapareceu, e seu olhar perdeu o brilho.

Pei Yunying sentou-se à pequena mesa, ajustando distraidamente o pavio da lâmpada.

— Mesmo que não seja por você, não deveria pensar na Baozhu? — Seu olhar pousou no berço, demorando-se no pequeno pacotinho que se assemelhava a um gatinho. — Quer que ela cresça sob constantes ameaças e perigos ocultos?

Pei Yunshu estremeceu.

Desde que se casara com o Wenjun Wangfu, ela nunca se importara com a negligência ou humilhação de Mu Sheng. Afinal, ele não ousaria cortar os laços com a família Pei, e Zhaoning Gong [Duque Zhaoning] não se preocuparia com suas alegrias ou tristezas. Enquanto permanecesse Wenjun Wangfei [Princesa Consorte de Wenjun], isso bastava. Ela se resignara a esse destino, vivendo o mesmo dia repetidamente por anos.

Mas depois de ter Baozhu, as coisas eram diferentes.

Mesmo antes de nascer, Baozhu já sofrera com a malícia do mundo. Teria que suportá-la pelo resto da vida?

Que crueldade.

Pei Yunshu baixou a cabeça, olhando para a criança no berço. Ondulações surgiam em seus olhos enquanto murmurava: — Ele não vai me dar um xiushu [carta de divórcio].

Mu Sheng era alguém que prezava acima de tudo o próprio orgulho. Tendo perdido sua concubina favorita para Pei Yunying e ficado envergonhado diante dos criados, devia nutrir uma raiva ardente—uma raiva que não deixaria passar facilmente. Não pisaria nela, nem atacaria. Em vez disso, a negligenciaria, deixando-a definhar no Wenjun Wangfu [Residência do Príncipe Wenjun], afundando lentamente em um lago de águas paradas e sem vida.

— Xiushu? —

Pei Yunying deu uma risada suave, seus olhos frios como neve derretida. — Quem dera.

Pei Yunshu ficou momentaneamente atônita.

— Quero que ele a despache pessoalmente e com respeito, sem ousar proferir uma única palavra contra você.

Suas sobrancelhas se franziram levemente, uma vaga inquietação surgindo. — O que você está planejando? Não aja precipitadamente. — Hesitou por um momento. — Além disso, pai—

Entre famílias nobres, alianças matrimoniais muitas vezes tinham menos importância do que pareciam. Se deixasse o Wenjun Wangfu, a relação entre as famílias Pei e Mu precisaria ser reavaliada.

— Que diferença isso faz para você? Deixe comigo.

Ele se levantou e caminhou até o berço, estendendo a mão para tocar a bochecha arredondada da bebê. Sentindo seu toque, a criança murmurou suavemente. Ele recolheu a mão e olhou para a pequena criatura no berço, os lábios curvando-se em um sorriso.

— Tudo o que você precisa fazer é preparar os convites para o banquete do primeiro mês. Apenas um lembrete: a Doutora Lu está sempre ocupada e não gosta de lidar com a nobreza. Ela pode nem comparecer.

Suas pestanas baixaram levemente, ocultando a tempestade que crescia em seus olhos. Ele apenas sorriu e disse: — É melhor enviar o convite cedo.


Xingyusi [prisão judicial]

A prisão estava estranhamente silenciosa à noite.

Tochas queimavam silenciosamente nas paredes, projetando sombras tortuosas pelo chão. Quanto mais se adentrava, mais escuro ficava, com apenas uma fraca luz da lua penetrando pelas janelas gradeadas, espalhando uma camada de geada fria sobre o piso.

No monte de palha, um homem se encolhia, roupas esfarrapadas, cabelo embaraçado e sujo. Suas mãos enterradas profundamente na palha úmida tentavam, em vão, resistir ao frio cortante da noite.

Toc. Toc. Toc.

Passos ecoaram pelo silêncio, assustadoramente distintos na quietude da prisão.

Fan Zhenglian mexeu-se levemente, mas não abriu os olhos. Àquela hora, provavelmente eram apenas os guardas fazendo a ronda.

Ainda assim, os passos pararam em frente à sua cela.

Então, soou o suave tilintar do metal—alguém estava destrancando a porta.

Fan Zhenglian sentou-se lentamente, semicerrando os olhos contra a luz tênue da tocha. Um guarda da prisão estava diante dele, virando-se para fechar a porta de ferro atrás de si.

Aquele homem era desconhecido.

Não era o bastardo arrogante que normalmente patrulhava sua cela.

Fan Zhenglian franziu o cenho confuso, até perceber o guarda olhando para ele e chamando em voz baixa:

— Fan Daren [Senhor Fan]?

Um tremor percorreu seu corpo. Ele se ergueu de um só impulso, respondendo com hesitação: — Você vem da propriedade da família Qi?

O guarda da prisão assentiu.

O coração de Fan Zhenglian saltou de alegria.

Desde seu último encontro com Qi Chuan, ele esperava desesperadamente naquela cela.

Para Taishi Fu [Residência do Grande Preceptor], a família Lu era tão insignificante quanto formigas. No entanto, Qi Taishi [Grande Preceptor Qi] valorizava profundamente seus filhos e jamais permitiria que algo manchasse a reputação de seu filho. Fan Zhenglian havia oferecido a família Lu como isca, sabendo que, mesmo que a Residência do Grande Preceptor não interviesse pessoalmente para salvá-lo, eles não permaneceriam inertes.

Era nisso que ele havia contado.

Ainda assim, dias se passaram sem notícias de Qi Chuan.

Fan Zhenglian começou a ficar ansioso, sem saber se Qi Chuan falhara em entregar a mensagem ou se a Residência do Grande Preceptor simplesmente decidira que ele não merecia atenção.

À medida que os dias se arrastavam, a esperança diminuía, a desesperança se insinuava.

Mas, naquela noite—finalmente, alguém havia chegado.

Ele havia vencido sua aposta.

O céu ainda estava a seu favor.

— Minha mais profunda gratidão, Daren, por sua ajuda. — Curvou-se apressadamente, o coração batendo acelerado entre excitação e confusão.

Ele havia apenas instruído Qi Chuan a entregar a mensagem—um simples fio de isca. Esperava que a Residência do Grande Preceptor acabasse intervindo, mas não tão cedo, e certamente não enviando alguém diretamente.

Ele reprimiu suas dúvidas e perguntou ao homem à sua frente: — Daren trouxe alguma mensagem para mim?

O guarda da prisão balançou a cabeça.

— Então isso é…

— Shh—

O homem fez um gesto de silêncio, e Fan Zhenglian imediatamente conteve a língua.

Devido à complexidade do caso, ele havia sido colocado na cela mais interna do Xingyusi [Prisão Judiciária], sem outros prisioneiros por perto. O guarda lhe lançou um olhar, sinalizando que avançasse.

Era isso… uma fuga da prisão?

Fan Zhenglian hesitou.

O que ele esperava era que Taishi Fu [Residência do Grande Preceptor] interviesse. Com a influência de Qi Taishi [Grande Preceptor Qi] na corte, algumas palavras ao Imperador poderiam mudar o rumo do caso. No entanto, em vez de agir dentro do sistema, estavam tirando-o diretamente do Xingyusi. Embora isso salvasse sua vida, significava que ele nunca mais poderia caminhar à vista de todos—muito menos buscar uma revanche.

Fan Zhenglian relutava em aceitar aquele desfecho, mas não tinha poder para resistir.

Engoliu suas palavras e avançou em direção à porta da cela. O luar seguia atrás dele, projetando sombras afiadas no chão. Deu dois passos antes que um pressentimento o tomasse.

Algo não estava certo.

Se Taishi Fu realmente pretendia salvá-lo, por que enviariam alguém pessoalmente? Este caso era demasiado importante—olhos incontáveis observavam. No momento em que saísse da cela, toda a cidade se viraria de cabeça para baixo em uma caçada. Será que Taishi Fu realmente arriscaria isso?

Seu peito se apertou. Antes que pudesse se virar, uma dor aguda explodiu em seu pescoço—

Uma grossa corda de cânhamo apertou-se ao redor de sua garganta!

— Nã—

Sua voz desapareceu na escuridão da prisão. Ele arranhou desesperadamente a corda, chutando descontroladamente, lutando contra o aperto sufocante. Mas sua força era ínfima em comparação.

Ele não conseguia nem ver o rosto do agressor.

Lágrimas de pavor inundaram seus olhos. Não entendia o que havia dado errado. Ele havia levado a carta da família Lu—Taishi Fu poderia ter se recusado a ajudá-lo, mas a carta ainda não fora exposta. Por que o silenciariam tão precipitadamente? Não temiam que a carta já tivesse sido espalhada?

A corda apertou-se ainda mais.

O ar escapava.

Lágrimas escorriam por seu rosto. Ele queria implorar, gritar, acordar alguém—qualquer um—na prisão. Mas nenhum som veio. Apenas a desesperadora sensação da vida escorrendo entre seus dedos.

Ele se arrependeu.

Nunca deveria ter se envolvido com Taishi Fu. Nunca deveria ter pegado aquela carta. Não—nunca deveria ter deixado a ganância consumi-lo quando aquele garoto Lu o encontrou, nunca deveria ter alertado a família Qi. E quando as acusações surgiram, jamais deveria ter jogado aquele garoto em uma cela, jamais deveria tê-lo torturado à beira da morte.

Aquele garoto. Aquele garoto Lu.

Qual era o nome dele?

Enquanto sua consciência se esvaía, sua visão se turvou.

Através da escuridão, ele o viu.

Um jovem, vestido com roupas gastas, sua graça natural ainda brilhando. Seus olhos ardendo de fúria, como chamas inflamadas pela injustiça.

Naquele dia, o garoto havia parado sua liteira, colocando uma a uma as evidências diante dele. Viera de um pequeno condado distante, atravessando rios e montanhas, para ajoelhar-se a seus pés e suplicar:

— Daren, por favor, faça justiça à minha irmã!

Naquele momento, Fan Zhenglian estava a caminho de um banquete, impaciente para se livrar do incômodo. Mas, ao ouvir as palavras Taishi Fu, parou.

Taishi Fu…

Era uma conexão com a qual só se poderia sonhar.

Era uma oportunidade. Se jogasse corretamente, seu caminho profissional se abriria amplamente.

Ele havia calculado os benefícios, mas não havia visto as lágrimas do garoto, não havia notado a indignação ardente em seu olhar.

Uma reputação arruinada? A morte de uma mulher? A família de um simples professor?

Do que tanto se falava?

Um plebeu enfrentando os poderosos—como poderia esperar qualquer coisa além da ruína? Fan Zhenglian observou a postura ereta do garoto e pensou: Mais um estudioso tolo, ingênuo demais para entender os caminhos do mundo.

E assim, ajudara-o a se levantar com falsa gentileza, prometendo de forma ostensiva:

— Crimes tão ultrajantes! Fique tranquilo, verei que o nome de sua irmã seja limpo.

Em seguida, virou-se e reportou o caso a Taishi Fu.

O garoto fora astuto. De algum modo, havia percebido a traição e escapado bem debaixo do nariz de Fan Zhenglian.

Mas ele já havia prometido uma resposta a Qi Gongzi [Jovem Mestre Qi].

Não havia volta.

Então, emitiu uma recompensa.

E o destino, ao que parecia, sorrira para ele—pois, no fim, o garoto fora capturado.

O tio do garoto o devolveu novamente.

Tudo por meros cem taéis de prata.

Ao olhar para o jovem inconsciente, Fan Zhenglian viu um tesouro perdido retornando a ele. Satisfação encheu seu peito. Viu? Plebeus são assim—dê-lhes um pouco de incentivo, e trairão sua própria carne e sangue, trairão seus mais próximos. Não há nada que não façam.

Mandou o garoto Lu de volta à prisão. Mal lembrava mais de sua aparência. Para ele, o garoto não passava de um degrau em sua carreira oficial, um símbolo de lealdade a Taishi Fu [Residência do Grande Preceptor]—uma erva daninha, uma formiga, uma existência sem valor. Nunca considerara pessoas tão humildes dignas de atenção. Mesmo que toda a família Lu morresse, seriam apenas algumas vidas insignificantes.

Nunca poderiam provocar uma tempestade.

Se quisesse, poderia fazê-los sofrer com o simples estalar de um dedo.

E, ainda assim, em seus últimos momentos, ele viu a figura do garoto com clareza surpreendente.

O jovem estava diante dele na cela escura, suas roupas esfarrapadas incapazes de ocultar sua graça natural.

Fan Zhenglian sempre desprezara os estudiosos. Odiava sua arrogância, sua autoimportância e, acima de tudo, a forma como tornavam sua própria corrupção escancarada em contraste.

O garoto estava prestes a ser executado, mas mesmo com a morte à espreita, não demonstrava medo algum. Limitou-se a declarar:

— O céu é imparcial. O karma nunca falha. Esta prisão injusta verá a verdade um dia.

Então, olhou diretamente para Fan Zhenglian, desprezo indisfarçado em seu olhar.

— Fan Zhenglian, você enfrentará a retribuição.

Você enfrentará a retribuição.

A boca de Fan Zhenglian abriu-se, enquanto suas mãos tentavam, inutilmente, agarrar o ar.

Crack—

Um leve estalo.

Em seguida, um baque surdo—algo pesado caiu no chão, levantando uma pequena nuvem de poeira.

Passos agitaram a palha seca.

O silêncio retomou a masmorra.

O único resto era um corpo sem vida espalhado no chão, vestido com trajes prisionais e acorrentado em ferros. A cabeça jazia em ângulo estranho, olhos arregalados, encarando a janela gradeada da cela.

A pálida sombra da lua refletia-se naquelas pupilas mortas e vazias.

E à medida que a luz da lua penetrava por aqueles olhos mortos, atravessando as ruas movimentadas de Shengjing, parte de sua estranha quietude se dissipava.

Na Estalagem Renhe, a noite era animada.

O restaurante estava lotado, o ar preenchido por conversas ruidosas. Du Changqing chamou todos para seus lugares e suspirou ao olhar para a mesa cheia de pratos.

Um banquete de Meio-Outono, adiado até setembro.

Ainda assim, mesmo sem a lua para se admirar, a comida permanecia—não seria desperdiçada.

Na mesa ao lado, os comensais discutiam o recente caso de fraude no exame imperial. Falavam do estudioso lendário que retornara da morte, dos estranhos rumores envolvendo Taishi Fu e, finalmente, do outrora estimado, agora preso, Xiangduan Guan [Adjudicador Sênior].

— Aquele Fan Zhenglian estava no auge em Shengjing na época. Em poucos anos, subiu ao cargo de Shenxingyuan Xiangduan Guan [Adjudicador Sênior do Tribunal Criminal]. Eu pensei que a carreira dele só cresceria, mas quem poderia imaginar—

— Bem, como dizem, fortuna e posição são tão instáveis quanto dados rolando. Os ventos mudam, e tudo se transforma!

— Exatamente! Você pensa que subir na hierarquia é apenas questão de subir degraus? Um passo em falso, e você cai até a morte sem nem saber como aconteceu!

A fervorosa discussão atravessava a sala, chegando aos ouvidos de Lu Tong. Ela escutava em silêncio, a expressão calma, mas o olhar levemente sombrio.

Tinha espalhado rumores perto da residência de Qi Chuan, afirmando que a corte planejava reabrir a investigação sobre o caso de fraude no exame. A consciência pesada faria Qi Chuan procurar uma saída. E o caminho mais seguro, a solução mais confiável—

Era silenciar Fan Zhenglian para sempre.

Ela queria usar Qi Chuan para matar, mas descobriu que Qi Chuan tinha a mesma ideia.

O que não esperava era que ele também espalhasse rumores sobre Taishi Fu.

Que interessante.

Não importava como a Residência do Grande Preceptor se sentisse sobre o assunto, a família Qi, cuja reputação fora “manchada”, jamais deixaria Fan Zhenglian escapar. Seu destino já estava selado.

Fan Zhenglian usara dinheiro de recompensa para seduzir Liu Kun, levando à traição de Lu Qian por sua própria família. Agora, ela seduzia Qi Chuan com lucro, fazendo-o trair seu próprio superior.

Fan Zhenglian sacrificara a vida da família Lu para garantir sua lealdade a Taishi Fu. Por sua vez, ela atraiu Qi Chuan para oferecer a vida de Fan Zhenglian como seu próprio token de fidelidade—para outro mestre.

Fan Zhenglian jogara Lu Qian na prisão, forçando-o a sofrer atrás das grades. Agora, ela se certificava de que Fan Zhenglian apodrecesse em uma cela ele próprio.

Antes do caso de fraude no exame, Lu Tong encontrara-se com Liu Kun e soubera dos crimes que Fan Zhenglian cometera contra a família Lu. Yin Zheng perguntara:

— Senhorita, o que pretende? Vai envenená-lo e tirar-lhe a vida?

Na época, Lu Tong respondera:

— Ele é um oficial—matá-lo seria complicado demais. Tenho outros planos.

Ela nunca pretendia agir diretamente. Se simplesmente matasse Fan Zhenglian, ele morreria como um oficial limpo e justo—quem sabe, até o povo poderia lamentar sua morte.

Fan Zhenglian desejava subir na carreira, então ela se certificou de que sua trajetória fosse interrompida. Ele cobiçava prestígio e honra, então ela garantiu que ele fosse completamente desonrado, abandonado por todos.

Ela queria que tudo pelo que ele havia trabalhado incansavelmente desmoronasse em nada. Ela queria que as próprias pessoas a quem ele jurara lealdade—

O levassem pessoalmente à sua perdição.

Para Fan Zhenglian, a vida da família Lu era tão insignificante quanto ervas daninhas.

Então, ela faria com que ele entendesse que, aos olhos de quem estava acima dele—

Ele não passava de uma erva daninha.

Du Changqing resmungou:

— Um banquete de Meio-Outono perfeito, e agora a lua nem está cheia. A comida perdeu o sabor—que desperdício.

Lu Tong virou-se para olhar pela janela.

— É mesmo?

Du Changqing:

— Não é?!

O décimo quinto dia já havia passado. A lua não estava mais redonda e luminosa como antes. Agora, parecia uma guilhotina fina e afiada, prateada, pendendo no céu—pronta para cortar as injustiças do mundo.

Ao redor, o restaurante fervilhava de vida. Os convidados brindavam e bebiam, celebrando algum evento alegre desconhecido.

Lu Tong baixou o olhar. A lua distante afundava no céu, seu reflexo ondulando na taça de vinho.

— Acho que a lua de hoje à noite está ainda mais bonita.

Ela ergueu a taça, sorrindo ao beber o vinho.


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