Capítulo 3
Três figuras emergiram, todas vestidas com túnicas amarelas com detalhes verdes. Entre elas estava uma discípula—a que havia atacado primeiro com o talismã.
São discípulos do Clã Wen?
Impossível. De acordo com a história original, eles deveriam estar realizando um leilão no Pavilhão da Lua Mascarada agora. Além disso, aqueles dois discípulos morreram sem um som, sem sequer ter a chance de alertar seus companheiros. De jeito nenhum eles poderiam ter chegado tão rápido.
A luz da fogueira iluminou seus rostos. A mulher era alta, com duas fitas de seda esvoaçando em sua coroa de cabelo, dando-lhe uma aparência etérea na brisa da noite. Quando ela viu bem o rosto de Bai Li, ergueu uma sobrancelha em surpresa. “Hã? Eu pensei que fossem duas pessoas. Acontece que é só um peixe solitário.”
Os outros dois eram cultivadores homens na casa dos vinte e poucos anos. Um deles se adiantou ansiosamente, dizendo: "Irmã Sênior, não precisa de palavras. Apenas mate esse remanescente. O Irmão Mais Velho está nos esperando."
Que remanescente? Ela era uma vítima inocente! Bai Li explicou apressadamente: "Vocês devem estar enganados! Eu não tenho nada a ver com o Clã Wen!"
"Mentiras! Se você não é um remanescente do Clã Wen, por que está segurando a espada deles?"
Você é burra? Isso é para autodefesa!
Mas a discípula ignorou seus protestos, seus olhos transbordando de intenção assassina. "Mate-a!"
A discípula que parecia a mais impaciente se adiantou primeiro, claramente ansiosa para reivindicar o crédito. No entanto, o outro não ia ficar para trás. Os dois colidiram com um baque alto, tropeçando desajeitadamente em direções opostas.
Bai Li: "..." Esses vilões não parecem muito inteligentes.
A discípula cobriu o rosto com exasperação. "Tanto faz, eu mesma farei isso."
A mente de Bai Li disparou. De repente, ela olhou para além deles, seus olhos se iluminando. "Finalmente chegaram!"
Os três empalideceram, virando-se em uníssono—apenas para ver uma vasta extensão de noite, desprovida de qualquer vestígio de outra pessoa.
Quando perceberam que haviam sido enganados, Bai Li já havia partido há muito tempo.
A discípula foi a primeira a reagir, perseguindo-a com um rosnado baixo. "Fomos enganados! Atrás dela!"
O vento uivava nos ouvidos de Bai Li enquanto ela corria, seus pés tropeçando em rochas irregulares que ameaçavam torcer seus tornozelos a qualquer momento. Seus pulmões queimavam com o ar frio da noite, seus olhos ardiam e suas pernas estavam dormentes de tanto correr. Talismãs e brilhos de espadas passaram por ela, cortando inúmeros rasgos em suas roupas. Então, sem aviso, ela tropeçou em uma pedra e caiu com força, raspando os joelhos.
Uma rajada de vento gelado surgiu, carregando consigo uma intenção assassina que pairava sobre ela. Bai Li não teve tempo de se esquivar—só agora lembrando da espada que segurava em seus braços.
Mas ela não sabia como empunhá-la.
As chamas se aproximaram.
Sem escolha.
Ela não podia morrer em um lugar tão brutal. Pelo menos... pelo menos que ela encontrasse a pessoa que deveria conquistar.
Bai Li agarrou a espada com as duas mãos, segurando-a como uma pessoa analfabeta segurando desajeitadamente um pincel—uma postura tão amadora que arrancou um sorriso frio da discípula.
Clang!
A espada colidiu contra o talismã, faíscas irrompendo como uma chuva deslumbrante de prata e ouro. A energia da espada dominou o talismã, reduzindo-o a um pedaço de papel inútil que esvoaçou sem vida no chão.
Ela... ela conseguiu?
Ela mal teve tempo de pensar antes de cambalear para se levantar. A discípula, furiosa com sua tentativa fracassada, já havia se posicionado à frente, suas fitas esvoaçando ao vento, suas vestes se agitando enquanto ela erguia a manga com intenção mortal.
"Remanescente, você acha que pode escapar?"
Bai Li se chocou contra o tronco de uma árvore.
Dói.
Sua cabeça girou, sua visão embaçou e sua firmeza na espada vacilou. A discípula avançou, seus dedos finos brilhando com a luz fria do luar. Bai Li fechou os olhos com força, relutante em testemunhar o golpe final.
"Irmã Sênior, cuidado!"
Um grito dilacerante rasgou o ar. O vento parou, a escuridão engolindo tudo como se uma mão invisível tivesse puxado o céu para baixo, enviando estrelas em cascata como chuva. O silêncio envolveu a cena como um vórtice.
"Não é assim que se segura uma espada."
Na escuridão sem limites, essas palavras floresceram como um único raio de luz. Sangue jorrou pelo ar como tinta jogada descuidadamente por um pintor, pintando a noite em um carmesim vívido e de tirar o fôlego.
Um menino se abaixou, limpando seu rosto com uma mão limpa. Seus olhos, escuros como tinta, brilhavam com diversão. "Não chore. Você se saiu bem."
O luar se espalhou pelo chão como geada.
Atrás da estação de revezamento havia uma ravina profunda, seu fundo invisível sob árvores antigas e imponentes. Bai Li se agachou ao lado de uma raiz retorcida, observando Xue Yu chutar os três cadáveres pela encosta, jogando suas espadas manchadas de sangue atrás deles. A ravina os engoliu por inteiro, como uma boca monstruosa.
Xue Yu voltou com uma pilha de lenha, jogando-a ao seu lado antes de se sentar. Ele esticou as pernas compridas, inclinando a cabeça para ela. "Por que tão quieta? Assustada?"
Bai Li estava assustada, seu rosto meio enterrado nos joelhos. "...Não acho que vou durar três dias aqui."
Xue Yu jogou um galho aceso na pilha, as chamas ganhando vida, envolvendo-os em calor. Ele franziu a testa. "É a sua primeira vez lá fora?"
Bai Li acenou miseravelmente com a cabeça.
Uma hora atrás, ela estava enrolada na cama com um ursinho de pelúcia, apenas para ser puxada para este mortal jogo de sobrevivência de cultivo. Aterrorizante.
O sorriso do menino desapareceu. "Se você está com medo, por que deixou a montanha?"
Bai Li pensou por um momento.
A dona original havia saído para procurar ervas em um reino secreto.
Quanto a ela... ela precisava encontrar Xue Qionglou e conquistá-lo.
Certo—talvez esse menino soubesse onde Xue Qionglou estava.
Ela perguntou cuidadosamente: "Você é do Clã Xue de Bozhou, certo? Você conhece Xue Qionglou?"
Seus olhos escuros e estrelados escureceram, tornando-se tão frios quanto um rio congelado sob o luar. Ele sorriu fracamente. "Por que perguntar sobre ele?"
"Só curiosidade. Você o conhece?"
"Apenas por reputação. Mas seria melhor você nunca conhecê-lo."
"Por quê?"
"Eu não gosto dele."
"Hã?"
Bai Li ficou perplexa. O vilão infame estava no auge de sua fama agora—longe de sua eventual queda. Todo mundo sabia do ilustre Clã Xue de Jinlin.
O menino disse sem rodeios: "Porque compartilhamos o sobrenome, mas não um clã. O mundo o conhece, não a mim. Então eu não gosto dele."
"..." Que razão radical.
A conversa morreu ali. Ela forçou uma risada. "De qualquer forma, onde você foi mais cedo?"
Ele apontou para o fogo crepitante. "Você estava tremendo no sono, então eu fui buscar lenha."
Bai Li corou, virando-se. "Você não precisava. Eu poderia ter aguentado por uma noite."
"Mmm... Eu simplesmente não gosto de dever favores. Você me ajudou, então estou retribuindo a gentileza."
Bai Li pensou, Que ajuda? Eu estou sendo carregada o tempo todo.
"Assim que o fogo acabar, devemos ir. Este lugar não é mais seguro." Ele se encostou na árvore, fechando os olhos.
Bai Li acenou com a cabeça como uma pintinha bicando.
Ele abriu um olho, um brilho de diversão em seu olhar. "Você não está preocupada com como vai sobreviver sozinha depois que nos separarmos?"
Oh. Certo. Sozinha, ela seria presa fácil.
Bai Li rapidamente se aproximou, bajulando ansiosamente, "Me ensine." Antes que o jovem pudesse responder, ela apressadamente acenou com as mãos, "Não matar, embora—apenas o suficiente para ficar viva."
"Se você não aprender a matar, o que fará quando alguém tentar te matar?"
"Então eu vou apenas evitá-los."
Ele se encostou no tronco da árvore, com os olhos fechados, e riu. "Ingênua."
"Ah, o que você disse?" Naquele momento, o fogo crepitou, abafando seu murmúrio suave. Bai Li não conseguiu entender.
"Eu disse, é simples." Seus longos cílios abaixaram, olhos semicerrados brilhando. "Use suas pernas."
O rosto de Bai Li se iluminou com a compreensão. "Chutar eles nas partes íntimas? Ótima ideia!"
Xue Yu engasgou, fazendo uma pausa antes de responder sem rodeios: "Eu quis dizer, use suas pernas para correr."
Bai Li: "..." Ela se sentiu levemente insultada.
Ele cutucou o fogo com um galho. "Se você não correr quando deveria, você está morta. Se você correr quando não deveria, você nem saberá como morreu."
"Todos os caminhos levam à morte—que trágico para mim", resmungou Bai Li.
Xue Yu sorriu sem responder e jogou o galho de lado. "Vamos partir assim que o fogo acabar."
Ela acenou com a cabeça distraidamente, tomada pela culpa. Ele estava cuidando dela incansavelmente, mas ela nem sequer havia lhe dito seu nome verdadeiro. Que terrivelmente ingrata.
A luz do fogo tremeluzia, brasas girando como vaga-lumes de verão, roçando as árvores como flores.
Reunindo sua coragem, Bai Li cuidadosamente disse: "Hum, tem algo que eu deveria te contar. Na verdade, meu nome não é—"
"Deixe para depois." Ele se levantou abruptamente, interrompendo-a. "Eu já volto."
"Eh?" Pega de surpresa, Bai Li entrou em pânico. "Onde você está indo agora?"
Ele suspirou. "Para atender ao chamado da natureza."
Seu rosto corou de vermelho. Abraçando os joelhos, ela desajeitadamente acenou para que ele fosse. "Então... volte logo."
Ele pareceu dividido entre diversão e exasperação. "Entendido."
A noite engoliu sua silhueta como tinta ensopando o papel, aos poucos, até que ele desapareceu completamente.
O fogo projetou a pequena e encolhida sombra de Bai Li contra a parede, encolhendo e desbotando à medida que as chamas diminuíam. O frio entrou, mordendo suas roupas. Ela abraçou os braços, observando o fogo fraco lutar no vento antes de morrer em fios de cinzas.
Tinha demorado muito?
A ansiedade a corroía. Depois de andar de um lado para o outro, ela decidiu ir procurá-lo. Ela estava tão dependente de sua proteção, esquecendo que ele também estava gravemente ferido. E se ele tivesse se metido em perigo sozinho?
"Se você não correr quando deveria, você está morta. Se você correr quando não deveria, você nem saberá como morreu."
Seu aviso ecoou em sua mente. Bai Li congelou na porta, a hesitação entrando.
Ela era indefesa—sem força para lutar, sem garantia de que sequer o encontraria. Ela poderia apenas se matar também. As heroínas imprudentes daqueles dramas clichês passaram por sua memória. Ela precisava de um plano à prova de falhas.
Espiando do lado de fora, ela viu o luar perfurar as nuvens, iluminando o chão. Entre as sombras das árvores retorcidas, uma figura surgiu, abraçando a parede, respirações rasas.
Ele voltou?
A figura disparou para a frente—uma estranha, uma garota em uma deslumbrante saia liuxian amarelo ganso, andando na ponta dos pés com uma furtividade exagerada. Seus olhos se encontraram. Ambos congelaram.
A garota se recuperou primeiro, prendendo uma mão na boca de Bai Li. "Não entre em pânico, colega cultivadora! Eu não sou uma ameaça—só estou correndo para salvar minha vida."
Os olhos de Bai Li se arregalaram.
Em todo o romance, apenas uma pessoa favorecia saias liuxian amarelo ganso.
Esta era a heroína—Ling Yanyan!
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