Su Minhao era incompetente mas estava furioso, então só pôde xingar e ir embora no fim, mas saiu extremamente irritado.
Depois de se acalmar, Su Ran arrumou calmamente as roupas, e então seus olhos de ônix se voltaram para o outro lado do rochedo.
— Saiam daí.
A voz era leve como a brisa fresca do outono.
Bai Mohua puxou Nuan Nuan para fora com uma expressão um tanto constrangida.
— Mestre~
Os grandes olhos preto-e-branco de Nuan Nuan olharam ansiosamente para o garoto de vermelho do outro lado. À luz do luar, ele lhe dava uma sensação quase fantasmal, e seu rosto bem definido parecia ter se distanciado daquela familiaridade de antes. A silhueta imatura e esguia carregava uma solidão inexplicável.
— São vocês.
Ao vê-los, o tom do jovem suavizou, e um sorriso apareceu em seus olhos estreitos.
— Ouviram tudo agora há pouco?
Os dois assentiram obedientemente, e Bai Mohua estava até um pouco bravo.
— Como o seu pai pode ser assim!
Sem falar em ter um filho ilegítimo antes do casamento, ainda trouxe a amante e o filho para casa de forma grandiosa. E agora estava sendo ainda mais descarado ao pedir ao filho da esposa legítima que arranjasse emprego para o bastardo na empresa. Isso era simplesmente repugnante.
Nuan Nuan também ficou brava e assentiu com força, seu rostinho corado.
— Absurdo! — disse a garotinha, ferozmente, com sua voz suave.
Su Ran olhou para os dois. Ela era obviamente mais nova que Bai Mohua, mas parecia mais madura e centrada.
— Irmão Su Ran, não fica triste… — Nuan Nuan olhou para ele, preocupada, e o consolou com delicadeza.
— Eles… tudo bem se não gostam de você, meu irmão e eu gostamos.
Bai Mohua: “…”
Meus pés estão até dormentes agora.
O canto da boca de Su Ran se ergueu, e ele caminhou até ela, afagando sua cabeça com a mão.
— Você acha que estou triste?
O tom do rapaz era leve.
— Já não tenho expectativas dele há muito tempo. Desde que ele se divorciou da minha mãe, simplesmente considerei que não tinha mais pai. Fui criado pelo meu avô desde pequeno. Meus sentimentos por ele são, talvez, piores do que por um estranho.
Bai Mohua sentia que seu amigo estava forçando um sorriso.
Su Ran coçou o queixo, e um sorriso astuto passou por seus olhos.
— Mas é bem interessante vê-lo se enfurecer toda vez que precisa me encarar impotente, sabendo que quem controla as finanças sou eu e o vovô. Com essa ameaça, mesmo que ele sempre arranje um novo alvo, é derrotado toda vez. Tsk… a energia dele é até admirável.
Bai Mohua e Nuan Nuan: “…”
Parece que os dois haviam entendido tudo errado. Mas será que tratar o próprio pai como um macaco era mesmo algo bom?
— O banquete está terminando. Vocês vão voltar agora?
Nuan Nuan e Bai Mohua assentiram e comeram tudo o que tinham nas mãos a caminho do salão. Quando voltaram, estavam abraçando a barriga, claramente passando do ponto.
Su Ran não sabia se ria ou se chorava.
— Quanto vocês comeram?
Nuan Nuan puxou timidamente a roupa do primo, corando.
Ao retornarem, Nuan Nuan percebeu que seus dois tios-avôs tinham chegado.
Sob os cumprimentos do pai, ela foi com passinhos pequenos até eles, e os cumprimentou com educação. Logo foi “sequestrada” pelos dois velhos, que a mostraram orgulhosamente ao seu círculo de amigos.
Muitas pessoas daquele meio nem sabiam que os dois tinham uma sobrinha-neta — muito menos que a família Gu tinha uma menina.
Após essa rodada de apresentações, Nuan Nuan ficou um pouco tímida, mas não teve medo do palco de atenções. Chamou os mais velhos com voz suave e, de imediato, conquistou os corações dos presentes.
Quando se envelhece, quem não gosta de uma garotinha tão fofa e gentil?
Até mesmo olharam com inveja para os tios-avôs da menina.
Satisfeitos, os dois velhos se despediram com relutância ao fim do banquete, segurando a mãozinha de Nuan Nuan.
— Lembrem-se de nos visitar mais.
A menina prometeu obedientemente.
— Tios, Nuan Nuan vai visitar com papai e mamãe amanhã.
Essa era uma combinação previamente discutida com seu pai.
— Está bem, está bem… — os dois repetiram com alegria, antes de finalmente partirem.
Depois disso, Nuan Nuan e os outros retornaram à casa da família Bai. Assim que chegaram, Little Orange correu até eles com um miado ressentido, andando entre os pés de Nuan Nuan e Bai Mohua, como se estivesse reclamando: Por que demoraram tanto pra voltar?
Nuan Nuan se agachou e abraçou Little Orange, sorrindo com os olhos puros e brilhantes, esfregando o rosto macio no corpo da gatinha.
— Little Orange, voltamos.
— Miau miau~
Bai Mohua também se agachou, abraçando a priminha e a gatinha, e os três se esfregaram juntos.
— Little Orange com certeza sentiu saudade da gente.
— Miau~
Os adultos trocaram sorrisos. A imensa árvore de ginkgo os cobria com seu dossel, e folhas douradas dançavam ao vento como borboletas douradas. Mas nem o vento frio conseguia dissipar o calor que havia sob aquela árvore.
No dia seguinte, Nuan Nuan escolheu presentes para os dois tios-avôs e outros idosos, e foi visitá-los novamente com os pais.
Nesse dia, basicamente acompanhou os dois velhos pescando, lendo ou jogando xadrez. Depois, eles mesmos resolveram ensiná-la a jogar. Mas era impossível aprender Go em um único dia.
Então, os dois velhinhos acabaram ficando mais infantis e decidiram jogar dama com Nuan Nuan. Isso sim era simples. A garotinha jogou com seriedade, e os levou para passear quando estavam cansados.
Ela mal quis saber dos pais depois que chegou à casa dos tios-avôs.
À noite, ligou para o avô e os irmãos que estavam em outras cidades.
Gu An, como sempre, dizia que não sentia falta, mas ficava provocando e perguntando quando ela voltaria.
O irmão mais velho não era muito de falar, mas Nuan Nuan adorava conversar com ele, compartilhando as coisas felizes do dia. Gu Nan era o mais paciente, respondendo de vez em quando, o que já deixava a menina rindo de alegria.
Quanto a Gu Mingli…
— Saia, Nuan Nuan.
— ??? — O rostinho dela ficou confuso.
A voz de Gu Mingli era muito grave e magnética:
— Estou na frente da casa da família Bai.
— Ahh! — a voz de Nuan Nuan subiu num gritinho, expressando totalmente seu choque!
Ela correu para fora com as pantufas, o cabelo fofinho voando com o movimento.
Sentado ao lado dela estava Bai Mohua: — ???
— Priminha, onde você vai?!
E saiu correndo atrás dela. Já era hora de dormir, por que estava correndo de pijama? E com esse frio?
Ao abrir a porta atrás de Nuan Nuan, Bai Mohua viu um rapaz parado na escuridão — como uma pantera negra à espreita na noite — com olhos selvagens e indomáveis.
Bai Mohua ficou chocado.
— Por que você está aqui?!
Nuan Nuan correu como uma borboletinha, e o canto dos lábios de Gu Mingli se curvou. Um sorriso brilhou nos olhos longos e estreitos, e ele se agachou, abrindo os braços para pegar o pacotinho de leite fofo.
— Quarto irmão~
A voz tenra, cheia de alegria, parecia um canto suave, doce o suficiente para derreter qualquer coração.
— Sentiu minha falta?
A garotinha resmungou, abraçando o pescoço dele com os bracinhos. A cabecinha peluda se aninhou em seu pescoço e ficou lá por um bom tempo.
— Senti saudade do quarto irmão.
A voz suave saiu abafada do pescoço dele. Gu Mingli inclinou levemente a cabeça, revelando aquele rostinho quente, branco e macio. Seus dedos longos e finos não resistiram — apertaram as bochechas fofas dela dos dois lados.
A sensação era ótima.
— Pelo visto você se alimentou direitinho. Muito bem.
As bochechas de Nuan Nuan estavam tão espremidas que seus lábios rosados se projetaram para frente, e os olhos grandes e úmidos o olharam com ar de coitadinha.
— Quarto irmão…
— Haha… tá bom, tá bom, não vou te provocar mais.
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