—Vocês não estão me vendo? —veio uma voz fraca, e Bai Mohua se agachou ao lado dos dois, seus olhos ressentidos quase perfurando-os.
Nuan Nuan: "..."
Gu Mingli soltou os dedos que estavam apertando as bochechas fofas da garotinha, pegou-a com seus longos braços, como se estivesse segurando um leitão, e ainda arranjou tempo para responder à pergunta.
—O quê? Está incomodado com alguma coisa? — e ergueu as sobrancelhas afiadas como espadas, parecendo extravagante e selvagem.
Bai Mohua fez bico.
—Por que você está aqui?
Assim que ele apareceu, começou a disputar a Nuan Nuan com ele. Isso não o deixava feliz.
Nuan Nuan também olhou para seu quarto irmão, seus olhos claros e brilhantes cheios de curiosidade. Ela queria muito fazer essa pergunta.
—Quarto irmão, você não tem aula amanhã? Por que está aqui?
A garotinha arregalou os olhos.
—Irmão, você matou aula?
Gu Mingli:
—...Não arruma confusão!
Ele beliscou o narizinho de Nuan Nuan com os dedos dobrados, sinalizando para ela falar mais baixo.
—Vai ter uma corrida importante aqui. Me inscrevi antes. A corrida é amanhã. Se você for assistir, vai se divertir.
Nuan Nuan piscou os olhos.
—O que é c-corrida?
— São motocicletas grandes. Amanhã eu te levo pra ver. Você pode torcer por mim, mas não pode contar pro tio.
Bai Mohua bufou ao lado, querendo mostrar sua presença.
Gu Mingli olhou de lado para ele e, de repente, levantou a mão para bagunçar seu cabelo fofo — do mesmo jeito que se afaga a cabeça de um cachorro.
Bai Mohua:
—...O que você tá fazendo?!
Gu Mingli se encostou no leão de pedra com Nuan Nuan no colo e deu um sorriso travesso.
—Se comporta. Não conta pro meu tio, tá bom?
A última palavra, “tá bom?”, veio acompanhada de um olhar feroz e ameaçador — um aviso descarado.
Bai Mohua:
—!!!
—Eu sou mais velho que você! Quem te deu permissão pra mexer no meu cabelo?!
Ele se sentia completamente impotente. Queria muito revidar!
Pensando nisso, Bai Mohua levantou a mão para dar um tapa na cabeça de Gu Mingli, mas no meio do caminho sua mão foi agarrada e torcida. Ele fez uma careta e soltou um grito surpreso quando seu corpo inteiro foi puxado pelo braço por Gu Mingli e girado até ficar encostado no leão de pedra.
Tudo aconteceu em questão de segundos. Antes que Nuan Nuan pudesse reagir, os dois irmãos pareciam estar brigando — embora fosse mais um abuso unilateral por parte de Gu Mingli.
Bai Mohua:
—...
Aquela posição era humilhante demais, como se fosse um criminoso sendo preso! Bai Mohua ficou vermelho de raiva e vergonha.
Ele tentou se soltar, mas não conseguiu se mover.
—Me solta, ou eu vou gritar!
Droga! Eu sou mais velho que ele, por que não consigo vencê-lo?! O outro consegue me imobilizar com uma só mão!
Gu Mingli segurava Nuan Nuan firmemente com uma mão e, com a outra, conseguia facilmente manter Bai Mohua preso, sem que ele conseguisse se soltar.
—Tenta gritar,vai, só tenta. Quero ver se eu não te dou uma surra.
Gu Mingli falou com um sorriso, mas o tom era extremamente desagradável.
O rostinho de Nuan Nuan demonstrava ansiedade. Com os dois bracinhos pequenos, ela agarrou o braço de Gu Mingli.
—Quarto irmão...
—Nuan Nuan, eu não vou matar ele —disse ele piscando para a garotinha.
Tá bom, Nuan Nuan entendeu que o quarto irmão só estava assustando seu primo, que não ia machucar de verdade. Mesmo assim, a menina ainda estava preocupada.
—Me solta, eu não vou contar nada.
A voz de Bai Mohua saiu abafada. Ele se sentia inútil por nem conseguir se livrar.
Gu Mingli curvou os lábios num sorriso e o soltou, recuando um pouco. Apesar de ser alguns anos mais novo que Bai Mohua, sua altura — uma cabeça a mais — impunha respeito.
Bai Mohua olhou para o próprio pulso, que estava vermelho, e lançou um olhar feroz para Gu Mingli. Sentindo pena de si mesmo, assoprou a área machucada.
Nuan Nuan se soltou do quarto irmão, caminhou até seu primo com passinhos miúdos e segurou a mão dele com preocupação.
—Dói, primo?
Gu Mingli estalou a língua, passou a mão pelo cabelo e disse num tom de desprezo:
—Tão frágil...
Bai Mohua ficou furioso. Como aquele cara podia ser tão sem vergonha? Ainda por cima o desprezava por ser "fraco", depois de quase esmagar seu pulso!
—Você... você é um porco!
Bai Mohua gritou o que achava ser o pior insulto possível e, logo depois de xingar, ficou com medo de apanhar, então deu meia-volta e saiu correndo pra casa.
Mas ao passar sob a árvore de ginkgo, ele parou, olhou de volta com cautela e vigilância, porque Nuan Nuan ainda estava ali. Ele não podia simplesmente fugir.
Criou coragem e correu para se esconder atrás da árvore, pensando que, se aquele cara viesse atrás, ele... ele chamaria ajuda de verdade!
—Nuan Nuan, volta aqui agora!
Depois de gritar, se encolheu atrás da árvore e sumiu da vista.
Gu Mingli, que presenciou tudo:
—...
Nuan Nuan:
—...
“Meu primo é realmente… tão fofo.”
Gu Mingli não conseguiu conter o riso. Nunca imaginou que alguém o xingaria com palavras tão infantis.
Nuan Nuan puxou a roupa do quarto irmão e falou baixinho:
—Irmão, para de rir, senão meu primo vai ficar bravo.
Gu Mingli beliscou o narizinho dela.
—Bravo como antes? Até um gato fica mais bravo que ele.
Ele não estava errado. E ainda completou:
—Claro… também são mais ferozes que você.
Nuan Nuan:
"Você está... menosprezando quem aqui?"
As bochechas fofas da garotinha inflaram como um baiacu.
—Certo, só vim te ver. Agora preciso ir. Lembra de não contar pro tio. Amanhã o Bai Mohua te leva, e eu passo pra buscar vocês pra ver a corrida.
Nuan Nuan assentiu obedientemente.
—Tá bom.
—Mas, quarto irmão… parece que você deixou meu primo bravo. Será que ele vai querer ver sua corrida amanhã?
Gu Mingli se aproximou do ouvido dela e sussurrou:
—Faz assim, ó...
Nuan Nuan assentiu depois de ouvir o plano, seu cabelinho fofo balançando.
—Quarto irmão, onde você vai dormir?
Gu Mingli:
—Num hotel. Agora você precisa voltar, tá frio aqui fora.
Assim que ela ia sair, ele abriu o zíper do casaco, pegou a garotinha macia e a enrolou dentro. O corpo de Gu Mingli era cheio de energia yang, quente como um fogão, então Nuan Nuan também ficou bem quentinha quando usou o casaco.
Ele abraçou a irmã com carinho e disse algo, depois chamou Bai Mohua.
Bai Mohua levantou a cabeça com má vontade.
—O quê?
O tom era bem ruim, mas parecia mais um gato emburrado — nada ameaçador. Só tinha estendido a patinha por pura formalidade.
—Leva a Nuan Nuan pra casa.
Foi só isso…
Bai Mohua correu rapidamente, pegou Nuan Nuan no colo e fugiu com velocidade, como se tivesse passado óleo nos pés.
Ele correu bem rápido...
Gu Mingli estalou a língua ao ver a figura sumindo na noite, virou-se e desapareceu na escuridão.
Os dois voltaram em silêncio e, assim que chegaram no quarto, Bai Mohua empurrou a priminha macia pra dentro da cama.
—Como ele consegue ficar ainda mais irritante quanto mais cresce?! E ainda me ameaçou! Meu pulso ficou todo vermelho com aquele aperto. Ele é um porco, por acaso?! Que força absurda! Tá doendo demais!
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