Capítulo 6


 Capítulo 6


Após várias derrotas esmagadoras em seus encontros com a policial, Sheng Fang finalmente descobriu uma estratégia vencedora: brandir um pequeno lenço para blefar e conseguir o que queria.


A criança forçava um comportamento maduro, mas quanta astúcia se poderia esperar de alguém tão jovem? Zhu Qing sentiu três gotas de suor, no estilo clássico dos quadrinhos, escorrerem por sua têmpera, como as expressões de exasperação em livros ilustrados antigos.


Quando o tutor chegou pontualmente, Marysa, a empregada, já havia retornado da cozinha, apenas para descobrir que o jovem mestre havia desaparecido em plena luz do dia. Enquanto ela entrava em pânico e procurava freneticamente, a comoção já havia chamado a atenção de Sheng Peishan e Chen Chaosheng.


Diante da expressão tempestuosa no rosto do segundo genro, Marysa percebeu que estava em apuros e, sabiamente, recorreu à segunda jovem senhorita para implorar por misericórdia.


A morte inesperada do cachorrinho já havia deixado os olhos de Sheng Peishan vermelhos de tanto chorar. Ela começou a se preocupar se a falha inexplicável nos freios do carro de seu marido, alguns dias antes, não tinha sido uma coincidência. Agora, com o irmão mais novo subitamente desaparecido, ela conectou esses incidentes aos restos esqueléticos encontrados na lareira.


— Chaosheng — Sheng Peishan segurou a mão de Chen Chaosheng. — É o assassino... deve ser o assassino!


Os criados arfaram em uníssono.


Quem seria tolo o suficiente para matar alguém e esconder o corpo bem debaixo do próprio nariz? Todos presumiram que o caso arquivado era obra dos trabalhadores da construção civil daquela época. Mas agora, a segunda jovem senhorita sugeria que o assassino poderia muito bem estar entre eles...


Chen Chaosheng pousou uma mão reconfortante no ombro trêmulo da esposa e ordenou bruscamente:

— Como uma pessoa crescida pode simplesmente desaparecer no ar? Parem de ficar parados aí — vão procurar!


— Peishan, a polícia já está aqui. Não entre em pânico ainda...


Antes que Sheng Peishan pudesse pedir ajuda aos policiais, o mordomo Cui retornou do jardim trazendo Sheng Fang consigo.


— Segunda jovem senhorita — disse o velho mordomo com um sorriso gentil. — O jovem mestre está aqui. Ele apenas saiu correndo para brincar.


Sheng Peishan pareceu atordoada, relaxando visivelmente. Chen Chaosheng pediu desculpas, explicando que muitas coisas aconteceram recentemente e sua esposa estava simplesmente sobrecarregada.


Com a criança em segurança, a segunda jovem senhorita puxou o irmão para perto, finalmente tranquila.


Enquanto isso, Zhu Qing mal havia entrado quando recebeu suas próximas ordens.


O olhar de Mo Zhenbang permaneceu no rosto de Chen Chaosheng por um momento.

— Sobre a falha nos freios, colha um depoimento do Sr. Chen.



Os restos esqueléticos na lareira precisavam ser investigados, a morte misteriosa do cachorro precisava ser investigada, a falha nos freios precisava ser investigada... Até agora, as três peças de informação não pareciam fortemente conectadas. Zeng Yongshan não conseguiu conter seus pensamentos. No momento em que Chen Chaosheng saiu após dar seu depoimento, ela cutucou o braço de Zhu Qing.


— Este Sr. Chen não é exatamente como eu esperava.


— Dizem que ele é um tipo refinado e cavalheiro, mas, pessoalmente, ele é decisivo e impositivo.


— Não me surpreende. Se o segundo genro não tivesse um pouco de fibra, alguém tão gentil quanto a segunda jovem senhorita já teria sido devorado há muito tempo por aqueles lobos no conselho de administração.


Elas presumiram que a luta pelo poder na família Sheng era apenas entre a filha mais velha e a segunda, talvez com a criança de três anos no meio.


Mas agora parecia que nem Sheng Peirong nem Sheng Peishan se importavam muito com a fortuna da família. Em vez disso, Chen Chaosheng havia se tornado a escolha natural para assumir as rédeas do conglomerado.


Zeng Yongshan suspirou dramaticamente.

— Deve ser bom ser uma herdeira. Quando você é jovem, o papai a protege da tempestade. Agora que o velho mestre Sheng se foi, o céu não desabou — sempre há alguém por perto para sustentá-lo por ela. Dizem que o Sr. Chen se apaixonou pela segunda jovem senhorita à primeira vista. Mesmo quando namoravam, ele se ofereceu para que seus futuros filhos tivessem o sobrenome dela. O velho mestre Sheng ficou radiante!


Zhu Qing ergueu uma sobrancelha.

— Quem te contou isso?


Os olhos de Zeng Yongshan se arregalaram, e ela bateu no braço de Zhu Qing, animada.

— Você está realmente fofocando comigo!


— O mordomo Cui mencionou enquanto preparava o chá — disse ela, entrelaçando o braço com o de Zhu Qing. — Ele disse que a segunda jovem senhorita uma vez quis não ter filhos para focar em sua carreira no entretenimento, e o Sr. Chen a apoiou. Então, depois que o acidente de carro prejudicou sua saúde, ele ainda permaneceu ao lado dela, tratando-a como um tesouro.


O contato físico entusiasmado fez Zhu Qing ficar rígida. Ela tentou se afastar, mas Zeng Yongshan apenas apertou o aperto.


Enquanto isso, Mo Zhenbang havia entrado no jardim, um cigarro parcialmente fumado entre os dedos, ouvindo o oficial da perícia — superior de Zhu Qing — relatar as evidências.


— Após o tratamento químico, letras gravadas foram reveladas dentro do anel. Mas a exposição prolongada ao calor intenso borrou as marcações. O inspetor Ge precisa processá-lo ainda mais.


— Em quanto tempo podemos obter resultados?


Zeng Yongshan ficou na ponta dos pés, observando enquanto Chen Chaosheng, tendo terminado seu depoimento, corria de volta para dentro para cuidar da esposa.


— Tão doce... — suspirou Zeng Yongshan. — Quando vou encontrar um príncipe assim?


O foco de Zhu Qing permaneceu no anel da vítima, encarando o saco de evidências à distância.

— Amanhã. Na melhor das hipóteses, amanhã.


— Sério? — O rosto de Zeng Yongshan se iluminou, seus olhos amendoados curvando-se em luas crescentes.


Zhu Qing piscou, confusa.

— O quê?


— Vou cobrar sua palavra! — Ela girou e saiu, cantarolando uma melodia cantonesa enquanto se juntava aos colegas.



O trabalho de perícia policial continuou. Vários policiais se ajoelharam no gramado, coletando fibras da cama do cão de estimação, Bobo, restos de comida e outras amostras, selando-as em sacos de evidências para análise laboratorial posterior.


O crepúsculo havia chegado, uma leve brisa soprando. Chen Chaosheng ajustou o xale nos ombros de Sheng Peishan.


— Minha irmã era quem mais amava o Bobo — murmurou Sheng Peishan. — Se ela soubesse como ele morreu horrivelmente...


A polícia investigativa havia verificado rotineiramente o paradeiro dos membros da família Sheng durante o tempo estimado do crime.


Naquela época, Sheng Peirong e seu marido, Cheng Zhaoqian, estavam no exterior, colocando-os fora de qualquer suspeita. Como resultado, a polícia nunca havia conhecido a filha mais velha da família Sheng.


Mas agora, os policiais se viam cada vez mais perplexos com a dinâmica desta casa rica.


Rumores diziam que Sheng Peirong e seu pai, Sheng Wenchang, haviam cortado laços completamente — que ela nem sequer queimaria incenso para ele após sua morte. No entanto, agora, parecia que ela não era totalmente sem coração.


Sheng Peishan enxugou as lágrimas com a ponta do dedo, sua voz inquieta.

— Inspetor Mo, eu sei que o senhor está ocupado, mas esta noite, será que poderia...


Ela queria que os investigadores passassem a noite, pelo menos até que a causa da morte de Bobo fosse confirmada.


A divisão de investigação criminal era especializada em investigações criminais, não em detalhes de proteção de rotina. Ela sabia que era um pedido irregular, mas com tanta coisa acontecendo em apenas dois dias, a segunda jovem senhorita da família Sheng não conseguia afastar a sensação de que o assassino estava à espreita em algum lugar nas sombras — e que suas vidas estavam em perigo.


— Peishan — disse Chen Chaosheng gentilmente, balançando a cabeça. — Isso não é o procedimento padrão.


— E se conseguirmos uma aprovação especial do Inspetor Di, da Unidade Regional de Crimes? — Sheng Peishan agarrou a manga do marido. — Minha saúde não está das melhores, e meu irmão é tão jovem. Se aquele assassino... A criança é inocente!


— Se o seu pessoal ficar, pelo menos o assassino não ousaria agir de forma imprudente.


O pomo de adão de Chen Chaosheng se moveu.

— Isso é...


— É apenas humano — refletiu o inspetor Mo. — Tudo bem, Jiale e...


O ar ficou pesado. Os policiais trocaram olhares.


Isso era altamente irregular — eles deveriam estar chamando a unidade especializada. Mas todos sabiam que seu chefe só se importava em resolver casos, nunca em seguir as regras. Além disso, se a família Sheng realmente ligasse para o escritório do Superintendente Chefe, o resultado seria o mesmo de qualquer maneira.


Zhu Qing se manifestou.

— Eu fico.


Embora o horário do ônibus de Mid-Levels para Wong Chuk Hang fosse escasso, a viagem cobria pouco mais de dez quilômetros, o que significava que o retorno de Zhu Qing não levaria mais de quarenta minutos.


Talvez fosse melhor ficar na residência Sheng e focar em descobrir a verdade.


Afinal, a família Sheng abrigava segredos demais.


...


A família Sheng preparou dois quartos de hóspedes para Zhu Qing e Xu Jiale.


— A chave está na gravação do anel, mas após cruzar as referências dos registros cirúrgicos de He Jia'er, a identidade dos restos esqueléticos está praticamente confirmada — disse Mo Zhenbang antes de sair. — Juntem seus pensamentos e esperem que o Inspetor Ge processe as marcações internas do anel novamente.


— Fiquem atentos esta noite — não deem ao Inspetor Weng outro motivo para reclamar.


Xu Jiale acompanhou Mo Zhenbang até a porta.

— Mas a conexão entre He Jia'er e esta vila...


Antes que ele pudesse terminar, Mo Zhenbang já havia entrado no carro. A porta bateu com um "estrondo", cortando a pergunta do oficial, sua nota final engolida pelo rugido do motor.


Enquanto isso, no quarto de hóspedes do segundo andar, a empregada Zhang ajeitou a colcha.

— Senhora, o banheiro está abastecido com produtos de higiene novinhos, e os pijamas estão...


— Não precisa.


Tarde da noite, os criados se retiraram para seus aposentos.


Zhu Qing foi à cozinha buscar um copo de água, depois caminhou pelo corredor que ligava as duas vilas, o vidro frio em sua mão.


Um esqueleto já havia sido escondido na lareira. Ela se lembrou do tremor que percorreu seu corpo ao ver aqueles ossos — mas não sentiu medo.


Tudo o que ela queria era entender o que a vítima estava tentando dizer através daqueles restos.


— Quem está aí?


Uma figura se moveu nas sombras antes que o mordomo Cui se aproximasse.

— Senhora.


Todos evitavam aquela lareira, prendendo a respiração enquanto passavam apressados pelo corredor sem nem olhar para trás.


Mas o mordomo Cui permaneceu, olhando para ela.

— Quando o mestre era vivo, ele adorava jogar xadrez com a jovem senhorita perto da lareira...


— Parece que o mordomo Cui sente muita falta do velho mestre Sheng.


— Costumava haver uma árvore de Natal aqui. Uma foto do mestre e da jovem senhorita em frente a ela ainda está em seu escritório. — O mordomo Cui suspirou levemente, perdido em pensamentos. — É tarde, senhora. A senhora deveria descansar.


O quarto de hóspedes arranjado para Zhu Qing ficava na extremidade do segundo andar.


Além da escadaria em espiral no final, havia acesso direto ao quarto das crianças.


Apenas Sheng Fang morava no terceiro andar, ao lado do quarto de Marysa.


Ao ver Zhu Qing, o jovem mestre da família Sheng colocou a cabeça cacheada para fora.

— Policial.


Ela o corrigiu:

— É senhora, não policial.


— Quem não sabe disso? — O pequeno senhor ergueu o queixo. — Eu tenho um tutor.


Um jovem mestre de três anos e meio não era uma criança analfabeta.


A porta do quarto das crianças foi deixada entreaberta. A varanda havia sido lacrada, mas os adultos tinham esquecido o cano de escoamento — esta era a passagem secreta do jovem mestre, o cano de cobre pelo qual ele deslizava para se esgueirar no jardim.


Zhu Qing encostou-se no corrimão ao lado da varanda.

— Depois do desaparecimento de hoje, esta rota secreta também será trancada.


O jovem mestre, geralmente precoce, finalmente pareceu uma criança inocente, soltando um longo e dramático suspiro.


Abaixando-se, Zhu Qing notou algo de repente.

— Deste ângulo, você pode ver a casinha do cachorro Bobo.


— Claro. — O pequeno, enrolado em pijamas de seda como um corgi orgulhoso, declarou: — Bobo pegava o frisbee arco-íris que eu jogava daqui!


— Você notou algo incomum esta manhã, antes do meio-dia?


Zhu Qing se perguntou se havia perdido o juízo, pedindo um testemunho a uma criança...


O menino sentou-se no chão, de pernas cruzadas, com as bochechas gordinhas apoiadas nas mãos.

— Bobo latiu para ele — "au, au, au!"


Ele?


Confusa, Zhu Qing se agachou até que seu olhar atingisse a altura da criança. Só então ela viu — através da janela da casinha de Bobo — a figura parada ao lado dela.


Chen Chaosheng estava com sua esposa, limpando gentilmente as bordas de uma moldura de foto antes de colocá-la ao lado da casinha do cachorro.


A brisa noturna agitou o xale de Sheng Peishan, sua silhueta frágil e solitária.


— Ouvi o segundo cunhado dizer que vão fazer uma lápide para o Bobo — perguntou o menino de cabelos cacheados. — O que é uma lápide?


Zhu Qing congelou, depois se virou para ver Sheng Fang olhando para o céu estrelado.


A luz das estrelas se acumulava nos olhos claros da criança.


De acordo com as fofocas de Zeng Yongshan, a família Sheng ainda não havia contado a Sheng Fang sobre a morte de seus pais no acidente de avião. Se era para proteger seu coração jovem ou porque simplesmente não se importavam, a polícia não tinha interesse em investigar mais os segredos da família rica.


Será que uma criança de três anos e meio poderia realmente compreender o significado da morte?


Zhu Qing apenas se lembrou de que, na idade dele, ela negociava com as crianças mais velhas do orfanato. Elas trocavam bichos de pelúcia doados por voluntários, fingindo ser amigas dela, convencendo-a a ceder sua cama — apenas para pegá-la de volta e empurrá-la para perto da janela fria.


Ela aprendeu cedo que o calor tinha que ser conquistado.


O vento de inverno era frio demais. Depois disso, Zhu Qing nunca mais brincou com brinquedos. Nem fez amigos.


— Ei, ajuda.


O jovem mestre travesso ainda não tinha modos, mas talvez fosse a visão de sua pequena figura voltando sozinha, pezinhos chutando o ar —


Ela viu a menina solitária do orfanato.


— Ajudar com o quê? — Zhu Qing o seguiu.


— Fazer uma lápide.


Marysa arrumava o quarto das crianças pelo menos três vezes ao dia, mas a mesa já estava uma bagunça novamente.


Sheng Fang encontrou cartolina e tesouras sem ponta, depois se empoleirou no peitoril da janela. Seus dedos atarracados lutaram com as tesouras cegas enquanto ele cortava o papel em um retângulo torto. Ele correu pelo quarto, revirando as ruínas de seu reino de brinquedos até desenterrar o "cadáver" achatado de sua batalha anterior com Marysa.


O jovem mestre jogou uma caixa de giz de cera para ela com um estrondo.


As cabeças rechonchudas dos gizes rolaram até os pés de Zhu Qing.


— Escreva o epitáfio — anunciou o jovem mestre Sheng solenemente. — Aqui jaz Ultraman.

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