Capítulo 14


 Ao ouvir o pedido ansioso de Ye Zinan, Luo Han hesitou por um momento antes de responder:

— Vamos ver. Nada está decidido ainda. Se houver uma oportunidade, avisaremos.

Sua resposta foi o ápice da dispensa educada — equivalente a um "vamos marcar um almoço qualquer dia desses". Mas Ye Zinan levou a sério. Num piscar de olhos, ele tirou seu talismã de comunicação de jade, inscreveu rapidamente sua restrição pessoal e o entregou a Luo Han com grande entusiasmo.

— Este é meu amuleto de comunicação. Não importa onde você esteja — céu ou terra — ele pode entregar uma mensagem instantaneamente. Se planejarem outra expedição, você tem que me avisar!

Luo Han examinou o talismã de jade, notando uma gravação de um Pássaro Vermilion e uma linha de caracteres únicos abaixo. Parecia ser o identificador pessoal de Ye Zinan — a versão do Reino Imortal de um QR code. Ela o guardou casualmente no espaço de armazenamento e respondeu com desânimo:

— Claro. Se houver oportunidade, nos veremos de novo.

Ye Zinan hesitou, os lábios tremendo ao cogitar pedir o talismã de jade de Luo Han em troca, mas um rápido olhar para Ling Qingxiao, que permanecia silencioso por perto, congelou as palavras em sua garganta. Seus instintos de sobrevivência lhe disseram para deixar quieto.

Relutante, Ye Zinan abandonou a ideia e perguntou em vez disso:

— Ainda falta um tempo para o reino secreto fechar. Qual será nosso próximo passo?

— Também não sei — admitiu Luo Han, olhando para cima, observando o jogo tênue de luz. A luz solar não conseguia penetrar nas profundezas do mar, iluminando apenas a camada mais superficial da água. Aquele véu ondulante de luz tremulava acima deles, estranho e sombrio.

— Não gosto de ficar debaixo d'água — disse ela. — Vamos voltar à superfície. O Reino Secreto Biyun é rico em recursos. Podemos coletar ervas espirituais ao longo do caminho até a saída — o máximo que conseguirmos encontrar.

Ye Zinan prontamente concordou, e Ling Qingxiao, protegendo Luo Han, os envolveu em uma aura protetora de energia espiritual que afastava as camadas de água do mar enquanto subiam lentamente em direção à luz.

Depois de romperem a superfície e retornarem à terra, passaram apenas dois dias em terra firme antes que o reino secreto começasse a tremer. A instabilidade era um sinal claro de que o reino estava prestes a se fechar.

Os três trocaram olhares. Sem hesitação, Ling Qingxiao invocou sua espada, e eles voaram rumo ao limite com velocidade total.

A velocidade máxima de voo de Ling Qingxiao era impressionante, e Ye Zinan, sendo do clã aviário, não ficava muito atrás. O trio se tornou um dos primeiros grupos a escapar do reino secreto. Uma vez fora, não pararam — voaram direto para uma área isolada sem reduzir a velocidade.

Permanecer próximo da saída era arriscado. Qualquer um que saísse vivo provavelmente carregava tesouros valiosos, tornando-se alvo de emboscadas.

Luo Han ativou sua habilidade divina tipo "trapaça" e viu claramente um grupo os seguindo. No entanto, não conseguiam acompanhar a velocidade de Ling Qingxiao e eventualmente desistiram, voltando para fazer vigília na saída do reino secreto.

Luo Han bufou e disse a Ling Qingxiao:

— Estamos limpos. Ninguém mais está nos seguindo.

Ling Qingxiao, com seus sentidos espirituais aguçados, já sabia que estavam sendo perseguidos. Havia escolhido esse trajeto deliberadamente para despistá-los. Ao ouvir as palavras dela, desacelerou e parou. Ye Zinan fez o mesmo, interrompendo o voo em meio às nuvens.

Ele juntou as mãos em despedida à distância:

— Tudo que é bom chega ao fim. Me despeço por aqui. Obrigado aos dois, meus amigos. Se houver uma próxima vez, seria uma honra ser seu companheiro de equipe novamente.

Luo Han respondeu na mesma medida:

— Claro. Boa viagem.

Os dez talos da Orquídea Espiritual da Garça já haviam sido divididos ainda dentro do reino secreto. Com as despedidas feitas, o grupo agora podia seguir caminhos separados. Antes de partir, Ye Zinan entregou solenemente a Luo Han um talismã gravado com penas.

— Isso é...?

— Um emblema do nosso clã Vermilion, dado para homenagear convidados ilustres. Com ele, você tem 40% de desconto em qualquer estabelecimento do nosso clã. Se enfrentar alguma dificuldade, basta deixar uma mensagem com o gerente local, e farei tudo ao meu alcance para ajudar.

Ye Zinan falava com seriedade. Embora o clã Vermilion fosse pequeno e não muito forte em combate, valorizava profundamente os laços afetivos. A maioria de seus membros tinha apenas um parceiro por toda a vida; se o companheiro morresse, recusavam comida e bebida até morrerem de tristeza.

O clã Vermilion valorizava os amantes assim — e o mesmo valia para os amigos. Ye Zinan, apesar do jeito despreocupado, era alguém que prezava pela lealdade. Sabia que devia suas duas orquídeas a Luo Han, e passou a considerar tanto ela quanto Ling Qingxiao como amigos dignos. Uma vez que o clã Vermilion considera alguém amigo, nada — nem cruzar fogo nem água — é demais para ajudá-lo.

Luo Han não era do Reino Imortal e não compreendia totalmente o significado do Talismã de Penas. Ela olhou para Ling Qingxiao, em busca de sua opinião. Ele assentiu levemente e, com esse aval, ela pegou o talismã.

— Certo. Obrigada.

Deixando de lado a promessa de Ye Zinan, o desconto em todos os estabelecimentos dos clãs aviários já era um presente generoso. Ye Zinan se curvou novamente, e desta vez até mesmo Ling Qingxiao, que normalmente era reservado, retribuiu com um leve aceno de cabeça:

— Obrigado. Cuide-se na jornada.

Ye Zinan ficou um pouco surpreso com o gesto raro. Tinha razão ao pensar que entregar o talismã a Luo Han seria o mais proveitoso. Os três eram diretos, e aquela despedida não era definitiva — seus caminhos voltariam a se cruzar.

Ele voou um pouco, mas parou como se hesitasse em dizer algo. Por fim, virou-se e disse:

— Tomem cuidado. A Orquídea Espiritual da Garça não é coisa pequena. Não deixem ninguém saber que você tem oito. E... fiquem atentos neste período.

Luo Han achou que era apenas um aviso casual e assentiu com um sorriso, acenando em despedida. No entanto, Ling Qingxiao entendeu o verdadeiro significado por trás daquelas palavras.

Ye Zinan estava os alertando sobre a vingança de Ling Chongyu.

Ling Chongyu, o filho querido de Ling Xianhong, cuja vida fora protegida por Su Yifang e Bai Lingluan, agora perdera a mão por suas mãos. Era improvável que o deixassem impune.

Ling Qingxiao não deu muita importância. Após se despedirem de Ye Zinan, Luo Han e ele encontraram um local isolado para refinar as Orquídeas Espirituais da Garça.

Com um total de oito orquídeas, embora pudessem render um preço astronômico, Luo Han não se atrevia a vendê-las. Ela não precisava de dinheiro, então não era grande coisa desperdiçar um pouco. Decidiu usá-las todas.

Originalmente, Luo Han pretendia que Ling Qingxiao refinasse todas as oito, mas ele recusou e insistiu em deixar quatro para ela. A verdade era que Luo Han não cultivava energia espiritual, então as orquídeas não serviriam para nada em seu caso. No entanto, Ling Qingxiao era teimoso, inflexível, e não cederia.

Luo Han não teve escolha senão aceitar. Eles encontraram uma floresta profunda, montaram múltiplas camadas de formações e proibições, e só depois que Ling Qingxiao confirmou que tudo estava seguro, ele entrou em estado meditativo para começar a refinar as ervas espirituais.

Assim que Ling Qingxiao entrou em meditação, Luo Han, que originalmente deveria memorizar as fórmulas dos encantamentos, relaxou subconscientemente. No início, ela se sentia desconfortável sentada, então tirou uma almofada de seu espaço de armazenamento. Depois, pegou uma fruta espiritual e, eventualmente, deitou-se em um sofá macio.

Embora estivesse deitada, sua mente ainda estava voltada para os estudos.

Quando Ling Qingxiao despertou, viu aquela cena. Luo Han estava deitada no sofá, os cabelos soltos, alguns fios quase tocando o chão. Estava meio coberta por uma manta e ainda segurava um pergaminho de jade nas mãos, que escorregava por entre seus dedos.

Ela claramente havia adormecido profundamente.

Ele dissera para ela aproveitar o tempo para se familiarizar com as fórmulas, e era assim que ela fazia?

Luo Han dormira tranquilamente, sem sequer sonhar. Começou a sentir um pouco de frio, moveu-se levemente e acordou de repente.

Meio grogue, sentou-se e viu que Ling Qingxiao ainda estava em sua posição original, meditando. Os olhos fechados, o rosto feito de jade com traços frios e definidos. Não havia se movido nem um centímetro, parecendo uma estátua esculpida em pedra.

Luo Han achou que ele ainda estivesse refinando. Espreguiçou-se preguiçosamente no sofá e depois caiu de volta com força.

Ela vinha "praticando" como dormir havia dias, e agora seu pescoço doía por ter ficado tanto tempo deitada. Decidiu se deitar na beirada do sofá e deixar a cabeça pender para fora, tentando alongar o pescoço enrijecido.

Ling Qingxiao, que já havia despertado fazia tempo e sofria de TOC severo e perfeccionismo extremo: "..."

Ele não aguentou mais e falou:

— Sente-se direito.

Luo Han levou um susto, quase caindo do sofá. Se recompôs às pressas, percebendo que Ling Qingxiao havia aberto os olhos e a olhava com uma expressão de leve impotência.

Imediatamente, Luo Han murchou, endireitando a saia em silêncio e sentando obedientemente no sofá.

— Quando você acordou? — perguntou, sem graça. Nem ao menos me avisou...

Ling Qingxiao não respondeu à pergunta, mas perguntou de volta:

— Estive em reclusão refinando as Orquídeas Espirituais da Garça por quinze dias. Como está sua memorização das fórmulas nesses últimos dias?

Ela mal havia despertado e ele já vinha com cobrança de estudos. Luo Han sentiu a cabeça prestes a explodir.

— Estudei direitinho — respondeu, embora não pudesse garantir a qualidade do aprendizado.

Ling Qingxiao testou algumas das fórmulas. Luo Han conseguia recitá-las, mas tropeçava nas palavras. Estava longe da fluência que ele esperava. Suspirando em frustração, disse:

— Você está muito lenta. Durante uma batalha, sua velocidade não vai permitir que conclua os encantamentos a tempo. Precisa praticar até conseguir recitá-los sem pensar.

Luo Han forçou um sorriso. Vendo que Ling Qingxiao estava falando sério, sem nenhum sinal de brincadeira, não teve escolha a não ser pegar o pergaminho de jade e começar a recitar novamente, engolindo a insatisfação que sentia.

Depois de um tempo, começou a relaxar, se encostando no sofá. Ling Qingxiao olhou para ela uma vez, depois outra, até que não aguentou e a advertiu:

— Sente-se direito. Cultivo exige disciplina. Não pode ficar largada assim.

Luo Han se surpreendeu, olhando para as próprias pernas. Estava sentada errado? Só estava escorada no apoio de braço. Forçada a adotar uma postura mais ereta, sentou-se como uma aluna na escola. Tentou aguentar por um tempo, mas logo não suportou mais:

— Quando vamos embora?

Meu Deus, ela estava presa naquela floresta havia meia lua. No primeiro dia, achou o ar fresco, os pássaros cantando, as flores desabrochando, sem distrações mundanas. Parecia a vida isolada e refinada dos sonhos. No segundo dia, já sentia um tédio leve. No terceiro, estava à beira da loucura, desejando comida, bebida e o barulho da vida comum.

Definitivamente, essa vida de reclusão não é pra mim.

Mas Ling Qingxiao havia estabelecido uma barreira antes de entrar em reclusão, e Luo Han só podia vagar dentro do limite, andando e sentindo a brisa — sem poder ir além. Se ao menos ele estivesse por perto, ela poderia conversar, mas estando sozinho em meditação, ela ficou completamente isolada por quinze dias. No décimo dia, já havia começado a conversar com flores e plantas.

Se não saísse logo, ia perder a sanidade.

Ling Qingxiao permaneceu sentado, cultivando calmamente, e respondeu num tom composto:

— Espere até dominar os cinco encantamentos, recitando-os fluentemente sem hesitação.

Luo Han respirou fundo, em silêncio. Será que Ling Qingxiao era mesmo humano?

Sufocando a frustração, segurou o pergaminho de jade e, chegando ao limite, declarou:

— Não aguento mais. Eu vou embora!

Sentindo a forte oscilação emocional dela, Ling Qingxiao abriu os olhos, relutante, e disse:

— Mas sua tarefa ainda não foi concluída.

— O que é mais importante, o cultivo ou eu?! — retrucou Luo Han, a voz tremendo de emoção. — Não falo com ninguém há meia lua! Se eu continuar aqui, vou enlouquecer!

— Só se passaram quinze dias — respondeu ele, confuso. — As pessoas costumam se isolar por centenas de anos. Você não aguenta nem meia lua... o que fará no futuro?

Isolamento de centenas de anos... Só de pensar em ficar sem sair de casa, sem falar, sem ver o sol por cem anos, Luo Han já sentia o peito apertar. Não era de se estranhar que Ling Qingxiao fosse tão frio — era resultado da reclusão.

Luo Han achou que já tinha passado vergonha o bastante, então decidiu jogar tudo para o alto. Atirou-se de volta no sofá macio com uma expressão de peixe morto:

— Não me importo. Vou até a cidade comer. Se continuar aqui, vou morrer.

Ling Qingxiao franziu o cenho e a repreendeu com firmeza:

— Pare de falar bobagens.

Luo Han, sem perceber, havia deixado escapar uma expressão moderna. Estava acostumada com aquilo e nem deu importância, mas para Ling Qingxiao, soava como um presságio nefasto. No Reino Imortal, dava-se grande valor à causalidade, e acreditava-se que toda palavra carregava poder. Diziam até que era possível pressentir a morte por meio de pequenos sinais.

No Reino Imortal, falar de morte era tabu. Luo Han se calou na hora, percebendo que tinha falado demais. Embora estivesse constrangida demais para admitir o erro, jogou-se no sofá mais uma vez, fazendo bico, obstinada:

— Não importa. Eu vou sair.

Ling Qingxiao não sabia como lidar com esse tipo de comportamento. Nunca encontrara alguém assim. Quando traçava um plano, ele sempre o cumpria. Nenhum de seus discípulos mais velhos ou mais novos jamais ousara agir assim. Suspirando, disse:

— Eu levo você, mas tem que concluir o plano primeiro.

Luo Han continuou deitada no sofá, imóvel. Os dois se encararam por um momento e, no fim, foi Ling Qingxiao quem cedeu:

— Tudo bem. Vamos adiar... só desta vez.

Luo Han imediatamente se sentou, como se toda a fraqueza anterior tivesse sumido. Ling Qingxiao não pôde evitar sentir-se exasperado. Acrescentou, com ênfase:

— Só desta vez. Não torne isso um hábito.

Luo Han assentiu com firmeza, respondendo com convicção:

— Eu prometo.


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