As criadas se entreolharam, confusas. A senhora havia ordenado que convocassem o segundo jovem mestre — não mencionara nada sobre levar outra pessoa junto.
Ainda assim, nenhuma ousou questionar a ordem. Estranhamente, embora o jovem mestre mais velho, Ling Chongyu, fosse o mais favorecido e tivesse maior influência, as criadas costumavam brincar com ele e até contradizê-lo diretamente. Mas com Ling Qingxiao, nenhuma delas jamais se atrevia a ultrapassar os limites.
Quando Ling Qingxiao falava, ninguém ousava levar suas palavras levianamente. Após trocarem alguns olhares, todas permaneceram em silêncio. No fim, curvaram-se e responderam em uníssono:
— Sim, segundo jovem mestre.
Quando Luo Han e Ling Qingxiao chegaram, o salão principal já estava animado com conversas. Embora fosse apenas um "banquete em família", Su Yinyue, é claro, estava presente. Antes mesmo de entrarem, Luo Han já podia ouvir as risadas de Su Yinyue vindo lá de dentro.
Ela não tinha dito que estava doente há poucos dias? Não parecia nada doente agora — seu ânimo claramente estava alto.
Pelo som de sua risada, ela estava genuinamente contente. E por que não estaria? Yun Menghan e Ling Chongyu estavam em meio a uma guerra fria — Yun Menghan o evitava havia dias e até se recusava a aceitar seus talismãs de comunicação. Su Yinyue devia estar nas nuvens.
Assim que Luo Han e Ling Qingxiao entraram, as risadas no salão cessaram abruptamente com o anúncio de sua chegada feito por um atendente celestial. Seguiu-se um breve silêncio, e então as conversas voltaram gradualmente. Várias pessoas se levantaram para saudá-los:
— O segundo jovem mestre chegou.
Os atendentes celestiais se curvaram profundamente. Su Yinyue levantou-se de onde estava, ao lado de Su Yifang, e Ling Chongyu também se pôs de pé, com expressão fria. Todos no salão se ergueram para cumprimentar Ling Qingxiao — todos, exceto Su Yifang.
— Segundo jovem mestre — disseram todos em uníssono.
A expressão de Ling Qingxiao era calma e distante. Ele ergueu a manga e fez uma reverência polida na direção de Su Yifang.
— Madame.
Vestido de branco impecável, ele era tão marcante em sua quietude que parecia quase irreal — como algo saído de um sonho. Quando se movia, sua presença tornava-se ainda mais elegante. Mesmo um simples cumprimento, vindo dele, era fluido e comedido, perfeitamente equilibrado — nem submisso, nem arrogante.
Luo Han seguiu seu exemplo e também fez uma saudação. Como anciã, Su Yifang merecia uma reverência formal, mas pessoas como Su Yinyue e Ling Chongyu eram da mesma geração — um leve aceno bastava.
Após trocarem as devidas cortesias, todos voltaram aos seus lugares. Luo Han rapidamente observou o salão. Su Yifang agora repousava com graça sobre o divã, irradiando uma compostura nobre. Su Yinyue estava sentada ao seu lado com intimidade, abanando-a com familiaridade ensaiada. Ao lado do divã, havia uma cadeira — claramente colocada ali momentos antes por um criado — e Ling Chongyu agora se sentava nela, tão próximo de Su Yinyue que seus braços quase se tocavam.
A intenção de Su Yifang em aproximá-los não poderia ser mais óbvia.
E Ling Qingxiao? Após o breve cumprimento, ele se dirigiu a uma das cadeiras de convidados — separado do trio por uma divisória decorativa, uma distância tanto física quanto simbólica.
Luo Han soltou um suspiro silencioso e o acompanhou, sentando-se ao lado dele entre os assentos dos convidados. Já sentada, ela lançou um olhar à parte superior do salão, onde tia, sobrinha e filho estavam aconchegados. Depois olhou para Ling Qingxiao, sentado sozinho e isolado, e não pôde evitar um aperto no peito.
Chamavam aquilo de reunião familiar, mas assim que todos estavam presentes, ficava claro — apenas aqueles três eram considerados família. Su Yinyue se agarrava a Su Yifang, tagarelando; com a sobrinha de um lado e o filho do outro, Su Yifang não tinha espaço — nem intenção — de se importar com o silencioso e solitário Ling Qingxiao.
Claramente, Ling Qingxiao era o filho legítimo — e ainda assim, naquele suposto encontro familiar, desde Su Yifang até a mais humilde das criadas, ninguém lhe dava atenção. Todo o calor e entusiasmo eram reservados a outros. Ling Qingxiao permanecia afastado, envolto em silêncio.
Luo Han sentiu uma pontada no coração. Lançou um olhar furtivo a Ling Qingxiao. Ele levantava calmamente a tampa da xícara de chá, com expressão serena. Percebendo o olhar dela, ergueu os olhos, intrigado.
— O que foi?
Ele estava tão sereno, como se tudo o que se passava diante dele nada tivesse a ver consigo. Com tantas pessoas presentes, Luo Han não conseguiu expressar o que sentia. Apenas balançou a cabeça, sinalizando que não era nada.
Embora ela não dissesse uma palavra, Ling Qingxiao podia imaginar mais ou menos o que passava pela mente dela. Aquela garotinha tinha seus momentos de imaginação fantasiosa, mas na maior parte do tempo, era fácil de decifrar.
Esse tipo de coisa já acontecera tantas vezes. Tantas, que Ling Qingxiao já não sentia absolutamente nada. Ele já esperava por isso havia muito tempo — afinal, dez meses no ventre não se comparam a mil anos de convivência diária.
Ele já sabia como tudo seria antes mesmo de saírem. Na verdade, aquilo já não o incomodava. O Ling Qingxiao de sua juventude talvez tivesse se ferido com o favoritismo dos pais, talvez tivesse se culpado por não ser bom o bastante. Mas o Ling Qingxiao de hoje já não se importava mais.
Ainda assim, pelo olhar dela, aquela pequena parecia mais incomodada por ele do que ele próprio.
Afinal, ela ainda era jovem — ainda se deixava levar pela alegria ou tristeza de acordo com o tratamento dos mais velhos. Sem dizer nada, Ling Qingxiao pegou uma xícara da mesa. Limpou-a com uma onda de energia espiritual e então ergueu o bule, servindo chá para ela pessoalmente.
Su Yifang sempre viveu em luxo; qualquer coisa colocada diante dela era da mais alta qualidade. Esse conjunto de chá não era exceção — infundido com energia espiritual, liso e lustroso, feito de jade de altíssima categoria.
Luo Han estava admirando o conjunto de chá, mas por algum motivo, seu olhar aos poucos foi se desviando para as mãos de Ling Qingxiao — e então se recusou a desviar.
Ele tinha um rosto excepcionalmente bonito, mas suas mãos não ficavam atrás. As palmas eram delicadas, os dedos longos e bem proporcionados, com juntas suavemente delineadas. A xícara de jade deveria ser o centro das atenções, mas nas mãos de Ling Qingxiao, tornava-se mero adorno — sua elegância ofuscada pela graça dos dedos que a seguravam.
Ling Qingxiao serviu o chá com mãos firmes e, em seguida, estendeu a xícara para Luo Han. Quando a ofereceu, percebeu que Luo Han estava encarando a xícara com um olhar vago, como se estivesse imersa em pensamentos. Chamou seu nome suavemente, e só então ela despertou, como se acordasse de um sonho, e pegou a xícara.
Ling Qingxiao franziu levemente o cenho, intrigado. O que estava acontecendo hoje? Por que Luo Han continuava se distraindo assim?
Sem demonstrar nenhuma emoção, ele perguntou:
— Percebeu algo agora há pouco? Você ficou olhando por um bom tempo.
Luo Han sacudiu a cabeça rapidamente e murmurou:
— Não foi nada.
Como poderia dizer em voz alta? Como ela poderia admitir que tinha ficado hipnotizada pela beleza das mãos dele? Ela era o próprio Caminho Celestial — uma existência que precisava manter a dignidade no Reino Imortal. Como poderia dizer algo tão tolo?
Determinada, guardou o pensamento para si. Ling Qingxiao não insistiu, mas registrou o detalhe em silêncio.
Ele continuou:
— Este chá se chama "Depois da Chuva nas Montanhas Vazias". É um chá espiritual que cresce naturalmente, sem cultivo. Por surgir sob condições naturais, sua energia espiritual é pura e sutilmente impregnada com o ritmo do céu e da terra. Experimente.
Luo Han assentiu e, como ele sugeriu, abaixou a cabeça para tomar um gole — sem sequer perguntar por que um chá infundido com tamanha essência lhe faria bem. A essa altura, isso já se tornara um entendimento tácito entre os dois. Nenhum dos dois falava isso em voz alta; ambos paravam à beira do que não precisava ser dito.
Ela havia presumido que "essência do céu e da terra" era apenas uma figura de linguagem educada, mas, para sua surpresa, ao beber, sentiu realmente alguma coisa. A sensação era sutil, escorregadia — presente e ausente, como se flutuasse, indo e vindo fora do alcance.
Ela não disse nada de imediato, mas Ling Qingxiao, observando-a atentamente, perguntou:
— Você sentiu?
— Uhum — Luo Han assentiu instintivamente, depois hesitou. — Mas... não tenho certeza. Talvez só tenha imaginado.
— Você não se enganou. Os mistérios do céu e da terra não são facilmente compreendidos — disse Ling Qingxiao, servindo-lhe outra xícara. — Centre seu espírito, esvazie sua mente — e, aos poucos, começará a compreender.
De tudo o que ele dissera, o "esvazie sua mente" era o verdadeiro recado. Luo Han pensava demais. Na visão dele, os olhos de uma criança deveriam enxergar o mundo como algo puro e impecável. As feiuras dos assuntos adultos — desejos, interesses, preconceitos — não deveriam turvar sua percepção.
Luo Han o escutava falar de verdades sutis e percepções profundas, e, de algum modo, isso fazia com que o chá em suas mãos parecesse menos uma bebida e mais um enigma zen. Endireitou a postura e tentou se concentrar, esforçando-se para compreender — mas, depois de um bom tempo, ainda se sentia perdida na neblina.
Enquanto isso, os sons do outro lado da cortina continuavam chegando até eles.
Su Yinyue estava aconchegada ao lado de Su Yifang, agindo de forma mimada e delicada. Estava claro que havia se arrumado especialmente para aquela ocasião. Enquanto conversava com Su Yifang, lançava olhares furtivos para Ling Chongyu pelo canto do olho.
Uma das criadas próximas, posicionada atrás de Ling Chongyu, notou e brincou com um sorriso:
— Senhorita Su, tem algo interessante deste lado? Você não para de olhar pra cá.
A insinuação era óbvia — não havia dúvidas sobre quem Su Yinyue estava espiando.
Risos percorreram o salão. Su Yinyue ficou vermelha como um pimentão sob a provocação de todos. Escondeu o rosto atrás de seu leque redondo e fez beicinho em direção a Su Yifang:
— Tia, olha as suas criadas! Estão me provocando!
Su Yifang havia feito vista grossa às interações entre o filho e a sobrinha até então, claramente satisfeita com o progresso. Agora, ao ouvir a queixa de Su Yinyue, riu e disse:
— Você que não parava de olhar. Agora que alguém comentou, vem dizer que estão te provocando?
Com Su Yifang entrando na brincadeira, os risos das criadas imortais tornaram-se ainda mais altos. Su Yinyue fez bico, frustrada, e puxou a manga da tia, resmungando como uma criança mimada:
— Tia, até você está me provocando! Não vou permitir!
Su Yifang riu ainda mais. Ao ver que o rosto de Su Yinyue já estava corado de vergonha, soube que era hora de parar. Sorriu e disse:
— Você sempre foi frágil — todos só querem te mimar, não provocar. E mesmo que alguém tivesse essa ousadia, seu primo não permitiria, não é?
Luo Han não conseguiu evitar um leve azedume diante da cena açucarada. Inclinou-se e cutucou Ling Qingxiao com o cotovelo. Quando ele se virou, ela se aproximou mais e sussurrou por meio de uma transmissão de voz silenciosa:
— Disseram "primo" — estão falando de você.
Transmissão de voz era uma técnica mágica sutil que permitia que duas pessoas conversassem diretamente entre suas mentes sem mover os lábios. Não podia ser ouvida por outros — mas só funcionava entre dois indivíduos, e, diante de diferenças esmagadoras de poder, até essa técnica podia ser interceptada.
Ainda assim, para conversas informais em um cômodo privado como aquele, era mais que suficiente.
Ling Qingxiao lançou-lhe um olhar exasperado e respondeu pela mesma via:
— Pare de brincar.
Tecnicamente, ele era o primo de Su Yinyue — o único legítimo, na verdade —, mas jamais a considerara sua responsabilidade. E, com certeza, quando Su Yinyue chamava por "primo", nunca se referia a ele.
As palavras de Su Yifang eram claramente uma forma de dar espaço ao jovem casal. Mas, após ela falar, embora Su Yinyue estivesse ruborizada de vergonha, a outra parte permaneceu em silêncio por um bom tempo.
Sem escolha, Su Yifang teve que ser mais direta e chamou de novo:
— Chongyu, você não acha também?
Luo Han estava prestes a tentar focar novamente na ressonância espiritual do chá, mas o aroma de fofoca no ar era forte demais para resistir. Imediatamente abandonou qualquer ideia de iluminação, sua atenção voltada por completo para a resposta de Ling Chongyu.
Ling Qingxiao suspirou interiormente. Se ao menos Luo Han fosse um terço tão entusiasmada com o cultivo quanto é com fofocas...
Mas, inesperadamente, mesmo após uma longa pausa, ainda não havia resposta alguma do suposto protagonista masculino.
A essa altura, estava óbvio para todos — Ling Chongyu estava completamente distraído.
Embora sentado entre a mãe e a prima, a mente de Ling Chongyu já estava a quilômetros dali. Não conseguia parar de pensar: O que Yun Menghan estaria fazendo agora?
Ela o ignorava há dias, recusando-se até mesmo a responder seus talismãs de mensagem, tudo por causa de algum boato infundado que devia ter ouvido. E agora, uma convocação de emergência do Palácio Celestial havia causado falhas em muitas das formações e matrizes de voo de Zhongshan. Vários discípulos haviam caído e se ferido.
As habilidades de voo de Menghan sempre foram instáveis. Será que ela foi pega no meio disso? Será que se machucou?
Quanto mais pensava, mais sua expressão se fechava. Queria poder simplesmente se levantar e voar até ela, sem dizer uma palavra.
Nesse momento, em meio aos pensamentos dispersos, ouviu seu nome.
Assustado, Ling Chongyu despertou de repente. Levantou os olhos e viu Su Yifang observando-o atentamente, com um olhar repleto de desagrado.
— Chongyu — repetiu ela, com voz fria. — O que você acha?
Ling Chongyu rapidamente vasculhou os últimos acontecimentos com seu sentido espiritual e percebeu que Su Yifang estava falando sobre Su Yinyue. Apesar de si mesmo, a imagem de Yun Menghan voltou a surgir em sua mente — mas, naquele instante, todos olhavam para ele, esperançosos.
Diante dos olhares esperançosos da mãe e da prima, Ling Chongyu só pôde suspirar internamente e dizer:
— Claro. Estando aqui, naturalmente não deixaremos que provoquem a Yinyue.
Os olhos de Su Yinyue imediatamente brilharam. O "estando aqui" dito por ele foi rapidamente — e silenciosamente — traduzido por seu coração como "eu".
Luo Han fez um estalo com a língua, internamente entediada. O nível de irresponsabilidade emocional desse protagonista é absurdo. Se ele realmente amasse Yun Menghan, deveria simplesmente dizer. Por que manter tudo vago — meio enredado com Yun Menghan, mas sem rejeitar Su Yinyue de forma clara?
Luo Han não engolia essa. Se Ling Chongyu deixasse clara sua posição — recusasse uma, duas vezes — será que a família Su ainda estaria tão ansiosa para casar a filha?
Ridículo. Talvez ela só não entendesse o amor. Mas, para ela, gostar de alguém era gostar. Não gostar era não gostar. Qual era o sentido dessa baboseira toda de "queria dizer, mas não posso"?
Sentindo-se ousada demais, Luo Han se inclinou novamente e, discretamente, usou a transmissão de voz para sussurrar a Ling Qingxiao:
— Você também é primo dela. O que acha disso?
Dessa vez, Ling Qingxiao se virou para encará-la, os olhos serenos e frios.
— Já que parece ter tanto tempo livre — disse em tom neutro —, por que não aproveita para revisar seus sutras?
Foi como um balde de água fria atirado diretamente em seu rosto. O fogo da fofoca que ardia no coração de Luo Han foi instantaneamente extinto — por completo — deixando sua alma enregelada até o âmago.
Ela tinha realmente passado dos limites. De onde tinha tirado coragem para provocar Ling Qingxiao repetidas vezes?
Obrigada a entrar no modo recitação, Luo Han se sentia miserável. Aquilo beirava o criminoso — aquele deveria ser o intervalo do meio-dia, e ainda assim, ela estava sendo testada com sutras.
Afinal, Luo Han não havia crescido no Reino Imortal. Sua base era frágil, na melhor das hipóteses; seu conhecimento era cheio de lacunas, como o céu remendado por Nüwa — defeituoso e desmoronando por todos os lados. Quanto mais Ling Qingxiao tentava identificar o que lhe faltava, mais buracos encontrava. No fim, até ele ficou sem palavras e teve que começar a explicar tudo desde o princípio.
Luo Han se esforçava para acompanhar quando, de repente, percebeu algo estranho: o cômodo havia caído em silêncio total. Levantou os olhos, confusa, e notou que todos haviam parado de conversar. O salão inteiro os observava com curiosidade contida.
Uma criada de rosto redondo, posicionada ao lado de Su Yifang, quebrou o silêncio com um sorriso:
— Do que estão falando com tanta seriedade, segundo jovem mestre e senhorita Luo?
A criada falava em nome de Su Yifang. Depois de conversar com o filho e a sobrinha por um tempo, Su Yifang de repente percebeu que havia deixado Ling Qingxiao de lado sem querer. O propósito daquele encontro era justamente tentar remendar sua relação desgastada com o filho, e agora que percebera quanto tempo o ignorara, uma onda de culpa a invadiu. Rapidamente, virou-se para verificar onde ele estava.
E o que viu a pegou completamente desprevenida.
Ao contrário do que esperava, Ling Qingxiao não estava sentado de lado com expressão solitária ou desconfortável. Em vez disso, conversava calmamente com uma jovem, ambos totalmente absorvidos no diálogo. Seus rostos estavam concentrados, a troca entre eles era sincera — como se o resto da sala tivesse desaparecido.
Su Yifang os observou por um longo momento. Tentou falar várias vezes, mas não encontrou espaço. Seu comportamento estranho não passou despercebido. Aos poucos, todos ao redor silenciaram, seus olhares voltando-se para Ling Qingxiao e Luo Han.
No centro de todos aqueles olhares curiosos, os dois ainda sussurravam entre si. Su Yifang de repente sentiu uma sensação estranha de deslocamento — como se a pessoa excluída não fosse Ling Qingxiao, mas ela própria.
Ling Qingxiao, cuja percepção espiritual era extremamente aguçada, já havia notado a mudança há muito tempo. Apenas escolhera ignorá-la. Só quando Luo Han finalmente percebeu que algo estava errado é que a conversa cessou, relutante.
Ao ouvir a pergunta da criada, Luo Han percebeu que Su Yifang estivera esperando por eles havia algum tempo. Um pouco envergonhada, respondeu:
— Não é nada. Estávamos discutindo o Sutra Jiuhua.
O Sutra Jiuhua era um texto clássico dos ensinamentos daoistas, leitura obrigatória para qualquer um que praticasse cultivo. Su Yifang já estava surpresa, mas ao ouvir a explicação de Luo Han, sua surpresa aumentou ainda mais.
— O Sutra Jiuhua? Vocês estavam discutindo escrituras agora há pouco?
Luo Han assentiu. Ling Qingxiao, sentado ao lado dela, corrigiu com a maior seriedade:
— É o Sutra Jiuhua, edição Xuanming, que já não se enquadra mais na categoria de escrituras tradicionais.
Su Yifang ficou sem palavras, sem saber o que dizer. Não sabia se deveria ficar satisfeita por ver a nova geração tão dedicada ao estudo — discutindo escrituras até durante o almoço — ou entristecida por Ling Qingxiao não interagir com ela. Havia se dado ao trabalho de organizar aquele encontro para consertar a relação entre os dois, mas Ling Qingxiao não tomava qualquer iniciativa. Parecia mais contente debatendo doutrinas com quem estivesse por perto do que conversando com ela, sua própria mãe.
Su Yifang ficou em silêncio, e Ling Qingxiao permaneceu igualmente calado. Ninguém se manifestou. Ling Chongyu fingiu não perceber, enquanto Su Yinyue, captando a tensão, afastou-se discretamente de Su Yifang e sentou-se sozinha.
O clima no salão tornava-se cada vez mais tenso, e quando o constrangimento estava prestes a explodir, ouviram-se saudações vindas do lado de fora. Ling Xianhong havia chegado.
A chegada de Ling Xianhong dissipou parte da tensão do ambiente. Todos se levantaram para receber o chefe da família, e o desconforto anterior se dissolveu em meio aos cumprimentos trocados.
Ling Xianhong entrou no salão, acompanhado por Bai Lingluan, que ainda trajava vestes simples e elegantes — graciosa e gentil. No instante em que Su Yifang viu Bai Lingluan surgindo ao lado de Ling Xianhong, sua expressão escureceu imediatamente.
Ling Chongyu saudou Ling Xianhong e, em seguida, voltou-se para Bai Lingluan para cumprimentá-la. Os olhos de Bai Lingluan brilharam, e seu olhar para Ling Chongyu tornou-se visivelmente mais caloroso. No entanto, por conta da presença dos demais, forçou-se a conter os sentimentos.
A tentativa de Bai Lingluan de esconder suas emoções não foi nem um pouco sutil, e muitos no salão notaram. Su Yifang soltou uma risada fria, seu bom humor anterior evaporando por completo.
Ling Chongyu, preso no meio, sentia-se sufocado pela tensão entre suas duas mães. Mesmo após a revelação de sua verdadeira origem, não sentia qualquer distanciamento de Su Yifang. Em seu coração, ela sempre fora sua mãe.
No entanto, Bai Lingluan também havia sofrido muito por sua causa. Uma mulher frágil que suportara anos de dificuldade, arriscando a própria vida para trazê-lo ao mundo, e se recusando a abandoná-lo mesmo em meio à dor. Ling Chongyu secretamente nutria profunda compaixão por sua mãe biológica.
De um lado, a mãe adotiva, que o criara com esmero ao longo dos anos e trabalhara arduamente para seu sucesso; do outro, a mãe biológica, cuja vida fora marcada pela tristeza e cuja natureza gentil parecia inofensiva. Ling Chongyu não conseguia rejeitar nenhuma das duas. Ambas eram suas mães, e, se pudesse, prestaria reverência filial a ambas. Mas Su Yifang e Bai Lingluan jamais deixavam as coisas se apaziguarem. As duas estavam constantemente em conflito, criando atrito, e Ling Chongyu se via preso no meio, sem saber o que fazer.
Mulheres eram mesmo tão mesquinhas assim? Por que tudo, até mesmo um nome, precisava se tornar uma disputa por superioridade? Yun Menghan e Su Yinyue eram iguais. E o mesmo valia para Su Yifang e Bai Lingluan.
Ling Xianhong parecia completamente alheio à rivalidade entre as duas mulheres. Caminhou com confiança até o salão principal. Agora que ele havia chegado, não seria apropriado permanecer sentado no salão lateral como antes. Su Yifang o acompanhou até o assento principal, enquanto Bai Lingluan permaneceu de pé ao seu lado. Ling Chongyu e Ling Qingxiao sentaram-se nas posições inferiores à esquerda e à direita, e tanto Luo Han quanto Su Yinyue instintivamente se acomodaram ao lado de seus respectivos protetores.
As criadas-feiticeiras entraram uma após a outra para trocar o chá. Suas vestes esvoaçavam enquanto se moviam em silêncio, e, após depositarem o novo bule, retiraram-se sem dizer uma palavra. Ling Xianhong sentou-se com uma presença imponente, tomou um gole de chá, depois pousou a xícara e foi direto ao ponto:
— Chamei todos aqui hoje porque há um assunto importante a ser discutido.
Mesmo antes que Ling Xianhong começasse a falar, os outros já tinham uma boa ideia do que estava por vir. Como esperado, após uma breve pausa, Ling Xianhong prosseguiu:
— O Palácio Celestial emitiu um chamado, exigindo que cada clã selecione elites com cultivo a partir do estágio inicial de Imortal Celestial para se unirem no esforço de suprimir a Fera Devoradora de Yuan no Mar Ocidental de Xie'er. A Fera Devoradora de Yuan escapou novamente de seu selo, está em fúria no Mar Ocidental e causando caos.
Após encerrar a explicação, Ling Xianhong tomou mais um gole de chá. Os outros escutavam atentamente, mas ninguém se apressou a falar, pois todos sabiam que aquilo ainda não era tudo.
Como já esperavam, depois de se recompor, Ling Xianhong pousou a xícara lentamente e, após uma pausa deliberada, lançou a bomba:
— Se ela tivesse consumido apenas ervas celestiais comuns e tesouros, seria uma coisa. Mas o que ela devorou foi a Pedra Seladora de Demônios.
Todos já estavam preparados para algo sério, mas ao ouvirem essas palavras, uma expressão clara de choque apareceu no rosto de Su Yifang.
A Pedra Seladora de Demônios!
A última vez que Su Yifang ouvira falar da Pedra Seladora de Demônios fora nos livros de história durante sua educação básica. A menção era breve, mas a história da pedra remontava à era dos deuses.
Dizia-se que, quando os deuses criaram o mundo, dividiram as energias entre o céu e a terra. A energia mais leve e pura subiu como energia espiritual, enquanto a mais pesada e corrompida afundou como energia demoníaca.
Os imortais e os demônios absorveram essas diferentes energias, sem que houvesse uma superior à outra. Eram apenas dois sistemas distintos de poder. Mais tarde, quando o céu e a terra se separaram, os imortais ascenderam com os deuses e estabeleceram-se nos céus, enquanto o clã demoníaco, os humanos e os animais permaneceram na terra.
A princípio, ninguém via problema nisso. Os deuses podiam transitar livremente entre céu e terra, e Nüwa passava a maior parte do tempo no solo. Mas, com o tempo, os deuses desapareceram do mundo, restando apenas vestígios do Reino Divino nos céus. Enquanto isso, a humanidade — favorecida por Nüwa — prosperava, e o espaço de sobrevivência dos demônios era gradualmente invadido. Foi então que perceberam que os imortais, por estarem mais próximos dos céus, haviam monopolizado muitos dos recursos do mundo.
No início, imortais e demônios eram iguais, mas, ao longo do tempo, devido ao favorecimento divino, a disparidade entre eles aumentou, e os imortais começaram até a superar os demônios. O clã demoníaco, enfurecido, formou um exército para atacar o Reino Celestial. Assim terminou a era antiga e começou a era medieval, que duraria dez milhões de anos.
A era medieval foi essencialmente uma era de guerras — imortais e demônios travaram conflitos intermitentes por dez milhões de anos. Eventualmente, os deuses intervieram, estabeleceram uma barreira na fronteira entre imortais e demônios, e colocaram as Pedras Seladoras de Demônios para encerrar esse conflito longo e sem precedentes, ainda que de forma frágil.
Como o nome sugere, as Pedras Seladoras de Demônios serviam para suprimir a energia demoníaca. As veias demoníacas, como rios subterrâneos, fluem sob a terra. Ao colocar uma Pedra Seladora sobre o solo, a veia abaixo era bloqueada, desviando seu fluxo, como se se mudasse o curso de um rio.
Os deuses posicionaram as pedras na fronteira entre os dois reinos, formando uma espécie de represa. Qualquer veia demoníaca que chegasse a esse ponto seria forçada a recuar, impedindo a energia demoníaca de se espalhar para o Reino Imortal. Por um tempo, de fato, a energia demoníaca no Reino Demoníaco tornou-se mais concentrada.
No entanto, confiar apenas na repressão nunca seria uma solução duradoura. Os demônios, indulgentes e incontrolados em seus desejos, permitiram que os de alto escalão monopolizassem agressivamente as veias demoníacas, desperdiçando recursos. Como resultado, a energia demoníaca foi enfraquecendo. Hoje, reconhece-se amplamente que o Reino Demoníaco não tem forças para enfrentar o Reino Imortal.
Se uma nova guerra medieval estourasse agora, com todos — dos mais velhos às crianças — indo para o campo de batalha, os demônios certamente não suportariam.
O Reino Imortal acredita que a decadência dos demônios se deve à sua entrega aos desejos. Usam isso como exemplo para lembrar seus discípulos a cultivarem disciplina, manterem o decoro, focarem no treinamento e praticarem o desapego. Já o Reino Demoníaco crê que a atual escassez de energia demoníaca é consequência da interferência dos imortais.
Há muito tempo, eles suspeitam que, além das pedras seladoras nas fronteiras, os imortais tenham obtido mais pedras dos deuses durante a era antiga. Os demônios acreditam que os imortais as enterraram secretamente, abafando as veias demoníacas.
É fácil entender: se um rio é desviado, ele gradualmente se estreita e se transforma num filete de água.
Apesar da teoria, o Reino Imortal nega tudo. O Imperador Celestial chegou a emitir diversos éditos, repreendendo o Reino Demoníaco por espalhar rumores infundados.
Os dois lados discutem esse assunto há incontáveis anos. Mas, neste ano, algo inesperado ocorreu — a Fera Devoradora de Yuan desenterrou uma Pedra Seladora no Mar Ocidental de Xie'er e a engoliu.
A sala mergulhou num silêncio constrangedor.
Depois de um tempo, Luo Han havia folheado mais algumas páginas sobre a história das guerras entre imortais e demônios, formando uma compreensão geral sobre as Pedras Seladoras. Curiosa, decidiu quebrar o silêncio:
— Por que a Pedra Seladora apareceu no Mar Ocidental de Xie'er?
Essa era a dúvida de todos. Ling Xianhong segurou a xícara por um longo tempo antes de suspirar profundamente e responder:
— Ainda não conseguimos determinar isso.
Ling Xianhong realmente não sabia. Nem mesmo o Palácio Celestial podia afirmar se a pedra fazia parte das defesas de fronteira e foi arrastada para lá por mudanças geográficas, ou se era algo que surgiu naturalmente, formado pelas forças da própria natureza.
O Palácio Celestial havia confinado a Fera Devoradora de Yuan ao Mar Ocidental de Xie'er como forma de exílio. Desde que ela não emergisse para causar estragos nas terras sagradas do Reino Imortal, podia vagar livremente pelo mar. Quem poderia imaginar que, desta vez, ela engoliria a Pedra Seladora?
Sem a supressão da pedra, a energia demoníaca entrou em erupção, e as feras da região foram imediatamente provocadas por esse surto — tornando-se selvagens. Não apenas as feras encarregadas de vigiar as montanhas, mas até aquelas trancadas na Prisão Celestial começaram a exibir comportamentos violentos. Isso chamou a atenção do Palácio Celestial.
A situação era grave. As forças atuais do Palácio Celestial eram insuficientes. Já não se tratava de uma questão de estabilidade de famílias ou seitas individuais — dizia respeito a todo o Reino Imortal. Para resolver a crise, elites de todos os clãs deveriam unir forças.
O Imperador Celestial emitiu uma convocação dourada, ordenando que todos os líderes de clã enviassem seus guerreiros mais capazes.
Ling Xianhong pousou a xícara, endireitou as costas e seu olhar tornou-se solene. Com uma mudança súbita de tom, falou com gravidade:
— A importância da Pedra Seladora dispensa explicações. Todos aqui compreendem seu significado. Isto já não é uma questão de disputas pessoais ou familiares — trata-se de todo o Reino Imortal. Diante de tamanha justiça, emoções individuais devem ser deixadas de lado. Vocês dois — qual de vocês está disposto a ir até o Mar Ocidental de Xie'er, descobrir a verdade, restaurar a Pedra Seladora e resolver a crise que ameaça o Reino Imortal?
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