A cena diante dela era ao mesmo tempo bela e estranha, fazendo Luo Han se perguntar se estava sonhando. Sua tendência a admirar a beleza acabou vencendo o medo, e ela se aproximou de Ling Qingxiao com cautela, afastando suavemente seus longos cabelos.
Seu semblante era puro e imaculado, irradiando um brilho semelhante ao luar. Luo Han esperava que o grande senhor das trevas, destruidor de mundos, fosse uma figura aterrorizante, ou pelo menos alguém envolto em uma aura opressora de malícia. Para sua surpresa, ele mais parecia um ser celestial, belo e etéreo.
Enquanto contemplava aquela rara visão da verdadeira forma do senhor das trevas, Luo Han se lembrou de um detalhe que havia lido no livro.
No reino celestial, conquistar uma forma humana era algo reverenciado; retornar à forma verdadeira indicava um ferimento grave e ainda não curado. Com o corpo inferior de Ling Qingxiao agora manifestando-se como uma cauda de dragão, era evidente que ele não possuía energia espiritual suficiente para manter a forma humana. Este era um momento de extrema vulnerabilidade.
Luo Han recordou as palavras da Árvore Bodhi antes de partir: impedir Ling Qingxiao.
Se aproveitasse esta oportunidade para matá-lo agora, tudo estaria resolvido.
Luo Han olhou para o rosto de Ling Qingxiao e imediatamente expulsou esse pensamento da mente. Mesmo que uma pessoa bela tivesse feito algo errado, certamente havia uma razão por trás disso. Como ela poderia ferir alguém tão deslumbrante?
Que dignidade tem uma pessoa que se rende à beleza? Luo Han arregaçou as mangas e tentou mover Ling Qingxiao para uma área mais plana. Empregou toda a força que tinha para levantar seu ombro, mas ele nem se mexeu. Frustrada, decidiu transportá-lo aos poucos, começando por arrastar sua cauda de dragão.
Quando entrou na história, Luo Han ainda usava roupas modernas. No entanto, agora trajava as vestes confeccionadas pelos ancestrais dentro da barreira. Ela se lembrava de ter visto a Árvore Bodhi arrancar algumas folhas de si mesma, a Tartaruga Xuan recolher algumas pérolas do Mar do Leste, e os outros ancestrais moldarem e formarem o tecido. Luo Han pensava que aquelas roupas fossem uma solução temporária, mas, para sua surpresa, apesar das quedas e dos esforços para mover coisas, elas permaneciam completamente limpas.
A qualidade era impressionante. Pensando nisso, ela envolveu a cauda de Ling Qingxiao com os braços, começando pela extremidade mais fina. Segurou a ponta e reuniu toda a sua força para erguê-la um pouco, quando de repente notou a magnífica nadadeira prateada estremecer.
Instintivamente, levantou os olhos — e descobriu que Ling Qingxiao havia despertado. Ele a encarava, fria e intensamente, enquanto ela ainda segurava sua cauda. O ponto em que o toque dela havia pousado congelou instantaneamente.
Luo Han se encolheu com o súbito frio e, por reflexo, soltou a cauda, fazendo com que o membro já ferido despencasse com força contra o chão. Ela estremeceu com o som do impacto e rapidamente recuou a mão, escondendo-a inocentemente atrás das costas.
— Eu não fiz por mal! — disse ela. — Foi você que congelou do nada.
A expressão de Ling Qingxiao escureceu, transbordando intenção assassina. Sua cauda irradiou uma luz prateada intensa e, num instante, se transformou novamente em pernas. Luo Han refletiu em silêncio sobre como havia escapado por pouco com vida; se tivesse realmente cogitado machucá-lo minutos atrás, ela é que estaria deitada ali agora.
Ling Qingxiao se moveu um pouco, tentando se sentar. Observando-o, Luo Han perguntou com cautela:
— Quer que eu te ajude?
— Não é necessário.
A voz de Ling Qingxiao era clara e fria como gelo partido. Luo Han não pôde deixar de se impressionar com a qualidade celestial daquele timbre, mas mesmo assim retirou a mão.
Nem todo mundo aceita ajuda em momentos de fraqueza; respeitar isso às vezes era mais importante do que demonstrar gentileza. Além do mais, esse homem havia apontado uma espada para matá-la há poucos instantes — será que Luo Han já tinha esquecido disso?
Ele havia desestabilizado o portal temporal criado por tantos seres ancestrais, e agora Luo Han estava naquela situação em grande parte por causa dele.
Enquanto Ling Qingxiao se movia, muitos de seus ferimentos se reabriram, fazendo com que sangue fresco escorresse. O líquido carmesim descia por seus longos dedos, serpenteando até se infiltrar no solo.
Luo Han não suportava ver aquilo e falou suavemente:
— Cuidado. Você já está tão ferido... por que se forçar ainda mais?
Os lábios de Ling Qingxiao estavam pálidos, seu rosto quase translúcido. Ele olhou para Luo Han, com os olhos frios como o gelo.
— O que você quer de mim?
Por que ela continuava tão obcecada com ele? Mesmo quando havia desmaiado de exaustão, sua consciência permanecia alerta, permitindo-lhe sentir cada movimento ao redor.
Luo Han não aproveitou a oportunidade para matá-lo como ele havia imaginado; em vez disso, tentou arrastá-lo para longe dali. Para alguém que mantinha sua frieza inabalável havia tantos anos, Ling Qingxiao achou aquelas ações simplesmente desconcertantes. O que exatamente ela estava tentando fazer?
E, como se não bastasse, ela teve a ousadia de tocar sua cauda de dragão.
Durante mil anos, Ling Qingxiao não havia tido qualquer contato físico com outro ser, exceto por breves momentos após o nascimento, ainda enrolado em panos. Com o tempo, sua natureza fria o tornara cada vez mais avesso a qualquer tipo de contato — físico ou emocional.
Quando Luo Han tocou sua cauda, uma sensação quente e suave irradiou do ponto de contato. Foi uma experiência inédita e, por um breve instante, Ling Qingxiao se perdeu em pensamentos. Assim que recuperou a consciência, imediatamente e sem hesitação retirou a cauda de sua mão.
Na verdade, Ling Qingxiao poderia muito bem usar sua cauda para varrer qualquer um que ousasse ofendê-lo. Como dragão, possuía dons extraordinários e habilidades divinas; cada parte de seu corpo era um tesouro. Sua pele, por si só, era uma defesa impenetrável, e um simples movimento de cauda podia partir montanhas e rachar a terra.
Contudo, Luo Han não possuía cultivo algum. Mesmo um golpe leve da parte dele provavelmente resultaria em sua morte imediata. No fim, Ling Qingxiao se conteve e, suportando a intensa dor em seus meridianos, usou sua energia espiritual apenas para obrigá-la a soltar sua cauda.
Luo Han estalou a língua, frustrada. Olha só a atitude dele! Não é de se admirar que ele seja um desastre total no romance e não consiga manter a heroína ao seu lado.
A essa altura, ela tinha certeza de que ele era apenas um personagem secundário fadado à solidão. Lembrando-se de sua missão de salvar o mundo, apertou os dentes e continuou, tentando manter um tom gentil com Ling Qingxiao:
— Como eu disse, estou aqui para te salvar. Essas pedras são afiadas demais, e com seus ferimentos, você precisa de um lugar mais macio para descansar. Agora que está acordado, consegue se levantar e andar? Precisamos encontrar um lugar melhor.
Ling Qingxiao achou aquilo risível. Ela realmente não sabia o mínimo sobre o mundo? Acreditava mesmo que pedras poderiam ferir um dragão?
Era totalmente absurdo. Até mesmo seres do mesmo reino, empunhando artefatos poderosos e atacando com toda sua força, só conseguiam deixar marcas esbranquiçadas em sua pele. Os ferimentos que ele carregava haviam sido causados por raios celestiais.
Como Ling Qingxiao não disse nada, Luo Han presumiu que ele tivesse concordado. Estendeu a mão para ajudá-lo, mas ele desviou instintivamente de seu toque, apoiando-se em sua espada para se erguer.
Tudo bem, pensou ela, recolhendo a mão. Estava claro que Ling Qingxiao realmente detestava contato físico com outras pessoas. Luo Han havia estudado psicologia por um tempo e sabia que crianças privadas de contato físico próximo com os pais durante a infância frequentemente enfrentavam dificuldades para estabelecer relações interpessoais saudáveis na vida adulta, ficando mais suscetíveis a problemas emocionais.
Claro, isso valia para humanos; talvez os imortais fossem apenas naturalmente distantes e indiferentes, alheios ao mundo mortal.
Assim que Ling Qingxiao se levantou, pareceu incerto sobre qual direção seguir, mas ainda assim começou a caminhar em direção a um ponto específico. Sentindo-se uma total iniciante, Luo Han rapidamente o seguiu, sem querer ficar para trás.
Ela o acompanhava a uma distância calculada — nem tão perto a ponto de deixá-lo tenso, nem tão longe a ponto de se expor. Os dois caminharam em silêncio, um à frente do outro. Entediada, Luo Han não resistiu e começou a lançar olhares furtivos para Ling Qingxiao.
Sinceramente, deixando a trama de lado, Ling Qingxiao era mesmo um ser celestial. Mesmo ferido, parecia irradiar um brilho próprio.
Sob o luar, ele parecia uma entidade etérea, fria e de outro mundo.
Ele não precisava de luz — ele era a própria luz.
Luo Han não pôde deixar de se perguntar que tipo de figura divina seria o protagonista masculino, para que a protagonista feminina se mantivesse imune à beleza de Ling Qingxiao e ainda assim permanecesse ao lado dele com tamanha devoção.
Ling Qingxiao encontrou um local temporariamente seguro e parou. Os ferimentos deixados pela tribulação do trovão ainda não haviam cicatrizado, e a área de onde seu núcleo de dragão fora removido latejava a cada passo; qualquer movimento era uma tortura. Ele precisava desesperadamente descansar.
Ao vê-lo parar, Luo Han se aproximou com entusiasmo. Depois de testemunhar os perigos do mundo do cultivo, compreendeu que, embora fosse um suposto "Dao Celestial", ainda era uma mera mortal — e não podia se dar ao luxo de vagar sozinha. Quisesse ele ou não sua companhia, ela estava decidida a permanecer ao lado de Ling Qingxiao enquanto estivessem na borda do penhasco, aproveitando a chance para adquirir experiência.
Ling Qingxiao sentia tanta dor que até respirar doía; já não tinha forças para afastar Luo Han. Sentou-se de lado, tentando regular sua respiração, enquanto Luo Han se encolheu por perto, observando-o.
Ele parecia realmente miserável. Luo Han suspirou, pensando em como ele havia sido forçado pela própria mãe a extrair seu núcleo interno, atingido por cinquenta raios celestiais, e depois lançado num abismo sem fundo, sem qualquer chance de recuperação. O fato de ainda estar vivo já era, por si só, um verdadeiro milagre.
Luo Han se lembrou de que, antes de partir, a Árvore Bodhi havia apressadamente colocado em suas mãos um pingente em forma de folha, dizendo que ele continha um espaço de armazenamento com alguns itens salvadores que poderiam ser úteis em um momento crítico. Considerando o quanto a Árvore Bodhi temia por sua vida, era provável que o pingente também contivesse algum tipo de remédio curativo.
Luo Han puxou o pingente do pescoço. Era cristalino, com veios intrincados que lembravam uma folha de verdade. Depois de mexer nele por um bom tempo, ela se deu conta, desanimada, de que não conseguia abri-lo.
O espaço de armazenamento exigia energia espiritual para ser acessado, mas Luo Han nunca havia praticado cultivo — de onde tiraria essa energia?
Percebendo suas ações, Ling Qingxiao abriu os olhos e lançou-lhe um olhar frio. Sentindo-se um pouco constrangida sob o olhar dele, Luo Han ergueu o pingente em forma de folha e explicou:
— Este é um espaço de armazenamento que um ancião me deu, mas eu não consigo abrir. Você poderia me ajudar a desbloqueá-lo?
Ling Qingxiao ignorou a pergunta e voltou a fechar os olhos. Luo Han estava prestes a insistir quando, de repente, sentiu uma conexão com a folha do pingente.
Com um único pensamento, ela se viu dentro do mundo interior da folha de Bodhi. Havia vários potes e frascos espalhados ao redor. Ela não ousou pegar nada às cegas, então abriu cada recipiente com cuidado, tentando sentir o conteúdo de cada um.
Afinal, ela era a encarnação do Dao Celestial — naturalmente sensível à essência de todas as coisas.
Luo Han estava concentrada em explorar o espaço de armazenamento, e por um tempo, o silêncio se instalou entre os dois. Ling Qingxiao tentou usar sua energia espiritual para curar os órgãos feridos, mas uma onda de dor intensa percorreu seu corpo. Era uma dor que ele podia suportar, mas naquele momento, não conseguia entender por que deveria fazê-lo.
Pais, família, amigos, discípulos — todos o haviam abandonado em seu momento de crise. Por muito tempo ele havia se forçado ao limite, buscando a perfeição em tudo, apenas para ganhar a aprovação de seus pais. Agora percebia que, aos olhos de todos, ele era apenas uma existência indesejada e inferior.
Jamais se igualaria a Ling Zhongyu, e nunca receberia um reconhecimento verdadeiro. Se era assim, qual o sentido de toda sua perseverança até ali? Que valor havia em suportar tanta dor enquanto tentava se curar?
Por que continuar vivendo?
Um sentimento de desespero começou a consumir Ling Qingxiao. A energia espiritual se agitou violentamente dentro dele, despedaçando ainda mais seus meridianos já danificados. Justo quando ele afundava mais fundo nessa escuridão, uma voz repentinamente animada rompeu o silêncio:
— Achei!
A voz era melodiosa e agradável, e cada palavra parecia carregar um tipo de poder misterioso que arrancou Ling Qingxiao de seu estado atordoado. Ao abrir os olhos, viu que era ela de novo — a mulher barulhenta e enigmática.
Luo Han correu até ele com um frasco de jade nas mãos, os olhos brilhando de empolgação ao perguntar:
— Isso aqui pode curar seus ferimentos?
Ling Qingxiao lançou um olhar ao frasco e respondeu friamente:
— Essência de madeira de bodhi ancestral. É claro que pode.
Luo Han colocou rapidamente o frasco em sua mão, dizendo:
— Que ótimo! Você devia usar agora mesmo.
Ling Qingxiao ficou surpreso ao ver o frasco em sua mão. Olhou para ela com expressão desconcertada e perguntou:
— Pra mim?
— Claro! — respondeu Luo Han, com os olhos arregalados de expectativa. — Você devia experimentar. Eu tenho vários outros frascos, e se acabar esses, ainda tenho mais!
Ling Qingxiao não se moveu; em vez disso, olhou para Luo Han e perguntou:
— Você sabe o que é a essência da madeira de bodhi?
Luo Han realmente não sabia. Pensando que devia haver algum significado especial por trás daquilo, respondeu com sinceridade:
— O que é?
Seu olhar era tão genuíno que ficava claro que ela não fazia ideia de quão preciosa era a essência de uma madeira de bodhi milenar. Ling Qingxiao fechou os olhos, e o frasco de jade flutuou lentamente, pousando de volta nas mãos de Luo Han.
— Este item é valioso. Guarde bem, e não o mostre a mais ninguém.
Luo Han não entendeu muito bem, mas Ling Qingxiao sabia o quão rara era a essência da madeira de bodhi. Chamá-la de "valiosa" era um eufemismo; era algo que existia apenas nas lendas.
A essência condensada do Coração da Árvore Bodhi do Mundo podia trazer os mortos de volta à vida e purificar a mente de qualquer obstáculo. Uma única gota era suficiente para causar comoção nos seis reinos.
E, no entanto, aquela garota havia tirado um frasco inteiro... e ainda queria dar a ele.
Era difícil decidir se ela era ingênua ou apenas tola.
Luo Han jamais esperava que esse fosse o motivo. Ela já suspeitava que o presente da Árvore Bodhi não seria algo comum, mas, a julgar pela reação de Ling Qingxiao, seu valor era ainda maior do que ela havia imaginado.
Luo Han empurrou o frasco com força para as mãos de Ling Qingxiao e rapidamente virou de costas.
— Você precisa disso mais do que eu. E também não é como se eu estivesse te dando de graça.
Ela compreendia que o grande Lorde das Trevas, Ling Qingxiao, era orgulhoso; se simplesmente oferecesse o presente, ele com certeza recusaria. Então, decidiu tratar como uma transação:
— Eu vou te vender o remédio, mas não quero dinheiro. Em vez disso, você vai trabalhar pra pagar a dívida. Que tal? No momento, não tenho como me proteger, então vou trocar esse frasco de remédio por um ano de serviço como meu guarda-costas.
Luo Han ainda pensava como uma mortal, falando em termos de anos, e até achava que estava sendo ousada. Ling Qingxiao, por outro lado, genuinamente não sabia o que ela estava tentando fazer. Seus dedos se moveram levemente, e o frasco de jade permaneceu suspenso no ar, sem tocá-lo de fato.
— Isso não é a mesma coisa.
— Então decida você. Quanto tempo acha que precisa me proteger pra compensar o valor desse frasco de essência? O tempo que for, será esse. Pode ser?
Luo Han sentiu que era o retrato da integridade no ramo, implorando para que o guarda-costas estipulasse seu próprio preço como se ela fosse a contratante.
Ling Qingxiao olhou para Luo Han, uma vez mais confuso. Ao longo de toda sua vida, sentimentos como dúvida, hesitação ou fragilidade jamais haviam lhe ocorrido; em seu mundo, só havia planejamento.
A única diferença era que alguns planos eram feitos para dar certo — outros, para precisar dar certo.
Mas essa mulher diante dele estava completamente fora de qualquer plano, e Ling Qingxiao sequer conseguia recorrer à própria experiência para julgá-la. Ele a encarou por um longo tempo antes de perguntar novamente:
— O que você quer, afinal?
— Nada demais — respondeu Luo Han, com um sorriso que iluminava os olhos. — Eu vim por você. Meu único desejo é te salvar.
Luo Han não sabia dizer se ele aceitava sua explicação ou não, pois Ling Qingxiao a encarou por muito tempo antes de, por fim, fechar os olhos. Nem concordou, nem recusou. Sem saber o que se passava na mente do grande Lorde das Trevas, Luo Han colocou a essência da Árvore Bodhi no chão para provar que realmente tinha mais de sobra.
Depois de um longo impasse, Ling Qingxiao finalmente cedeu — mas aceitou apenas meio frasco.
Apesar de manter sua postura fria e não dizer nada, Luo Han imaginou que ele considerava aquilo um presente salvador vindo de um ancião, e por isso se obrigava a usar o mínimo possível. Meio frasco era, provavelmente, a menor quantidade que julgava necessária para garantir a própria sobrevivência.
Luo Han ficou sem palavras por um instante; o grande Lorde das Trevas era bem diferente do que ela imaginava.
Achava que ele seria um monstro, mas, na verdade, se assemelhava mais a uma divindade do que a um imortal. Esperava alguém extremo, vingativo, que tirava vidas sem hesitação — e, no entanto, ali estava ele, mantendo seus princípios. Mesmo diante de uma situação de vida ou morte, com tanta essência da Árvore Bodhi à sua frente, tudo o que disse foi:
— Cuide disso. Não deixe que outros vejam.
Ele havia sido traído tantas vezes: rejeitado por seu pai biológico, esvaziado de essência pela própria mãe, enganado e abusado pela mãe adotiva, e ainda recebeu o golpe fatal da protagonista. Claramente, ele era o que mais tinha razão para se rebelar contra o Reino Celestial e buscar vingança como o Lorde das Trevas.
E ainda assim, não o fez. Apesar de se tornar sombrio nos capítulos seguintes e se transformar em um fanático pela guerra, era inegável que continuava sendo um imperador notável.
Luo Han não pôde deixar de suspirar outra vez. Então por que, afinal, a protagonista escolheu o mocinho? Mesmo depois de ter o coração arrancado por ele e vê-lo se envolver com outras mulheres bem diante de seus olhos, ela sempre voltava. O que Ling Zhongyu tem de tão irresistível?
Continuava sendo um mistério sem solução.
Ling Qingxiao sentou-se na caverna e começou a refinar a essência da Árvore Bodhi. Luo Han observou enquanto seus ferimentos se curavam rapidamente. Ele passou três dias e três noites nesse processo, e Luo Han cochilou várias vezes. Quando finalmente acordou pela última vez, viu Ling Qingxiao — exalando uma elegância fria, intocado pelo mundano — sentado ali como um ser celestial saído de um sonho.
Ainda grogue de sono, Luo Han perguntou:
— Seus ferimentos se curaram?
— Já não é nada grave — respondeu Ling Qingxiao, com a expressão um pouco mais séria. — Uma gota de bondade merece uma fonte de gratidão. Vou lembrar da sua ajuda. Nos próximos mil anos, se você tiver algum pedido, não hesitarei em atendê-lo.
Luo Han, sem ter plena noção do que dizia, soltou de supetão:
— Até mesmo cultivar juntos?
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