Capítulo 4: Cooperação


 Os olhos de Ling Qingxiao brilharam como gelo sob a luz da lua enquanto ele a encarava friamente, e a mente de Luo Han se clareou na hora. O que eu estava pensando? Tinha enlouquecido ao provocar o grande Lorde das Trevas?

Num impulso de pânico, ela se sentou depressa, abraçando os joelhos, e falou com sinceridade:

— Eu ainda não tinha acordado direito... Estava só falando bobagem. Por favor, não leve a sério.

E, com medo de que Ling Qingxiao reconsiderasse, ela se apressou em acrescentar:

— Prometo que não vou nutrir nenhum tipo de sentimento romântico. Nosso relacionamento é puramente profissional.

Ling Qingxiao sempre fora frio e autocontrolado, disciplinado ao extremo. Durante muitos anos, sua única companhia havia sido uma espada. Ele era reservado com os outros; mesmo as pessoas de Chongshan o tratavam com uma mistura de respeito e distância, raramente demonstrando calor ou afeto. Aquela era a primeira vez que ouvia alguém mencionar "cultivar juntos" em sua presença.

E era uma mulher.

No entanto, ela havia acabado de curá-lo. Yun Menghan o salvara uma vez usando suas próprias folhas, e ele a protegera, sem reclamar, por setecentos anos. Quanto maior e mais profundo era o favor de Luo Han? Ling Qingxiao suportou a ofensa e respondeu com uma voz fria, que mantinha os outros à distância:

— Eu cumpro minhas promessas, mas prefiro não ter contato com outras pessoas, em nenhum sentido. Espero que você pense da mesma forma. Não devemos comprometer o respeito mútuo.

Luo Han assentiu imediatamente.

— Tudo bem, eu prometo!

Ela jamais teria coragem de repetir aquilo. De fato, havia acabado de acordar quando interpretou mal as palavras de Ling Qingxiao e perguntou por instinto. Os céus são testemunhas — eu não tinha segundas intenções!

Ling Qingxiao era tão frio e nobre que Luo Han sequer conseguia imaginá-lo apaixonado, muito menos envolvido em qualquer tipo de situação romântica, ou praticando cultivo duplo.

Só de pensar nisso, já se sentia como se fosse ser atingida por um raio.

Como pude manchar um ser tão puro e etéreo com pensamentos tão impuros e mundanos? Era praticamente um pecado.

Após aquela interrupção constrangedora, a atmosfera entre Luo Han e Ling Qingxiao tornou-se estranhamente tensa. Ele se levantou e disse:

— Já que você acordou, podemos começar a procurar uma saída. Vou esperar lá fora.

Luo Han assentiu. Ela havia acabado de despertar e ainda precisava se recompor — por isso, ficou surpresa com a consideração dele. Quando ele chegou à entrada da caverna, parou de repente e perguntou:

— Você costuma confiar assim nas pessoas?

No Reino Celestial, seres não dependiam da visão para perceber o mundo; os imortais criavam formações para proteger-se das percepções espirituais dos outros, não apenas de seus olhares. Ele não havia feito nenhum juramento contra demônios do coração, e mesmo assim Luo Han acreditava de verdade que ele não usaria sua percepção espiritual para espiá-la?

E ontem, quando ela colocou vários frascos da essência da Árvore Bodhi diante dele... Ela não teve medo de que ele fosse tomado pela ganância e a matasse para roubá-los?

Luo Han parou por um momento, percebendo que Ling Qingxiao se referia aos acontecimentos do dia anterior, e riu:

— Claro que não.

— Eu simplesmente confio em você.

Ling Qingxiao ficou parado na entrada da caverna, envolto por uma névoa escura, mas suas vestes brancas se destacavam como um loureiro sob a luz da lua.

No fim, ele não respondeu nem virou-se para ela — apenas saiu da caverna em silêncio.

Luo Han se levantou depressa para ajeitar suas roupas. Felizmente, no mundo do cultivo, as vestes nunca se sujavam nem amassavam, mantendo-se sempre tão etéreas quanto seus usuários. Ela estava pronta em instantes.

Enquanto se ajeitava, notou que os pequenos cortes que havia sofrido ao cair nas pedras mais cedo haviam desaparecido sem que ela percebesse. Achou curioso, mas como Ling Qingxiao já a aguardava do lado de fora, não quis deixá-lo esperando. Deixando o assunto de lado, saiu apressada.

Ela seguiu atrás de Ling Qingxiao, e juntos começaram a procurar uma saída.

Ling Qingxiao já havia entrado no estado de inédia e não precisava mais de comida nem descanso, mas Luo Han não era tão sortuda. Embora conseguisse se alimentar graças ao líquido espiritual presenteado pela Árvore Bodhi, o sono era algo que não podia ser substituído.

Como resultado, avançavam devagar, andando por um tempo e depois parando. Escapar do abismo parecia um objetivo distante, mas o vínculo entre Luo Han e seu companheiro cresceu bastante.

Bom, esse "progresso" era algo que só Luo Han parecia acreditar. Naquela noite, como de costume, Ling Qingxiao encontrou um local abrigado para que ela pudesse dormir.

Luo Han repousou a cabeça sobre o braço, observando enquanto Ling Qingxiao escolhia um ponto mais afastado, sentando-se mais uma vez para meditar e cultivar. Ele era assustadoramente disciplinado, não permitindo sequer um minuto de ócio durante todo o dia.

Uma máquina. Um lunático. Um fanático por guerra.

Sentindo-se extremamente entediada e incapaz de dormir, Luo Han não resistiu e puxou conversa com Ling Qingxiao. Mas, como ele falava muito pouco, na maior parte do tempo era ela quem sustentava o diálogo. Ainda assim, isso era melhor do que o silêncio absoluto — depois de tanto tempo num lugar escuro e sombrio, Luo Han sentia que cairia em depressão se não conversasse com alguém.

— Você não se cansa? Passa todo instante livre cultivando, sem nunca fazer uma pausa — comentou ela.

Ling Qingxiao não respondeu, deixando que suas ações falassem por si.

Tudo bem então... Luo Han suspirou e se virou, esforçando-se para olhar para o topo do abismo, na esperança de vislumbrar estrelas, o céu, ou ao menos um único feixe de luz.

Infelizmente, não havia nada.

Luo Han insistiu:

— Como é o mundo lá fora?

Ela parecia determinada a conseguir uma resposta, recusando-se a deixar o assunto morrer. Ling Qingxiao, exasperado, retrucou:

— Você nunca esteve no mundo exterior?

— Não — respondeu Luo Han, sem perceber que Ling Qingxiao estava tentando sondá-la. Continuou falando com sinceridade: — Nunca pratiquei cultivo. Mesmo estando no Reino Celestial, não sinto muita conexão com ele.

Ling Qingxiao perguntou com calma:

— Seus anciãos nunca lhe ensinaram a cultivar?

— Não — respondeu Luo Han, um pouco desanimada, murmurando para si mesma: — Talvez não tivessem tempo... ou talvez achassem que eu atrapalharia.

— Não tivessem tempo? — Aquilo carregava muitas implicações. Ling Qingxiao perguntou: — Quantos anos você tem? Por que estariam sem tempo?

Luo Han sabia que não podia revelar sua identidade como o Dao Celestial, então respondeu apenas à primeira pergunta:

— Dezoito.

Ling Qingxiao esperava que Luo Han continuasse com outras unidades de tempo depois de dizer "dezoito", como "mil" ou "dez mil", mas, após um longo silêncio, percebeu que ela não acrescentaria mais nada.

Surpreso, tomou a iniciativa incomum de perguntar:

— Estou falando da sua idade.

— Sim, exatamente — respondeu Luo Han, confusa. — Tenho dezoito anos!

Ling Qingxiao, um imortal que media a idade em milênios, ficou atônito. Era fácil para ele passar mil anos em reclusão, e ele não conseguia sequer conceber o que significava ter uma idade começando com "dez".

Sua expressão mudou ao olhar para Luo Han. Seu rosto escureceu enquanto ele a repreendia suavemente:

— Que absurdo. Você ainda é uma criança! Como os adultos da sua família permitiram que saísse sozinha?

Luo Han não gostou nem um pouco daquelas palavras. Arregalando os olhos, rebateu com firmeza:

— Quem você tá chamando de criança? Aff, eu não sou uma criança!

Ling Qingxiao não deu atenção ao protesto. Era típico de alguém com dezoito anos agir de forma impulsiva. Ao refletir sobre o que ela havia dito antes, tudo começou a fazer sentido em sua mente.

Então ela é só uma criança. Não é de se estranhar que ainda não tenha começado a cultivar ou sequer tenha saído para o mundo exterior. Se eu fosse seu ancião, também não a deixaria sair sozinha com essa idade.

Embora os dragões operassem sob o princípio da sobrevivência do mais forte, havia um cuidado implícito com as gerações mais jovens. Os filhotes eram raros, e embora a raça dos dragões fosse conhecida no Reino Celestial por sua forte capacidade reprodutiva, essa reputação era relativa — muitos casais de dragões estavam casados há dezenas de milhares de anos sem conseguir gerar descendência.

Considerando a idade de Luo Han, a atitude de Ling Qingxiao suavizou consideravelmente. Inicialmente, ele havia sido indiferente à curiosidade dela sobre o mundo exterior, mas agora que entendia sua juventude, sentia certa obrigação de explicar.

— O mundo é dividido em seis reinos: deuses, imortais, demônios e monstros. Entre eles, os reinos celestial, humano e do submundo são governados pelo Imperador Celestial. A raça demoníaca é liderada pelo Rei Demônio, com vários reis controlando seus próprios territórios. Quanto à raça dos monstros, não há líder central — os grandes monstros agem de forma independente.

Luo Han compreendeu: o Reino Celestial operava como uma monarquia feudal, o Reino dos Demônios seguia um sistema parlamentar federativo, e a raça dos monstros ainda vivia em estado de anarquia. De repente, ela percebeu algo faltando:

— E o Reino Divino?

— Deuses? — respondeu Ling Qingxiao com frieza. — Os deuses já pereceram, e o Reino Divino foi selado. Não há deuses no mundo há muito tempo.

Luo Han começou a compreender os conceitos, embora ainda estivesse um pouco confusa. Sempre se vira como uma mortal, colocando deuses e imortais no mesmo patamar. Humildemente, buscando orientação do verdadeiro imortal à sua frente, ela perguntou:

— Qual é a diferença entre um deus e um imortal?

Ling Qingxiao era alguém responsável. Apesar de seu comportamento frio e distante, respondeu à pergunta com atenção, provando ser um bom mestre.

— Os deuses nascem do céu e da terra, sem pais, surgindo diretamente da própria natureza. Já os imortais são fruto do cultivo. Podem ser qualquer coisa — de aves e feras a árvores, pedras, flores, até mesmo humanos.

Luo Han sentiu uma clareza repentina, mas foi atingida por uma onda de incerteza ao se lembrar de suas origens.

— Então... todos os seres sem pais são considerados deuses?

Ling Qingxiao lançou-lhe um olhar, uma mistura de análise e, talvez, um traço de mal-entendido, como se pensasse que Luo Han estava imaginando coisas. No entanto, esse leve brilho em seu olhar logo desapareceu, retornando ao frio absoluto de sempre.

— Os deuses pereceram há muitos anos. Grande parte dos registros antigos é vaga e imprecisa. Eu também não tenho total certeza.

— Ah... — murmurou Luo Han, apoiando a cabeça no braço enquanto refletia em silêncio. Percebendo seu estado, Ling Qingxiao perguntou com leveza:

— Por que tanto interesse nos deuses?

— Só curiosidade — respondeu Luo Han, levantando os olhos para o abismo acima deles. Depois de tanto tempo naquele lugar escuro, seu ânimo começava de fato a pesar. Com um leve suspiro, ela perguntou:

— Por que este lugar se tornou assim? Ouvi dizer que este abismo foi onde os deuses caíram. Foi a morte deles que causou tanta destruição?

— O Abismo dos Deuses Caídos é apenas a teoria mais difundida — respondeu Ling Qingxiao, também lançando um olhar para os penhascos escuros e imponentes. — Há textos antigos que dizem que este é, na verdade, o reino dos deuses.

— O reino dos deuses? — exclamou Luo Han, surpresa. — Achei que os lares dos imortais fossem paraísos, ou ao menos brilhantes e sagrados. Por que isso aqui parece tão desolado e sem vida?

— É só um rumor — disse Ling Qingxiao, sem se aprofundar no assunto. Após falar, fechou os olhos para descansar, aparentando iniciar sua meditação mais uma vez. Luo Han escolheu não incomodá-lo e também fechou os olhos, preparando-se para dormir.

Em seus sonhos, não conseguia se livrar da sensação de que um par de olhos a observava em silêncio.

O fundo do penhasco era perpetuamente sombrio, sem dia ou noite, sem estações. Luo Han perdeu a noção do tempo, e depois do que pareceu uma eternidade, eles acabaram entrando em um lugar estranho.

Desde que as feridas de Ling Qingxiao haviam se curado, os vários monstros no fundo do abismo já não representavam mais ameaça. No entanto, eram apenas dois, e evitar confrontos diretos ainda era o melhor. Estavam sendo perseguidos por algo escondido no vento, que podia ou não ser uma criatura viva. Ling Qingxiao, tendo que proteger Luo Han — a "filhote" —, se viu muito mais lento. Forçado a lutar enquanto recuava, cometeu um pequeno erro e acabou tropeçando em uma formação natural.

O Abismo da Desolação Absoluta não possuía seres vivos, e a formação ali estava em perfeita harmonia com a paisagem, usando pedras e madeira morta para criar o arranjo. As montanhas ao redor formavam contrapontos naturais, estabelecendo uma formação de céu e terra. O Caminho do Céu segue o Caminho da Natureza — e essas formações naturais sempre eram as mais problemáticas.

Luo Han percebeu rapidamente que pareciam estar presos e perguntou em voz baixa:

— O que está acontecendo aqui?

— É uma formação de céu e terra — respondeu Ling Qingxiao. — Não se preocupe. Só vai exigir algum esforço para sair.

Luo Han assentiu. Em sua dupla, Ling Qingxiao lidava com tudo, enquanto ela era a responsável por atrasá-los. Tinha plena consciência de seu papel. Sem querer atrapalhá-lo enquanto ele trabalhava para quebrar a formação, murmurou para si mesma:

— Se não tem ninguém aqui, por que há uma formação? Quem poderia tê-la montado?

Luo Han achou que estava apenas falando sozinha, mas com os sentidos aguçados de um imortal, Ling Qingxiao a ouviu com clareza. Ele não disse nada, apenas continuou concentrado em guiá-la pela formação. Inesperadamente, suas palavras provaram-se verdadeiras — a formação era, de fato, feita por mãos humanas.

E, além disso, quem a criou possuía um cultivo extremamente profundo, muito além do nível de um Imortal Dourado.

Imortais eram todos seres que alcançavam esse estado por meio do cultivo, divididos em cinco níveis: Imortal Espiritual, Imortal Celestial, Imortal Superior, Imortal Dourado e o Soberano Imortal do Grande Luo. Somente ao atingir o nível de Imortal Espiritual alguém poderia realmente ser considerado como tendo adentrado o reino da imortalidade. A partir daí, cada avanço tornava-se progressivamente mais difícil, sendo que apenas alguns em milhares conseguiam ascender.

No nível de Imortal Superior, já se era uma figura de destaque no reino imortal. Imortais Dourados só podiam ser vistos em eventos raríssimos, como os Banquetes do Pêssego que ocorriam uma vez a cada dez mil anos, enquanto os Soberanos Imortais eram nada menos que lendas.

Ao longo da história, embora nem todo Soberano Imortal se tornasse o Imperador Celestial, todos os Imperadores Celestiais haviam sido Soberanos Imortais. O reino imortal reverencia o poder, e entre os inúmeros clãs imortais, o Clã dos Dragões era especialmente dotado, famoso por seu poder de combate formidável. Dentro do Clã dos Dragões, vigorava a lei da selva — sobrevivência do mais forte e reverência à força. Por isso, o Imperador Celestial era frequentemente escolhido entre os dragões, e o líder do clã comumente assumia esse título.

Ling Qingxiao atingiu o nível de Imortal Celestial aos mil anos de idade, um feito assombroso e sem precedentes. No Clã dos Dragões, as disputas de poder eram impiedosas. Assim que surgia um indivíduo poderoso, toda sua linhagem prosperava. Após a ascensão de Ling Qingxiao ao nível de Imortal Celestial, a matriarca imediatamente o pressionou a entregar seu Núcleo de Dragão, com a intenção de transferir o título de prodígio para seu próprio filho. Do contrário, se Ling Qingxiao continuasse a crescer, a família Su de Linshan seria suprimida, e a mãe biológica de Ling Qingxiao poderia até ser elevada ao posto de esposa legítima.

As leis dentro do Clã dos Dragões eram cruéis e impiedosas.

Ling Qingxiao zombava só de pensar nisso. O que a minha mãe biológica ou adotiva tinham a ver comigo? Para elas, o único filho era Ling Zhongyu.

Limitado por seu nível de cultivo atual, Ling Qingxiao só conseguia discernir que a pessoa que armou a formação certamente estava além do nível de um Imortal Dourado. No entanto, em seu íntimo, uma sensação incômoda lhe dizia que o poder real dessa pessoa ultrapassava muito esse patamar.

Talvez nem mesmo fosse algo restrito ao nível de um imortal.

Luo Han seguia de perto atrás de Ling Qingxiao, olhando para trás e vendo os ventos sinistros pairando na fronteira da formação, aparentemente com medo de continuar a persegui-los. Uma suspeita surgiu em sua mente: Será que entramos acidentalmente em um lugar ainda mais perigoso?

— Não importa — a voz de Ling Qingxiao, como sempre, permaneceu calma e tranquilizadora. — Apenas fique comigo... Cuidado!

Mas já era tarde demais. O chão tremeu repentinamente, e Luo Han observou, horrorizada, enquanto desaparecia bem diante dos olhos de Ling Qingxiao.

A expressão de Ling Qingxiao se fechou enquanto ele sacava sua espada, desferindo um ataque implacável contra a formação.

Enquanto isso, Luo Han teve a sensação de que apenas piscara os olhos e se encontrava em um lugar completamente diferente. O entorno era uma vastidão branca, parecendo névoa — mas não exatamente névoa — e além daquela bruma, um par de olhos a observava.

Ao se virar, Luo Han percebeu que Ling Qingxiao já não estava ali.

Ela sentiu uma tontura, temendo que seu grandioso plano de salvar o mundo estivesse em risco. Mas, recusando-se a se intimidar, endireitou a postura e perguntou com firmeza:

— Qual é o seu propósito ao me trazer aqui?

Ela reconheceu aqueles olhos. Nos últimos dias, durante o sono, vinha sentindo que era observada em seus sonhos.

Subitamente, a névoa diante dela se dissipou, revelando uma terra amarelada antiga e desolada. Embora a paisagem parecesse comum, emanava uma opressão inexplicável.

Parecia um lugar que existia há uma eternidade, tanto tempo que até mesmo o conceito de tempo ali era insignificante. Diante de Luo Han, uma luz dourada tênue e envelhecida começou a se condensar, formando uma figura enevoada.

Sua aparência era indistinta em termos de gênero, e sua voz carregava uma ressonância etérea e distante:

— Esperei por muitos anos, até que meu corpo físico se decompusesse e minha consciência se dissipasse, restando apenas um traço de pensamento persistente. Agora que este último fragmento está prestes a desaparecer, eu acreditava que jamais presenciaria o nascimento de um novo deus.

— Bem-vinda de volta ao Reino Divino, pequena.

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Nota da autora:

Ling Qingxiao: Qual a sua idade?

Luo Han: Dezoito. E você?

Ling Qingxiao: "..."

Este é um super e invencível velhinho de mil anos de idade.


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