Capítulo 32 - Parte 1


 O sorriso de Luo Han congelou aos poucos. Ela tinha achado que, se escondesse discretamente as roupas dentro da bolsa de armazenamento, Ling Qingxiao não perceberia. Depois, assim que a atendente passasse o cartão, poderia simplesmente apagar a transação mais tarde, e seria como se nada tivesse acontecido.

Mas por quê—por que a atendente teve que perguntar em voz alta?

Ela tinha acabado de afirmar que só tinha levado uma peça e, num piscar de olhos, se entregou sozinha.

Luo Han sentiu claramente o olhar de Ling Qingxiao se voltar para ela. Ele não disse nada, mas ela tinha certeza—certeza absoluta—de que ele estava segurando o riso.

O mundo mortal já não valia mais a pena. De fato, este mundo não tinha mais nada que a prendesse aqui.

A atendente tinha boas intenções—só estava tentando incentivar mais vendas—mas, em vez disso, sua pergunta trouxe um silêncio constrangedor. Percebendo que havia algo errado, a jovem, aflita, gaguejou:

— E-eu falei errado, não foi? Ofendi algum de vocês, imortais?

— Está tudo bem — respondeu Ling Qingxiao, levantando uma das mãos para acalmá-la.

Sim, ele tinha um temperamento frio—mas frio nunca significou cruel. Ele nunca destratava atendentes ou criados, e mesmo ao falar com estranhos de status muito inferior, sempre escutava com educação antes de responder.

Depois de acalmar a funcionária, olhou novamente para Luo Han. Apesar de ainda achar a situação divertida, não deixou transparecer. Seu rosto continuava sereno e composto, como se nada tivesse acontecido. Então, levantando-se, disse:

— Ainda precisamos ver os artefatos mágicos. O tempo está curto—vamos.

Luo Han imediatamente assentiu, agarrando a corda de salvação que ele lhe ofereceu, e apressou-se para acompanhá-lo.

Desta vez, não fizeram desvios e seguiram direto para o Pavilhão Xuanji.

O Pavilhão Xuanji era um prédio ornamentado de três andares que ocupava uma vasta área e ficava numa localização privilegiada. Seu fluxo constante de clientes, do amanhecer ao anoitecer, nunca diminuía. Era a loja de artefatos mágicos mais renomada de toda a Cidade Tianzhao.

Os atendentes de estabelecimentos tão sofisticados eram, no mínimo, perspicazes. Assim que Ling Qingxiao e Luo Han se aproximaram, um jovem refinado os recebeu—entusiasmado, mas sem exagero.

— Segundo Jovem Mestre Ling, faz bastante tempo desde sua última visita. E esta jovem senhorita—é a primeira vez dela no Pavilhão Xuanji, não é? Creio que ainda não tive o prazer. Se houver qualquer falha em nosso atendimento hoje, peço perdão desde já.

Luo Han entendeu, na prática, o que significava ser tratada como uma hóspede de honra—acolhida com tanta cordialidade que parecia envolta numa brisa de primavera. Guiados pelo belo atendente, atravessaram o limiar da loja. Mal tinham entrado quando Luo Han avistou um rosto familiar.

Ling Zhongyu e Yun Menghan também estavam no Pavilhão Xuanji, examinando artefatos mágicos. Pelo que parecia, Ling Zhongyu acompanhava Yun Menghan enquanto ela escolhia alguns itens. O pavilhão era amplo, e quanto mais alto o andar, mais refinados e caros os artefatos se tornavam. Como a cultivação de Yun Menghan ainda era limitada, os instrumentos que ela podia usar estavam todos expostos no primeiro andar.

Naquele momento, Yun Menghan ouvia atentamente a explicação de uma atendente enquanto analisava os artefatos um a um. Ao escutar o som de movimento atrás de si, virou-se casualmente—e ficou paralisada com o que viu.

Ling Qingxiao?

Ela congelou. Percebendo algo estranho, Ling Zhongyu seguiu seu olhar e também se virou—a tempo de cruzar o olhar com Ling Qingxiao.

Seus olhos se encontraram por um breve instante e, em seguida, desviaram-se como se nada tivesse acontecido, cada um fingindo que o outro era um completo desconhecido.

Mas Yun Menghan não conseguia parar de olhar para Ling Qingxiao, atônita.

Desde aquele vislumbre fugaz que teve dele na Seita Qianyang, não o vira novamente. A princípio, ainda alimentava um fio de esperança—sutil, não dita—mas, depois de vários dias sem nenhum sinal, foi forçada a aceitar a verdade:

Ling Qingxiao não estava esperando por ela.

Tinha sido pretensiosa demais. A pessoa que ele esperava naquele dia... só podia ser Luo Han.

Ela ainda não sabia se o encontro planejado havia sido adiantado ou adiado. Só sabia que, depois daquele dia, nunca mais viu Ling Qingxiao no mesmo horário ou lugar.

As notícias sobre o Segundo Jovem Mestre eram constantes dentro da seita. Ela sabia que ele praticava feitiços todas as manhãs no Terraço Feiyun e passava as tardes no pavilhão da biblioteca—nunca faltava um dia sequer, nunca mudava sua rotina. Sua disciplina envergonhava inúmeros discípulos de Zhongshan.

E ao lado dele, sem falhar, sempre havia uma garota velada.

A identidade dela permanecia um mistério, gerando inúmeros rumores dentro da seita. Ninguém tinha visto seu rosto, e ninguém sabia de onde vinha. Tudo que sabiam era seu sobrenome—Luo.

Então veio a publicação recente do ranking, em que surgiu de repente um nome desconhecido: Luo Han.

Só então todos perceberam—então seu nome de batismo era Han.

Alguns diziam que Luo Han era a filha mais velha de um poderoso clã, enviada a Zhongshan para formar uma aliança por casamento. Como o filho mais velho já estava noivo de sua prima materna, a proposta de casamento acabou recaindo sobre o segundo jovem mestre, que—sob pressão familiar—não teve escolha senão acompanhá-la por toda parte.

Outros afirmavam que a garota havia salvado sua vida e agora exigia retribuição. O boato mais absurdo dizia que Luo Han era filha ilegítima de um oficial celestial influente, e que sua presença envolvia acordos políticos e interesses subterrâneos. Segundo diziam, o segundo jovem mestre havia sido designado para protegê-la por ordens diretas do alto escalão.

Yun Menghan sabia um pouco mais do que a maioria. Por exemplo, sabia que Luo Han era extraordinariamente bela. O motivo de usar sempre um véu não era porque tinha o rosto desfigurado, não podia se mostrar ou era filha bastarda escondida nas sombras—era simplesmente porque ela era bonita demais.

Mas, ao mesmo tempo, Yun Menghan sentia que não sabia absolutamente nada. Ainda não conhecia a verdadeira identidade de Luo Han, nem entendia por que ela estava sempre ao lado de Ling Qingxiao. Uma aliança matrimonial com uma família nobre, uma benfeitora que salvou sua vida, uma filha ilegítima... qualquer um dos rumores parecia plausível quando aplicado a Luo Han.

Foi apenas naquele dia que Yun Menghan soube, por meio de uma irmã sênior, que havia sido selecionada para integrar a força expedicionária. Jamais esperava ser escolhida, e, por isso, não tinha se preparado de forma alguma. Agora, com a notícia de que partiria em apenas dois dias rumo ao Mar Ocidental de Ermi para ajudar a suprimir a Fera Hunyuan, sentia-se completamente apavorada.

Foi então que Ling Zhongyu lhe enviou um talismã de mensagem, oferecendo-se para acompanhá-la na escolha de um novo artefato mágico. Para Yun Menghan, aquele convite soou como um salva-vidas—ela aceitou imediatamente.

Na verdade, já precisava de uma nova arma há algum tempo. Quando a fera Yayu causou o caos, Ling Zhongyu havia prometido ajudá-la a escolher uma. Mas, antes que pudessem descer a montanha, ele foi convocado por Su Yinyue. Mais tarde, Yun Menghan acabou encontrando a Yayu nos portões, foi ferida e passou os dias seguintes se recuperando—em meio a uma guerra fria silenciosa entre os dois. No fim, a questão de comprar uma arma foi completamente esquecida.

Agora, com Ling Zhongyu estendendo a mão para ajudá-la num momento tão crucial, Yun Menghan sentia-se profundamente grata—tão grata que esqueceu que ele já havia prometido fazer aquilo há muito tempo.

O que ela não sabia era que sua repentina seleção para a missão também tinha sido obra de Ling Zhongyu.

Ele a levou diretamente ao Pavilhão Xuanji, a loja de artefatos mágicos mais grandiosa e movimentada da cidade. Assim que chegaram, chamou uma atendente e instruiu que mostrasse as armas disponíveis para Yun Menghan. O que ela gostasse, ele pagaria.

Yun Menghan se esforçava para avaliar cada item—comparando forças e fraquezas, tentando descobrir qual melhor se adequava a ela. Mas ela não era particularmente boa nisso. Sua verdadeira forma era de origem vegetal—naturalmente lenta para reagir, esquecida e pouco hábil em memorizar as propriedades e diferenças entre tantos artefatos mágicos.

Ainda assim, depois de entregá-la à atendente, Ling Zhongyu parecia achar que seu trabalho estava feito. Não se preocupou mais com ela.

Yun Menghan não teve outra escolha senão apertar os dentes e continuar sozinha. E, de algum modo, seus pensamentos vagaram até Ling Qingxiao.

Se o Segundo Jovem Mestre estivesse aqui hoje... ele jamais me trataria assim.

Mas o que ele faria em vez disso? Yun Menghan não sabia dizer. Ainda estava absorta nos próprios devaneios quando ouviu movimentação do lado de fora. Virou-se—e lá estava ele, exatamente como ela havia imaginado: vestido de branco como neve recém-caída, imaculado e sereno, subindo os degraus com uma graça tranquila.

Yun Menghan congelou.

Seu olhar ficou totalmente fixo nele, tanto que nem notou mais ninguém—até que Ling Qingxiao se virou levemente para o lado, revelando a presença de Luo Han caminhando ao seu lado.

Naquele instante, a frágil esperança que borbulhava incerta dentro do peito de Yun Menghan dissolveu-se em uma clareza fria.

Uma aliança matrimonial, uma dívida de vida, favores políticos—talvez todos os rumores fossem verdadeiros.

Ela sabia que deveria desviar o olhar agora, focar em sua própria escolha, manter a compostura e evitar se envergonhar diante dos outros. Mas simplesmente não conseguia controlar os olhos. Observava os dois entrando, lado a lado—não como se tivessem se encontrado por acaso, mas como se tivessem planejado vir juntos desde o início. Luo Han usava uma roupa diferente, e, pelo estilo, era claramente do Pavilhão Yiluan.

Seria possível que... o Segundo Jovem Mestre tivesse ido comprar roupas com ela?

Só de pensar nisso, Yun Menghan se assustou consigo mesma. Impossível.

Quando o Segundo Jovem Mestre já fez algo tão fútil assim?

E, no entanto—cada pequeno detalhe a feria nos olhos como agulhas, ruidosas e insistentes, forçando-a a encarar a verdade.

Aquilo... era real.

— Senhorita? — chamou a atendente suavemente.

Yun Menghan despertou de repente, percebendo que havia estado encarando a entrada por tempo demais. Mas agora, já não havia mais ninguém ali.

Forçou um sorriso de autopiedade e voltou sua atenção à atendente, sem ousar olhar para a expressão de Ling Zhongyu. Baixou a cabeça e tentou se concentrar na explicação.

Talvez por cultivadores terem a audição tão aguçada, mesmo estando do outro lado do salão, ela conseguiu ouvir claramente a conversa que acontecia ali.

Uma voz como gelo rachando sobre jade chegou a seus ouvidos:

— Que tipo de artefato você está procurando?

— Não sei ao certo — veio a resposta.

— Então você tem alguma preferência por tipo de arma? Espadas, lanças, sabres, alabardas, machados, chicotes, maças, fitas...?

Luo Han hesitou por um momento, depois balançou a cabeça:

— Nunca treinei com nenhuma delas. Não sei direito do que gosto ou o que me convém. Mas... gostaria de tentar uma espada.

Embora Luo Han não tivesse nenhum treinamento básico em artes marciais, se algum dia tivesse a chance de aprender, a primeira arma que escolheria seria, sem dúvida, a espada. Especialmente depois de testemunhar a presença imponente de Ling Qingxiao empunhando a sua—sua fascinação por esgrima só havia aumentado.

A espada era conhecida como o rei de todas as armas, e como Ling Qingxiao também usava uma, não viu problema algum no pedido de Luo Han. Assentiu e disse:

— Tudo bem. Mas esgrima não é algo que se domina do dia para a noite. Até lá, você ainda vai precisar se apoiar em outros artefatos mágicos.

Aquele era um território desconhecido para Luo Han. Ela parecia um pouco perdida, e ao notar isso, Ling Qingxiao acrescentou:

— Você se adapta melhor ao combate à distância. Luta corpo a corpo não é o ideal para você.

A atendente ficou em silêncio ao lado, mas Ling Qingxiao não precisava de ajuda. Guiou Luo Han diretamente até uma seção específica com precisão certeira.

— Dê uma olhada nestes. Algum deles chama sua atenção?

Aquela vitrine exibia armas de longo alcance—chicotes, arcos e similares. Luo Han os examinava um por um, e, se houvesse algo que não entendesse, bastava perguntar a Ling Qingxiao para receber uma explicação completa.


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