Da praça veio uma resposta estrondosa e uníssona:
— Até seu retorno — cuide-se!
A formação da linha de frente, composta por cem cultivadores, virou-se para seus companheiros, ergueu as espadas e prestou saudação. No silêncio daquela despedida, nenhuma palavra era necessária — o gesto por si só dizia tudo.
Nesse instante, nuvens se agitaram no céu. Um brilho dourado atravessou a névoa matinal — as forças do Tiangong haviam chegado.
Vários feixes de luz desceram do navio voador. Num piscar de olhos, os enviados do Palácio Celestial pousaram diante do Portão Wentian.
Lin Xianhong avançou para recebê-los, juntando as mãos respeitosamente:
— Senhor Estelar Gu Xing. Senhor Estelar Tianyu.
— Senhor Lin — ambos responderam o gesto.
Após uma breve troca de gentilezas, Gu Xing sorriu educadamente e disse:
— Senhor Lin, temo que estejamos em missão oficial e não possamos demorar. A força expedicionária de Zhongshan está pronta para partir?
— Totalmente preparada e aguardando ordens — respondeu Lin Xianhong, fazendo um gesto na direção de Lin Qingxiao e Lin Zhongyu. — Estes são meus filhos. Ambos fazem parte da expedição. Embora jovens e sem muita experiência real de combate, espero que os dois Senhores Estelares possam ter paciência com eles.
— Oh, de forma alguma. Filhos de tigre não são cães. Ambos os jovens mestres são talentos extraordinários — replicou Gu Xing cortêsmente. Então, seu olhar deslizou naturalmente para o grupo atrás de Lin Xianhong. Pausou por um instante e, num raro momento de curiosidade, perguntou:
— Qual dos dois é o prodígio que se tornou um Imortal Celestial aos mil anos de idade?
Após a pergunta do Senhor Estelar Gu Xing, a atmosfera do lado de Lin ficou congelada por um breve momento. A razão era simples — ambos os filhos se encaixavam na descrição. Mas Lin Zhongyu só havia alcançado aquele nível com a ajuda do núcleo de dragão de Lin Qingxiao. Na época, Su Yifang fez questão de espalhar a notícia em alto e bom som, usando o nome de Lin Zhongyu.
Agora, porém, com tantos oficiais do Palácio Celestial, anciãos e discípulos de Zhongshan presentes, Lin Zhongyu não teve coragem de assumir o crédito.
Após um breve silêncio constrangedor, Lin Qingxiao deu um passo à frente, juntou as mãos e disse:
— É bondade demais, Senhor Estelar — fui eu.
O Senhor Estelar Gu Xing havia reparado em Lin Qingxiao desde o primeiro instante. Embora o sol ainda não tivesse nascido e o navio voador permanecesse envolto em nuvens, dificultando a visibilidade, no momento em que desembarcaram, todos os olhares foram atraídos para ele.
Lin Qingxiao era simplesmente marcante. Com o vento da manhã agitando suas vestes e em pé, solene, diante do antigo e majestoso Portão Wentian, exalava uma presença quase divina.
Após a resposta, o Senhor Estelar Gu Xing aproveitou para estudá-lo mais de perto e, quanto mais olhava, mais impressionado ficava. Trocaram mais algumas palavras formais com Lin Xianhong, desta vez com genuína admiração por Lin Qingxiao.
Lin Xianhong, no entanto, sentiu-se um pouco constrangido e rapidamente mudou o foco da conversa. Indicou Lin Zhongyu novamente e enfatizou de forma deliberada:
— Este é meu filho mais velho, Zhongyu. Ele liderará o contingente de Zhongshan nesta expedição.
O Senhor Estelar Gu Xing assentiu educadamente, mas não demonstrou muito interesse.
Com as gentilezas praticamente esgotadas, era hora de tratar dos assuntos sérios. Lin Xianhong virou-se para Gu Xing e mais uma vez juntou as mãos:
— Não devemos atrasar a batalha. Despeço-me aqui. Quando retornarem, oferecerei um banquete em sua honra. Senhores Estelares, espero que nos concedam a graça de sua presença — beberemos até cair.
Ambos, Gu Xing e Tianyu, sorriram e responderam:
— Muito obrigado, Senhor Lin. Não é necessário nos acompanhar. Partiremos agora.
A expressão de Gu Xing tornou-se séria ao se voltar para a formação reunida.
— Eu sou Gu Xing, o general comandante desta expedição. Uma vez que cruzarem o Portão Wentian, não serão mais apenas discípulos de Zhongshan — serão soldados sob meu comando. Estão prontos?
Os discípulos responderam em uníssono, altos e claros. Até Lin Qingxiao e Lin Zhongyu voltaram às fileiras e juntaram os punhos:
— Seguiremos as ordens do Senhor Estelar.
— Ótimo — disse Gu Xing. Com um movimento de manga, formou-se uma ponte de nuvens entre o Portão Wentian e o navio voador. — Partam.
— Sim, senhor!
Um a um, os discípulos embarcaram em ordem. Seus movimentos eram ágeis, as expressões resolutas — ninguém olhou para trás.
Lin Xianhong permaneceu diante do Portão Wentian, observando a ponte de nuvens desaparecer. No convés, as cem faces familiares estavam alinhadas em perfeita formação — seus filhos, seus parentes, seus discípulos.
A emoção subiu-lhe ao peito.
Ergueu a mão e, com solenidade contida, chamou para aqueles a bordo:
— Cuidem-se. Estejam seguros. Estarei aqui esperando o retorno de vocês.
Em resposta à despedida de Lin Xianhong, ouviu-se um coro sincronizado e metálico de espadas se chocando. Todos os cem discípulos já estavam equipados para a batalha, espadas em mãos. Erguendo-as em saudação, responderam com vozes firmes e retumbantes:
— Aceitamos a ordem. Não mancharemos o nome de Zhongshan.
O Senhor Estelar Gu Xing não lhes deu muito tempo para prolongar a cena. O navio voador logo se ergueu, afastando-se gradualmente do Portão Wentian. Em pouco tempo, Zhongshan desapareceu no mar de nuvens.
Após proferir o discurso inicial padrão, Gu Xing dispensou-os para que encontrassem seus alojamentos e descansassem.
O Mar Ocidental de Ermi ficava na periferia do Reino Imortal, não muito longe da Via Láctea. Mesmo a bordo de uma embarcação militar do Palácio Celestial, a viagem levaria um mês inteiro. Uma batalha brutal os aguardava no final, e, por ora, a prioridade era conservar forças.
Luo Han recebeu sua ficha de alojamento e seguiu o número até encontrar o quarto designado. Seria seu lar pelos próximos trinta dias.
Como era o dia da partida, Luo Han não usava seu habitual véu de gaze, apenas uma fina cobertura no rosto. Ainda assim, circular pelo navio com um véu chamaria atenção. Decidiu que o melhor seria permanecer no quarto o máximo possível durante a viagem.
A distribuição dos quartos no navio, como era de se esperar, seguia rigorosamente a hierarquia — um costume bem característico do clã dos dragões. Como Luo Han possuía uma das patentes mais baixas, seu quarto ficava na parte traseira da embarcação, a meio caminho da localização do de Lin Qingxiao.
No Reino Imortal, a força era o que realmente importava, e não havia separação de alojamentos por gênero. Não existiam alas masculinas ou femininas — tudo era definido estritamente pelo mérito.
Seguindo o número em sua ficha, Luo Han encontrou o quarto. Para sua surpresa, era individual. Embora não tão espaçoso quanto seus aposentos em Zhongshan, era bem mobiliado, funcional e nada apertado.
O Palácio Celestial é realmente rico, pensou, deixando-se cair na cama.
Ela estava de pé desde antes do amanhecer para se apresentar no Portão Wentian. Passaram horas na praça, embarcaram no navio, receberam fichas e procuraram seus quartos... e tudo isso antes mesmo de o sol nascer.
Isso é desumano, gemeu Luo Han em pensamento.
Ela só tinha a intenção de descansar por um momento — mas a cama era confortável demais e, quando percebeu, já estava dormindo profundamente.
Por mais estável que fosse o navio voador, a turbulência era inevitável ao atravessar correntes de ar. Seu sono foi agitado e, em algum ponto entre o estado de vigília e o sonho, ela ouviu alguém bater à porta.
Luo Han despertou num sobressalto. Sentou-se rapidamente, sua mente ainda atrasada em relação ao corpo. O quarto estava silencioso. Por um instante, ela não tinha certeza se realmente havia ouvido batidas ou se aquilo fazia parte de um sonho.
Então, elas vieram novamente — batidas suaves e ritmadas na porta.
Dessa vez, não havia dúvida. Alguém estava batendo de verdade.
Luo Han ajeitou rapidamente as roupas e abriu a porta com cautela, apenas uma fresta. Do lado de fora, viu uma manga branca impecável. A pessoa falou em voz baixa:
— Sou eu.
Era Lin Qingxiao.
Luo Han relaxou e abriu a porta por completo. Ao notar seus cabelos bagunçados, Lin Qingxiao desviou o olhar imediatamente.
— Você estava dormindo?
— Uhum.
Ela consegue mesmo dormir, pensou ele, sem saber se ria ou suspirava. Tossiu levemente e deu um passo para trás, no corredor, mantendo o olhar vago no batente da porta:
— Vá se arrumar. Vou esperar aqui fora. Não se esqueça do véu.
Luo Han assentiu, fechou a porta e começou a pentear o cabelo.
Depois de alguns instantes, sua mente finalmente alcançou o corpo — e algo pareceu estranho.
— Espera aí... não era para termos tempo livre nos três primeiros dias? Por que estou saindo?
Ainda sonolenta, Luo Han saiu para o corredor com visível relutância, o corpo praticamente gritando resistência. Colocou novamente o véu no rosto, arrastando os pés o caminho todo.
Lin Qingxiao já a aguardava perto de uma escotilha, as mãos cruzadas atrás das costas, olhando para o mar de nuvens além da janela. A essa altura, o sol já havia nascido por completo, derramando luz radiante sobre a paisagem.
Era ofuscante.
Vestido de branco, Lin Qingxiao estava banhado pela luz do sol, sua silhueta quase resplandecente. Ao ouvir os passos que se aproximavam, não precisou se virar para saber que era Luo Han.
Quando olhou por cima do ombro e a viu, franziu levemente as sobrancelhas. Ela não usava o véu completo em forma de cortina — apenas uma cobertura leve no rosto. Certamente era menos chamativo e mais prático para se movimentar, mas não escondia totalmente seus traços. Pelo menos os olhos ficavam totalmente visíveis.
E só os olhos dela já eram marcantes o suficiente para deixar uma impressão duradoura.
Lin Qingxiao franziu o cenho.
— Por que não usou o véu?
— É incômodo no navio e chama atenção demais — respondeu Luo Han. — De qualquer forma, por que você me chamou?
Mostrar os olhos é muito mais chamativo do que qualquer véu, pensou Lin Qingxiao. Mas, como essa era a escolha dela, não insistiu e apenas mudou de assunto.
— Você memorizou o mapa do Mar Ocidental de Ermi?
Era para fazer isso? Luo Han ficou paralisada por um instante, tentando puxar pela memória. Balançou a cabeça com cautela:
— Ainda não... é uma prova?
— Não é uma tarefa do Senhor Estelar Gu Xing — respondeu Lin Qingxiao. Mas, antes que ela pudesse suspirar aliviada, acrescentou: — Mas, para sua própria segurança, é melhor estudá-lo.
Luo Han assentiu. Entendeu sua preocupação. Estavam em uma missão juntos — conhecer o terreno não era apenas para se proteger, mas também para não atrapalhar os outros. E agora que o gênio da turma estava lhe entregando pessoalmente o material de estudo, não havia motivo para recusar.
— Certo. Onde posso encontrar o mapa?
Lin Qingxiao deu um passo para trás e fez um gesto para que ela o seguisse.
— Nos arquivos.
Aquela nave de guerra do Palácio Celestial era claramente construída para fins militares. Não havia salas de lazer ou refeitórios — apenas inúmeros espaços para treinamento e cultivo.
A embarcação tinha três conveses. Luo Han mal conhecia o caminho, mas Lin Qingxiao caminhava pelos corredores com a segurança de quem já estava acostumado. De fato, havia um arquivo a bordo, mas o acervo era escasso — em sua maioria, livros de estratégia militar e geografia. Pelo arranjo das cadeiras, era evidente que a sala não recebia muitos visitantes.
O que era perfeito para Lin Qingxiao.
Ele indicou que Luo Han se sentasse, depois tirou de sua bolsa de armazenamento um mapa cuidadosamente marcado. Começou a guiá-la por cada região do Mar de Ermi, explicando os principais pontos do terreno e os perigos que ela deveria evitar. Luo Han ouvia com atenção, fazendo anotações na interface celestial conforme ele falava.
Mais ou menos na metade da explicação, Lin Qingxiao olhou para o tempo e disse:
— Por hoje é suficiente. Revise esta parte por enquanto — continuaremos amanhã.
Luo Han assentiu sem pensar. Ficou sentada à mesa estudando o mapa, enquanto Lin Qingxiao se acomodou à sua frente, lendo um manual de estratégia militar retirado do arquivo. Quando Luo Han finalmente começou a reconhecer a maioria dos nomes dos lugares, ergueu o olhar — e se surpreendeu ao ver que Lin Qingxiao já havia folheado mais da metade do livro.
— Você lê rápido assim? — perguntou, incrédula.
Lin Qingxiao bateu com o dedo no livro ao lado e respondeu calmamente:
— Este é outro.
Tsc. Monstros como ele estão além da compreensão.
Luo Han afundou na cadeira, fazendo uma pausa. Seu olhar percorreu o grande mapa estendido à sua frente e, depois, passou para uma pilha organizada de pergaminhos e manuais no canto da mesa. Algo estava estranho.
— De onde vieram todos esses? Você realmente trouxe tudo isso antes de partir?
— Eu os trouxe comigo — respondeu ele, de forma casual. — Imaginei que você pudesse ficar entediada durante a viagem.
Luo Han abriu a boca, mas a fechou novamente. Quis muito dizer: Você já é insano, mas precisa arrastar todo mundo para isso também?
Entediada? Aquilo era calúnia. Difamação absoluta.
Ela se afundou ainda mais na cadeira e coçou a cabeça, murmurando:
— Sou só eu ou tinha menos livros da última vez?
Estaria imaginando coisas? Parecia que... a quantidade de tarefas tinha dobrado.
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