Capítulo 5: O Reino Divino


 Luo Han manteve o sorriso e respondeu educadamente:

— Já sou adulta, então, por favor, não me chame de "pequena". Obrigada.

O vestígio de consciência divina ignorou completamente as palavras de Luo Han. Para esses antigos, ver Ling Qingxiao era como encontrar uma criança — e Luo Han não era diferente. Para o remanescente, as "ameaças" dela pareciam mais com um gatinho recém-nascido, mostrando os dentinhos e dando patadas enquanto miava alto.

O vestígio suspirou com pesar. Os deuses governavam diferentes leis: alguns presidiam a criação, outros o tempo, yin e yang... Luo Han, por sua vez, era responsável por este aspecto do céu. O sol nasce no leste e se põe no oeste; todas as coisas nascem na primavera e se recolhem no inverno; todos os seres vivos passam por nascimento, envelhecimento, doença e morte. Essas eram as leis estabelecidas pelos deuses, e o estado atual dos Seis Reinos era resultado da interação entre essas leis divinas.

Após a Guerra da Criação, o equilíbrio entre os deuses foi em grande parte alcançado, e por muitos anos, nenhum novo deus surgiu. Para surpresa de todos, foi apenas após a queda dos deuses que uma nova divindade apareceu para supervisionar a ordem do Caminho Celestial.

Tudo seguia um ritmo ordenado, e Luo Han era uma consciência divina nascida naturalmente do Dao Celestial, tornando-se parte das leis dos Seis Reinos — e a mais jovem de todas as divindades. Após tanto tempo isolado no vazio do Reino Divino, o remanescente ficou animado ao ver uma recém-chegada. Como todos os antigos, ele foi tomado por um sentimento nostálgico e não conseguiu conter o desejo de contar histórias do passado.

Ele perguntou:

— Você conhece a história dos deuses?

Luo Han sentiu como se tivesse voltado ao dia em que entrou para um clube pela primeira vez, no primeiro ano da faculdade. Os veteranos usavam o mesmo tom para perguntar: "Você conhece a história do nosso clube?"

Na verdade, Luo Han não tinha grande interesse, mas como alguém que já havia aprendido a navegar pelas complexidades sociais da vida, sabia da importância das trocas educadas e do elogio mútuo. Assim, sorriu cordialmente e respondeu:

— Não conheço muito bem. Poderia me contar mais, sênior?

O remanescente estava esperando por essa pergunta. Imediatamente, lançou-se numa longa explicação:

— Nos tempos antigos, Pangu separou os céus e a terra, dividindo o claro do turvo. Os elementos leves e puros subiram, tornando-se o céu, enquanto os pesados e impuros desceram, tornando-se a terra. Os deuses distinguiram as energias claras e turvas, concedendo poder aos clãs dos Imortais e dos Demônios. O clã dos Imortais absorveu a energia clara, chamada de energia espiritual, tornando-os altivos e indiferentes; o clã dos Demônios absorveu a energia turva, chamada de energia demoníaca, tornando-os ferozes e impetuosos. Depois, Nüwa moldou a humanidade a partir do barro. Enquanto os deuses concederam poder aos Imortais e Demônios, à raça humana foi dado o corpo físico mais perfeito.

Luo Han perguntou, com um toque de curiosidade profissional:

— O que significa um corpo perfeito?

— Refere-se ao corpo divino — respondeu o remanescente com um tom nostálgico, suspirando. — Aquela foi, de fato, a era gloriosa dos deuses.

Luo Han ficou um instante sem saber o que dizer. No entanto, seguindo essa lógica, finalmente entendeu por que Imortais, Demônios e Monstros assumiam formas:

— Os deuses moldaram a humanidade à sua própria imagem, e os Imortais e Demônios cultivam para abandonar suas formas originais e alcançar formas humanas. Para ser mais precisa, buscam alcançar formas divinas.

— Exato — disse o remanescente, demonstrando grande tolerância para com a novata e aprovando seus pensamentos. Ele continuou expressando sua sincera admiração: — A aparência e a forma dos deuses são verdadeiramente perfeitas!

Agora, Luo Han compreendia por que as verdadeiras formas dos Imortais variavam, mas todos caminhavam em forma humana. Estavam, na verdade, perseguindo o corpo divino.

Ela refletiu por um momento e, de repente, sentiu algo estranho:

— Já que os poderes dos Imortais e Demônios foram concedidos pelos deuses, e a humanidade também foi criada por eles, então por que...

Por que os clãs Imortal, Demoníaco e Humano prosperam hoje, enquanto os deuses pereceram?

O remanescente foi, a contragosto, puxado de volta da glória do passado e suspirou:

— Os ciclos do céu e da terra determinam que tudo o que floresce deve um dia declinar. Os deuses concederam esplendor às outras raças, mas aos poucos enfrentaram dificuldades. Após ascenderem aos céus, o clã dos Imortais, com seus grandes números e rápida reprodução, gradualmente tornou-se o representante do reino celestial. A humanidade passou a cultuar os Imortais, e à medida que os deuses perdiam seus seguidores, tornaram-se incapazes de conceber, permitindo que os próprios seres que criaram os superassem. Os Imortais podiam cultivar seus poderes, enquanto os deuses dependiam apenas de suas habilidades inatas. Em determinado momento, a força dos Imortais já havia ultrapassado a dos deuses.

Luo Han compreendeu: era a história comovente de um irmão mais velho que criou o caçula, apenas para ser eventualmente superado por ele. Os deuses só podiam depender de nascimentos naturais, e a taxa de novos deuses não acompanhava a sua queda. À medida que a fé desaparecia, os deuses caíam, um por um. Na época do remanescente, ele já era o último deus restante.

Mas ele também havia perecido. Agora, o que estava diante de Luo Han era apenas um vestígio de consciência divina.

Com a queda do último deus, começou a era dos Imortais em ascensão.

Luo Han rapidamente entendeu o ponto principal.

— Então, mesmo que eu me esforce para cultivar, provavelmente ainda não vou conseguir derrotar o Imperador Celestial?

— Exatamente — respondeu o remanescente, com total sinceridade e sem nenhum sinal de culpa. — Seus ilustres predecessores já não conseguiam competir há muito tempo. Depois, para preservar a dignidade dos deuses, selamos o Reino Divino, permitindo que ele vagasse aleatoriamente pelos Seis Reinos. Enquanto permanecesse envolto em mistério, ninguém ousaria duvidar das habilidades dos deuses.

— Agora entendo — disse Luo Han, acenando com a cabeça. Ela havia aprendido muitas estratégias úteis com seu antecessor. — Realmente preciso construir uma boa relação com o futuro Imperador Celestial. Se puder evitar confrontos, devo fazê-lo.

Se tivesse que recorrer à luta, só exporia suas verdadeiras intenções.

O remanescente relembrou o passado, tomado por uma profunda nostalgia do presente, antes de se vangloriar para Luo Han:

— Tudo bem — disse — agora que você está aqui, nossa linhagem divina não está realmente extinta.

— Você está comemorando cedo demais — respondeu Luo Han friamente, educando aquele deus que jamais aprendera sobre evolução. — Se eu for a única restante e não puder gerar descendentes, é só uma questão de tempo até nos extinguirmos.

O remanescente fez uma pausa e suspirou.

— Os deuses só podem depender de nascimentos naturais e não conseguem conceber por meio do casamento, como as raças Imortal e Humana. Isso é realmente uma falha fatal.

Luo Han assentiu, reconhecendo a verdade em suas palavras.

Enquanto o velho e a jovem refletiam sobre o destino de suas raças, a borda da barreira cintilou levemente.

Embora Luo Han fosse jovem, ela já era uma divindade menor e rapidamente percebeu a perturbação na barreira. O remanescente, por sua vez, ficou bastante surpreso.

— Oh? Ele realmente descobriu a localização verdadeira da barreira. Os descendentes do clã dragão já são tão poderosos assim?

Era, de fato, ele. Luo Han agora sentia uma profunda desconfiança em relação à barreira. Essa era a segunda vez: a primeira havia sido quando a árvore Bodhi e outros seres a escoltaram, apenas para a barreira ser destruída pela espada de Ling Qingxiao. Agora, até a barreira divina tremia.

Será que a barreira no mundo da cultivação era realmente tão instável?

Enquanto isso, o remanescente ainda divagava sobre o passado.

— Naqueles dias, quando os deuses distribuíam recompensas por mérito, o clã dragão foi o primeiro a receber poder, devido às suas conquistas e força extraordinárias. Quem diria que, tantos anos depois, o outrora poderoso clã dragão se tornaria o governante do reino celestial?

Após refletir, o remanescente finalmente percebeu algumas pistas. Virou-se para Luo Han e perguntou:

— Qual é a sua relação com aquele filhote de dragão lá fora?

Finalmente lembrou de perguntar. Luo Han respondeu:

— Ele é meu guarda-costas — e também o CEO que nomeei para administrar os assuntos da minha família.

O remanescente estalou a língua, incerto se admirava mais a força do jovem dragão ou a esperteza da prole de seu próprio clã. Numa idade tão jovem, ela já sabia como cultivar aliados e admiradores.

— Muito bem — disse o remanescente, acenando a mão enquanto a figura esmaecida começava a desaparecer. — Já te vi, e meu desejo está cumprido. Pode retornar ao mundo em paz. Você e seu admirador podem ir.

— Não é admirador — corrigiu Luo Han, com expressão fria. De repente, lembrou-se de algo e apressou-se a chamar o remanescente que sumia:

— Tenho mais uma pergunta. Como eu cultivo? Fui jogada aqui sem saber de nada!

O remanescente achou aquilo bastante estranho.

— Vejo que você tem selos e artefatos definidos pelo seu mentor. Presumi que você já sabia. Seu mentor não te ensinou a cultivar o poder divino?

Luo Han balançou a cabeça vigorosamente; o céu podia testemunhar que ela realmente não sabia nada. Vivia como humana há dezoito anos.

O "mentor" a que o remanescente se referia provavelmente eram seus pais. Mas, o que eram esses selos? E esses artefatos?

Será que seus pais foram descuidados demais? Não pensaram em informá-la antes de lhe entregar essas coisas?

Para o remanescente, era uma tarefa simples. Ele ativou a pulseira de jade no pulso de Luo Han e levantou casualmente o selo sobre sua aparência, dizendo satisfeito:

— Eu te disse, a aparência e a forma dos deuses são verdadeiramente perfeitas. Veja este rosto lindo — é magnífico!

Luo Han ficou chocada ao perceber que seu presente de aniversário de dezoito anos era, na verdade, um artefato! Ficou tão encantada com a pulseira de jade que, por um momento, não entendeu o que o remanescente dissera.

— O que você disse?

Ela não recebeu resposta, pois de repente se viu em um abismo escuro. Uma onda de energia de espada veio em sua direção, mas dissipou-se pouco antes de atingi-la.

Ling Qingxiao embainhou a espada e olhou para ela calmamente.

— Você saiu.

A forma como ele disse "você saiu" indicava que sabia que Luo Han nunca estivera em perigo real.

Luo Han assentiu e guardou temporariamente a pulseira no pulso, planejando estudá-la depois, quando tivesse tempo. Por enquanto, sua prioridade era sair do Reino Divino.

Se não saísse logo, poderia acabar deprimida de tanto ficar presa ali.

Animada, Luo Han correu até Ling Qingxiao, sentindo pela primeira vez que realmente poderia contribuir para a equipe.

— Eu sei como sair deste lugar horrível!

O remanescente, que não havia se afastado muito, sentiu uma leve pontada de decepção ao ouvir Luo Han referir-se sem hesitar àquele lugar como horrível.

O que ela estava fazendo? Ele acabara de ajudar seu guarda-costas a curar suas feridas internas, e agora ela já demonstrava desprezo por seu próprio lar?

Lugar horrível? Aquilo era claramente um grande e sagrado Reino Divino.

Dado o caráter ancestral dos deuses, não era normal que o Reino Divino estivesse um pouco desgastado?

Ao ouvir as palavras de Luo Han, Ling Qingxiao não perguntou onde ela estava ou como sabia aquilo. Apenas recuou um pouco e assentiu suavemente.

— Obrigado pelo seu esforço.

Desde que Luo Han emergira da barreira, as sombras constantes, os ventos assustadores e as diversas criaturas estranhas do abismo evitavam-na silenciosamente. Seguindo os selos manuais que o remanescente acabara de lhe ensinar, ela os liberou em uma série de sequências intrincadas. Logo, o ambiente começou a clarear e, num piscar de olhos, eles se encontraram ao pé de uma montanha.

Enquanto Luo Han contemplava as montanhas verdejantes e as águas límpidas diante dela, com o som dos insetos cantando e os pássaros entoando, sentiu-se tomada por uma emoção tão grande que quase gritou: finalmente estou fora!

Tão feliz, Luo Han não percebeu que Ling Qingxiao, parado ao seu lado, pressionava a mão levemente contra o peito.

Ele já havia sentido aquilo há muito tempo, mas naquele momento, ao saírem do Abismo da Desolação, Ling Qingxiao finalmente teve a confirmação.

O elixir dragônico que faltava dentro dele fora substituído por uma pérola espiritual. Embora não pudesse armazenar tanta energia espiritual e feitiços quanto o elixir, já era uma enorme melhora em relação ao que tinha antes.

Talvez não fosse apenas uma pérola espiritual, mas uma pérola divina. Só um deus poderia criar algo assim.

Então, o texto antigo estava mesmo certo. O Abismo da Desolação, que arrepiava os imortais, era na verdade o Reino Divino há muito selado.

Ling Qingxiao observava em silêncio a garota vibrante à sua frente, que conseguia extrair a essência de uma árvore bodhi milenar, criar roupas com os tesouros mais finos dos setenta e dois estados do reino imortal, e ainda tinha um remanescente de deus curando suas feridas internas.

No fim, Ling Qingxiao nada disse, fingindo não perceber e desviando o olhar discretamente.

Quando Luo Han se virou, notou que Ling Qingxiao estava incomumente quieto, como se perdido em pensamentos. Surpresa, ela fez um gesto com a mão na frente dele para chamar sua atenção e perguntou sorrindo:

— O que foi? Por que você está tão sério?

Ling Qingxiao olhou para a mulher sorridente diante de si, e sentiu como se uma luz radiante tivesse explodido à sua frente.

Os deuses amavam todas as coisas, por isso concediam ordem ao universo, poder aos imortais e demônios, e deram à humanidade os corpos mais perfeitos.

A aparência dos deuses era verdadeiramente hipnotizante, capaz de deixar qualquer um atônito. Os seres do reino imortal eram todos excepcionalmente belos, e Ling Qingxiao já estava acostumado a ver indivíduos deslumbrantes. Pensava que não se deixaria levar só pela aparência, mas percebeu que nunca havia encontrado o ápice da beleza.

Pela reação de Luo Han, parecia que ela ainda não sabia que sua aparência havia mudado. Originalmente, ela não era feia; seria considerada uma verdadeira beleza entre os humanos. Contudo, agora que seu selo fora levantado, revelando sua verdadeira forma, ele parecia menos notável em comparação.

Olhando melhor, seus traços continuavam os mesmos, mas com um refinamento muito maior. A pele branca como a neve, olhos elegantemente moldados, e cada contorno do nariz, lábios e sobrancelhas era nítido e delicado. O maxilar, suave e perfeito, criava uma harmonia como se fosse uma escultura impecável.

Ela era, na verdade, o ideal — pois tudo busca a beleza no divino; ela representava o padrão de beleza entre todos os mortais.

Sua beleza lembrava o gelo e a neve mais puros. Não era a beleza suave e acessível da garota delicada da casa ao lado; era uma beleza elevada e inalcançável que a diferenciava.

Luo Han percebeu algo estranho no olhar de Ling Qingxiao e, curiosa, tocou o próprio rosto, perguntando:

— O que foi?

Ela ainda não sabia que seu selo havia sido removido. Ling Qingxiao soltou um suspiro leve, conjurou um espelho na palma da mão e o entregou a Luo Han.

— No futuro, quando estiver sozinha, tente não revelar seu rosto tão facilmente.

Luo Han pegou o espelho confusa, despreparada para o que veria. Ao olhar para ele, foi tomada por uma onda de descrença, quase desmaiando com o pensamento: "Que diabos..."

Não fazia muito tempo, ela achara os remanescentes do deus bastante vaidosos, sempre se gabando de sua perfeição. Agora, finalmente entendia o porquê.

Os remanescentes do deus diziam a verdade.

Os deuses eram o epítome da beleza, e agora que só restava Luo Han como a única divindade nos Seis Reinos, ela se tornara o ser mais belo em existência.

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Autor quer dizer algo: Luo "Mary Su" Han


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