Capítulo 61 a 63

 

Capítulo 61

De repente sendo xingada, a mulher de chapéu de palha ficou momentaneamente atordoada.

Ela então rebateu:

— Quem é você? Por que já chega me xingando assim?

— Quem sou eu? Eu sou a Lei Feng, vou te dizer uma coisa. Que tipo de coragem é essa de fofocar pelas costas dos outros? Se tem coragem, fala na cara. Ela tá ali, a poucos passos. Por que você não vai lá e diz pra ela?

— O que eu falei? Não me calunie.

Diante da fogosa Tia Liang, a mulher do chapéu de palha claramente não era páreo; sua confiança despencou mais de um nível.

Tia Liang colocou as mãos na cintura:

— Eu ouvi tudo o que você disse. Você tem coragem de espalhar boatos sobre a chefe da delegacia? Você é bem ousada, hein.

A mulher do chapéu de palha não ousou responder. Ficou quieta por um tempo antes de murmurar baixinho:

— Que boato que eu espalhei? Todo mundo viu. Qual é a graça de vir de cidade grande? Vive de máscara como se fosse alguma estrela famosa. A atuação dela é péssima. Sabe o que dizem na internet? Que ver ela atuar é como ter o coração arrancado.

Qiu Sheng e os outros ouviram o tumulto e estavam carregando um balde d’água quando pegaram aquela última frase.

Zhong Jin, carregando o pequeno Tong nos braços, apressou o passo e ficou na frente de Qiu Sheng.

Os curiosos, ao ver Zhong Jin e os outros se aproximando, se afastaram silenciosamente da mulher do chapéu de palha, mas não foram longe, permanecendo por perto para ver o drama.

Tia Liang ignorou todos e continuou seu discurso:

— Se você fosse uma atriz tão boa assim, por que ninguém te contrata? Qual o problema de usar máscara? Nós somos bonitas e podemos usar o que quisermos. Acho que é essa sua cara feia que devia ser coberta. Você é uma perturbação pública, sempre vagando por aí. Se cuida que a patrulha da cidade te pega. Você é é só invejosa. Ela é da cidade grande e bonita, e você é só uma Zé-ninguém de cidade pequena. Sua inveja é feia demais.

Qiu Sheng deu a volta em Zhong Jin e avançou, puxando o braço de Tia Liang:

— Não vamos discutir com ela. Vamos pra casa. Eu não preciso me explicar pra ninguém.

Tia Liang lançou um último olhar furioso para a mulher do chapéu de palha e então se virou para Qiu Sheng com um tom suave:

— Vão indo pro carro. Eu preciso pegar meus frutos do mar. Vai saber se não foram azarar com aquela boca suja. Que azar.

Qiu Sheng assentiu, soltando o braço de Tia Liang, e foi direto para o carro sem olhar para mais ninguém.

A brisa do mar puxava sua roupa, fazendo sua figura já esguia parecer ainda mais solitária.

Zhong Jin, carregando a criança, seguiu atrás, lançando um olhar frio para o grupo que estivera sentado ali antes. Seu olhar parou no rosto da mulher do chapéu de palha, carregando um aviso claro.

A mulher do chapéu de palha, culpada, não conseguiu encarar.

Uma brisa fria com cheiro de mar passou. Zhong Jin não disse nada, mas a mulher do chapéu de palha estremeceu de repente.

Xiang Ruicheng, segurando a mão de Xiang Zimo com uma mão e um balde grande de água com a outra, aproximou-se como se nada tivesse acontecido e chamou Zhong Jin:

— Xiao Zhong, que tal ir lá em casa comer uns frutos do mar no vapor depois?

Qiu Sheng, também fingindo normalidade, virou-se e sorriu para Xiang Ruicheng:

— Irmão Xiang, vamos comer lá em casa. Chama a irmã Fei também.

Mao Feixue normalmente não gostava de frutos do mar, mas abria exceção para algo realmente fresco. Depois de receber a ligação de Xiang Ruicheng, comprou algumas frutas e veio.

Xiang Ruicheng e Zhong Jin estavam na cozinha, disputando quem cozinhava melhor, nenhum dos dois disposto a ceder. A cozinha estava cheia de barulho de panelas, intercalado com as provocações dos dois e as gargalhadas altas de Tia Liang.

Qiu Sheng se aproximou e fechou a porta da cozinha, abafando o som daqueles dois adultos infantis. Depois foi até a sala e levou Mao Feixue para seu estúdio para mostrar as bonecas.

Na bancada havia uma boneca vestida com um traje de corte europeu, do tipo visto em dramas de época — espartilho apertado, uma saia volumosa com padrões intrincados e ornamentados.

Qiu Sheng explicou a Mao Feixue:

— Isso aqui se chama vestido com crinolina. É o estilo que a famosa Princesa Sisi adorava. Esse design é muito complexo, usando bordados, joias, franjas e fitas para destacar a elegância do vestido. A saia grande precisa de pelo menos quatro a seis camadas para alcançar esse efeito luxuoso.

Mao Feixue, ouvindo isso pela primeira vez, não conseguiu evitar comentar:

— Você é tão detalhista. Só de olhar já fico tonta, imagina fazer.

— Cada trabalho tem sua habilidade — disse Qiu Sheng com naturalidade. — Eu não sou boa com palavras. Se eu tivesse que trabalhar como policial, mediando casos todo dia, eu não aguentaria.

Mao Feixue assentiu com um sorriso:

— Exato, cada um com sua habilidade. Sua carreira não é mais atuação, então por que se importar com o que os outros dizem, certo?

Qiu Sheng estendeu a mão e tocou os padrões bordados à mão na saia, sem dizer nada.

Mao Feixue continuou:

— Não muito tempo depois que você voltou, a Zhong Jin de repente me disse para avisar o pessoal da delegacia pra não tocar no assunto do seu passado como celebridade, caso encontrassem você. Na época, eu não entendi por quê, mas agora vejo que você vem carregando esse peso.

Qiu Sheng se lembrou. Não é à toa que, quando Zhong Jin estava doente e ela foi à delegacia buscar o Little Tong, os colegas apenas a cumprimentaram e continuaram o trabalho.

Na época, ela pensou que era apenas profissionalismo dos policiais, mas agora percebeu que Zhong Jin os havia avisado antes.

Era exatamente o tipo de coisa que Zhong Jin faria. Durante os piores dois anos de seu assédio online, ela não conseguia nem ouvir o nome “Qiu Danhua”. Só de ouvir, seu coração apertava — uma reação física ao trauma.

Naquele tempo, Zhong Jin ainda era apenas uma detetive, não capitã.

Havia um detetive especialmente irritante na equipe que, sabendo muito bem como Qiu Sheng se sentia sobre aquele nome, fazia questão de mencioná-lo sempre que a via, zombando:

— A grande estrela chegou.

Depois, Zhong Jin acabou brigando com ele. Dois detetives brigando na rua — foram até levados pela delegacia local.

Que cena.

Mas depois daquela briga, ninguém da equipe de detetives ousou fazer comentários maldosos na frente dela de novo.

Mao Feixue percebeu Qiu Sheng perdida em pensamentos, mexendo no cabelo da boneca, e assumiu que ela ainda estava pensando no incidente da manhã. Então disse:

— Não fica remoendo isso. Se no futuro tiver algo que você não queira contar pra Zhong Jin, pode contar pra mim. Afinal, sou a vice-chefe da delegacia. Tudo que acontece nessa área está sob a minha responsabilidade.

Qiu Sheng saiu de seus pensamentos e sorriu para ela:

— Tá tudo bem. Vamos ver se os frutos do mar já estão prontos.

Durante o jantar, Little Tong correu até Qiu Sheng e perguntou:

— A Xiang Zimo e eu podemos comer na casinha?

A “casinha” a que ela se referia era sua super cama de cachorro. Tudo que ela ganhava de bom, queria levar pra dentro dela, como se assim fosse mais seguro.

Zhong Jin já havia chamado Little Tong de cachorro uma vez, e Qiu Sheng discutiu com ele por causa disso. Mas agora, Qiu Sheng estava começando a se perguntar — muitos dos comportamentos de Little Tong eram estranhamente parecidos com os de seu velho cachorro, Bubble.

Normalmente, elas não deixavam a menina levar comida para a cama — fazia muita bagunça.

Mas hoje, com os amigos por perto, Qiu Sheng decidiu relevar por causa da criança e concordou.

Ainda havia trabalho a ser feito na delegacia pela tarde, então, depois do almoço, Zhong Jin e Mao Feixue voltaram. Xiang Ruicheng, carregando seu filho sonolento, também se despediu.

A casa voltou ao silêncio de sempre.

Tia Liang estava limpando a cozinha quando Qiu Sheng se aproximou e se encostou no batente da porta, dizendo:

— Obrigada.

Tia Liang, porém, parecia descontente:

— Se você não tivesse me parado hoje, eu tinha arrancado a boca daquela mulher.

— Não vale a pena — disse Qiu Sheng.

— Você é digna e elegante demais. Gente como ela se aproveita do fato de você não querer se rebaixar ao nível delas. Se você fosse mais brava, acha que ela ia ter coragem de mexer com você?

Qiu Sheng respondeu indiferente:

— Já reagi antes, e só piorou as coisas. Então agora, eu só deixo pra lá.

A voz de Tia Liang suavizou aos poucos.

Qiu Sheng estendeu a mão e deu um tapinha em seu ombro:

— Mas hoje, você foi incrível, Tia Liang. Vou te dar um prêmio.

— É assim que você elogia alguém? “Incrível” não é insulto?

— “Incrível” é um título de respeito.

Qiu Sheng conversou com Tia Liang por um tempo antes de ir procurar Little Tong. A criança estava deitada na cama de cachorro, com a cabeça redondinha apoiada na pequena entrada, olhos fechados como se estivesse dormindo.

Assim que Qiu Sheng se aproximou, os olhos da menina se abriram de repente.

— Hehe, eu tava fingindo que tava dormindo.

Qiu Sheng se agachou e acariciou a cabecinha fofa da criança:

— Quer dormir na cama da mamãe?

A menina assentiu.

Bufando, ela rastejou para fora do pequeno buraco, depois virou-se para olhar a passagem pela qual havia acabado de lutar para atravessar:

— Tô muito gorda, quase fiquei presa.

— Não é você; o buraco é que é pequeno. Depois peço pro seu pai arrumar um maior.

De volta ao quarto, Qiu Sheng levantou a coberta — e levou um susto.

Debaixo dela havia um caranguejo verde vivo, amarrado, encarando-a com seus olhinhos pretos, parecendo totalmente confuso.

Mais cedo, ela se lembrava vagamente de Zhong Jin e Xiang Ruicheng comentando na cozinha que tinham pego sete caranguejos naquele dia, mas agora faltava um.

Estava ali.

— Foi você que colocou isso aqui?

A criança piscou seus grandes olhos brilhantes:

— Eu dei pra mamãe.

Qiu Sheng:

— ...Obrigada, meu amor.

Então, com medo de tocar no caranguejo vivo, chamou por Tia Liang imediatamente.

Os lençóis e a capa do edredom onde o caranguejo tinha dormido seriam trocados depois por Tia Liang, então Qiu Sheng levou Little Tong para tirar um cochilo na cama de Zhong Jin.

A cama tinha o cheiro de Zhong Jin, como roupas lavadas com sabão e secas no sol, uma fragrância suave e nostálgica.

Qiu Sheng adormeceu quase assim que se deitou.

Ela dormiu até o anoitecer. As cortinas do quarto estavam abertas, e o céu lá fora estava escuro e pesado. O cômodo ficava na penumbra, e apenas os contornos dos móveis eram visíveis.

Qiu Sheng estendeu a mão ao lado, procurando, mas não encontrou Little Tong. A criança provavelmente já havia acordado e saído para brincar.

No crepúsculo daquele dia nublado, o quarto amplo parecia desolado, como se o mundo a tivesse abandonado.

De repente, alguém acendeu a luz do quarto. A luminária em forma de nuvem no teto iluminou o espaço, envolvendo-o em um brilho quente e acolhedor.

Zhong Jin estava parado na porta.

— Acordou? Troca de roupa; vamos sair pra jantar.

Qiu Sheng vestiu roupas simples, não se incomodou em arrumar o cabelo bagunçado e apenas colocou um boné antes de segui-lo até o carro.

Quando Zhong Jin disse que sairiam para jantar, Qiu Sheng imaginou que seria em um restaurante. Mas, conforme o SUV subia por uma estrada na montanha, a paisagem ficava cada vez mais deserta. A área estava totalmente escura, iluminada apenas pelos faróis do carro.

Qiu Sheng deu um tapinha no ombro de Zhong Jin.

— Ei, fala a verdade. Em que encrenca você se meteu lá fora?

Zhong Jin:

— Não pergunta. Saber demais não te faz bem.

— Mas eu devia ao menos saber pra onde estamos fugindo, né?

Little Tong, sentada na cadeirinha infantil, reclinada com os pés balançando despreocupadamente, ouviu as bobagens dos pais. A criança gordinha inclinou a cabeça e comentou com calma:

— A gente tá fugindo pra dentro da barriga de uma galinha.

Ela chutou o encosto do banco do motorista com seus pezinhos.

— Eu tô sentindo cheiro de frango frito. Quando a gente vai comer?

Zhong Jin:

— ...Você tem faro de cachorro.

O carro seguiu até a encosta da montanha, onde havia um mirante com pavilhões e grades. Em dias claros, era possível ver uma vista deslumbrante do oceano dali.

Mas hoje, o tempo estava péssimo, e tudo o que havia à frente era neblina espessa.

Por causa do clima ruim, o mirante estava completamente vazio.

Zhong Jin tirou do porta-malas uma bolsa térmica, desencaixou um balde familiar de frango frito e colocou na mesa de pedra alguns copos de bebidas quentes.

Depois de arrumar tudo no pavilhão, Zhong Jin se lembrou das velas que havia comprado durante o último apagão causado por um tufão e acendeu duas delas.

Qiu Sheng se apoiou no parapeito, observando as duas velas brancas iluminarem um pequeno círculo ao redor. Naquele ermo, a cena dava uma sensação estranhamente sombria.

Zhong Jin, no entanto, parecia não perceber nada. Provavelmente achava que estava sendo romântico.

— Vem comer antes que esfrie — chamou ele.

Sua filha gordinha, já tendo limpado as mãos com um lenço umedecido, mastigava um coxão de frango com os olhinhos semicerrados de satisfação, balançando os pés e a cabeça contente.

Resignada, Qiu Sheng caminhou até a mesa e se sentou. Pegou o chá-preto do Ceilão que Zhong Jin lhe entregou e sentiu o calor nas palmas. Bebeu um gole, e o calor se espalhou até o estômago.

Depois de comer, Little Tong colocou as mãos para trás, fingindo ser um avião, e correu de um lado para o outro na área aberta em frente ao pavilhão, fazendo sons de “fwhoooosh”.

Zhong Jin se encostou a uma das colunas do pavilhão e disse a Qiu Sheng, que estava ao seu lado:

— Lembra quando eu te levei pro terraço na época do ensino médio?

Claro que ela lembrava.

Diferente de Zhong Jin, que era um gênio nato nos estudos, Qiu Sheng não tinha grande talento acadêmico, especialmente nas matérias de exatas. Na escola de prestígio nacional onde estudavam, suas notas eram apenas medianas — e isso com muito esforço.

No último ano, ela tinha ido mal em vários simulados, e seus pais a pressionavam sem parar, deixando-a sufocada. Ela frequentemente acordava no meio da noite chorando.

Zhong Jin comprava cerveja às escondidas e a levava para o terraço beber. Depois de alguns goles, ele a incentivava a gritar e berrar no terraço vazio.

Depois de desabafar, ela se sentia melhor por um tempo. Sempre que a pressão voltava, os dois escapavam para o terraço para beber e gritar novamente.

Ouvindo aquilo, Qiu Sheng já imaginava por que ele a havia trazido ali.

— Você não tá achando que eu vou gritar aqui, né? Eu não tô estressada.

Zhong Jin colocou as mãos nos bolsos e manteve o olhar fixo na escuridão à frente. Com calma, disse:

— Tenta gritar o nome Qiu Danhua. Vê se te alivia.

— Não, isso é vergonhoso — murmurou Qiu Sheng, chutando uma pedrinha no chão com a ponta do sapato.

— O que tem de vergonhoso? Não tem mais ninguém aqui.

— Não dá. Eu simplesmente não consigo.

— Medo do quê? Só grita como você fazia antes.

— Daquela vez, eu tava bêbado.

— Tem cerveja no carro. Quer que eu pegue uma?

Enquanto os dois discutiam nesse vai e vem, a criança que corria na frente deles parou. Virada para o céu vasto e escuro além do parapeito, ela gritou o mais alto que pôde:

— Eu, Zhong Yuntong, ainda não vou para o jardim de infância. Tchauzinho!

Capítulo 62

A pequena Zhong Yuntong, ignorando os pais chocados atrás dela, cobriu a boca e gritou mais algumas vezes:

"Eu, Zhong Yuntong, ainda não quero ir para o jardim de infância. Tchau!"

Quanto mais alto ela gritava, mais enjoada se sentia, até que se curvou e se engasgou algumas vezes.

Zhong Jin e Qiu Sheng, que estavam olhando incrédulas, agora abaixaram a cabeça, rindo silenciosamente. Qiu Sheng perguntou a ela: "Yuntong, você está se sentindo melhor agora?"

A garotinha cobriu a cabeça com as mãos: "Estou um pouco tonta."

Qiu Sheng, com experiência, respondeu: "Sim, gritar alto pode te deixar tonta." Então, ela gentilmente esfregou a cabeça de Yuntong para confortá-la.

Yuntong, ainda segurando a cabeça, perguntou: "Se eu estiver tonta, posso faltar ao jardim de infância amanhã? Ai."

Qiu Sheng respondeu: "Não é para tanto. Você vai se sentir melhor daqui a pouco."

A garotinha suspirou pesadamente, agachou-se atrás do parapeito e arrancou uma pequena erva daninha que crescia entre as pedras. Ela jogou a erva daninha arrancada pelas fendas do parapeito:

"Eu não estou mais livre, erva daninha, mas você está livre agora."

Zhong Jin, encostada em uma coluna do pavilhão com as pernas longas cruzadas, sorriu: "A erva daninha vai agradecer toda a sua família, com certeza."

Qiu Sheng acrescentou: "A família dela somos nós, não é?"

Zhong Jin, "..."

Qiu Sheng realmente sentiu vontade de gritar algumas vezes também, mas talvez porque ela fosse mais velha agora, já passou da fase rebelde da adolescência, fazer algo assim só pareceria estranho.

No final, ela não gritou. Zhong Jin também não disse nada, apenas pegou a criança que estava agachada e puxando ervas daninhas, colocando-a na cadeirinha e voltando para casa.

Quando o carro se aproximou do sopé da montanha, Qiu Sheng se recostou no banco do passageiro, virando-se para olhar para Zhong Jin: "Zhong Jin, quero comer algo quente e reconfortante."

A garotinha, que estava cochilando, imediatamente sentou-se, seus grandes olhos redondos arregalados: "Vamos comer hotpot!"

Zhong Jin dirigiu até um restaurante de hotpot muito bem avaliado, e as três, tendo acabado de comer frango frito, se entregaram a uma refeição fumegante de hotpot.

Sentindo-se cheias demais para dormir imediatamente, Zhong Jin e Qiu Sheng levaram a criança para dar uma volta pelo campo esportivo para ajudar na digestão.

A brisa da noite estava fresca, e as sombras das árvores ao redor do campo balançavam suavemente, como se tivessem voltado aos tempos do ensino médio.

Durante o último ano do ensino médio, o romance em flor entre os dois jovens amantes era difícil de reprimir. Foi também o ano mais crítico, com professores e pais os observando como falcões.

Para poupar tempo, ambos moravam no campus naquele ano.

Às vezes, depois dos estudos noturnos, Qiu Sheng não queria voltar para o dormitório, então ela e Zhong Jin caminhavam algumas voltas ao redor do campo esportivo vazio. A carga de trabalho acadêmica durante o dia era pesada, e na maioria das vezes elas estavam exaustas demais para sequer conversar, mas ainda não conseguiam suportar a ideia de voltar a dormir.

Certa vez, encontraram um casal escondido atrás dos arbustos, se beijando. As orelhas de Zhong Jin ficaram vermelhas, e ela implorou a Qiu Sheng que parasse de olhar e fosse embora.

Mas Qiu Sheng agarrou a manga do uniforme de Zhong Jin e perguntou: "Você quer tentar também?"

Zhong Jin hesitou por um instante.

Então, elas ouviram a voz de um professor não muito longe: "Quem está aí?"

Em pânico, Qiu Sheng chutou Zhong Jin para os arbustos. Zhong Jin caiu no canteiro de flores, assustando o casal que estava se beijando, que gritou e saiu correndo.

No final, o casal foi levado pelo professor.

O professor perguntou a Qiu Sheng: "O que você está fazendo aqui tão tarde?"

Qiu Sheng respondeu: "Eu vi um gato correr para cá, então vim procurar por ele."

"Volte para o seu dormitório. Você nunca viu um gato antes? Vá para a cama."

Depois daquele incidente, por um tempo, Qiu Sheng miaria como um gato sempre que visse Zhong Jin.

Zhong Jin não pôde fazer nada sobre isso. Finalmente, em uma noite chuvosa, ela encurralou Qiu Sheng no canto da vila de sua família e a silenciou com um beijo.

Em algum momento, uma chuva leve começou a cair. Yuntong, com as mãos nos bolsos do moletom, parou de andar, inclinou a cabeça para trás e abriu a boca para pegar as gotas de chuva.

"Zhong Yuntong, feche a boca, senão você vai ter dor de estômago", Zhong Jin chamou.

Yuntong fingiu não ouvir. Zhong Jin se aproximou, tirou o casaco e cobriu a cabeça da criança. Ela a pegou no colo e se virou para Qiu Sheng: "Vamos voltar. Está chovendo."

Quando chegaram em casa, Yuntong já estava dormindo nos braços de Zhong Jin.

Zhong Jin carregou a criança, enquanto Qiu Sheng pegava as pantufas e as colocava no chão. "É muito tarde. Não a acorde para o banho. Deixe-a dormir assim."

"Tudo bem, vou limpar o rosto dela com uma toalha mais tarde", disse Zhong Jin.

Levando a criança para o quarto de hóspedes, Qiu Sheng puxou o cobertor da cama e encontrou um pacote de balas de arco-íris no colchão.

Ela pegou as balas: "Não sei o que aconteceu com essa criança. Ao meio-dia, ela até colocou um caranguejo na minha cama."

Zhong Jin sentou-se no sofá com Yuntong em seus braços, deixando Qiu Sheng procurar pijamas para a criança trocar.

Ela levantou a criança, deixando a cabeça apoiada em seu peito, e ajudou-a a tirar as roupas de cima: "O cachorrinho está te dando presentes."

Qiu Sheng entregou os pijamas para Zhong Jin e se ajoelhou ao lado dela, desfazendo gentilmente o pequeno rabo de cavalo de Yuntong e penteando seu cabelo.

"Ei, Zhong Jin, você não recebeu nenhum presente de Yuntong, recebeu? Eu sou a primeira a receber um presente dela, certo?"

Diante da súbita demonstração de orgulho de Qiu Sheng, o espírito competitivo de Zhong Jin foi imediatamente despertado.

Sem sequer puxar a parte de cima do pijama até a cabeça da criança, ela pegou o telefone e mostrou a Qiu Sheng uma foto de sua conta privada de mídia social.

"Viu este pequeno desenho? Ela me deu. Um presente de verdade, com caixa e tudo. Não apenas um caranguejo ou balas de arco-íris."

Qiu Sheng olhou para ele com inveja.

Yuntong, meio dormindo, sentiu-se um pouco sufocada e estendeu a mão para tirar a parte de cima do pijama da cabeça. O tecido elástico esticou cada vez mais, envolvendo firmemente sua cabeça redonda, fazendo-a parecer uma bolinha.

Os pais infantis, que acabavam de discutir, agora riram juntos da filha inocente.

*

Na manhã seguinte, Qiu Sheng recolheu todos os óculos de sol que ela tinha deixado na entrada e os colocou de volta no guarda-roupa. Ela também embalou as máscaras em uma caixa e as colocou na gaveta acima do sapateiro.

Quando saíram de casa, o rosto de Qiu Sheng estava completamente descoberto, enquanto Zhong Jin se sentia um pouco inquieta.

"Qiu Sheng, você tomou secretamente algum tipo de decisão?"

Qiu Sheng assentiu friamente:

"Sim. De agora em diante, se alguém me perguntar se sou Qiu Danhua, eu direi: 'E daí?'. Se disserem que minha atuação é ruim, eu direi: 'Se você é tão bom, por que não atua?'. Se disserem que as grandes estrelas não são nada de especial, eu direi: 'Sou mais especial do que você.'"

Zhong Jin afirmou sua coragem, mas não estava otimista sobre como as coisas se desenrolariam.

Ela não conseguia se lembrar de quantas vezes Qiu Sheng foi corajosa assim. Cada vez, ela saía como uma guerreira, apenas para se refugiar em sua concha depois de ouvir algumas palavras duras.

Em um momento, Qiu Sheng chegou a considerar se mudar para o exterior, mas como o trabalho de Zhong Jin tornava impossível sair, e ela não suportava ficar longe de Zhong Jin, ela desistiu da ideia.

Ao saírem do elevador, Zhong Jin tomou uma decisão própria.

Desta vez, ela não deixaria Qiu Sheng recuar novamente.

Se alguém for derrubado muitas vezes, até a mulher mais forte perderá seu espírito.

Quando deixaram Yuntong na porta do jardim de infância, encontraram alguns pais da turma de Ginkgo. Sempre que alguém se aproximava para cumprimentá-las, Zhong Jin os encarava com seus olhos afiados, como de águia.

Ela não deixou espaço para ninguém fazer comentários sarcásticos.

Qiu Sheng até repreendeu Zhong Jin, pensando que sua atitude era muito dura e que ela estava assustando os outros pais.

Xiang Ruicheng, que acabara de deixar o filho no jardim de infância, se aproximou com um sorriso, com a intenção de cumprimentar seus amigos.

Mas um olhar de Zhong Jin o parou em suas ações. "Desculpe, acabei de me lembrar que deixei uma panela no fogão em casa", disse ele, antes de fazer uma rápida saída.

Embora Xiang Ruicheng não soubesse o que estava acontecendo, ele pôde perceber pela expressão de Zhong Jin que não era nada bom. Ele decidiu que era melhor não se envolver e correr o risco de se queimar.

Qiu Sheng não suportou mais assistir e implorou a Zhong Jin que fosse trabalhar, dizendo a ele para não fazer um espetáculo de si mesmo lá fora.

Zhong Jin verificou novamente se Qiu Sheng iria para casa depois de deixar as crianças e não tinha planos de sair hoje antes de finalmente sair, sentindo-se reconfortado.

Assim que Qiu Sheng entrou no carro, ela recebeu uma mensagem de Zhong Jin: [Se precisar sair hoje, me avise. Eu vou te acompanhar.]

[Cabeça Grande Zhong, você esqueceu que já estamos divorciadas? Que demonstração repentina de afeto é essa?]

Zhong Jin respondeu: [Não pense demais nisso. Eu só gosto de ser completa em minha gentileza para que eu possa me sentir à vontade quando agir sem coração mais tarde.]

Qiu Sheng não se preocupou em responder. Ela colocou o telefone de volta no suporte magnético para telefone e dirigiu para casa.

Na turma do Jardim de Infância Ginkgo, havia uma aula de pintura hoje. A pequena Tong sentou-se em seu banquinho, suas bochechas rechonchudas inchadas de seriedade enquanto ela delineava meticulosamente uma forma irregular com um pincel preto. Então, ela pegou um pincel vermelho e começou a colori-la ousadamente.

Somente depois de preencher toda a área preta com vermelho ela largou seu pincel. Ela dobrou o desenho e o colocou em sua pequena mochila.

Durante o recreio, a pequena Tong sentou-se nos degraus sob as beiradas da sala de aula e se virou para Miao Qingyue, que estava sentada ao lado dela.

"Miao Yueyue, dê alguns passos."

Miao Qingyue imediatamente se levantou, segurando os joelhos, e caminhou da frente da pequena Tong até o parque de areia. Então ela se virou e voltou, sentando-se novamente ao lado da pequena Tong.

A pequena Tong estendeu a mão e tocou a pequena trança de Miao Qingyue. "Boa menina, muito bem."

Miao Qingyue sorriu timidamente, com os lábios cerrados. "Minha mãe disse que estou andando muito bem agora."

A pequena Tong enlaçou seu pequeno rosto e assentiu com entusiasmo. "Sim, sim, você está andando muito bem."

Tang Rongzong, um menino da turma delas, se aproximou e puxou alguns pirulitos do bolso, oferecendo-os às meninas. "Zhong Yuntong, minha mãe me disse para trazer pirulitos para dividir com você."

Tang Rongzong era o menino que havia levantado a saia de uma menina antes.

Após o incidente na praia, onde as coisas ficaram feias, a mãe de Tang Rongzong voltou para casa e começou a se sentir inquieta. Ela temia que o chefe da delegacia pudesse encontrar alguma desculpa para retaliar contra sua família. Então, hoje, ela enfiou alguns pirulitos na mochila do filho e disse a ele para entregá-los a Zhong Yuntong.

Foi um gesto de boa vontade.

Algumas pessoas são assim - dê-lhes um pequeno problema e elas se comportarão.

A pequena Tong, ainda segurando o rosto de Miao Qingyue, sorriu brilhantemente. "Uau, obrigado, mas eu não quero nenhum."

"Por que não? É o seu sabor favorito de morango." Tang Rongzong empurrou o pirulito mais perto, tentando colocá-lo na mão da pequena Tong.

A pequena Tong afastou a mão dele e se levantou, gritando para a professora Luo, que estava sentada não muito longe. "Professora Luo, Tang Rongzong trouxe pirulitos para a escola!"

Ouvindo a comoção, a professora Luo se levantou e se aproximou. Vendo os pirulitos na mão da criança, ela os confiscou e repreendeu Tang Rongzong por alguns instantes.

Enquanto isso, Zhong Yuntong, tendo resistido à tentação dos pirulitos e relatado o incidente à professora, foi recompensada com uma pequena estrela pela professora Luo.

A pequena Tong retirou a estrela e a colou na testa de Miao Qingyue. Ela gentilmente deu palmadinhas na cabeça de Miao Qingyue como se estivesse acariciando um animalzinho, inclinando a cabeça com carinho. "Feliz?"

Miao Qingyue tocou a pequena estrela em sua testa, um sorriso atordoado se espalhando por seu rosto. "Feliz. Você está me dando?"

A pequena Tong assentiu grandiosamente. "De agora em diante, todas as minhas pequenas estrelas serão suas."

Capítulo 63

Antes do fim do jardim de infância, Zhong Jin enviou uma mensagem no bate-papo do grupo "Co-Parenting": "Buscarei Zhong Yuntong mais tarde."

Qiu Sheng respondeu: "Entendido."

A tia Liang também respondeu: "Eu também entendi."

Com três pessoas cuidando da criança em casa agora, houve algumas confusões ocasionais. Por exemplo, alguns dias atrás, Yuntong acabou tomando dois banhos em uma noite - a tia Liang a banhou uma vez e, duas horas depois, Qiu Sheng a banhou novamente.

A pobre criança, ansiosa para brincar com sua arma de bolhas, ficou quieta e não disse uma palavra.

Foi só no dia seguinte, quando a tia Liang mencionou dar um banho em Yuntong, que todos perceberam a confusão.

Depois disso, Qiu Sheng criou o bate-papo do grupo "Co-Parenting", adicionando Zhong Jin e a tia Liang. Daí em diante, todos atualizariam o grupo sobre suas atividades para evitar gastar esforços.

Quando chegou a hora do jardim de infância liberar as crianças, Zhong Jin foi buscar Zhong Yuntong e a levou de volta à delegacia.

"Brinque aqui sozinha e vamos para casa juntos depois que eu terminar o trabalho", disse Zhong Jin.

Yuntong agachou-se em frente à gaveta de lanches, enfiou alguns lanches no bolso e, sem nem se despedir de Zhong Jin, correu para assistir à comoção.

Ela tinha ouvido uma discussão alta na sala de mediação quando chegaram.

Depois de terminar alguns trabalhos, Zhong Jin pegou a criança curiosa e a carregou para fora da delegacia.

Como Qiu Sheng havia ido para casa de carro mais cedo naquela manhã, Zhong Jin chamou um táxi na rua e subiu no banco de trás com Yuntong a reboque.

Ter apenas um carro em casa era, sem dúvida, inconveniente, mas nem Zhong Jin nem Qiu Sheng haviam mencionado comprar outro. Não era por causa de dinheiro - eles apenas preferiam dividir o mesmo carro.

Yuntong encostou no braço de Zhong Jin e tirou um desenho que havia feito na escola para mostrar a ele.

Zhong Jin perguntou: "O que é isso? É frango frito com ketchup? Nuggets de frango?"

Yuntong cruzou seus bracinhos, virou a cabeça para a janela e deu a Zhong Jin o tratamento silencioso com as costas da cabeça.

Percebendo que havia adivinhado errado, Zhong Jin passou um bom tempo a persuadindo, prometendo levá-la para comer pizza e sorvete no fim de semana antes que ela finalmente o perdoasse.

Yuntong ergueu o desenho e explicou seriamente: "Este é um coração vermelho. É meu coração."

Zhong Jin olhou fixamente para o coração em forma de quadrilátero irregular e não ousou dizer uma palavra, com medo de chateá-la novamente e receber outro desprezo.

Yuntong tocou em seu peito e, em seguida, apontou um dedo minúsculo para o coração vermelho no papel. "Estou dando meu coração para a mamãe."

Alguns dias atrás, Qiu Sheng havia se sentido para baixo. Embora a criança parecesse alheia, ela tinha sentido isso no fundo. Ela provavelmente queria dar seu coração para a mamãe para que a mamãe pudesse ter um novo coração e ser feliz novamente.

Tocado por sua consideração, Zhong Jin sentiu um calor no peito, mas também uma pontada de tristeza. "Só para a mamãe? Eu também quero um."

A criança dobrou rapidamente o coração vermelho e o guardou de volta em sua bolsa, balançando suas mãozinhas vigorosamente. "Não, não, eu só tenho um coração."

Zhong Jin fungou, provocando-a: "Mas se eu não tiver um, também ficarei triste."

Yuntong abraçou sua cabeça e plantou um beijo em sua bochecha, dando-lhe um olhar que dizia: "Ah, você é impossível."

Zhong Jin apoiou a mão em sua cabeça, seu olhar distante, temendo que esses dias alegres passassem muito rapidamente à medida que ela crescia.

Quando chegaram em casa, Yuntong apresentou o desenho do coração vermelho para Qiu Sheng. "Mamãe, aqui está um presente para você."

"Uau", exclamou Qiu Sheng ao desdobrar o papel, seu rosto mudando lentamente para a confusão. "O que é isso?"

Yuntong ergueu um dedo. "Adivinha."

"Ah..." Qiu Sheng arrastou a sílaba, olhando para Zhong Jin em busca de ajuda enquanto ele se dirigia para o banheiro.

Zhong Jin fez uma pausa, apontou para o peito e murmurou: "Coração."

A confusão de Qiu Sheng se aprofundou. Ela olhou para Zhong Jin e perguntou hesitantemente: "É o coração do papai? Você desenhou o coração do papai, querida?"

Zhong Jin, parecendo totalmente inocente, entrou rapidamente no banheiro.

Quando ele saiu, Qiu Sheng estava agachada do lado de fora da casinha, persuadindo: "Querida, não fique brava. Você pode dizer para a mamãe o que é isso?"

Zhong Jin pegou uma maçã, sentou-se no sofá e começou a descascá-la, colocando a casca na lixeira. Ele se recostou, mordeu a maçã e observou a cena se desenrolar com diversão.

Depois de muita persuasão, uma pequena cabeça redonda finalmente surgiu da casinha, apoiando o queixo na entrada. Seus olhos grandes e brilhantes encaravam Qiu Sheng.

"Este é meu coração. Estou dando meu coração para a mamãe."

"Oh, isso é incrível! A mamãe não viu no começo, mas agora eu vejo. Parece exatamente com seu coração. Obrigada, querida."

Yuntong voltou para a casinha, enroscando-se e enterrando a cabeça em um cobertor macio, parecendo totalmente de coração partido.

Qiu Sheng, incapaz de consolá-la, virou-se para Zhong Jin com um pedido silencioso de ajuda: "Me salve!"

Zhong Jin jogou o caroço da maçã no lixo, enxugou as mãos elegantemente com um lenço umedecido e disse com um olhar de cumplicidade: "Ela está fingindo. Ela está rindo."

Assim que ele disse isso, gargalhadas irromperam da casinha. A pequena malvada rolou no cobertor, rindo. "Você foi enganada! Hehehe."

Mais tarde, Zhong Jin explicou o significado por trás do desenho para Qiu Sheng. Como Qiu Sheng estava se sentindo triste, Yuntong havia desenhado seu coração para dar a ela - talvez esperando consertar o coração partido de Qiu Sheng com o seu.

Naquela noite, Qiu Sheng fez uma moldura de tecido e pendurou o coração vermelho quadrilátero na parede acima de sua mesa de trabalho.

*

No fim de semana, Qiu Sheng recebeu um convite de algumas mães da turma de Yuntong para visitar um parque de diversões sem energia nos subúrbios com seus filhos.

Tendo evitado encontros sociais nos últimos anos e considerando que ela deixaria Haishan em um ano, Qiu Sheng inicialmente planejou manter um perfil discreto. Ela tinha evitado participar de atividades particulares dos pais.

Mas agora, Qiu Sheng mudou de ideia. Se ela não fosse, Yuntong também não poderia ir. Ela não queria que sua relutância privasse sua filha da chance de brincar com seus amigos.

Então, desta vez, Qiu Sheng concordou sem hesitar.

A mãe que organizava o evento criou um pequeno bate-papo em grupo. Qiu Sheng verificou os membros - havia cinco mães no total, o que não era tão ruim.

A organizadora, a mãe de Lu Xingxing, mencionou que o parque oferecia um bufê de churrasco, e todos poderiam dividir o custo do jantar.

As outras mães pareciam de bem com a vida e concordaram com o plano. O clima no bate-papo do grupo era bastante agradável.

No dia seguinte, quando Qiu Sheng e Yuntong, vestidas com roupas esportivas combinando, estavam prestes a sair, Zhong Jin surgiu do quarto com uma camiseta simples e calças casuais, tirando seus tênis do armário.

Qiu Sheng perguntou: "Por que você está usando tênis?"

Zhong Jin respondeu: "Eu vou com você."

"Esta é uma reunião de mães."

"Eu não vou me juntar à sua reunião. Eu vou apenas ficar por perto. Se elas se sentirem desconfortáveis, posso ficar ainda mais longe."

Qiu Sheng suspirou: "Você é inacreditável."

Quando chegaram ao parque, Zhong Jin explicou calmamente aos olhares perplexos das outras mães: "Eu estava passando por aqui."

O parque estava localizado nos subúrbios do norte da cidade, com nada além do vasto mar além dele. Era difícil imaginar que tipo de "passagem" poderia levá-lo até lá.

Enquanto as crianças brincavam no parque, as mães se sentavam sob um guarda-sol. Com Zhong Jin por perto, todos pareciam um pouco reservados, conversando sobre seus filhos.

Quando Qiu Sheng estava pensando em uma maneira de mandar Zhong Jin embora, Yuntong veio correndo, com a testa brilhando de suor.

"Papai, eu preciso de você", ela disse, puxando a calça de Zhong Jin.

Zhong Jin foi prontamente arrastado por Yuntong, e as mães finalmente relaxaram. Uma delas provocou Qiu Sheng: "Vocês duas parecem tão inseparáveis. Vocês estão planejando voltar?"

Qiu Sheng tomou um gole de água, desviando com tato da pergunta. "Nós realmente não pensamos nisso ainda."

Neste parque de diversões, havia um escorregador de túnel conectado por uma longa ponte suspensa oscilante. Para chegar ao escorregador, as crianças tinham que atravessar a ponte instável primeiro.

Zhong Yuntong não queria atravessar a ponte, mas ainda queria brincar no escorregador, então ela pediu a Zhong Jin que a levantasse diretamente.

Depois de carregar Yuntong para frente e para trás algumas vezes, os braços de Zhong Jin começaram a doer. Ele olhou para baixo e viu alguns pares de olhos claros e inocentes olhando diretamente para ele.

"Tio, nós também queremos", um grupo de crianças pequenas cantou em uníssono.

Zhong Jin olhou para as mães sentadas sob o guarda-sol, que o observavam atentamente. Ele cerrou os dentes e disse: "Tudo bem."

Quando as crianças finalmente se divertiram, os braços de Zhong Jin estavam doloridos e exaustos. Mesmo quando ele tentou desaparafusar a tampa de uma garrafa para beber água, suas mãos pareciam fracas.

Ele também não sentiu vontade de comer muito, então, depois de tomar um pouco de água, eles foram para casa.

Yuntong estava realmente exausta das atividades do dia. Ela adormeceu no carro e, depois de chegar em casa, cochilou novamente no meio do banho.

Qiu Sheng segurou sua cabeça com uma mão para impedi-la de escorregar, enquanto usava a outra para enxaguar o sabão com o chuveiro. Depois de terminar, ela enrolou Yuntong em uma toalha e a carregou para fora.

A garotinha rechonchuda dormia profundamente, imperturbável mesmo quando seus pais a trocaram para colocar o pijama e secaram seu cabelo.

Depois de ser colocada na cama, Yuntong rolou, abraçou sua pelúcia de porco e enterrou o rosto em sua barriga sem mover um músculo.

Esfregando seus braços doloridos, Qiu Sheng caminhou até o sofá e sentou-se em um assento individual em frente a Zhong Jin.

"Yuntong engordou? Eu mal consigo carregá-la mais."

Zhong Jin estava prestes a dizer: "Você acha que isso é ruim? Eu carreguei cinco crianças pequenas sólidas hoje", mas Qiu Sheng continuou: "Você é incrível. Eu não consigo nem lidar com uma, e você carregou tantas crianças hoje."

Zhong Jin flexionou a mão, sua expressão calma. "Sem problemas."

"Vamos pedir comida para viagem para o jantar. Mal comemos nada esta tarde", sugeriu Qiu Sheng, pegando um travesseiro e abraçando-o enquanto abria o aplicativo de entrega de comida. "Que tal um pouco de comida refogada levemente picante?"

"Claro... traga duas latas de cerveja para mim também."

"Eu também vou tomar cerveja."

Quando a comida chegou, Qiu Sheng ligou a TV e começou a procurar um filme. Comida refogada picante e cerveja só tinham que ser combinadas com um filme - não era sobre o que eles assistiam, mas a atmosfera aconchegante.

Zhong Jin desligou as luzes da sala de estar, deixando apenas o brilho da tela da TV para iluminar o amplo espaço.

Para não acordar Yuntong, o volume da TV foi reduzido, às vezes tão baixo que eles nem conseguiam ouvir o diálogo claramente e tinham que confiar nas legendas.

Qiu Sheng era um pouco míope, o que geralmente não a incomodava, mas dessa distância, ela não conseguia ler as legendas claramente. Ela estava com muita preguiça de se levantar e buscar seus óculos no quarto de hóspedes, com medo de acordar Yuntong, então ela apenas apertou os olhos e se virou.

Depois de um tempo, ela perdeu o interesse e parou de assistir. Ela tomou um gole de cerveja e começou a conversar com Zhong Jin.

"Ei, deixa eu te contar uma coisa engraçada. Sabe a mãe de Lu Xingxing? Ela chama o filho de 'jovem mestre'. Eu a ouvi dizer: 'Meu jovem mestre não come cebolinha', e 'Traga um pouco de água para meu jovem mestre'. Eu fiquei tão confusa - achei que ela era a babá de Lu Xingxing! Acontece que é apenas o termo de carinho dela para o filho. Ainda bem que eu não perguntei a ela se ela era a babá - isso teria sido tão estranho."

Zhong Jin franziu a testa ligeiramente. "Isso é ridículo. Isso confunde as linhas de respeito e hierarquia para a criança."

Qiu Sheng mordiscou uma asa de ganso. "Eu também acho um pouco estranho, mas não é da minha conta. Eu estou aqui só para a fofoca."

Seu tom era familiar demais para Zhong Jin.

Quando Qiu Sheng entrou pela primeira vez na indústria do entretenimento, ela voltava para casa e o bombardeava com fofocas. Zhong Jin era reservado e nunca contaria nada, então Qiu Sheng se sentia segura compartilhando todas as histórias mais suculentas com ele.

Quando Qiu Sheng entrava no modo fofoca, seus olhos brilhavam e ela nunca parecia se cansar.

Zhong Jin uma vez a provocou, dizendo que ela não entrou na indústria do entretenimento para atuar - ela entrou para colecionar fofocas.

Depois de compartilhar algumas das curiosidades divertidas do dia sobre as mães, Qiu Sheng continuou: "Você se lembra de Tu Xiaoxiao da nossa turma? A história dela é ainda mais louca."

"O que aconteceu com ela?" A curiosidade de Zhong Jin foi despertada.

Qiu Sheng disse: "Uma vez, em uma reunião de meninas, Tu Xiaoxiao estava se gabando de seu marido, dizendo o quão perfeito ele era - até o cheiro dele era incrível, como leite. Então, Zhang Tong respondeu: 'Se seu marido cheira a leite, é melhor você verificar se ele tem um filho secreto por aí.'"

Neste ponto, Qiu Sheng fez uma pausa e tomou um gole de cerveja.

De repente, uma voz suave e infantil surgiu da sala de estar escura: "Continue."

Qiu Sheng, "... "

Zhong Jin, "... Quando você saiu?"

Yuntong, calmamente mastigando uma garra de frango, disse: "Não se importem comigo. Continuem."

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