Capítulo 87 – Viver e Morrer Juntos

O vento se infiltrava pela fresta da janela, fazendo a sombra no chão balançar levemente.

Se a noite passada poderia ser considerada um teste tácito, hoje havia se transformado num confronto com espadas desembainhadas.

Lu Tong olhava para o homem à sua frente e pensava que o Comandante da Guarda Imperial havia chegado mais rápido do que esperava.

Os olhos de Duan Xiaoyan brilharam de euforia. Ele gritou:

— Mestre!

Pei Yunhuan o olhou de relance.

— Por que está sentado no chão?

O rosto bonito do jovem ficou ruborizado. Ele gaguejou, envergonhado:

— Fui mordido por uma cobra venenosa. Ainda falta uma hora para o veneno fazer efeito. Não ouso me mexer muito.

Ao ouvir isso, Pei Yunhuan ergueu as sobrancelhas e olhou para a jovem que socava ervas.

— O que significa isso, Doutora Lu?

Lu Tong manteve-se calma, impassível diante da presença do novo homem no cômodo. Era tão indiferente quanto estava diante de Duan Xiaoyan, que ainda se sentava no chão.

— Mestre Pei, seu subordinado invadiu a clínica no meio da noite e revirou minha cozinha. Foi mordido pela cobra venenosa que encontrei para fazer remédio e acabou envenenado. Vai me culpar por isso também?

Ela zombou:

— Nas leis da Dinastia Liang que decorei, não existe nenhuma regra assim.

Pei Yunhuan lançou mais um olhar a Duan Xiaoyan, que não ousava dizer uma só palavra.

Após um breve silêncio, ele recuou um passo e se encostou à porta, cruzando os braços. Sorriu.

— O que a Doutora Lu deseja?

Direto e decidido. Aquele homem não perdia tempo com rodeios.

Lu Tong fez uma pausa e pôs o pilão de lado.

— Não desejo nada.

— Não há antídoto para esse veneno. E mesmo que houvesse, não poderia ser feito em tão pouco tempo.

O rosto de Duan Xiaoyan empalideceu.

Ela voltou a olhar para Pei Yunhuan, com um leve sarcasmo no olhar.

— Ele é só um servo. Se morrer, morreu. O Comandante realmente se importa com isso?

O coração de Duan Xiaoyan batia fracamente.

Servo? Se morrer, morreu?

Que tipo de médica dizia palavras tão frias?

Ele costumava pensar que Lu Tong era uma Bodhisattva encarnada. Amanhã mesmo iria ao templo pedir perdão à Bodhisattva!

O ambiente estava silencioso. Apenas o vento noturno fazia as chamas das lanternas tremularem. Os sinos de vento sob os saquinhos luminosos no pátio soavam suavemente.

Pei Yunhuan a fitava, e de repente curvou os lábios num sorriso.

Ele disse:

— Chi Jian.

Assim que terminou a frase, um homem que parecia um guarda surgiu do nada. À sua frente vinha uma jovem com as mãos amarradas para trás. Ela olhava para Lu Tong com medo.

Lu Tong ficou surpresa.

Ela havia pedido claramente para Yin Zheng se esconder do lado de fora da clínica…

O jovem suspirou. Puxou uma cadeira e se sentou à frente de Lu Tong. Seu sorriso parecia ainda mais radiante à luz da lamparina.

— A Doutora Lu cuida bem de sua criada. Infelizmente, sua criada é leal demais. Estava preocupada com você e voltou no meio do caminho.

Ele fitou Lu Tong com grande interesse.

— Agora, Doutora Lu, ainda quer dizer que ele é só um servo, e que se morrer, morreu?

Os olhos de Lu Tong escureceram levemente.

Muitos em Shengjing a chamavam de “Doutora Lu”.

Du Changqing a chamava com indiferença, Ah-Cheng com carinho, e o Mestre Hu e os vizinhos a tratavam com respeito e cuidado — era o reconhecimento pelo seu trabalho como médica.

Mas ninguém a zombava como Pei Yunhuan fazia.

Os olhos negros sorridentes, o tom de desdém, a postura relaxada — tudo indicava claramente que ele já havia enxergado por trás dela. Sabia que ela não era uma médica bondosa e virtuosa.

A voz arrependida de Yin Zheng veio da porta:

— Desculpe, Senhorita, eu…

Lu Tong olhou diretamente para Pei Yunhuan.

— O que você pretende fazer?

Antes que Pei Yunhuan respondesse, Duan Xiaoyan se adiantou:

— O que mais? Doutora Lu, me dê o antídoto e meu mestre libertará sua criada. Todos saem ganhando. Cada um segue seu caminho no futuro.

Parecia uma boa troca. Um por um, justo.

Lu Tong ficou em silêncio e ergueu os olhos.

— E se eu disser que não existe antídoto?

Duan Xiaoyan ficou atônito.

Sem antídoto?

Impossível!

Instintivamente, achou aquilo absurdo, mas diante da expressão indiferente de Lu Tong, começou a hesitar. A ansiedade se apoderou dele.

— Doutora Lu, não… não brinque com isso.

Ele havia relaxado completamente quando Pei Yunhuan apareceu. Pensou que Lu Tong só estava assustando-o. Ela não deixaria que ele morresse de verdade, deixaria?

Que ganho ela teria com sua morte?

Yin Zheng olhou para Lu Tong e disse com sinceridade:

— Senhorita, não se preocupe comigo. Não se deixe abalar por minha causa. O adivinho disse que sou azarada e não viveria além dos dezenove. Vale a pena trocar por um guarda imperial antes de morrer.

Duan Xiaoyan ficou aflito:

— Não vale a pena, não vale! Eu não valho isso! Irmã, pense melhor!

— Como não vale? As pessoas vivem e depois são enterradas. Senhorita, seremos irmãs na próxima vida também.

A conversa descontraída aliviou um pouco a tensão no ar. No meio daquele diálogo constrangedor, Lu Tong falou:

— Se Duan Xiaoyan morrer aqui hoje, e o Mestre Pei se vingar matando minha criada, amanhã ele não vai me poupar, tampouco o Salão Médico Renxin.

— Afinal, o Mestre Pei é guarda pessoal do Imperador. Seu status é nobre. É fácil para ele matar gente comum como nós.

— De qualquer forma, não escaparemos da morte…

Ela ergueu os olhos e encarou calmamente o homem à sua frente.

— Então não sairemos mais por esta porta hoje. Vamos morrer juntos.

Não apenas Duan Xiaoyan, mas até Chi Jian, que estava à porta, ficaram estupefatos.

Morrer juntos?

O que estava acontecendo?

Lu Tong ergueu o queixo e declarou com calma, sob os olhares atônitos de todos:

— A clínica serve para fazer remédios e venenos. Há drogas e toxinas por toda parte no depósito. É fácil entrar, mas difícil sair. Não é raro que alguém toque acidentalmente em algo venenoso ao invadir.

Ela olhou para Pei Yunhuan.

— Não é mesmo, Mestre Pei?

Ninguém disse nada.

Naquela noite clara de outono, a luz trêmula das velas projetava um dourado hipnotizante por todo o cômodo.

Pei Yunhuan a encarou. Seus olhos profundos eram negros como pedras vidradas. De repente, ele riu.

— Quer morrer comigo?

E disse, sorrindo:

— Isso não dá. Dividir a cama em vida, dividir o túmulo na morte… isso só faço com minha esposa.

Disse com leveza, mas sua expressão era séria — como se não fosse um comandante astuto cheio de intenções ocultas, mas sim um cavalheiro romântico, aproveitando a noite à luz de velas.

Lu Tong perguntou, após um momento de silêncio:

— Você tem esposa?

Pei Yunhuan ficou ligeiramente surpreso.

Duan Xiaoyan também. O que isso significava? Por que Lu Tong perguntava aquilo do nada? Será que ela queria trocar o lugar de esposa do Pei Yunhuan pelo antídoto dele?

Houve um instante de silêncio.

Pei Yunhuan respondeu:

— Não tenho.

Lu Tong assentiu.

— Que bom. Se você morrer hoje, não terá que se preocupar com esposa. A mansão ainda economiza com os presentes de noivado.

Seu tom era tão sereno que ninguém na sala conseguia saber se ela falava sério ou brincava.

Do lado de fora, o vento sussurrava. Pei Yunhuan a observava em silêncio e, de repente, suspirou.

— Obrigado pela consideração, mas não é uma questão de vida ou morte.

— Doutora Lu, por que não conversamos com calma?

— Isso, isso! — Duan Xiaoyan lançou um olhar para a ampulheta sobre a mesa. — Não fique tão agitada. Vamos conversar. Tudo pode ser resolvido.

Depois de um momento de silêncio, Lu Tong perguntou:

— Sobre o que quer conversar?

A luz fraca da vela envolvia o homem à sua frente. O bordado prateado com um padrão de águia no protetor de pulso brilhava com um frio cintilante — belo e perigoso. Os olhos do jovem eram hipnotizantes, mas suas palavras carregavam frieza.

— O cadáver masculino encontrado ontem à noite na Montanha Wangchun era Liu Kun, dono da Casa de Macarrão Liu na Rua Que’er, em Shengjing.

— Coincidentemente, o filho mais novo de Liu Kun participou do exame deste ano. Também esteve envolvido num caso de corrupção e foi enviado à prisão.

— Doutora Lu — ele a fitou —, conhece Liu Kun?

— Não.

— Mas antes disso, você foi comer na Casa de Macarrão Liu. — Ele sorriu. — Não se lembra?

O coração de Lu Tong deu um salto.

A rapidez desse homem...

Ela evitara deliberadamente qualquer contato com a família Liu, a família Fan ou mesmo Qi Chuan, justamente para que ninguém descobrisse. Mas mesmo assim, Pei Yunhuan descobriu.

Era da Guarda Imperial, mas seus métodos superavam os da Divisão da Cidade Imperial.

Ela ergueu os olhos e o encarou diretamente, com uma pitada de escárnio no olhar.

— Mestre Pei — disse, palavra por palavra —, a Guarda Imperial investiga os casos com tamanha minúcia assim? Já que está me investigando há tanto tempo e ainda não tomou nenhuma atitude, o caso do salão de exames já pode ser considerado encerrado. Todos os funcionários culpados do Ministério dos Ritos foram removidos.

— Se quer me usar para matar pessoas, não deveria... me agradecer pela ajuda?

Num instante, o ar no cômodo ficou frio.

Na lamparina que tremeluzia sobre a mesa, pequenas faíscas dançavam. Uma delas foi levada pelo vento e se apagou na noite.

Ninguém falou. O silêncio era de puro receio.

Pei Yunhuan continuava sentado diante de Lu Tong. O sorriso em seus olhos negros foi desaparecendo aos poucos, até ser substituído por uma intenção assassina.

Ele se inclinou lentamente para frente e fixou os olhos nos dela.

— Doutora Lu, para quem você trabalha?

Ela não se abalou. Sorriu de leve, sustentou o olhar dele com provocação e cuspiu três palavras:

— Tente adivinhar.

Os olhos de Pei Yunhuan brilharam enquanto encarava a jovem à sua frente.

A chama da lanterna estava no fim, quase se apagando.

Sob a luz fraca, seus olhos pareciam frágeis e delicados, como a neblina matinal num fim de outono — pronta para se dissipar ao menor sopro do vento ou raio de sol.

Ontem, quando ele a viu, ela parecia pálida e debilitada, mas hoje, parecia ter aplicado um leve toque de rouge. Aquele tom rubro era como uma flor de ameixeira no galho — realçava ainda mais sua delicadeza e beleza. Mas sob aquela beleza, escondia-se frieza.

Uma jovem astuta e implacável, de duas faces e intenções ocultas — ainda assim, o mundo a via como uma compassiva Bodhisattva, que ajudava doentes e necessitados.

Ele zombou, o sorriso agora levemente cortante.

— Doutora Lu, você acredita em si mesma?

— Por que não tenta, Comandante?

O quarto caiu num longo silêncio.

Duan Xiaoyan olhava para a garota à mesa, sem acreditar, e murmurou:

— Está louca? Como ousa ameaçar o Comandante assim?

Uma ameaça tão descarada, sem qualquer disfarce. Será que ela não tem medo das consequências?

Lu Tong abaixou a cabeça e sorriu. Disse com indiferença:

— Sim, estou louca. Então é melhor não me provocar.

Ela olhou para Pei Yunhuan e murmurou suavemente:

— Além disso, você já não tirou vantagem o bastante?

As pupilas de Pei Yunhuan se contraíram levemente.

— Mestre Pei — disse Lu Tong, num tom vagaroso —, você investiga seus casos, e eu cuido dos meus assuntos. Não temos nada a ver um com o outro.

— Nada a ver um com o outro?

Ele assentiu, olhando-a pensativamente.

— Então é isso que a Doutora Lu queria dizer hoje.

Lu Tong o encarava com serenidade.

Era muito tarde, e o pátio já não emitia mais nenhum lamento. Sob a luz amarelada, os dois trocavam olhares. Quando seus olhares se encontraram, era como a noite em Shengjing — escura e insondável.

Após um tempo, ele se recostou e sorriu:

— Vou pensar a respeito.

Ele dissera “vou pensar”.

O coração de Lu Tong afundou. Antes que pudesse dizer algo, Pei Yunhuan virou-se para o guarda na porta:

— Solte-a.

O guarda chamado Chi Jian afrouxou as mãos. Yin Zheng correu até Lu Tong e ficou diante dela, observando os outros com cautela.

Duan Xiaoyan ficou um momento atordoado. Então se deu conta do que havia acontecido. Ficou tão ansioso que o suor brotou em sua testa e ele choramingou:

— Mestre, por que a deixou ir? Eu ainda não consegui o antídoto!

Pei Yunhuan o olhou de lado:

— Idiota. Aquilo é só uma cobra preta.

— Cobra preta? — Duan Xiaoyan olhou para a cobra morta sobre a mesa e ficou confuso. — Não era uma mamba negra?

Lu Tong olhou para Duan Xiaoyan e sorriu.

— A mamba negra é uma cobra venenosa. Clínicas e farmácias existem para salvar vidas e curar doenças. Como poderiam guardar animais venenosos em segredo? Além disso, o Jovem Mestre Duan é da Guarda Imperial. Não se pode matar um guarda do Imperador, a menos que se deseje morrer.

Ela devolveu as palavras de Duan Xiaoyan, fitando-o com sinceridade:

— Eu só estava brincando com o Jovem Mestre Duan. Você não levou a sério, levou?

Duan Xiaoyan: “…”

Então era mentira?

Mas a expressão e o tom dela não pareciam brincadeira nem de longe…

Pei Yunhuan baixou a cabeça com um leve sorriso e se levantou.

— Doutora Lu, desculpe incomodar nesta noite. Vou pedir para Duan Xiaoyan visitá-la outro dia e lhe pedir desculpas.

Então lançou um olhar a Duan Xiaoyan.

— Ainda não vai se levantar?

Duan Xiaoyan ficou em silêncio por um momento e, então, levantou-se do chão. Esfregou o antebraço e seguiu Pei Yunhuan. Queria dizer algo, mas hesitou. Estava cabisbaixo.

Mal haviam saído do salão médico, quando ouviram alguém chamando pelas costas:

— Esperem.

Pei Yunhuan parou e se virou. Viu Lu Tong saindo da loja com uma lanterna.

A garota foi até a porta da clínica com a cobra morta e mole nas mãos. Balançou a lanterna diante de Duan Xiaoyan. Ele ainda estava assustado e recuou instintivamente.

Lu Tong disse:

— Jovem Mestre Duan, embora não seja uma mamba negra, essa cobra preta me custou duas taéis de prata. Como foi você quem a matou, deve me compensar.

Duan Xiaoyan: “…”

Foi mordido, passou medo, e no fim ainda teve que pagar? O Salão Médico Renxin não era uma clínica, era uma loja de bandidos!

Mas Lu Tong estava bem na sua frente. Depois do que ocorreu naquela noite, Duan Xiaoyan instintivamente sentia medo daquela Bodhisattva. Assim, teve que tirar as taéis de prata e entregá-las obedientemente com ambas as mãos.

Lu Tong pegou a prata e entregou a cobra morta a Duan Xiaoyan. Como ele não teve coragem de pegá-la, ela pendurou o corpo do animal no braço de Pei Yunhuan e disse, com leveza:

— A cobra é sua.

Em seguida, não disse mais nada e fechou a porta da clínica diante deles.

A longa rua estava silenciosa, e os galhos projetavam sombras irregulares sob a luz tênue das lanternas.

O jovem olhava para a porta fechada à sua frente com um olhar indecifrável.

Depois de um longo tempo, Duan Xiaoyan engoliu em seco e murmurou com cuidado:

— Irmão, ela é muito arrogante.

Era apenas uma médica de uma clínica. Parecia fraca e amável, mas naquela noite… sua postura não cedia em nada. Com aquele jeito agressivo, ela era realmente assustadora.

Ao ver os olhos frios de Pei Yunhuan, ele tossiu.

— Eu sei, fui imprudente hoje. Não se preocupe, aceitarei meu castigo quando voltarmos. Mas… — Aproximou-se de Pei Yunhuan e cochichou — Você vem investigando a identidade dela há muito tempo e nunca achou nada. Agora a testou. Ela admitiu que tem alguém por trás?

Pei Yunhuan havia pedido a Mulian que verificasse a identidade de Lu Tong. No entanto, o registro amarelo que ela usava como prova era falso. Refugiados de Shangjing costumavam procurar os marceneiros no portão leste para fazer registros falsos. Um registro tão grosseiro custava apenas cem moedas.

Mesmo clínicas legítimas, como a de Du Changqing — que possuía residência oficial —, sempre examinavam cuidadosamente os registros de seus médicos. O dono do Salão Médico Renxin não teria deixado de fazê-lo. Lu Tong usava um registro falso para clinicar ali. Isso só mostrava sua ousadia, mas Du Changqing era ainda mais ousado que ela. Um par de malucos. Mulian não conseguiu encontrar nenhuma pista sobre a identidade dela.

Ela era como alguém que surgira do nada na capital.

Duan Xiaoyan baixou a voz:

— Quem você acha que está por trás dela? O Terceiro Príncipe?

No caso do salão de exames, o Ministério dos Ritos estava profundamente envolvido. O Príncipe Herdeiro estava em apuros, mas a facção do Terceiro Príncipe estava em alta. Era possível que o Terceiro Príncipe tivesse enviado Lu Tong para agir nos bastidores.

Pei Yunhuan não respondeu. Parecia estar refletindo.

Duan Xiaoyan olhou para o ferimento latejante no antebraço e suspirou:

— Ela me torturou a noite inteira só pra descontar a raiva. Irmão, se ela realmente estiver com o Terceiro Príncipe e for assim tão vingativa, o que faremos quando ela for se queixar ao príncipe e causar problemas pra nós?

Pei Yunhuan saiu de seus pensamentos e sorriu com desdém. Levantou a mão e deixou que a cobra morta caísse nos braços de Duan Xiaoyan, que levou um susto.

Ele se virou e falou friamente:

— Se ela estiver com o Terceiro Príncipe, leve-a para a Prisão de Zhaoyu e torture até que esteja disposta a falar.

Dentro do quarto, Lu Tong colocou a lanterna no chão e sentou-se.

Depois que o Comandante Pei foi embora, ela sentiu como se um grande peso tivesse sido tirado de seus ombros. Abriu as palmas das mãos — estavam molhadas.

O rosto de Yin Zheng estava cheio de culpa.

— Senhorita, a culpa é toda minha. Se eu não tivesse voltado, você não teria sido ameaçada por ele.

Lu Tong balançou a cabeça.

— Está tudo bem. Ele não queria fazer nada contra nós.

Yin Zheng ficou surpreso.

— Por quê?

Lu Tong riu suavemente.

— Você realmente acha que ele não me prendeu porque não encontrou provas?

— Não foi isso?

— Claro que não.

Lu Tong falou com calma:

— As águas de Shengjing são profundas. O que te faz pensar que ele é uma boa pessoa?

Pei Yunhuan já suspeitava dela há muito tempo — pelo menos desde a morte de Ke Chengxing. Desde então, vinha testando-a repetidamente, incluindo a ordem dada a Duan Xiaoyan para vigiá-la na entrada da mansão Fan.

Na verdade, como Comandante da Guarda Imperial e Herdeiro do título de Duque de Zhaoning, se realmente desconfiasse de alguém, ele não precisava de provas. Havia outros meios para fazê-la sofrer. Para oficiais influentes, sempre foi fácil esmagar gente comum.

Mas ele não fez isso.

Lu Tong pensou muito e tinha uma suspeita: talvez ele tivesse medo de alguém.

Por exemplo, Liu Kun tinha o apoio de Fan Zhenglian, e Fan Zhenglian tinha ligações com o Grande Tutor. No funcionalismo, as pessoas sempre se protegiam entre si. Talvez a figurinha insignificante de hoje se tornasse, amanhã, um parente distante de alguma figura importante.

Pei Yunhuan não agiu contra ela, o que pelo menos indicava que o caso do salão de exames não afetava seus próprios interesses. Ou talvez ele estivesse satisfeito com o que aconteceu.

A aparição de Duan Xiaoyan hoje foi um acidente, mas o confronto com Pei Yunhuan foi intencional. Ele a testava, e ela o testava.

A reação de Pei Yunhuan lhe dizia que ela havia apostado certo: ele realmente suspeitava que alguém importante estivesse por trás dela.

Sendo assim, ela usaria essa suspeita a seu favor. Confundiria Pei Yunhuan. Deixaria que essa “figura importante” se tornasse seu escudo falso.

Yin Zheng lhe entregou um lenço. Lu Tong o pegou e secou o suor da palma da mão.

O outro parecia radiante e amigável, mas na verdade era afiado e perigoso. Ao enfrentá-lo, era preciso parecer confiante e imprevisível. Não podia mostrar medo, nem permitir que o outro enxergasse suas cartas.

Era tudo uma encenação.

Yin Zheng perguntou:

— Aquele Comandante Imperial Pei vai voltar?

Lu Tong balançou a cabeça.

— Por enquanto, não. Ele acha que tenho alguém por trás e quer me usar. Não vai fazer nada comigo agora. Mas...

Mas se Pei Yunhuan quisesse usá-la, dependeria de sua capacidade para isso.

Ao ouvir isso, Yin Zheng ficou ainda mais apreensivo.

— Mas papel não embrulha fogo. E se ele descobrir que você não tem ninguém por trás? Ele tem um cargo oficial. Não será fácil pra ele inventar um pretexto?

Lu Tong parou de enxugar as mãos.

Depois de um tempo, disse:

— Do que você tem medo?

— Se um dia ele quiser se colocar no meu caminho...

Ela ergueu os olhos, o tom frio como gelo:

— Eu mato ele.


Postar um comentário

0 Comentários