Capítulo 31 a 35


 31. Chegada à Vila do Sal

A equipe levou cerca de seis ou sete dias para finalmente alcançar a Vila do Sal.

A Vila do Sal era muito maior que a Vila Yu. Era possível ver de longe as altas muralhas de madeira da vila, bem como a torre de vigia também de madeira na entrada, guarnecida por sentinelas.

Além da equipe de troca de sal da Vila Yu, outras equipes de diversas vilas também haviam chegado à Vila do Sal.

Elas haviam montado tendas simples na entrada da vila, transformando o local em um mercado improvisado de trocas.

Ao ver aquele mercado, Yu Su ficou um tanto surpreso. Achava que estavam indo até a Vila do Sal apenas para trocar sal, mas não esperava encontrar um mercado de trocas montado ali.

— Essas são vilas próximas da Vila do Sal. Elas vêm aqui para trocar sal e também trazem seus produtos exclusivos para negociação, como cerâmica, artefatos de osso, utensílios de ferro e, às vezes, até escravos — explicou Yu Feng.

— Escravos? — Yu Su ficou ainda mais chocado, achando difícil acreditar que houvesse comércio de escravos naquele lugar.

Yu Feng assentiu e informou:

— A maioria desses escravos vem de vilas que foram ocupadas por outras. As forças invasoras não querem gastar recursos com eles, então os vendem. São almas infelizes.

Enquanto conversavam, chegaram à entrada da Vila do Sal. Depois que o chefe Hong conversou com os moradores locais, ele conduziu a equipe da Vila Yu até um espaço aberto dentro do mercado de trocas.

— Yu Feng, leve sua equipe para juntar palha e madeira. Vamos montar acampamento aqui — ordenou o chefe Hong.

Só então Yu Su se deu conta de que também teriam que montar acampamento ali.

Observando as tendas das outras vilas, ele percebeu que todas eram muito rudimentares, mal servindo de proteção contra o vento e a chuva.

— Não podemos passar a noite dentro da Vila do Sal? — perguntou Yu Su a Yu Feng.

Yu Feng balançou a cabeça.

— Para passar a noite dentro da vila, é preciso pagar cinquenta conchas brancas ou entregar um terço das mercadorias que trouxemos.

Yu Su sabia que as conchas brancas eram uma forma popular de moeda naquela região — e que eram escassas.

Mas, fosse cinquenta conchas brancas ou um terço dos bens, era demais. A Vila Yu não podia arcar com isso. Para ser honesto, as condições impostas pela Vila do Sal eram mesmo duras.

— Há muitas pessoas aqui, e se acendermos uma fogueira à noite, as feras não se aproximam. É relativamente seguro. Não se preocupe — Yu Feng presumiu que Yu Su estivesse preocupado com a segurança noturna ao notar a expressão preocupada em seu rosto.

Yu Su sequer havia pensado nisso.

— Tio Feng, deixe que eu vá com você buscar madeira — ofereceu.

Yu Feng respondeu:

— Não precisa se preocupar com isso. Deixe que eles cuidem. Já que é sua primeira vez aqui, peça para Yu Meng te levar ao mercado e ver o que mais pode ser trocado além do sal.

Yu Su assentiu e caminhou pelo movimentado mercado de trocas ao lado de Lu Yan e Yu Meng.

Comparado com a abundância de mercadorias da era apocalíptica, o mercado de trocas daquela era parecia bastante rudimentar e sem brilho. No entanto, para Yu Meng e os outros, aquilo já era agitação suficiente. Assim que entraram no mercado, seus olhos percorreram o ambiente com entusiasmo, desejando trocar por tudo o que viam pela frente.

— Yu Su, por que você parece desanimado? — Yu Meng notou que a expressão de Yu Su não refletia a empolgação que se esperaria de alguém visitando o mercado pela primeira vez. A curiosidade o levou a perguntar.

— Não estou desanimado. Só estou pensando no que devo trocar — respondeu Yu Su.

Yu Meng exclamou rapidamente:

— Eu quero trocar por ferramentas de ferro!

As ferramentas de ferro mencionadas por Yu Meng eram bastante comuns, e o acabamento grosseiro não despertou em Yu Su o menor interesse em comprá-las. Após vasculhar por algum tempo, ele encontrou apenas uma adaga que chamou sua atenção.

Aquela adaga em particular se destacava entre a pilha de ferramentas de ferro. Apresentava técnicas de fundição superiores e qualidade evidente, sinal de que havia sido feita por um ferreiro habilidoso.

— Como posso conseguir esta aqui? — perguntou Yu Su.

O dono da barraca, percebendo seu interesse, respondeu com entusiasmo:

— Essa adaga é de excelente qualidade. Você pode trocá-la por uma bacia de sal ou vinte conchas brancas.

Yu Su tentou negociar:

— Dá pra trocar por peles de animais ou ossos?

Ao ouvir isso, o dono da barraca fez uma expressão de desdém.

— Acha mesmo que essas coisas se comparam à minha adaga? Não tem chance!

Yu Su ficou sem palavras.

"Droga."

Ficou irritado com o fato de o vendedor desprezar as peles e ossos de animais que ele havia reunido — todos em ótimo estado.

Como se entendesse o que Yu Su estava pensando, o vendedor apontou para trás de si.

— Olhe ali. Aquilo são peles de alta qualidade que já foram trocadas. Acha que estou precisando de mais?

Yu Su olhou e viu duas peles intactas de Raposa Bárbara penduradas no barraco de palha atrás da barraca.

— Se você conseguir uma pele como aquelas, aí podemos fazer a troca — declarou o vendedor.

As Feras Bárbaras eram conhecidas por sua ferocidade, e só caçadores habilidosos conseguiam capturá-las com sucesso. No entanto, até mesmo caçadores experientes tinham dificuldade em manter a integridade das peles, especialmente das raras peles de Raposa Bárbara.

Yu Su hesitou por um momento. Ele realmente possuía uma pele intacta de Raposa Bárbara guardada em seu espaço. Inicialmente, pretendia usá-la para trocar por mais sal. Mas, desde que descobriu a fonte de sal, não precisava mais se preocupar com isso, pois seu suprimento agora era mais que suficiente. Em vez disso, planejava levar a pele de Raposa Bárbara para casa e fazer casacos de pele para Yu Zhou e Jian Yunchuan. No inverno, os casacos feitos com pele de Raposa Bárbara ofereciam calor muito superior ao das outras peles.

— Deixa pra lá, Yu Su. A gente não tem pele de Raposa Bárbara pra trocar — interveio Yu Meng.



32. Aumento no Preço do Sal
— Se estiver faltando pele de Raposa Bárbara, ainda podemos trocar por sal. Vamos procurar o pessoal da Vila do Sal e reunir sal suficiente para fazer a troca — sugeriu um dos membros da equipe de caçadores que acompanhava Yu Su.
Quem falava era Yu Yong, que havia escolhido ficar ao lado de Yu Su no Vale do Urso Negro. Ele havia testemunhado inúmeras habilidades milagrosas de Yu Su, o que despertou nele profunda gratidão pelos ensinamentos e pela ajuda recebida para despertar seu próprio potencial. Como resultado, nutria um respeito sincero por Yu Su.
Ao perceber o interesse de Yu Su pela adaga, Yu Yong tomou a iniciativa de propor reunir sal para ajudá-lo a fazer a troca.
Vários outros membros da equipe de caçadores também demonstraram disposição para ajudar a juntar sal para a troca.
— Isso mesmo, Yu Su, vamos te ajudar a coletar!
— É, é só um balde de sal. Nada demais.
Eles quase competiam entre si para mostrar entusiasmo, mas Yu Su não achava que valia a pena. Apesar de ter descoberto a fonte de sal, um balde ainda era uma quantidade considerável — o equivalente a dez catties de sal na era apocalíptica, o suficiente para abastecer uma família comum por bastante tempo.
Além disso, a adaga em si não possuía uma qualidade excepcional, e não podia ser considerada um item valioso.
— Agradeço, mas não. Mudei de ideia. Não vou trocar por essa adaga — informou Yu Su.
Colocando a adaga de volta, Yu Su se preparava para sair. Porém, o dono da barraca rapidamente o interrompeu:
— Espera aí! Se me der nove cabaças de sal, eu troco a adaga com você.
Ao falar “cabaças”, o vendedor se referia a um tipo específico de porongo usado como medida. Uma cabaça equivalia a um quilo, então nove cabaças significavam nove catties.
Mesmo assim, Yu Su já havia decidido não fazer a troca. Colocou a adaga no lugar e se virou para sair.
— Ei, espera! Não precisa sair assim tão rápido! — o dono da barraca insistiu, abaixando o tom e sussurrando — Oito cabaças! Oito cabaças bastam!
— Desculpe, mas não vai ter troca.
— Você... Tá bom, tá bom. Eu fico no prejuízo! Sete cabaças! Sete já servem!
O vendedor se agarrou a Yu Su, recusando-se a deixá-lo ir, e ainda reduziu o preço por conta própria de oito para sete cabaças.
Yu Su achou aquele comportamento estranho. Por que o vendedor estava tão desesperado para abaixar o preço?
"Não existe almoço grátis."
Diante disso, Yu Su recusou a oferta do dono da barraca e partiu com Yu Meng e os outros.
Ao se afastar da barraca de ferragens, Yu Su se virou imediatamente para o Gênio da Enciclopédia e perguntou:
— O que o povo estava dizendo? Parecia que tinha bastante gente nos observando.
Famoso por ser fofoqueiro, o Gênio da Enciclopédia respondeu com entusiasmo:
— Aquele vendedor é da Vila do Ferro. Aparentemente, houve um conflito entre a Vila do Ferro e a Vila do Sal. A Vila do Sal se recusou a trocar sal com eles, então o pessoal da Vila do Ferro só pôde montar barracas para tentar obter sal por trocas. Embora a Vila do Sal tenha permitido que montassem as barracas, não deixam outras vilas fazerem trocas com eles. Até agora, ninguém conseguiu trocar nada com sucesso.
Intrigado com a situação, Yu Su questionou:
— Que tipo de conflito?
— Parece que a Vila do Sal aumentou repentinamente o preço do sal. Isso deixou o pessoal da Vila do Ferro bastante insatisfeito e causou discussões — explicou o Gênio da Enciclopédia.
A testa de Yu Su se franziu ainda mais.
— A Vila do Sal aumentou o preço do sal?
— Foi o que ouvi das pessoas mais cedo — confirmou o Gênio.

Ao deixar a barraca de ferragens, Yu Su e seus companheiros encontraram Yu Xiong.
Saindo de trás de uma tenda próxima, Yu Xiong observava o grupo com um olhar carregado de inveja.
Enquanto Yu Su se interessava apenas por uma adaga, Yu Meng e os outros estavam dispostos a juntar sal para ajudá-lo. Será que valia mesmo a pena trocar uma mercadoria tão preciosa por uma simples arma?
Quanto mais pensava nisso, mais incomodado ficava. Perdeu completamente o interesse em participar do mercado de trocas e voltou apressado para a tenda onde a Vila Yu estava instalada, extravasando a frustração em um estaca de madeira.
— Tá procurando encrenca, Xiong?
O bronco era Yu Fei, também membro da equipe de caçadores. Ele havia acabado de fincar aquela estaca como parte de um abrigo, mas Yu Xiong a derrubou, o que o deixou irritado. Por isso, saiu para confrontá-lo.
Yu Xiong, perdido em sua própria raiva, não tinha percebido que estava descontando em algo que outro aldeão havia feito. Ao ver Yu Fei — que era alto e imponente — vir em sua direção, ficou com medo de sofrer represálias e se apressou em se desculpar.
Completamente irritado, Yu Fei o encarou e ameaçou:
— Se fizer isso de novo, eu quebro suas pernas. Agora vaza!
Humilhado, Yu Xiong saiu de fininho, com o rabo entre as pernas.
— Onde você se enfiou? O chefe Hong e a equipe dele já estão indo pra troca de sal. Vai com seu pai! — ralhou Ya Shan, puxando a orelha de Yu Xiong assim que o viu voltar.
Depois de ofender Yu Su, Ya Shan e sua família haviam passado por maus bocados. Se não tomassem a iniciativa de seguir o chefe Hong, ninguém os chamaria quando acontecesse algo importante. Perder a chance de participar da troca de sal significava que teriam que resolver sozinhos — e isso era incerto.
Yu Da carregava os mantimentos e saiu andando, e Yu Xiong se apressou para segui-lo.
Quando chegaram, todos os outros já estavam lá de fato.
Se tivessem demorado mais um pouco, teriam perdido. Mas ninguém havia os avisado com antecedência.
Yu Da e Yu Xiong estavam com expressões sérias, mas não ousaram dizer nada. Apenas seguiram em silêncio.
Olhando adiante, Yu Xiong viu Yu Su ao lado do chefe Hong, acompanhado por Lu Yan, Yu Meng e Yu Feng, todos seguindo-o com sorrisos no rosto. Diferente de sua família, completamente ignorada pelos aldeões, Yu Su atraía toda a atenção!



33. Troca de Escravos
Ao chegarem ao local da troca de sal, além do pessoal da Vila Yu, uma outra equipe de outra vila já havia chegado. No entanto, eles estavam discutindo com os moradores da Vila do Sal sobre o preço do sal.
A Vila do Sal havia aumentado o preço, e a outra vila não trouxera bens suficientes para fazer a troca. Afinal, a quantidade de sal que podiam obter era apenas a metade do que conseguiram no ano anterior. Por isso, o chefe da vila ficou ansioso e começou a discutir com os moradores da Vila do Sal.
— Se vocês não têm coisas suficientes, então não podem trocar pelo nosso sal. Pra falar a verdade, o que trouxeram aqui não vale o bastante.
— Vão embora. Estão atrasando a vez da próxima vila.
— Nós trouxemos as melhores peles e ossos de animais, e até duas raízes raras de ginseng! Nosso Senhor Feiticeiro disse que essas raízes têm espírito! Essas coisas são muito melhores do que o que trouxemos no ano passado, e mesmo assim vocês querem nos dar só essa miséria de sal? Isso é desumano demais!
O pessoal da Vila Yu ficou atrás, ouvindo tudo com atenção.
O chefe Hong e Yu Feng já tinham ouvido de Yu Su sobre o aumento no preço da Vila do Sal antes de chegarem, mas não esperavam que fosse algo tão severo. Haviam trazido a mesma quantidade de bens do ano anterior, mas só conseguiam metade do sal.
— O que vamos fazer?
— O preço do sal sempre foi o mesmo. Por que aumentou de repente?
Os moradores da Vila Yu começaram a demonstrar expressões de preocupação, e a equipe ficou inquieta.
Lu Yan e Yu Feng, que seguiam Yu Su de perto, sabiam da fonte de sal, então não estavam tão ansiosos quanto os outros. Mas, mesmo assim, diante do aumento repentino nos preços da Vila do Sal, também ficaram furiosos.
Os dois lados que discutiam já estavam prestes a sair no tapa.
Nesse momento, uma equipe de guardas surgiu repentinamente pelo portão da Vila do Sal. Eram altos, fortes, empunhavam lanças de ferro e marchavam de forma intimidadora em direção aos que discutiam.
— O que está acontecendo aqui? — gritou o capitão da guarda.
Ao verem o grupo de homens armados com lanças, os aldeões empalideceram imediatamente, mergulhando em um silêncio tenso.
— Se não vieram trocar por sal, então sumam daqui! Caso contrário, vou empalar cada um de vocês na minha lança! — ameaçou o capitão, lançando um olhar ameaçador para a multidão.
Muitos dos presentes recuaram de medo diante da ameaça.
Os aldeões que estavam discutindo não ousaram dizer mais nada. Suas vilas frágeis não tinham chance contra o poderio da Vila do Sal e suas lanças de ferro. A menos que quisessem ser exterminados, escravizados ou vendidos, só restava obedecer.
Com relutância, trocaram seus bens por apenas metade do sal de costume e partiram em silêncio e resignação.
Em seguida, os representantes da Vila Yu se aproximaram.
— Yu Su, o que fazemos? — sussurrou Yu Meng.
Yu Su aconselhou que não criassem nenhum conflito com a Vila do Sal e que oferecessem apenas uma pequena quantidade de bens para a troca. O restante, ele lidaria depois, ao voltarem para sua moradia temporária.
Yu Meng e os outros assentiram em silêncio.

Ao voltarem para a habitação, o clima era de descontentamento.
O sal obtido naquele ano era apenas metade do que conseguiram no anterior. Por isso, as esperanças de adquirir outros bens no mercado haviam sido frustradas.
— Descobri o motivo. O aumento repentino no preço do sal se deve ao novo chefe e ao novo Senhor Feiticeiro da Vila do Sal — informou Yu Feng, que havia saído para reunir informações.
No momento, o chefe Hong, Yu Su e alguns membros selecionados da equipe de caçadores estavam reunidos na morada do chefe.
O antigo Senhor Feiticeiro já havia sido expulso.
E Yu Su ocupara seu lugar.
O chefe Hong fitou Yu Su com atenção.
— Yu Su, qual a sua visão sobre isso?
— Sem dúvida, o novo chefe e o novo Senhor Feiticeiro da Vila do Sal são mais gananciosos do que os anteriores. No entanto, com o número de pessoas que têm e seus guardas bem armados, nós da Vila Yu não temos como enfrentá-los diretamente — respondeu Yu Su.
— Você tem razão. Os dias que virão com certeza serão ainda mais difíceis — suspirou o chefe Hong, com um cansaço amargo na voz.
Um sorriso surgiu no rosto de Yu Su.
— Não necessariamente. Na verdade, há algo que ainda não revelamos.
Então, Yu Su contou sobre a fonte de sal que haviam encontrado por acaso no Vale do Urso Negro.
O chefe Hong mal conseguiu conter a empolgação ao ouvir a notícia. Levantando-se de um salto, exclamou:
— Uma fonte de sal!
— Chefe Hong! — interrompeu Yu Feng, apressando-se para fora da moradia a fim de verificar se havia alguém escutando. Ao retornar, advertiu em voz baixa: — Fale mais baixo, ou alguém pode ouvir.
O chefe Hong sentou-se novamente, agora respirando ofegante, os olhos fixos em Yu Su com grande expectativa.
— É verdade o que está dizendo?
Yu Su assentiu com firmeza.
— É sim. O tio Feng, o Yu Meng e os outros também sabem. Não falamos antes para evitar que muitos soubessem, o que poderia alertar a Vila do Sal e outras vilas vizinhas.
Yu Feng e os demais confirmaram a veracidade da fonte de sal.
Por um momento, o chefe Hong ficou mergulhado em um torpor eufórico, e levou algum tempo até conseguir se recompor.
Em seguida, Yu Su declarou:
— Estou contando isso agora, antes de tudo, para aliviar a preocupação de vocês. Em segundo lugar, os preços exorbitantes impostos pela Vila do Sal nos oferecem uma oportunidade.
— Com a Vila do Sal inflacionando o valor do sal, as outras vilas estão ficando insatisfeitas. Podemos aproveitar essa chance para entrar em contato com esses moradores e vender o nosso próprio sal — sugeriu Yu Su.
A perspectiva de vender sal acendeu uma faísca de entusiasmo em Yu Feng e seus companheiros.
Mas Yu Su os interrompeu:
— No entanto, o tempo é essencial. Nossa força ainda é fraca. Se a notícia da fonte de sal se espalhar, não será apenas a Vila do Sal que nos atacará — as vilas vizinhas também virão. Por isso, nossa prioridade absoluta deve ser fortalecer a vila.
As palavras de Yu Su acalmaram a empolgação no coração de Yu Feng e seus companheiros, e eles ouviram em silêncio enquanto ele falava.
— Tio Feng, por favor, lidere uma equipe para coletar informações secretamente sobre a Vila do Sal e também avalie a situação das outras vilas com quem poderemos entrar em contato no futuro — disse Yu Su.
Yu Feng assentiu.
— Tudo bem, deixem isso comigo.
Voltando-se para o chefe Hong, Yu Su instruiu:
— Chefe Hong, por ora, peço que não revele nada disso aos moradores. Precisamos manter o máximo de sigilo. Sua tarefa é acalmar o ânimo deles e evitar qualquer agitação desnecessária.
Neste momento, o chefe Hong já havia se recomposto completamente. Assentindo, respondeu:
— Entendido.
Yu Su continuou:
— Na Vila Yu, temos pouca mão de obra. Para desenvolver a fonte de sal e fortalecer nosso poder, precisamos de mais gente. Então, devemos considerar adquirir mais trabalhadores.
Yu Feng e seus amigos ficaram confusos.
— Como podemos aumentar nossa força de trabalho?
Yu Su propôs:
— Sugiro trocarmos por alguns escravos.
O chefe Hong e os demais ficaram surpresos com a proposta de Yu Su. Trocar por escravos?
Yu Feng hesitou e disse:
— Trocar por escravos não é algo totalmente impossível, mas seria necessário muito alimento para sustentá-los. Além disso, o inverno está chegando, e talvez nem tenhamos comida suficiente para o nosso próprio povo.
Yu Su respondeu:
— Já pensei nesse problema. Quando voltarmos da Vila do Sal, pretendo mobilizar todos da vila para escavarem depósitos subterrâneos. Assim poderemos conservar mais alimentos, inclusive carne. Se seguirem minhas instruções, passaremos o inverno sem precisar se preocupar com a comida.
Quanto mais Yu Su explicava, mais surpresos ficavam o chefe Hong e seus companheiros.
Nunca haviam ouvido falar de muitos dos métodos que Yu Su mencionava.
— Esses métodos funcionam mesmo?
— Sem dúvida. São métodos ensinados pelo Deus das Montanhas.
Assim que ouviram que aqueles métodos haviam sido ensinados pelo Deus das Montanhas, o chefe Hong e os outros não duvidaram mais.
O Gênio da Enciclopédia na mente de Yu Su não pôde deixar de comentar:
— Eles são incrivelmente crédulos.
Yu Su respondeu:
— É só por enquanto. Com o tempo, à medida que aprenderem mais, vão acabar descobrindo a verdade. Mas, quando esse momento chegar, já não fará diferença quem foi que ensinou.
O Gênio da Enciclopédia disse:
— Você tem razão. Mas, considerando a escala dos projetos que você propôs, reconstruir tudo será uma tarefa enorme. Haverá tempo suficiente antes do inverno?
Yu Su respondeu:
— As coisas mudaram. Yu Feng e os outros ganharam força ao desbloquearem seus pontos de acupuntura. Por isso, acredito que poderão fazer muito mais do que antes.
O Gênio da Enciclopédia ficou em silêncio.
De certa forma, parecia até sentir um pouco de pena de Yu Feng e seus amigos.

Dizer que queriam trocar por escravos era fácil, mas realizar isso era outra história.
Primeiro, precisavam reunir bens suficientes para a troca. Depois, teriam que justificar aos outros por que precisavam de tantos escravos. E, por fim, havia a questão de saber se essas pessoas realmente obedeceriam às ordens depois de adquiridas.
Yu Su e seus amigos foram visitar o mercado de escravos primeiro. Ao chegarem, perceberam que o lugar era ainda mais sujo e caótico do que imaginavam. Muitos escravos nem sequer tinham roupas para cobrir o corpo. Simplesmente ficavam ali, parados, observando os transeuntes com olhares apáticos.
Na verdade, poucas pessoas iam ao mercado de escravos, especialmente com o inverno se aproximando. Raros eram os tolos que desejavam comprar escravos e ainda gastar recursos com comida nessa época. Somente vilas mais prósperas, como a Vila do Ferro, que precisavam de trabalhadores, cogitavam algo assim. No entanto, no momento, a Vila do Ferro estava preocupada com a troca de sal e não tinha tempo para o mercado de escravos.
Por isso, quando Yu Su e seus amigos chegaram, acabaram chamando atenção.
O dono da barraca que vendia escravos se aproximou e, após escanear o grupo com os olhos, fixou o olhar em Yu Su.
Não era apenas porque Yu Su era o mais bem vestido entre eles, mas também porque parecia estar em posição de liderança. Embora o vendedor achasse estranho ver um rapaz tão jovem cercado daquele jeito, isso não o impediu de identificar quem era o líder com quem deveria falar.
— Estão interessados em comprar escravos? Os que tenho aqui são fortes e robustos, e quase não precisam de comida.
Yu Su permaneceu em silêncio.
Fortes e robustos, mas exigindo pouca alimentação? Parecia uma mentira descarada.
No entanto, o dono da barraca estava certo em um aspecto: os escravos que ele vendia eram, de fato, mais fortes e vigorosos do que os outros. Mas os olhos deles carregavam um traço de ferocidade que os demais não possuíam.
Segundo o vendedor, esses escravos vinham da Vila do Linho, que havia sido recentemente destruída pela Vila do Sal. Esses indivíduos em particular tinham sido originalmente trocados na Vila do Sal, mas já haviam passado de mão em mão várias vezes em um curto período, por serem difíceis de domar. Se Yu Su e seus companheiros estivessem interessados em adquiri-los, o vendedor estava disposto a negociar por um preço mais baixo.
Yu Su comentou:
— Não esperava que fosse tão honesto sobre eles.
O dono da barraca suspirou:
— Não tenho escolha. O comprador anterior era da Vila do Ferro. Por causa da rebeldia deles, a Vila do Ferro me deu uma boa lição e ainda me forçou a aceitá-los de volta.
O vendedor observou atentamente Lu Yan, Yu Meng e os outros companheiros de Yu Su, todos bem constituídos fisicamente, e percebeu que eles não eram pessoas comuns. Sentiu a aura intimidadora que emanava deles. Não queria se meter em outra enrascada como a da Vila do Ferro, então resolveu contar tudo com franqueza, para evitar problemas maiores.
Após pensar cuidadosamente, Yu Su decidiu que não valia a pena levar escravos que seriam difíceis de controlar. Isso só traria incontáveis dores de cabeça.
Assim, mesmo que o dono da barraca oferecesse um preço muito baixo, ele recusou o negócio e se afastou.


34. Por favor, resgate-o

No entanto, no fim das contas, Yu Su não conseguiu ir embora, porque um fraco acesso de tosse ecoou repentinamente da jaula onde os escravos estavam presos.
— Mestre! — exclamaram vários escravos que, momentos antes, haviam lançado olhares ferozes a Yu Su e seus companheiros. Eles se viraram em pânico, revelando o jovem que estavam protegendo.
O garoto estava encostado na cerca de madeira, o rosto avermelhado e a respiração ofegante. Era evidente que ele estava gravemente doente.
O dono da barraca clicou a língua com irritação e murmurou algo entre dentes. Em seguida, virou-se e começou a berrar com os escravos, furioso.
Yu Su, que já estava de saída, parou de andar. Apesar da aparência forte e resistente daqueles escravos, ele não havia cogitado negociá-los.
Mas agora a situação havia mudado. Ele acabara de perceber que aqueles escravos indomáveis tinham um líder.
Após refletir por um instante, Yu Su falou:
— Ele parece ferido, com sinais de inflamação e febre. Se não for tratado imediatamente, não passará desta noite.
Os escravos tremeram, e um deles observou Yu Su atentamente.
— Você é discípulo do Senhor Feiticeiro?
— O que tem a ver ser discípulo do Senhor Feiticeiro? Yu Su é o sucessor escolhido pelo Deus das Montanhas! — declarou Yu Meng com orgulho.
Sucessor escolhido pelo Deus das Montanhas?
O homem ponderou por um momento, mas decidiu não se aprofundar na questão e perguntou diretamente:
— Você pode salvar nosso jovem mestre?
Yu Su não confirmou se podia ou não. Apenas respondeu:
— Salvá-lo não é difícil.
Os olhos do homem se iluminaram.
— Por favor, salve-o!
Ao ver a cena, o dono da barraca também olhou para Yu Su com esperança.
Ele não acreditava que o garoto pudesse ser salvo, mas se Yu Su quisesse arriscar, para ele seria um alívio.
Yu Su apenas sorriu, sem responder.
Felizmente, os escravos não eram tolos. Um deles se adiantou e falou com Yu Su:
— Se você salvar nosso jovem mestre, juraremos lealdade a você!
— E como posso ter certeza de que não vão se arrepender depois que eu salvá-lo? — perguntou Yu Su.
O escravo, que parecia ter mais autoridade entre os demais, conversou brevemente com os companheiros e respondeu:
— Podemos jurar por nosso deus. É o juramento mais sagrado da nossa vila. Jamais quebraríamos nossa palavra.
Considerando a fé intensa que o povo daquela era depositava em seus deuses, Yu Su resolveu acreditar — ao menos em parte. Além disso, ele sabia que conquistar a confiança deles levaria tempo. Era algo que precisava ser feito aos poucos.
Mesmo assim, fingiu hesitar e não aceitou de imediato.
Com medo de que Yu Su mudasse de ideia, o dono da barraca se apressou em intervir:
— Se estiver disposto a levá-los, posso baixar ainda mais o preço — e lhe dou o mais novo de graça!
Ele não podia mais manter aquele lote de escravos por perto!
Yu Su estava justamente esperando por essa brecha. Por isso, fingiu ceder e disse:
— Muito bem, então.
No fim, Yu Su conseguiu adquirir os escravos — incluindo o garoto — por um preço ainda menor que o anterior. Eram sete escravos ao todo.
— Sigam-me — ordenou Yu Su.
O escravo que parecia liderar o grupo carregou o garoto nas costas, e seus companheiros da mesma vila seguiram Yu Su em silêncio.
Durante a troca dos escravos, Lu Yan e Yu Meng não haviam dito uma única palavra. Obedeceram às instruções de Yu Su o tempo todo, sem questionar.
Agora que tinham deixado o mercado de escravos, Yu Meng não conseguiu mais conter a curiosidade.
— Yu Su, essa pessoa pode mesmo ser salva?
Yu Su lançou um olhar ao jovem que vinha sendo carregado atrás deles e respondeu:
— Sim. Levem-no para a moradia primeiro.
Ao ouvirem a pergunta de Yu Meng, os escravos ficaram tensos. Felizmente, ao escutarem a resposta de Yu Su, a tensão em seus corpos diminuiu novamente. Obedientes, seguiram Yu Su de volta até a moradia onde o pessoal da Vila Yu estava alojado.
Os demais ficaram surpresos ao ver Yu Su e seus companheiros retornando com sete escravos.
— Como Yu Su conseguiu tantos escravos assim?
— E um deles parece estar à beira da morte.
O chefe Hong saiu da moradia, igualmente espantado ao ver alguém em estado tão crítico sendo trazido de volta.
— Yu Su, o que aconteceu?
Ele sabia que Yu Su havia saído para negociar escravos, mas não esperava que voltassem com alguém em condições tão graves.
Yu Su respondeu:
— O dono da barraca nos deu esse de graça. Ele pode ser salvo.
Ao ouvir que o escravo fora dado gratuitamente, o chefe Hong não se opôs. Ordenou que levassem o rapaz para dentro da moradia.
Yu Su instruiu o escravo que carregava o jovem a deitá-lo.
Vários escravos pareciam ansiosos.
— Nosso jovem mestre não vai aguentar por muito tempo. Por favor, salve-o logo!
Yu Su se agachou e examinou o estado do garoto.
Havia uma ferida infectada na perna, já em processo de gangrena. Para salvar a vida do rapaz, Yu Su teria que remover o tecido necrosado, estancar o sangramento e aplicar remédios anti-inflamatórios... Havia muitos passos que precisavam ser feitos com rapidez.
Primeiro, Yu Su limpou o local, não permitindo que tanta gente permanecesse dentro da moradia.
Depois, pediu a Yu Meng e seus amigos que limpassem um espaço e encontrassem as ferramentas necessárias, esterilizando tudo com água fervente.
Com as tarefas concluídas, ele pegou um pedaço de madeira e o entregou ao garoto para morder. Em seguida, instruiu Lu Yan e Yu Meng a segurá-lo com firmeza.
— Yu Su, o que você vai fazer? — perguntou Yu Meng.
— Logo vocês vão descobrir. Apenas continuem segurando — respondeu Yu Su com um sorriso misterioso.
Enquanto falava, Yu Su começou a raspar o tecido apodrecido.
Embora nunca tivesse feito algo assim antes, felizmente contava com a ajuda do Gênio da Enciclopédia, que lhe permitia escanear e cortar com precisão.
Além disso, sua destreza em artes marciais e mãos firmes o tornavam habilidoso com a faca. Lidar com aquela carne deteriorada foi fácil para ele.
Para completar, o chefe Hong milagrosamente encontrara uma adaga afiada e útil para a operação.
Quando perceberam, toda a carne podre já havia sido removida da ferida do garoto.
Durante todo o processo, Lu Yan e Yu Meng observavam atônitos.
Lu Yan, em especial, achava cada movimento de Yu Su incrivelmente cativante.
Apesar da cena sangrenta e repulsiva sob a lâmina de Yu Su, seus gestos calmos e precisos, sua expressão serena sem qualquer traço de repulsa, emanavam um charme único e fascinante. Lu Yan simplesmente não conseguia desviar o olhar.


35.Aceitação da Punição (1)

Depois de remover a carne podre do menino, Yu Su enfaixou o ferimento e preparou uma tigela de caldo de ervas com propriedades anti-inflamatórias para ele beber.
Preocupado que ervas comuns demorassem muito para fazer efeito, Yu Su secretamente adicionou uma erva preciosa com potente ação anti-inflamatória, quase equivalente a uma erva elixir, na panela fervente.
Afinal, o destino do menino determinaría se Yu Su e seus amigos conseguiriam domar o restante dos escravos, então sua sobrevivência era o mais importante.
Assim que o menino tomou o caldo de ervas, a vermelhidão em seu rosto diminuiu visivelmente, e sua respiração ficou menos fraca conforme a febre baixava.
— Ele vai ficar bem agora — suspirou Yu Su aliviado, levantando-se.
Yu Meng ficou impressionado. Normalmente, alguém com uma gangrena tão grave na perna estaria além de qualquer salvação, mas Yu Su havia conseguido salvar o menino.
— Yu Su, você é incrível! — disse Yu Meng sinceramente, cheio de admiração.
Embora Lu Yan não tenha dito nada, o olhar em seus olhos transmitia o mesmo sentimento.
Na verdade, quando Yu Su adicionou as ervas secretamente, Lu Yan percebeu que algo estava estranho.
Mas sua intuição lhe dizia que aquilo era um segredo de Yu Su, então escolheu permanecer em silêncio.
Para ele, as ações dos outros não importavam. Só se importava com Yu Su. Se Yu Su decidisse fazer algo, havia uma razão por trás, e ele jamais trairia sua confiança revelando seus segredos.

Na entrada da morada, todos assistiram Yu Su raspar a carne podre do ferimento do menino.
Um método de cura tão único despertava curiosidade, mas ao mesmo tempo trazia medo.
As pessoas da Vila Yu sabiam que Yu Su possuía o conhecimento herdado do Deus das Montanhas. Por isso, apesar do medo e da perplexidade, confiavam o bastante para não atrapalhá-lo.
Mas era diferente para os escravos da mesma vila do menino. A excitação os fez tentar entrar correndo na morada.
Yu Feng e seus amigos imediatamente os impediram e os imobilizaram no chão com força.
— Comportem-se! — ordenou Yu Feng.
— Se ousarem arrumar confusão, vamos matar vocês! — ameaçou.
Eram seis escravos altos e fortes, lutando contra as amarras de Yu Feng e seus companheiros, mas sem sucesso.
O escravo líder sentiu um suor frio escorrendo. Ele já era incrivelmente forte; caso contrário, não teria se tornado o líder daqueles encrenqueiros. Tendo passado por várias vilas, sabia bem que ninguém podia dominá-lo nem aos seus amigos. Mas, para surpresa dele, essa vila aparentemente pobre e comum tinha pessoas mais fortes que os guardas da Vila do Sal, dominando-os com facilidade.
Seu coração afundou. Finalmente, o escravo percebeu que havia encontrado adversários formidáveis. Aquela vila aparentemente insignificante abrigava gente mais forte que os guardas da Vila do Sal.
Nesse caso, poderiam ainda resistir?
Teriam que ver seu jovem mestre sofrer por suas mãos?
— Vocês prometeram salvar nosso jovem mestre. Não quebrem a promessa! — gritou um deles.
— Isso mesmo, seus canalhas enganadores! — completou outro.
Os seis continuaram lutando, tentando se livrar da pegada de Yu Feng e seus amigos, mas era em vão. Só restava xingar em voz alta.
Vendo que poderiam atrapalhar Yu Su, Yu Feng franziu a testa e decidiu amordaçá-los.
Mas, justamente naquele momento, Yu Su e seus amigos saíram do galpão.
Yu Meng se aproximou e desferiu um chute feroz em cada um dos escravos, ameaçando:
— Por que estão fazendo essa confusão? Seu jovem mestre está bem agora. Se vocês abrirem a boca de novo, eu mato ele, pode acreditar!

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