Capítulo 241
Pei Zirong observou Ye Chutang se afastar e levou a mão às têmporas, massageando-as.
Ele jamais teria imaginado que, apesar de todas as suas precauções, acabaria caindo nas mãos de uma jovem.
O pensamento era quase risível.
Ele olhou para o céu negro como breu e pronunciou duas palavras.
— Destino!
Em seguida, voltou ao pavilhão e ajudou sua mãe a se levantar.
— Mãe, como está se sentindo? A cabeça ainda dói?
A Velha Madame Pei sabia que seu filho fora forçado a fazer algo que não desejava por causa de sua doença. Suas sobrancelhas se franziram profundamente.
— Zirong, sua mãe já tem um pé na cova. Você não deveria ter colocado as crianças em perigo por minha causa.
Embora estivesse inconsciente, ela mantivera uma vaga consciência e ouvira, embaçadamente, parte do que fora dito.
Mas ela pensara que não passava de um sonho, por isso não deu importância após despertar.
Contudo, as palavras “roupas de inverno” a fizeram lembrar que aquilo não fora um sonho!
Ao ver sua mãe tomada pela culpa, Pei Zirong deu-lhe um sorriso tranquilizador.
— Mãe, concordei com os termos da Madame Qi não apenas pelo seu bem, mas também pelo das crianças.
Como reféns, nunca lhes faltaram comida ou roupas, mas ninguém se deu ao trabalho de educá-los adequadamente.
Se as coisas continuassem daquela maneira, eles acabariam arruinados.
Se Ye Chutang pudesse enviar seus filhos de volta para Dingzhou, de volta ao seu lado, então que importava se ele se comprometesse com a família Qi e o novo imperador?
Após ouvir a explicação do filho, a Velha Madame Pei soltou um suspiro de alívio.
Embora entendesse pouco sobre os assuntos da corte, ultimamente ela ouvira inúmeros rumores sobre o imperador assassinando funcionários leais e massacrando a população de uma cidade inteira. As histórias a enchiam de fúria.
— O atual imperador é incompetente, tirânico e totalmente indiferente à vida humana. De fato, ele não merece ser seguido.
Pei Zirong concordou com um aceno.
— Então, contanto que a Madame Qi possa trazer Wei’er e os outros de volta para mim, estou disposto a servir à família Qi!
No momento, a família Qi contava com o apoio do povo.
Ficar do lado da família Qi também seria uma oportunidade tremenda para ele.
A Velha Madame Pei olhou ao redor antes de perguntar:
— Zirong, várias pessoas viram você interagindo com a Madame Qi hoje. Se a notícia chegar aos ouvidos do imperador, ele certamente ficará desconfiado. Wei’er e os outros podem estar em perigo?
Pei Zirong balançou a cabeça com firmeza.
— Não. Depois que você desmaiou, todos que haviam vindo apreciar a vista no Lago Luoxia mantiveram a maior distância possível, com medo de serem arrastados para confusões. Ninguém ouviu o que a Madame Qi e eu dissemos. Mais tarde, levarei alguns presentes valiosos ao posto de correio e farei uma cena — um filho devotado ajoelhado e implorando por um médico para tratar sua mãe.
Embora isso não dissipasse completamente as suspeitas do imperador, seus filhos estavam sendo mantidos como reféns na capital. Mesmo que o imperador suspeitasse, ele não ousaria agir contra ele.
***
Após deixar o Lago Luoxia com Qi Qingyu, Ye Chutang seguiu em direção ao posto de correio.
No caminho, Ye Chutang notou uma loja de doces com uma fila muito longa do lado de fora.
Ela perguntou casualmente a uma das pessoas que esperavam:
— Com licença, o que eles estão vendendo aqui? Por que o movimento está tão intenso?
A mulher a quem se dirigiu havia recebido o grupo de exilados no portão da cidade e reconheceu Ye Chutang.
Ela respondeu com entusiasmo:
— Esta loja vende doces de cristal. São translúcidos e brilhantes, com um sabor único. São lindos e deliciosos. Madame Qi, a senhora precisa prová-los.
— Obrigada.
Ye Chutang olhou para Qi Qingyu e acariciou suavemente o próprio estômago.
— Irmã mais velha, espere na fila aqui. Vou pedir para usar um banheiro e voltarei em breve.
Qi Qingyu assentiu e apontou para uma clínica médica não muito longe dali.
— Cunhada, se não estiver se sentindo bem, deveria ir à clínica e dar uma olhada.
— Estou bem. Apenas comi uma variedade grande demais no jantar e meu estômago está um pouco pesado. Só vou pedir para usar o banheiro da clínica.
Dito isso, Ye Chutang entregou o saco de papel contendo as sementes de lótus para Qi Qingyu e apressou-se para a farmácia um pouco mais distante.
Pegando emprestado o pincel, a tinta, o papel e o tinteiro da farmácia, ela escreveu uma receita para a Velha Madame Pei.
— Prepare dez doses de remédio de acordo com esta receita.
O dono da loja pegou a receita e deu uma olhada.
Ao ver que ela pedia ingredientes bastante caros, ele ficou radiante.
— Com certeza, senhorita. Por favor, aguarde um momento.
— Senhor, estou com um pouco de dor de estômago e gostaria de usar seu banheiro. Seria possível?
O dono da loja pediu apressadamente a um assistente que conduzisse Ye Chutang até o pátio dos fundos.
O banheiro ficava no canto noroeste do pátio. Uma lanterna amarela e fraca pendia do lado de fora, balançando suavemente na brisa noturna.
Depois de mostrar a Ye Chutang onde ficava, o assistente voltou para a sala da frente para atender os clientes.
Ye Chutang empurrou a porta do banheiro.
Os banheiros antigos eram simples latrinas, cercadas por terra batida.
Usando sua habilidade do elemento terra, ela se teletransportou para o acampamento militar estacionado em Dingzhou e localizou o armazém onde as roupas de inverno estavam guardadas.
Não havia guardas dentro do armazém, embora patrulhas passassem por perto.
Sem perturbar ninguém, Ye Chutang entrou no armazém e guardou todas as roupas de inverno em seu espaço pessoal.
Em seguida, teletransportou-se de volta para o banheiro atrás da farmácia.
A viagem de ida e volta custou-lhe uma quantidade considerável de pontos de mérito, mas tomou apenas o tempo que leva para queimar um único incenso.
Quando ela retornou à sala da frente, o dono da loja acabara de embrulhar os ingredientes medicinais.
Ye Chutang pagou, pegou o remédio e saiu para encontrar Qi Qingyu na fila.
Meia hora depois, as duas retornaram ao posto de correio com os doces de cristal.
Os dois anciãos da família Qi estavam brincando com as crianças. No momento em que viram Ye Chutang carregando o remédio, seus corações saltaram pela garganta.
A Velha Madame Qi perguntou imediatamente:
— Chutang, por que comprou remédio? Você está se sentindo mal em algum lugar?
Ela estava preocupada que a ausência contínua de menstruação de Ye Chutang significasse que algo estava errado com sua saúde.
Ye Chutang sorriu.
— Mãe, não se preocupe. Estou bem. Este remédio é para outra pessoa.
Então, ela pediu a Qi Qingyu que tirasse os doces para que todos pudessem compartilhar.
A Velha Madame Qi ainda não estava convencida e olhou para a filha.
Qi Qingyu colocou os doces de cristal, ainda mornos, sobre a mesa e deu à mãe um olhar tranquilizador.
— Mãe, coma alguns doces.
Só então a Velha Madame Qi relaxou. Ela chamou a Madame Xu e seu filho para comerem também.
Não vendo Sun Chu, Ye Chutang perguntou:
— Mãe, onde está o Mestre Sun?
— O Mestre Sun saiu depois de vocês duas, mas retornou antes de vocês. Ele está no quarto dele agora.
— Vou chamá-lo.
O quarto que o administrador do posto de correio havia designado para Sun Chu ficava no segundo andar.
Naquele momento, Sun Chu estava encarando uma carta em suas mãos, respirando rapidamente.
Ele obtivera a carta da Casa Qianjin em Dingzhou. Ela continha os resultados da investigação sobre Ye Chutang.
Ao olhar para o poema familiar, ele ficou tão excitado que quase rasgou a folha fina de papel em pedaços.
— Como eu suspeitava. Eu estava certo!
No momento em que terminou de falar, a voz de Ye Chutang soou do lado de fora da porta.
— Mestre Sun, desça e coma alguns doces.
*Rip!*
O som abrupto assustou Sun Chu. O papel esticado finalmente não conseguiu resistir à força de seu aperto e rasgou-se em dois.
Ele nervosamente amassou as duas metades em uma bola e as enfiou em seu cinto largo.
— Tudo bem, já estou descendo.
Ye Chutang notou imediatamente que algo estava errado com a voz de Sun Chu.
Ele soava como uma criança que fora pega fazendo algo errado, tentando desesperadamente fingir calma.
Ela não estava preocupada que Sun Chu a traísse, então não deu atenção ao seu comportamento incomum.
Ouvindo os passos de Ye Chutang se afastarem, Sun Chu prendeu a respiração. Somente após eles desaparecerem é que ele soltou um suspiro pesado.
Ele puxou os pedaços de papel de seu cinto e leu-os novamente.
Após respirar fundo várias vezes para se acalmar, ele abriu a porta e desceu.
A família Qi estava sentada ao redor da mesa, comendo os doces de cristal e conversando.
Quando Qi He’an viu Sun Chu se aproximar, ele imediatamente chamou:
— Mestre Sun, venha sentar-se conosco.
Depois que Sun Chu se sentou, seus olhos continuaram vagando involuntariamente em direção a Ye Chutang, enquanto sua mão repetidamente buscava seu cinto.
Ye Chutang empurrou o pacote de papel com os doces de cristal em sua direção.
— Por que está com esse olhar de culpa, Mestre Sun? Fez algo que não quer que ninguém saiba?
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