Capítulo 9


 Capítulo 09


Na manhã seguinte, Sang Ning acordou às nove, como de costume, para estudar com sua tutora.


Mas percebeu que aquela tutora de etiqueta já não tinha mais nada de novo para lhe ensinar. Na verdade, a etiqueta dos banquetes atuais não era muito diferente daquela da Dinastia Zhou. A única diferença, talvez, fosse que não era tão rigidamente formal.


Sang Ning não queria mais perder tempo com aquelas aulas — queria aprender algo mais útil.


Ao meio-dia, depois de acompanhar a tutora até a saída, Sang Ning desceu para procurar o avô.


Em vez disso, encontrou Nan Siya, Nan Muchen e Wen Meiling na sala de estar.


— Sang Ning, como foi sua aula hoje? — perguntou Wen Meiling.


A tutora respondeu educadamente:


— A senhorita aprende muito rápido. Compreende tudo imediatamente e quase não precisa de repetições. Nestes últimos dias, já lhe ensinei praticamente tudo o que eu podia.


Wen Meiling ficou surpresa. Não esperava que Sang Ning aprendesse tão rápido.


Ela imaginara que, por ter vindo do interior, Sang Ning teria dificuldade com aqueles costumes completamente desconhecidos.


Nan Muchen soltou um bufo de desprezo.


— Meras boas maneiras superficiais — qualquer um consegue fingir se tentar.


Uma pena, porém. Não importava o quão bem ela fingisse por fora; sem conteúdo, continuava sendo apenas uma casca vazia — nada além de uma pose pretensiosa.


— Isso é tudo graças à excelente didática da professora Lin — disse Wen Meiling com um sorriso.


— A senhora é muito gentil, madame.


Wen Meiling rapidamente pediu a um criado que acompanhasse a tutora até a saída.


Sang Ning olhou para Nan Siya e Nan Muchen, cujos rostos ainda estavam machucados, e decidiu não ficar. Quem sabia se sua chegada havia interrompido as queridas reclamações de seus irmãos sobre ela?


— Vou subir primeiro — disse Sang Ning, virando-se para sair.


— Espere — chamou Wen Meiling.


— Aconteceu alguma coisa, mãe?


Wen Meiling franziu ligeiramente a testa. Por que aquilo soava tão distante?


Ela puxou Sang Ning para que se sentasse.


— Já que você praticamente dominou a etiqueta de banquetes, haverá um baile beneficente esta noite — principalmente com jovens. Você deveria ir conosco e conhecer o lugar.


Sang Ning piscou. Por que sua mãe estava tão preocupada com ela de repente?


— Vou sozinha?


Wen Meiling sorriu.


— Não se preocupe, Siya vai acompanhá-la.


Sang Ning olhou para Nan Siya. Seu rosto havia recebido compressas de gelo e o inchaço praticamente desaparecera, embora ainda restassem marcas leves dos hematomas.


Ao notar o olhar de Sang Ning, Nan Siya curvou os lábios em um sorriso.


— Desde que você voltou, irmã, sempre fica sozinha e não fez nenhum amigo. Pensei em apresentá-la ao nosso círculo de amizades para que pudesse conhecer algumas pessoas. Assim, você não se sentirá tão sozinha no futuro.


Sang Ning ergueu uma sobrancelha. Desde quando Nan Siya havia se tornado tão atenciosa?


Será que a surra de ontem tinha embaralhado o cérebro dela?


Nan Siya pareceu perceber o ceticismo no olhar de Sang Ning e abaixou a cabeça, falando em voz baixa:


— Depois de pensar no que aconteceu ontem, percebi que eu estava errada. Não deveria ter impedido você de disciplinar A’Chen. Afinal, era o banquete da Família He. Se você não tivesse interferido, eles poderiam ter descontado tudo na nossa família inteira.


Ela ergueu novamente a cabeça, com os olhos vermelhos.


— Mesmo você tendo me batido, agora me sinto ainda mais culpada. Espero que possa me perdoar também.


O coração de Wen Meiling derreteu diante daquela demonstração de maturidade de Nan Siya. Ela a puxou para um abraço.


— Você sempre foi compreensiva demais, colocando os outros antes de si mesma.


Sang Ning observou friamente o carinho entre mãe e filha. Ah, então agora ela — a verdadeira filha — era a intrusa.


Wen Meiling voltou-se para Sang Ning, com uma ponta de reprovação no olhar.


— Siya sempre foi assim — bondosa, guardando suas próprias mágoas. Ela está disposta a deixar o passado para trás e levá-la a esses eventos para que você possa fazer contatos e ampliar seus horizontes. Não despreze a boa vontade dela.


Nan Siya também a encarou com os olhos marejados.


— Sinto que tenho uma dívida com você, irmã. Quero compensá-la. Você vai, não vai?


Ela iria?


É claro que iria.


Nan Siya havia feito questão de convidar Sang Ning na frente de Wen Meiling justamente para não lhe dar nenhuma chance de recusar.


Depois do incidente de ontem, era ela quem estava estendendo um ramo de oliveira, oferecendo a Sang Ning uma entrada em seu círculo social da elite. Como poderia recusar?


Mas Nan Siya ainda se sentia inquieta. Por algum motivo, estava perdendo a confiança para lidar com Sang Ning — talvez porque já tivesse perdido para ela duas vezes. Estava começando a suspeitar que aquela mulher não seria tão fácil de enfrentar.


Temia que Sang Ning percebesse seu plano e encontrasse uma maneira de recusar.


Após um breve silêncio, os nervos de Nan Siya ficaram tensos. Sua mente disparou, preparando contra-argumentos para cada possível desculpa que Sang Ning pudesse usar para recusar.


Então, finalmente, Sang Ning falou:


— Tudo bem.


Nan Siya ficou ligeiramente rígida. Ela... tinha aceitado assim, de imediato?


Esperava resistência, pelo menos alguma tentativa de recusa.


Mas ela simplesmente aceitou?


Ao notar a expressão congelada de Nan Siya, Sang Ning sorriu.


— O que foi, irmãzinha? Está pensando duas vezes agora?


Nan Siya voltou a si.


— Claro que não! Eu só... não esperava que você aceitasse tão prontamente.


O sorriso de Sang Ning permaneceu gentil.


— Já que você me convidou pessoalmente, como eu poderia recusar? Somos irmãs — deveríamos nos dar bem.


Wen Meiling observou a interação harmoniosa entre as duas com alívio. Ela sempre temera que o retorno de Sang Ning prejudicasse sua relação com Siya.


Mas, felizmente, as duas meninas eram sensatas e atenciosas.


Nan Siya zombou interiormente. Claro — na frente da mãe, Sang Ning precisava desempenhar o papel de irmã amorosa. Agora estava presa. Mesmo que percebesse que havia algo errado, não teria escolha a não ser ir!


Não importava por que ela havia aceitado. Quando chegassem ao baile beneficente, aquele seria o território dela. Sang Ning não sairia de lá impune!


Às sete daquela noite, Nan Siya e Sang Ning saíram juntas.


Elas se sentaram lado a lado no banco traseiro do carro. No caminho, Nan Siya a tranquilizou:


— Não se preocupe, irmã. O baile desta noite é mais casual — principalmente com jovens, bem descontraído. A maioria deles são meus amigos. Vou apresentá-la.


Sang Ning assentiu levemente.


— Tudo bem.


Ela se virou para contemplar pela janela os arranha-céus imponentes, o fluxo interminável de carros e as luzes de neon brilhando contra a noite. Jing City, banhada em luxo e extravagância — um mundo de indulgência.


Naquela era desconhecida, havia tanta coisa que precisava aprender e à qual precisava se adaptar.


Mas aquilo a deixava empolgada.


O Rolls-Royce parou em frente ao Hotel InterContinental.


Um manobrista abriu a porta, e Sang Ning e Nan Siya desceram.


— Vamos entrar.


Nan Siya conduziu Sang Ning até o salão de banquetes no primeiro andar, onde o baile já estava a todo vapor.


Como havia dito, o evento era mais descontraído, repleto de homens e mulheres jovens usando vestidos de coquetel e ternos — alguns até mais ousados e casuais do que na noite anterior.


— Irmão Zheng! — Nan Siya avistou Chen Zheng no momento em que entraram e correu até ele, enlaçando o braço no dele.


Chen Zheng, segurando uma taça de vinho, sorriu.


— Siya, você veio. Por que não me avisou? Eu teria esperado por você lá fora.


— Eu sei me virar sozinha. Pare de me tratar como uma criança — fez beicinho.


Chen Zheng acariciou seus cabelos, os olhos repletos de ternura.


— Para mim, você sempre será aquela menininha.


Sang Ning encarou os dois à sua frente com uma expressão impassível.


"É sempre tão nauseante o romance desta era??”


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