Capítulos 146 ao 150


 146 

Os olhinhos da pequena Nuan Nuan não eram nem do tamanho dos olhos daquela criatura. Assustada, ela ergueu o pescoço rigidamente e olhou para o gigante à sua frente. Só quando ficou mais perto percebeu que, antes, havia caído justamente sobre a cauda dele. O susto foi tão grande que parecia que sua alma estava prestes a deixar o corpo. A pequena Nuan Nuan quase revirou os olhos e desmaiou, mas... parecia que ela simplesmente não conseguia desmaiar!


A caverna branca como a neve era muito iluminada. A imagem do gigante refletia-se nas pupilas negras de Nuan Nuan.


Era uma enorme serpente branca como jade. Uma única escama era maior do que as duas mãozinhas dela juntas. Dos dois lados da cabeça havia membranas brancas e translúcidas, semelhantes a barbatanas. Sobre a cabeça cresciam dois chifres parecidos com galhadas de cervo, e em seu ventre havia um par de enormes garras semelhantes às de uma águia.


Enquanto erguia lentamente o corpo, as membranas que antes estavam junto a ele se abriram como um grande leque. Em seguida, sua cauda também se elevou devagar, e aqueles frios olhos dourados de pupilas verticais se aproximaram da pequena garota macia como um bolinho de jade branco, que permanecia sobre sua cauda.


Nuan Nuan pensou: "Será que ser engolida dói? Buá... Estou com tanta saudade do meu irmão. Da próxima vez não vou mais sair correndo por aí."


A pobrezinha tremia sem parar, perdida em pensamentos confusos, enquanto abraçava a própria cabecinha com seus bracinhos.


Embora soubesse que, se fosse devorada, apenas voltaria ao ponto de ressurreição, ela não conseguia controlar o medo diante de um monstro tão gigantesco!


A língua fria da serpente roçou em seu rostinho rechonchudo. Nuan Nuan estremeceu imediatamente e fechou os olhos com força, convencida de que seria engolida no instante seguinte.


Mas... nada aconteceu.


Ela não sentiu nenhuma dor, e o sistema nem sequer avisou que havia morrido.


Abrindo os olhos cuidadosamente, viu que a enorme cabeça da serpente já estava diante dela. A distância entre os dois era tão pequena que bastaria esticar um braço para tocar seu focinho.


Aqueles grandes olhos dourados continuavam encarando-a sem piscar, como se... como se não tivessem a intenção de comê-la.


Nuan Nuan fungou baixinho. Seu delicado rostinho se enrugou, e seus grandes olhos úmidos fitavam a enorme serpente de forma lamentável. Ela não ousava se mexer, apenas permanecia imóvel, olhando para ela.


Literalmente.


Depois de tanto encarar, seus olhos começaram a arder, e ela não resistiu: levantou a mãozinha para esfregá-los.


Nesse momento, a serpente voltou a se mover.


Sua cauda continuou subindo e, então, balançou levemente. A pequena garota, que ainda estava sobre ela, rolou como uma bolinha até parar em cima da cabeça da serpente.


Nuan Nuan: “…………”


Ela ficou aliviada por não precisar mais olhar diretamente para os enormes olhos da serpente. Deitada sobre sua cabeça, permaneceu com a testa franzida, sem coragem de se mexer.


"Será que, se eu cair daqui de novo, consigo voltar para o ponto de ressurreição?"


Enquanto pensava nisso, a enorme serpente começou a se mover.


Seu gigantesco corpo deslizou pela caverna com rapidez e surpreendente agilidade.


Nuan Nuan, agarrada à sua cabeça, teve uma sensação muito familiar...


Era exatamente como quando o quarto irmão acelerava durante uma corrida!


Com o rostinho pálido, ela não ousava se mexer. Apenas fungava baixinho.


Quando olhou para trás, ficou chocada mais uma vez com o tamanho da serpente.


Seu corpo era mais comprido do que um prédio de cem andares.


— Para onde você está me levando?


A garotinha choramingou baixinho. Sua voz era carregada de um choro contido e muito lamentável.


A grande serpente continuou avançando, levando Nuan Nuan através da imensa caverna.


Quando chegaram ao fim daquele gigantesco ninho de cristais de gelo, ouviram o som de água corrente.


Reunindo um pouquinho de coragem, Nuan Nuan olhou para fora.


Lá havia uma enorme cachoeira despencando do alto.


O ninho de cristais de gelo ficava escondido dentro de uma caverna no meio da cachoeira, completamente invisível do lado de fora.


A grande serpente subiu pelo penhasco, contornando a queda d'água.


Vista de longe, aquela criatura branca e sagrada era simplesmente impressionante.


A pequena permanecia de pé sobre sua cabeça.


Ao olhar para o penhasco profundo lá embaixo, sentiu uma tontura e imediatamente voltou a se deitar obedientemente.


A serpente escalava os penhascos com extrema habilidade, descendo lentamente até finalmente mergulhar no rio gelado formado pela cachoeira.


Mesmo dentro da água, mantinha a cabeça erguida acima da superfície, de modo que Nuan Nuan não chegava a se molhar.


Aquele era um lugar totalmente desconhecido.


Ao mesmo tempo, parecia um verdadeiro paraíso, um mundo de conto de fadas.


Ali, a enorme serpente era como a soberana absoluta.


Ao longe, os animais que sentiam sua presença abandonavam até mesmo a água que estavam bebendo e fugiam às pressas.


Sem perceber, Nuan Nuan já havia se aproximado um pouco da frente, segurando um dos chifres da serpente com as duas mãos.


Ela não ofereceu qualquer resistência.


Continuou conduzindo a menina calmamente por aquele lugar que parecia um paraíso.


Até que, sob uma árvore gigantesca que tocava o céu, a serpente finalmente parou.


Ela abaixou a cabeça sobre a grama verde e soltou dois chiados.


Nuan Nuan teve a impressão de entender seu significado.


Rapidamente, escorregou da cabeça da serpente usando suas escamas como apoio.


Então observou enquanto o enorme corpo branco subia lentamente pelo tronco da árvore, enrolando-se nela.


Nuan Nuan ergueu a cabeça e ficou olhando por muito tempo.


Agora ela já não tinha mais medo.


A copa da árvore estava escondida entre grossas nuvens e névoa.


Depois de encarar aquilo durante bastante tempo, a pequena percebeu que estava sendo um pouco boba.


Levantou a mão e esfregou o rostinho antes de desistir de olhar.


Em seguida, sentou-se sobre uma raiz grossa e arqueada, limpa como um banco natural, observando distraidamente tudo ao seu redor com seus lindos olhos grandes.


Camadas de nuvens e névoa envolviam toda a região.


Havia inúmeras flores exóticas, plantas raras, animais incomuns, e todas as árvores eram extraordinariamente altas.


A pequena apoiou os cotovelos sobre os joelhos e sustentou o queixinho rechonchudo com as palmas das mãos.


Seus longos cílios curvados tremulavam como pequenos leques, enquanto seus olhos limpos e cristalinos contemplavam aquela paisagem.


Por que ela não fugia?


Ora, porque simplesmente não sabia para onde fugir.


Ela já havia tentado.


Aquele lugar nem sequer aparecia no mapa do sistema.


Também não conseguia entrar em contato com o quarto irmão.


Talvez a única maneira de sair dali fosse encontrar uma saída... ou morrer.


Agora a pequena já havia recuperado a calma.


Embora a grande serpente parecesse assustadora, ela nunca a machucou.


Mesmo que resolvesse machucá-la, aquilo era apenas um mundo de jogo.


No pior dos casos, ela reviveria.


Um pensamento muito inocente.


Nesse instante, as nuvens acima começaram a se agitar.


Uma enorme cabeça branca surgiu entre elas.


A ponta fria de seu focinho empurrou delicadamente as costas de Nuan Nuan.


Era um empurrão gentil...


Mas para uma garotinha tão pequena, aquela força era um pouco exagerada.


E ela simplesmente... caiu para a frente.


Nuan Nuan, deitada no chão:


“…………”


Não havia sentido dor alguma.


Apenas teve um contato muito íntimo com o chão.


A grande serpente pareceu ficar confusa.


Seus olhos se arregalaram um pouco.


Em pânico, aproximou rapidamente a cabeça para ajudar a criança.


Depois tentou levantá-la usando o focinho.


Nuan Nuan conseguiu ficar de pé, mas quase caiu para trás outra vez.


No fim, precisou abraçar a enorme cabeça da serpente para recuperar o equilíbrio.


A serpente não ousou se mover.


Permaneceu imóvel, permitindo que Nuan Nuan se apoiasse nela.


Quando finalmente conseguiu ficar firme, o rostinho da menina corou de vergonha.


— E-eu... me desculpe.


Sua voz era tímida, suave e muito agradável de ouvir.


Ao retirar a mão, Nuan Nuan não resistiu e acariciou delicadamente as escamas da grande serpente.


Eram frias, lisas...


A textura lembrava muito jade.


E eram...


Tão bonitas.


Um pedaço tão grande de jade branco.


A pequena olhou para a serpente, pensando distraidamente.


A cauda da serpente balançou levemente.


Ela curvou o pescoço e acomodou Nuan Nuan dentro das curvas de seu enorme corpo.


Nuan Nuan gaguejou baixinho:


— O-olá...


Desta vez, reuniu coragem para pousar a mão sobre as escamas da serpente.


Ela não tinha feito aquilo de propósito.


Foi a própria serpente que se aproximou dela.


147 
Depois de ter certeza de que a cobra realmente não iria machucá-la, a pequena Nuan Nuan foi ficando um pouquinho mais corajosa.

Claro, ela apenas tocava discretamente as escamas do corpo dela e então recolhia a mão bem rápido, com medo de ser descoberta. Lançava um olhar furtivo para a cobra e, quando ela não estava prestando atenção, tocava nela de novo.

As escamas geladinhas eram tão gostosas de tocar~

As sobrancelhas da garotinha se curvaram, e os cantos de sua boca se ergueram, parecendo um pouco feliz.

— Hiss...

A cobra de repente se afastou e, em seguida, abriu sua enorme boca diante da pequena Nuan Nuan, cuspindo dois ovos.

Nuan Nuan: "!!!"

Ela arregalou os olhos ao olhar para os dois ovos diante dela.

Um ovo branco e um ovo preto, ambos aproximadamente do tamanho de um ovo de avestruz.

A cobra empurrou os dois ovos na direção da garotinha com o focinho.

— São... para mim?

Nuan Nuan apontou para si mesma, sentindo-se um pouco lisonjeada. Quando viu a cobra assentir, agachou-se e colocou cuidadosamente sua pequena mão sobre um dos ovos. Imediatamente, o sistema exibiu uma mensagem.

Parabéns ao jogador "Eu Tenho Sete Irmãos" por obter dois ovos de mascote.

Nuan Nuan, que estava pensando em como comer um ovo tão grande: "???"

Ah?

Então era um mascote.

O rostinho de Nuan Nuan ficou levemente corado.

— Obrigada, cobrinha grandona.

A garotinha se levantou e agradeceu baixinho. Ela até reuniu coragem para erguer seu bracinho e pousar sua pequena mão branca e delicada sobre o focinho da enorme cobra.

Num lugar onde a garotinha não podia ver, a cauda da grande cobra balançou levemente, enquanto sua cabeça esfregava a mãozinha dela. As barbatanas nas laterais vibravam, produzindo um zumbido, demonstrando que ela estava muito animada.

Se não fosse realmente uma cobra gigante, quem visse de longe pensaria que era um cachorrão.

O sistema lembrou Nuan Nuan de que o tempo de jogo havia acabado.

O jogo possuía um mecanismo de proteção para menores de idade, permitindo apenas duas horas de jogo por dia.

Nuan Nuan olhou para a linda cobra branca como a neve com um olhar cheio de pena e suplicou com sua vozinha infantil:

— Cobrinha grandona, eu não sei como sair daqui. Você pode me levar até a saída? Eu preciso ir para casa.

A grande cobra colocou a língua para fora obedientemente, abaixou o corpo e trouxe a cauda por trás dela.

Nuan Nuan guardou os dois ovos na mochila do jogo. Em seguida, a grande cobra a colocou sobre sua cabeça usando a cauda.

A grande cobra levou Nuan Nuan de volta para a caverna e depois foi até um enorme pilar de cristal de gelo semelhante a jade, coberto por runas entalhadas.

Nuan Nuan escorregou para o chão.

— É por aqui que podemos sair?

A grande cobra assentiu e a empurrou gentilmente para a frente. O pilar de cristal começou a brilhar, e uma formação apareceu sob seus pés.

Nuan Nuan rapidamente abraçou a cabeça da grande cobra e ficou na ponta dos pés para dar um beijinho nas escamas de seu focinho.

— Tchau, cobrinha grandona. Se eu puder voltar aqui no futuro, vou vir brincar com você.

Seu rostinho branco e rechonchudo ficou encostado nas escamas frias da grande cobra e, no instante seguinte, Nuan Nuan desapareceu do ninho.

Ao surgir em um lugar desconhecido, o sistema emitiu uma notificação, e mensagens que pareciam uma correnteza inundaram instantaneamente suas mensagens privadas.

Todas tinham sido enviadas pelo quarto irmão. Eram dezenas delas.

Quarto irmão: Onde você está, Nuan Nuan? Voltei ao ponto de renascimento.

Quarto irmão: Nuan Nuan, responde alguma coisa. Onde você foi? Por que não ficou seguindo o Doutor Xu?

Quarto irmão: Saiu do jogo? Não pode ser... Irmãzinha, não me assuste.

Quarto irmão: Se vir esta mensagem, me manda as coordenadas. Eu vou buscar você.

Depois vieram muitas outras mensagens, praticamente uma atrás da outra, além de várias mensagens de voz.

Bem quando Nuan Nuan ia tocar na última mensagem de voz, outra mensagem chegou.

Quarto irmão: Saí para verificar e você ainda está na cápsula de jogo. Será que entrou sem querer em alguma masmorra?

Quarto irmão: Me manda uma mensagem quando voltar.

Nuan Nuan: Quarto irmão. (comportada.jpg)

Quarto irmão: Finalmente respondeu! Onde você está? Me manda as coordenadas.

Quarto irmão: Ainda bem que isso aconteceu no jogo. Se fosse na vida real, seria assustador.

Seguindo rapidamente as instruções do sistema, Nuan Nuan enviou desajeitadamente sua localização para o quarto irmão.

Não demorou muito para Gu Mingli aparecer diante dela. Assim que surgiu, segurou o rostinho dela entre as mãos, olhando de um lado para o outro, enquanto despejava perguntas como uma metralhadora.

— Você está bem? Para onde foi? Eu não falei para você correr de volta? Como conseguiu se perder? Eu fiquei tão assustado que até esqueci que estávamos dentro do jogo. Deixa eu ver se você está machucada. Sua barra de vida ainda está cheia? Você caiu em alguma masmorra? Por que não recebi nenhuma notificação?

Nuan Nuan ficou completamente tonta com tantas perguntas seguidas.

— Quarto irmão... eu... eu estou bem. Qual pergunta você quer que eu responda primeiro?

A garotinha tinha uma expressão confusa e inocente.

Ao ver que ela não estava machucada, Gu Mingli finalmente respirou aliviado. Em seguida, deu um tapa na própria testa.

Tinha esquecido de novo.

Aquilo era um jogo. Que sentido fazia perguntar se ela estava ferida?

Ele nunca tinha medo de se machucar enquanto enfrentava monstros selvagens, mas quando o assunto era sua irmãzinha, sempre esquecia disso.

Gu Mingli apertou as bochechas macias e rechonchudas da menina. A ansiedade e a irritação em seus olhos desapareceram, e finalmente ele sorriu.

— Já que está tudo bem, vamos. O irmão vai levar você para casa.

Enquanto falava, ergueu Nuan Nuan e a colocou sobre seus ombros.

Sua visão subiu de repente. A garotinha ficou sentada nos ombros do irmão, enquanto ele a segurava firmemente com uma das mãos.

Nuan Nuan levou um susto tão grande que arregalou a boca e os olhos, agarrando rapidamente os cabelos do quarto irmão.

No começo ela ficou um pouco assustada, mas, depois de andarem por um tempo, relaxou. Seus olhos claros e lindos se curvaram em um sorriso.

— Quarto irmão, eu me separei do Doutor Xu. Depois não consegui encontrar o caminho e fiquei andando sem rumo. Aí descansei em uma floresta...

Depois de relaxar, a garotinha tomou a iniciativa de conversar e contou suavemente sobre o encontro com a grande cobra. Embora falasse devagar, sua pronúncia era muito clara.

Sua voz era macia e doce como um bolinho de arroz glutinoso, extremamente agradável de ouvir.

— A sua sorte realmente... faz qualquer um morrer de inveja. Você é mesmo digna de ser minha irmã. Mas aquilo provavelmente não era uma cobra. Ela tinha chifres, então devia ser um dragão.

Nuan Nuan não sabia o que era um dragão.

Ela tirou um dos ovos da mochila do jogo. Assim que o segurou com os dois bracinhos, sentiu o corpo afundar. Cambaleou e quase perdeu o equilíbrio.

Antes ele tinha ido direto para a mochila. Era a primeira vez que o segurava, então não imaginava que fosse tão pesado.

Com medo de deixar o ovo cair e quebrar, seus dois bracinhos gordinhos, parecidos com raízes de lótus, o apertaram com mais força. Seu rostinho ficou todo franzido por causa do peso.

— Irmão... irmão, me ajuda.

A garotinha tentou entregar o ovo para ele.

Gu Mingli pegou o grande ovo branco, segurando-o com os cinco dedos bem abertos, e o balançou levemente.

Era realmente pesado.

Num piscar de olhos, Nuan Nuan já estava segurando o outro ovo, o preto, nos braços e o estendendo para ele.

— Irmão... tem... tem mais um.

Gu Mingli: "…………"

Ele não respondeu. Apenas apertou as bochechas carnudinhas da garotinha.

— Como foi que o nosso irmão mais velho fez esse jogo? Ovos de mascote são tão fáceis de conseguir assim? Ele não tem medo de falir?

Depois de dizer isso, pegou também o ovo preto, que Nuan Nuan segurava com dificuldade.

— O irmão mais velho vai falir?

Os olhos de Nuan Nuan se arregalaram ao ouvir aquilo, e sua vozinha infantil ficou alguns tons mais alta.

— Então vamos devolver os ovos depressa!

A pequena franziu a testa, como se já estivesse imaginando o irmão mais velho completamente falido, o que divertiu muito Gu Mingli.

De repente, ele ficou com vontade de provocar a garotinha.

— E o que você faria se o irmão mais velho realmente falisse?

Nuan Nuan franziu a testa e pensou por um momento.

Gu Mingli arqueou as sobrancelhas, enquanto os cantos de sua boca se erguiam num sorriso malicioso.

— Em que está pensando?

O rostinho de Nuan Nuan continuava todo franzido enquanto ela respondia com sua vozinha infantil:

— Estou pensando por quanto tempo o dinheiro da Nuan Nuan conseguiria sustentar o irmão mais velho.

Gu Mingli, de repente, sentiu uma pontinha de inveja.


148
Depois de sair do jogo, Nuan Nuan foi imediatamente procurar seu irmão mais velho e olhou para ele com uma expressão cheia de pena e simpatia.

As pálpebras de Gu Nan estremeceram ao ver aquele olhar, e seu tom de voz soou um pouco impotente.

— O que foi?

Nuan Nuan segurou sua mão e disse com pena:

— O irmão mais velho vai falir.

Gu Nan: "…………"

— Hahahahaha...

Gu Mingli ria tanto que nem conseguia mais ficar em pé direito.

Todos os outros que ouviram as palavras de Nuan Nuan: "…………"

Não... De onde ela tirou essa conclusão?

O chefe vai falir?

Quem espalhou esse boato?!

Mesmo que o chefe virasse mulher, ele não iria à falência!

Então Nuan Nuan contou, com sua vozinha infantil, tudo o que havia acontecido no jogo.

As expressões dos planejadores do jogo mudaram instantaneamente, como uma paleta de cores, enquanto todos olhavam para Nuan Nuan com sentimentos complicados.

Gu Nan também ficou visivelmente surpreso.

Ele sabia que aquela masmorra era uma masmorra oculta de alto nível. Originalmente, ela só seria aberta quando a maioria dos jogadores alcançasse o nível 60, mais para o final do jogo.

Ninguém imaginava que Nuan Nuan entraria nela por acidente e ainda sairia de lá ilesa, trazendo dois ovos.

Por um momento, ninguém no estúdio de Gu Nan soube o que dizer.

Nuan Nuan olhou para todos timidamente.

— Tem... alguma coisa errada?

Gu Nan permaneceu bastante calmo.

— Não.

Todos: "…………"

Chefe, tente dizer isso de novo... mas com a consciência tranquila.

Gu Mingli olhou para Gu Nan sem palavras.

— Irmão, você colocou algum atributo estranho nos dados da Nuan Nuan dentro do jogo?

Gu Nan respondeu calmamente:

— Não. Apenas transportei a realidade para o jogo. A afinidade da Nuan Nuan com os animais é de 100%. Ela teve sorte por conseguir entrar naquela masmorra e obter aqueles itens.

Gu Mingli levantou silenciosamente o polegar para Gu Nan.

Muito bom.

Mas... pensando bem, não havia nada de estranho nisso.

A afinidade da irmã deles com os animais também era de 100% na vida real.

Nuan Nuan só podia jogar por duas horas por dia, por causa do sistema antidependência do jogo holográfico.

Então ela entregou os dois ovos ao quarto irmão e decidiu esperar até o dia seguinte para vê-los novamente.

— Os ovos precisam ser incubados por três dias e devem ser colocados em uma incubadora especial para mascotes.

Antes de sair, Gu Mingli verificou as condições para a incubação dos ovos.

Ele nunca tinha ouvido falar de alguém que possuísse um mascote ou um ovo de mascote.

Mas sua irmã, que havia entrado no jogo fazia apenas um dia, já tinha conseguido dois.

— Preciso chegar ao nível 30 para comprar uma incubadora. Agora estou no nível 27. Nuan Nuan, fique brincando aqui. Vou subir de nível e comprar uma incubadora.

Nuan Nuan assentiu obedientemente.

Depois que seu quarto irmão saiu, seu irmão mais velho a levou para seu escritório.

Ela tirou do bolso um pirulito sabor uva e o colocou na boca.

Nuan Nuan sentou-se obedientemente no sofá, abraçando uma almofada macia em forma de coelhinho de orelhas caídas.

Desde que Nuan Nuan começou a levar almoço para Gu Nan, o estilo originalmente frio e austero de seu escritório havia mudado de maneira quase imperceptível.

Por exemplo, havia o bichinho de pelúcia que Nuan Nuan abraçava.

Também havia um pequeno refrigerador cheio de leite e várias frutas.

Naturalmente, as frutas eram trocadas todos os dias para estarem sempre frescas.

Havia ainda um micro-ondas e uma estufa de temperatura constante.

Na sala de descanso, existia um par de pantufas felpudas cor-de-rosa, bem femininas.

No guarda-roupa, além das roupas de Gu Nan organizadas cuidadosamente, também havia diversas roupinhas coloridas pertencentes à Nuan Nuan.

Na varanda, vários vasinhos de suculentas fofinhas decoravam o ambiente.

Até mesmo sobre sua mesa havia um pequeno cacto com uma bolinha rosa redonda no topo.

Todas aquelas pequenas suculentas eram cuidadas por Nuan Nuan.

Resumindo, o escritório agora possuía vários sinais de vida completamente diferentes do ambiente frio e monótono de antes.

E o dono daquele escritório não demonstrava nenhuma oposição a essas mudanças.

Gu Nan trouxe um copo de leite quente para Nuan Nuan.

A garotinha o segurou com as duas mãos e bebeu em pequenos goles.

Enquanto isso, sua cabecinha fofinha foi acariciada.

— Quer tirar um cochilo?

Depois de terminar o leite, a pequena Nuan Nuan bocejou bem na hora certa, esfregou os olhos com o dorso da mão e assentiu.

— Quero.

Ela realmente estava com um pouco de sono.

Gu Nan agachou-se, tirou os sapatinhos da irmã e os guardou.

Depois a pegou nos braços.

Nuan Nuan abraçou o pescoço do irmão mais velho e se aninhou confortavelmente contra ele.

Sua cabecinha esfregava suavemente o pescoço dele.

O pequeno queixo pontudo e carnudinho repousava sobre seus ombros largos.

Seus olhos brilhantes foram se fechando lentamente.

Ela se sentia extremamente segura.

Os cantos da boca de Gu Nan se curvaram levemente.

Ele a colocou cuidadosamente na cama para descansar e depois saiu para continuar trabalhando.

Nuan Nuan era muito comportada.

Sempre que vinha visitá-lo, praticamente nunca o atrapalhava enquanto ele trabalhava.

Na maior parte do tempo, apenas fazia companhia silenciosamente no escritório, lendo livros ou mexendo no celular.

Ela era realmente muito fácil de cuidar.

Quando Gu Mingli voltou depois de subir de nível, Nuan Nuan ainda estava dormindo.

Ele não quis acordá-la.

Sem ter nada para fazer, sentou-se largado no sofá, meio reclinado como um chefe de bandidos, completamente sem postura.

Segurava um cigarro que ninguém sabia de onde tinha tirado.

Entre os dedos longos, girava distraidamente um isqueiro preto.

Gu Nan entrou, franziu a testa ao ver o cigarro em sua boca, aproximou-se, puxou-o para fora e o jogou na lixeira.

Disse friamente:

— Você não pode fumar agora.

Gu Mingli espreguiçou-se.

— Eu sei. Só estou segurando na boca por diversão.

Na família Gu havia uma regra: ninguém podia fumar antes de entrar na faculdade.

Como era um valentão da escola, Gu Mingli já tinha visto muitas pessoas fumando nos banheiros da escola, e também conhecia muita gente que fumava.

Mas ele nunca havia fumado.

Mesmo quando alguém lhe oferecia um cigarro, ele apenas o colocava na boca para fazer pose.

E se alguém ousasse comentar alguma coisa diante dele, acabava sendo obrigado a fumar até quase morrer.

— Irmão.

Nuan Nuan acordou.

Os dois irmãos caminharam até ela.

— Vou levar você para comer.

Faltavam apenas vinte minutos para o expediente terminar.

Gu Nan decidiu sair mais cedo naquele dia para levar Nuan Nuan para jantar.

— Tem alguma coisa que você queira comer?

Depois de perguntar à irmã, ele olhou para Gu Mingli.

— Pergunte ao Bai Mohua e ao Gu Mingyu se eles querem vir também.

Gu Mingli respondeu:

— Tá.

Então abaixou a cabeça para enviar mensagens.

Nuan Nuan respondeu à pergunta do irmão mais velho com sua vozinha infantil:

— A Nuan Nuan não é exigente com comida. Eu como de tudo.

Gu Nan apertou delicadamente seu narizinho e sorriu de leve.

Gu Mingyu respondeu à mensagem rapidamente.

Estrela Venenosa: Onde vamos comer? Resolveu nos pagar um jantar de repente?

Ao ver a resposta do irmão, Gu Mingli sentiu imediatamente vontade de fazer alguma provocação.

Então respondeu de propósito.

Gu Mingyu estava acariciando um gato preguiçosamente quando pegou o celular e olhou para o contato salvo como "Irmãozinho Idiota".

Irmãozinho Idiota: Irmão mais velho, por favor!

Estrela Venenosa: Ah, então era isso. Espera por mim, já estou indo.

Quanto ao Bai Mohua, ele já havia descido as escadas, mas ainda não tinha respondido à mensagem.

Então Gu Mingli precisou ligar para ele.

— O quê?

Com uma expressão inexpressiva e voz monótona, Gu Mingli perguntou:

— O que você está fazendo? Por que não olha as mensagens?

Bai Mohua olhou para o nome salvo: "Casco de Porco".

Ah...

Então era o Gu Mingli.

— Eu estava desenhando e não vi. Deixa eu olhar agora.

Assim que terminou de falar, ouviu o som da ligação sendo encerrada.

O rosto de Gu Mingli escureceu.

Os cinco dedos que seguravam o celular apertaram o aparelho com força.

— Burro demais!

Por que não perguntou logo durante a ligação?

Precisava desligar para ir ler a mensagem?

Não era um idiota?

Pequeno Idiota: Eu vi.

Pequeno Idiota: Onde vamos comer? Você vai pagar?

Bai Mohua olhava para o celular enquanto murmurava:

— Desde quando você ficou tão generoso?

O celular vibrou.

Gu Mingli enviou outra mensagem.

Casco de Porco: Irmão mais velho, você é burro? Podia ter perguntado isso durante a ligação! Precisava desligar para ir olhar a mensagem?

Pequeno Idiota: Mas não foi você quem mandou eu conferir a mensagem? Por que agora está colocando a culpa em mim?

Só de ler aquela mensagem, dava para sentir o quanto ele parecia injustiçado!


149
Gu Mingli e Bai Mohua estavam trocando mensagens no celular como duas crianças. Só quando já estavam quase chegando ao restaurante se lembraram de perguntar.

Pequeno idiota: A propósito, qual é o endereço?

Gu Mingli: "…………"

Ele estava tão concentrado em xingar o outro que esqueceu de passar o endereço. Rapidamente enviou a localização, mas logo recebeu outra mensagem.

Pequeno idiota: Não precisa mandar. Seu irmão veio me buscar.

Gu Mingli respirou fundo para não soltar um palavrão. Se Bai Mohua estivesse ali naquele momento, ele provavelmente levantaria o dedo do meio para ele como sinal de "respeito".

Quando os dois chegaram, os pratos já haviam sido pedidos.

Gu Mingli revirou os olhos para os dois que estavam na porta e, no instante seguinte, levou um tapa na cabeça de Gu Mingyu.

— Tem remela no olho? Por que está revirando os olhos desse jeito?

Gu Mingli não conseguiu evitar levantar o punho para o próprio irmão.

Gu Mingyu correu para perto de Gu Nan.

— Não enlouquece. O irmão mais velho vai ficar bravo.

Mesmo assim... ele ainda levou um chute.

Gu Mingyu estalou a língua.

— Você sabe quanto custa esse conjunto de roupas do seu irmão? Me indeniza!

Gu Mingli fingiu que não ouviu e voltou a se sentar com uma expressão emburrada.

Bai Mohua ficou encarando seu rosto.

O garoto lançou um olhar irritado para ele.

— O que está olhando?!

Bai Mohua sorriu. Seu sorriso era limpo e radiante.

— Estou feliz em ver você irritado.

Gu Mingli: "…………"

Ele agarrou a própria cabeça e começou a puxar os cabelos.

— Nuan Nuan, você sentiu saudades do seu terceiro irmão depois de tanto tempo sem me ver?

Gu Mingyu virou-se, pegou a irmãzinha no colo e esfregou seu belo rosto no rostinho macio dela até que as bochechas fofinhas de Nuan Nuan ficassem achatadas.

A garotinha tentou empurrar o rosto do terceiro irmão com as mãozinhas.

— Terceiro irmão, eu vi você ontem.

Gu Mingyu continuou abraçando Nuan Nuan de propósito, esfregando seu rostinho macio de um lado para o outro.

— Não parece que faz muito tempo desde a última vez que me viu? Seu terceiro irmão é tão bonito que, mesmo que passe só uma hora, parece que faz uma eternidade, não é?

Enquanto falava, apertou a bochecha dela sorrindo.

O que Nuan Nuan podia fazer? Claro que só podia concordar obedientemente.

Sentada no colo do terceiro irmão, ela assentiu com a cabecinha e respondeu com sua voz suave:

— Sim, senti saudades do terceiro irmão.

No final, acrescentou com uma expressão muito séria:

— Senti muita saudade.

Só então Gu Mingyu ficou satisfeito.

Quando a comida chegou, ele quase não comeu. Passou o tempo todo alimentando Nuan Nuan.

As bochechas da menina ficaram redondinhas de tanto comer. Seus grandes olhos úmidos o observavam com preocupação.

— Terceiro irmão, você está comendo tão pouquinho.

Gu Mingyu ergueu os cantos da boca. Seu sorriso tinha um ar inexplicavelmente malicioso. Os olhos amendoados pareciam ainda mais encantadores, e ele parecia irradiar luz.

— Claro que eu não como só isso. Quando voltar para casa ainda tenho uma refeição preparada pela nutricionista.

Depois de dizer isso, suspirou enquanto olhava para os pratos deliciosos sobre a mesa. A saliva quase escorria, mas ele se controlou com uma força de vontade extraordinária.

— O terceiro irmão não pode comer. Então, Nuan Nuan, você precisa comer um pouco mais por mim.

A pequena Nuan Nuan olhou para Gu Mingyu com simpatia. Ela já tinha visto a refeição preparada pela nutricionista e até experimentado uma vez. O gosto era aceitável, mas... só tinha verduras verdes, sem um pedacinho sequer de carne!

— Terceiro irmão, você trabalha muito duro.

Ela deu um tapinha no ombro dele. Seu rostinho estava cheio de compaixão, parecendo uma pequena adulta.

Ninguém levou aquilo a sério. Todos apenas acharam a cena inexplicavelmente engraçada e fofa.

Gu Mingyu cutucou a bochechinha dela.

Depois do jantar, quando voltaram para casa, Gu An descobriu que todos tinham saído para comer sem chamá-lo. Nem era preciso dizer que ele fez outro escândalo digno de "Nezha causando confusão". No fim, Gu Nan o agarrou pelo colarinho, como se fosse um pintinho, e o jogou friamente dentro do quarto.

Nuan Nuan colocou discretamente a cabecinha peluda para dentro da porta e então tirou uma caixinha escondida atrás das costas.

— Irmãozinho, a Nuan Nuan trouxe outro bolinho para você. Esse bolo é muito gostoso.

Ela olhou para Gu An com expectativa. Antes, ele tinha mudado de humor tão depressa que ela nem tivera tempo de tirar o bolo da bolsa.

Quando todos saíram para comer, Gu An ainda não havia voltado porque estava na aula de taekwondo, curso no qual ele mesmo havia se matriculado.

Era o fim do aniversário de Nuan Nuan. Depois da série de acontecimentos causada por Gu Wan, Gu An jurou que protegeria Nuan Nuan. Porém, acabou sendo desencorajado por Gu Mingli e pelos outros. Desde então, decidiu se esforçar para ficar mais forte desde pequeno e superar os irmãos, para que um dia fosse o mais qualificado para proteger a irmã.

Gu An olhou para o pequeno bolo que Nuan Nuan tirou da caixa, e a irritação em seu coração diminuiu um pouco. Ergueu o queixo com orgulho.

— Como se eu precisasse desse pouquinho de comida... Mas já que você trouxe para mim, não vou fazer escândalo.

Enquanto falava, abriu a caixinha. Era seu sabor favorito: manga.

O último resquício de insatisfação desapareceu completamente.

— Hmph! Você é a única que ainda se lembra de mim.

Nuan Nuan sentou-se ao lado dele, balançando as perninhas curtas, e sorriu com os olhos curvados. Seus olhos em forma de meia-lua pareciam cheios de estrelinhas cintilantes.

— O irmão mais velho e os outros também lembraram de você. Nós escolhemos o bolo juntos, e foi o irmão mais velho quem pagou.

Gu An não acreditou. Pegou uma colherzinha, tirou um pedaço do bolo e levou até a boca dela.

— Não diga que sou mesquinho. Vou dividir um pouco com você.

Nuan Nuan assentiu obedientemente com os olhos brilhando. Apoiou as mãozinhas nos joelhos, inclinou-se para frente, abriu a boca e comeu o pedaço inteiro de uma vez, exibindo uma expressão de pura felicidade.

— Que delícia!

Gu An ficou feliz, mas tentou conter os cantos da boca para não demonstrar.

— É tão gostoso assim?

Nuan Nuan balançou a cabecinha. Sua boquinha era doce como mel.

— Porque foi o irmãozinho quem me deu. Fica ainda mais gostoso.

Dessa vez, Gu An não conseguiu mais esconder o sorriso. Seu rostinho infantil se abriu como um girassol.

No fim, os dois dividiram o bolinho inteiro, e toda a infelicidade de Gu An desapareceu.

Ele até exibiu para a irmã alguns movimentos que aprendera naquele dia no clube de taekwondo, parecendo um pequeno galo orgulhoso.

Nuan Nuan bateu palmas até ficarem vermelhas. Seus olhos claros estavam cheios de admiração. Seu rostinho praticamente dizia: "Meu irmão é o melhor!"

Naturalmente, Gu An ficou tão orgulhoso que parecia que seu rabo ia alcançar o céu.

— Quando você começar a estudar, eu garanto que ninguém vai se atrever a fazer bullying com você.

Nuan Nuan assentiu.

— Sim, meu irmãozinho é o melhor.

Quando saiu do quarto e encontrou Gu Mingli, estufou o peito e lançou um olhar de desprezo para cima.

Gu Mingli tomou um gole de refrigerante e olhou para ele como se estivesse vendo um bobo.

— Está vesgo?

Gu An: "(▼皿▼#)"

— Gu Mingli, eu quero duelar com você!!!

Como esperado, Gu An, que estava nas nuvens, foi rapidamente trazido de volta à realidade por Gu Mingli. Ele acabou estendido no chão, gritando de má vontade:

— Espera só! Mais cedo ou mais tarde eu vou superar você!

Gu Mingli respondeu com desdém:

— Você está pedindo uma surra.

Gu An retrucou:

— Não menospreze um jovem pobre! Trinta anos em Hedong, trinta anos em Hexi![1]

Gu Mingli sorriu para ele.

— Desculpe, mas eu gosto justamente de implicar com você enquanto ainda é pobre. Qual seria a graça de fazer isso quando você crescer? Trinta anos significa que ainda faltam mais de vinte. Aguente firme.

Depois de falar, fez uma pausa e estreitou os olhos para Gu An.

— Você andou lendo romances durante a aula?

Gu An lançou um olhar culpado para ele. Depois endureceu o pescoço e respondeu em voz alta:

— Não! Claro que não!

— Então de onde saiu esse discurso tão chuunibyou?

— O chuunibyou é você! É você quem tem aura de protagonista!

— Olha bem para você. Você acha mesmo que tem aura de protagonista?

— Eu tenho a aura de um homem de dois metros e oitenta!

Gu Mingli caiu na risada.

— Você nem chegou a um metro e meio e já está sonhando com dois metros e oitenta? Hmph... Será que esse seu eu invisível de dois metros e oitenta resolveu escalar o Monte Everest?

Gu An pensou: ele não consegue vencê-lo na luta, nem discutir com ele. Que raiva!


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[1] Expressão chinesa que significa que as circunstâncias mudam com o tempo; quem hoje está por baixo pode estar por cima no futuro.

[2] Chuunibyou é um termo japonês usado para descrever adolescentes que têm delírios de grandeza, acreditam possuir poderes secretos ou conhecimentos especiais e gostam de agir como protagonistas de uma história.



150 

— Irmão, você precisa estudar.

Quando Gu Mingli estava jogando videogame, a pequena Nuan Nuan correu até ele carregando seus livros e o olhou cheia de expectativa.

Gu Mingli: "…………"

O que ele poderia fazer com uma irmã que vivia insistindo para ele estudar? Claro que só lhe restava estudar.

Nuan Nuan também pegou seus livros e sentou-se ao lado dele para estudar. Ah, isso sem contar Gu An.

Nuan Nuan realmente se preocupava com os dois irmãos. Os três estudavam juntos e supervisionavam uns aos outros. Na verdade, quem mais supervisionava eram os irmãos pela irmã, principalmente porque aqueles dois não eram nem um pouco disciplinados.

Mas o resultado foi muito bom. Por causa disso, o pai Gu até contratou um professor particular.

O professor era um jovem gentil que ainda estava na faculdade e trabalhava como tutor nas horas vagas.

Se fosse antigamente, Gu Mingli e Gu An teriam conseguido expulsar o tutor em menos de um dia. Mas agora... com a irmã observando os dois o tempo todo, só lhes restava mergulhar no oceano dos estudos com expressões de puro sofrimento.

Depois de um dia inteiro estudando, Gu Mingli sentiu que estava completamente acabado. Sua cabeça estava cheia de todo tipo de conhecimento confuso.

Gu An também sentia que estava prestes a desmaiar. Os dois deitaram na cama e suspiraram ao mesmo tempo.

Nuan Nuan ficou um pouco aflita ao vê-los daquele jeito e correu escada abaixo para preparar um suco para os irmãos.

— Quarto irmão, irmãozinho, vocês trabalharam duro.

A garotinha era muito atenciosa.

Os dois se sentaram e, ao verem a irmãzinha macia trazendo suco para eles, sentiram que todo aquele esforço já não parecia tão pesado.

Ainda assim, olhando para Nuan Nuan cheia de energia, ambos a admiravam.

— Você não está nem um pouco cansada?

Nuan Nuan piscou inocentemente.

— Não. Só fico sentada lendo, não é cansativo.

Os dois, que estavam completamente exaustos: "…………"

Gu An: "……Por que parece que eu sou o único aluno ruim da nossa família?"

O irmão mais velho e o segundo irmão haviam se formado em universidades renomadas e ainda tinham sido os primeiros colocados no vestibular. Nem era preciso mencionar como eram excelentes nos estudos. Além disso, ambos conheciam muito bem a memória extraordinária de Nuan Nuan, praticamente igual a uma memória fotográfica.

Então... parecia que o único aluno fraco da família era ele?

Nuan Nuan o consolou com delicadeza:

— Irmãozinho não gosta de estudar, mas hoje você estudou muito bem.

Gu An imediatamente ficou todo satisfeito com o elogio.

— Tchau, irmãos. Vou praticar piano.

Nuan Nuan despediu-se dos dois irmãos. Já era hora de praticar piano e, depois disso, ainda teria aula de pintura.

Quase o dia inteiro dela era ocupado aprendendo coisas novas.

Se fosse outra criança, provavelmente já teria perdido a paciência há muito tempo. Mas Nuan Nuan gostava disso. Mesmo vendo Gu Mingli e Gu An sofrendo e ficando arrepiados só de pensar em estudar, ela ainda não queria deixá-los parar.

Os dias passaram rapidamente, e logo chegou a época da reunião esportiva da escola de Gu Mingli.

— Nuan Nuan, venha comigo para a escola amanhã. Durante os dias da competição esportiva você pode voltar comigo todos os dias. Vou te levar para assistir. Não fique enterrada nos estudos o tempo todo, ou vai acabar virando uma nerd.

Nuan Nuan perguntou baixinho:

— O terceiro irmão e o primo também vão?

Gu Mingyu sorriu de canto e passou a mão nos cabelos fofinhos da menina.

— Eu não vou. Nestes dias preciso viajar para outras cidades para divulgar um filme.

Nuan Nuan apoiou os bracinhos sobre as pernas do terceiro irmão e encostou-se nele. Levantou o rostinho delicado e perguntou curiosa:

— Que filme é esse? O terceiro irmão vai ficar muito tempo fora? Então a Nuan Nuan vai passar muito tempo sem ver o terceiro irmão?

Desde que o segundo irmão havia ido embora, ela só tinha conseguido falar com ele uma única vez. Sentia muita saudade.

— Bem... não vai demorar muito. Se sentir saudades, pode me ligar a qualquer momento. Quem sabe você até me veja na televisão.

Ao descobrir que poderia ligar para o terceiro irmão, a pequena Nuan Nuan sorriu de lábios fechados.

— Primo, você quer ir?

Bai Mohua lançou um olhar para Gu Mingli.

Gu Mingli estava largado preguiçosamente no sofá.

— Por que está olhando para mim?

Bai Mohua respondeu:

— Quero ver se você me recebe bem.

Gu Mingli deu de ombros.

— Se quiser vir, venha.

Nuan Nuan olhou para o primo cheia de expectativa. O que ela queria que ele respondesse praticamente estava escrito em seu rostinho.

"Vai... vai..."

Bai Mohua abriu um grande sorriso.

— Se a Nuan Nuan for, eu vou.

Quanto a Gu An, ele ainda precisava ir para a escola.

Gu An: "…………"

Ele sentiu que havia sido abandonado pelo mundo inteiro.

Quando chegou a época da reunião esportiva da Escola Secundária de Nancheng, os morangos plantados por Nuan Nuan finalmente amadureceram e estavam prontos para serem colhidos.

Como no dia anterior era domingo, toda a família Gu foi até a casa de Gu Nan para colher morangos.

— Uau! Esse é enorme!

Gu Mingli comparou um morango com a palma da mão e percebeu que ela nem conseguia cobri-lo inteiro.

Todos aqueles morangos haviam crescido muito bem. Eles mesmos os cultivaram, e olhar para aquele jardim cheio de morangos lhe dava uma enorme sensação de realização.

Além disso, durante o cultivo não haviam usado pesticidas nem fertilizantes prejudiciais à saúde, tornando-os completamente seguros para consumo.

Nuan Nuan estava agachada no chão com uma cestinha ao lado.

Dois gatinhos ainda jovens miavam enquanto se esfregavam em seus pezinhos.

Eles inclinaram a cabeça curiosamente para olhar os morangos vermelhos diante dela. O gatinho branco chegou até a esticar a patinha para tentar colher um.

Então Nuan Nuan colheu os morangos, colocou-os na cesta e, em seguida, colocou os dois gatinhos lá dentro também.

Os dois felinos praticamente encheram a cesta, principalmente porque tinham pelos muito longos.

— Comam.

Enquanto acariciava seus pelos macios e compridos, Nuan Nuan colheu outro morango. Como estava limpinho, nem precisou lavar. Ela simplesmente colocou o morango na boca e deu uma mordida.

Instantaneamente, o intenso aroma do morango explodiu em sua boca. A polpa doce e extremamente suculenta tinha uma acidez na medida certa, predominando uma doçura refrescante com o sabor característico da fruta.

Estava tão delicioso que os olhos de Nuan Nuan brilharam imediatamente, transformando-se em lindas meias-luas de felicidade.

— É muito mais gostoso do que os morangos comprados no mercado!

Gu An terminou um morango em poucas mordidas e imediatamente pegou outro. Sua boca estava completamente cheia.

— Hahaha... Você realmente é digna de ser minha filha! Tudo o que faz sai perfeito!

Gu Linmo riu alto, pegou Nuan Nuan no colo e deu dois beijos em seu rostinho macio.

O rostinho de Nuan Nuan ficou vermelho.

— Meus irmãos também ajudaram.

Gu Nan aproximou-se e afagou sua cabeça.

— Está delicioso.

Gu Mingli ergueu as sobrancelhas e sorriu orgulhoso.

— Nós praticamente não fizemos nada. Só viemos arrancar umas ervas daninhas de vez em quando. Todo o mérito é da nossa irmãzinha.

Para falar a verdade, antes de as verduras e os morangos crescerem, ninguém imaginava que ficariam tão bonitos e com um sabor tão bom.

Eles já haviam experimentado alguns dos vegetais, e era preciso admitir que eram muito mais saborosos do que os comprados no mercado. Até o velho senhor Gu passou a comer muito mais.

— Colham primeiro os que já estão maduros e comam. Amanhã eles estarão ainda mais vermelhos.

Todos começaram a trabalhar.

Os vários animais da casa também pareciam adorar aqueles morangos. Comiam felizes no jardim e, felizmente, nada era desperdiçado.

O quintal da casa de Gu Nan era bastante grande e ainda incluía um pequeno bosque. Por isso, quando Nuan Nuan plantou os morangos, fez uma plantação enorme.

Só na primeira colheita, eles encheram cinco caixas inteiras de morangos.

Havia morangos de sobra para toda a família. Embora ainda pudessem ser consumidos no dia seguinte, já não estariam tão frescos, e como mais morangos amadureceriam no outro dia, não havia motivo para guardar tantos.

Assim, além de separar uma parte para a família, todos decidiram distribuir o restante.

Então...

O vovô Gu levou dois grandes cestos de morangos para presentear seus companheiros de xadrez.

O pai Gu também levou uma boa quantidade para a empresa.

A mãe Gu convidou suas amigas para um chá da tarde em casa.

E Gu Nan colocou várias caixas no carro para levar ao trabalho.

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