Capítulo 139


 Capítulo 139


Su Yinyue chegou rapidamente. Ela levantou a aba da tenda e pisou delicadamente sobre o tapete ornamentado, tossindo suavemente atrás de seu lenço.


— Primo — ela cumprimentou com delicadeza.


Ye Zhongyu foi visivelmente mais gentil com Su Yinyue. Ao contrário de sua atitude com Yun Menghan anteriormente, ele gesticulou imediatamente para que ela se sentasse, com o tom caloroso:


— Como tem estado a sua saúde ultimamente? Você é imprudente demais; sabe que as linhas de frente são duras e perigosas. As condições não são nada parecidas com a Cidade de Hao Cang. Você deveria ter permanecido no palácio para se recuperar. Por que vir ao campo de batalha?


O rosto dela estava pálido como porcelana, quase sem sangue.


— Eu queria estar mais perto de você — disse ela.


Ye Zhongyu suspirou, sabendo que nunca conseguiria dissuadi-la. Desde a infância, nada do que ele dissesse mudava a decisão de Su Yinyue. Ele cedeu.


— Eu desisto. Está bem, designarei mais guardas para cuidar de você. Certifique-se de se cuidar. Não deixe que a areia e o vento arruínem sua saúde.


— Obrigada, primo.


Ela tocou os lábios com o lenço e perguntou baixinho: 


— Você me chamou tão tarde... havia algo que queria dizer?


Ye Zhongyu hesitou brevemente, mas logo falou calmamente:


— Eu estava preocupado com sua saúde. Mas sim, há outra coisa.


Ela aguardou em silêncio para que ele continuasse. Ele uniu as pontas dos dedos e disse:


— Estou pensando em dispensar o harém.


Os olhos de Su Yinyue se elevaram rapidamente. Ela lançou-lhe um olhar, com uma expressão indecifrável.


— Seu harém inclui algumas das mulheres mais bonitas do mundo. Não é fácil reunir raridades tão belas. Por que descartá-las todas de repente?


Ye Zhongyu suspirou com algo que parecia melancolia.


— De todas as águas do mundo, só quero beber de uma única concha.


— Falei com Yun Menghan agora pouco, de coração aberto, e percebi o quanto a mal-compreendi durante todos esses anos. Supúnhamos ser os amantes mais verdadeiros. No entanto, embora sejamos casados, vivemos como estranhos. Isso não deveria ser assim. Já perdi um filho. Não posso perdê-la também.


— Por isso, decidi dispensar o harém e me dedicar apenas a ela. Sem essas outras mulheres no caminho, talvez... talvez nosso amor possa ser restaurado.


O silêncio caiu. A voz de Su Yinyue baixou.


— E quanto a mim? Primo, desisti de tudo por você. Se você dispensar as outras por ela, então o que eu deveria ser?


O olhar de Ye Zhongyu encheu-se de culpa. 


— Yinyue, devo-lhe uma dívida de uma vida inteira. Na próxima vida... eu escolherei amar você.


Ela riu, baixo no início, depois de forma selvagem e quebrada. Sua palidez tornou-se cadavérica. O som de sua risada ecoou como algo que se desfazia.


— Então, na próxima vida, você me amará. Isso significa que você nunca me amou nesta, não é?


Ye Zhongyu olhou para baixo. 


— ...Sinto muito.


— Por quê? — ela exigiu. — O que ela tem que eu não tenho? Por que você a ama e não a mim?


— Eu gostaria de poder ser justo com ambas. Mas não posso. — Ele soava genuinamente angustiado. — Quando ela veio a mim... ela estava tão frágil, tão só. Apenas pele e osso. Ela me contou que dormia sozinha em sua tenda, com medo do escuro, sem ninguém para responder aos seus choros. Ela ficava acordada noite após noite, com medo demais para dormir. Como eu poderia abandoná-la quando ela precisa tanto de mim?


Su Yinyue compreendeu a situação. Então Yun Menghan estivera vivendo sozinha. Seus servos eram tão poucos que nem conseguiam ouvir seus lamentos à noite. Su Yinyue tossiu no lenço — de forma áspera, violenta, como se estivesse arrancando os próprios pulmões.


Ye Zhongyu deu um passo à frente, preocupado. 


— Yinyue…


— Estou bem. — Ela se levantou, oscilando levemente, e fez uma reverência. — Está tarde. Você deve descansar, primo. Não importa o que aconteça... eu sempre estarei ao seu lado.


Ye Zhongyu suavizou-se.


— Não se preocupe. Você sempre será diferente das outras. Mesmo sem o nosso vínculo matrimonial, você ainda é minha prima. Terá o palácio para descansar pelo tempo que precisar.


Su Yinyue sorriu. 


— Obrigada, primo.


Enquanto ela se virava para sair, sua estrutura delgada formou uma silhueta contra a aba preta da tenda, que ostentava o brasão retorcido e monstruoso do clã demoníaco. Seu corpo frágil, emoldurado pelas feras demoníacas atrás dela, criava uma imagem estranha e opressora.


O coração de Ye Zhongyu tensionou-se. 


— Yinyue? O que foi?


Ela inclinou a cabeça levemente. Do ângulo dele, ele só conseguia ver a curva de seu maxilar e o menor dos sorrisos em seus lábios.


— Diga-me, primo... eu alguma vez recusei algo a você?


Um calafrio percorreu Ye Zhongyu. 


— Do que você está falando?


— Posso ser mais jovem que você, mas a doença me fez crescer rápido. Sempre observei você atentamente. O que quer que você queira, o que quer que você precise, como eu poderia não saber?


Ela partiu sem esperar por uma resposta. Su Yinyue sempre amara seu primo. Ela nunca lhe negara nada.


Então agora, se ele queria alguém morto, ela mataria Yun Menghan por ele. Ela estava disposta a ser sua lâmina. Apenas não se ele planejasse deixá-la para trás. Ela tolerara tudo: seus casos, suas amantes, seu descaso. Mas a única coisa que ela não podia suportar era que ele fosse fiel a outra mulher.


Ye Zhongyu sabia exatamente o que estava fazendo quando proferiu aquelas palavras, cada linha destinada a provocá-la. E Su Yinyue? Ela também sabia disso.


Um sorriso suave e indulgente curvou seus lábios. Seu primo, ele ainda era o mesmo menino de muito tempo atrás, aquele que fingia estar doente apenas para roubar algo de Ling Qingxiao.


Su Yinyue entrou na residência de Yun Menghan sem encontrar a menor resistência. Nem um único guarda estava do lado de fora.


Ela sorriu levemente. Seu primo abrira o caminho para ela, preparara tudo. Tudo o que ela precisava fazer era interpretar a vilã.


E como ela poderia suportar decepcioná-lo?


Yun Menghan estava sentada no quarto interno, olhando silenciosamente através de uma caixa de lembranças, objetos simbólicos do passado dela e de Ye Zhongyu. Ao ouvir um movimento, ela levantou os olhos, esperando Ye Zhongyu. O que ela viu, porém, a deixou atordoada.


— Su Yinyue? — ela deixou escapar, levantando-se de um salto. — Por que você está aqui?


— Irmã Yun — cumprimentou Su Yinyue com um sorriso tênue e indecifrável. — Faz tempo.


Yun Menghan não tinha a menor intenção de perder tempo com conversa fiada. Su Yinyue, com sua figura frágil e maneiras gentis, podia enganar os outros, mas Yun Menghan sabia a verdade. Aquela mulher era um demônio envolto em seda.


Sua expressão tornou-se fria. 


— Meu espaço é pequeno e humilde — disse Yun Menghan sem rodeios. — Não pode receber convidadas nobres como você. Alguém, acompanhe a senhora para fora.


Ela chamou várias vezes. Ninguém respondeu. Um sentimento de afundamento tomou conta de seu coração.


Su Yinyue passeou pelo local e, sem ser convidada, pegou a caixa de lembranças. A fúria de Yun Menghan explodiu.


— Su Yinyue, você é a concubina, eu sou a esposa. Por favor, respeite sua posição e não ultrapasse os limites.


Su Yinyue murmurou suavemente: 


— Ultrapassar...?


Ela inclinou a cabeça, então sorriu, e naquele sorriso havia crueldade. 


— Mas se você estiver morta, você não é mais a esposa.


Yun Menghan não teve tempo de reagir. Uma lâmina mergulhou em seu abdômen.


A dor a atravessou. Ela olhou para baixo em horror; a adaga estava enterrada profundamente em sua barriga, o sangue jorrando livremente sobre as mãos pálidas de Su Yinyue. Su Yinyue girou a lâmina. Sua expressão era quase de pena.


— É uma pena, realmente. Você tinha um caminho promissor à sua frente. Mas, infelizmente... você cobiçou algo que não deveria.


— Quem? — Yun Menghan ofegou entre os dentes cerrados. — Você está fazendo isso por quem? Ling Qingxiao?


Só poderia ser ele. Ele era aquele que ela não deveria ter ousado desejar. Mas o que Ling Qingxiao tinha a ver com Su Yinyue? Embora tecnicamente primos, eles se desprezavam. Não compartilhavam afeição alguma.


Su Yinyue riu amargamente. 


— Então, mesmo agora... neste momento... ele ainda é quem está em seu coração?


— Você compreendeu tudo errado. Ele está fora do alcance de ambas. Ele é o Imperador Celestial, puro, intocável. Você e eu... nós nem merecemos roçar a manga de suas vestes. Suas pequenas fantasias apodrecerão no escuro, esquecidas e invisíveis.


Algo dentro de Yun Menghan se quebrou. Com um repentino surto de força, ela empurrou Su Yinyue. Su Yinyue, pega de surpresa e já fraca pela doença, colidiu com a mesa, tossindo sangue com o impacto. Ofegante, tentou se levantar para atacar novamente.


— Como ousa me empurrar, sua miserável!


Segurando o ferimento, Yun Menghan cambaleou em direção à saída, gritando por socorro. Mas ninguém veio. O lado de fora permanecia estranhamente silencioso.


Ambas as mulheres, uma sangrando, a outra frágil, entraram novamente em uma luta feroz. Yun Menghan conseguiu tirar a adaga da mão de Su Yinyue, e o objeto tilintou no chão. Ela aproveitou a chance.


— Zhongyu! — ela gritou. — Ye Zhongyu, ajude-me!


Mesmo agora, mesmo em seu pior momento, ela ainda esperava que ele viesse. Su Yinyue sorriu. Era parte triunfo, parte zombaria, parte desprezo.


— Você nunca o entendeu. Você nunca o conheceu de verdade. Ele pertence a mim, apenas a mim.


Nesse momento, a terra tremeu violentamente sob elas. Nenhuma conseguia se manter de pé. Ambas caíram no chão novamente. Yun Menghan gritou quando a dor a dilacerou, seu ferimento ainda vertendo sangue. Ela permaneceu ali, ofegante, mal conseguindo se mover.


Su Yinyue não estava muito melhor. Quando o tremor cessou, o caos irrompeu do lado de fora. Passos troaram perto dali. O pânico rompeu o silêncio:


— Estamos sob ataque! Os imortais lançaram um assalto surpresa!


— Os imortais? — sussurrou Su Yinyue em descrença.


Ela tropeçou até a entrada e puxou a cortina. À distância, perto da tenda de comando principal, energia espiritual e força demoníaca colidiam em uma violenta tempestade de batalha. O sangue pintava os céus.


Seu rosto ficou mortalmente pálido. 


— Não... o primo está em perigo!



Depois que Su Yinyue partiu, Ye Zhongyu ficou cada vez mais inquieto. Ele não conseguia ficar parado, caminhando de um lado para o outro como uma besta enjaulada. Ele alcançou a aba da tenda várias vezes, apenas para parar.


Toda vez, um mapa mental dos Seis Reinos piscava diante de seus olhos. Ele permaneceu no limiar por um longo tempo antes de retirar a mão lentamente. Um grande governante não deve ser influenciado por sentimentos pessoais. É apenas uma mulher.


Assim que conquistasse os reinos, teria sua escolha de mulheres mais jovens, mais belas, mais obedientes. Se desejasse, poderia criar outra Yun Menghan do zero.


Um vento mais frio deslizou pelas frestas da tenda. O coração de Ye Zhongyu endureceu. Ele voltou ao seu assento, pegou o mapa de guerra e forçou-se a concentrar na estratégia militar, não no que poderia estar acontecendo na outra tenda.


Não muito tempo depois, passos rápidos troaram em sua direção. Do lado de fora, uma voz familiar chamou urgentemente:


— Lorde Demônio! Seu subordinado tem um relatório!


Ao ouvir aquela voz, Ye Zhongyu tensionou-se instantaneamente. Ele jogou o mapa sobre a mesa e caminhou rapidamente para a entrada. 


— Entre! — chamou ele com urgência.


Era Lei Da e os remanescentes dos jurados de morte, embora, de todo o esquadrão que havia partido, apenas quatro retornassem. Ye Zhongyu nem sequer perguntou pelos outros.


— O artefato divino, você o recuperou?


Lei Da deu um passo à frente e ofereceu uma caixa de madeira. Sangue manchava sua superfície, parte velho, parte recém-respingado. Ye Zhongyu não questionou o sangue. Ele pegou a caixa com urgência e abriu o fecho. Dentro estava um frasco delicado e radiante, brilhando com uma luz etérea. Ye Zhongyu pausou, incrédulo.


— Por que ele se parece... exatamente com a garrafa da Técnica Proibida Antiga?


Antes que pudesse pensar mais, Lei Da desabou de exaustão e morreu. Ye Zhongyu mal lhe lançou um olhar. Seu foco permanecia no objeto.


— Estava assim quando você o encontrou? Mais alguém tocou nele ao longo do caminho?


Lei Liu ajoelhou-se ao lado do corpo sem vida de Lei Da. À sua frente estava o Lorde Demônio, ainda obcecado pelo objeto. Engolindo o luto, Lei Liu respondeu:


— Ninguém tocou nele. O irmão mais velho guardou a caixa com a própria vida. Ele não dormiu. Não comeu. Ele mesmo vigiou o objeto durante todo o trajeto.


Lei Da forçara-se tanto que, literalmente, trabalhara até a morte ao chegar. Ye Zhongyu finalmente relaxou. Ele fechou a caixa e fez um gesto para que saíssem.


— Muito bem. Entendo. Podem ir.


Nem uma única vez ele perguntou sobre aqueles que não haviam retornado. Lei Liu e os outros carregaram silenciosamente o cadáver de Lei Da. Sozinho, Ye Zhongyu não conseguiu mais conter sua excitação. Ele tirou a garrafa proibida antiga e a colocou ao lado daquela da caixa.


Idênticas. Seria isso um truque? Ele infundiu a garrafa com energia demoníaca; nenhuma resposta. Ele tentou tudo o que pôde pensar. Ainda nada. Frustrado, recorreu ao seu último recurso.


— Sênior... você está aí?


A Alma Proibida não monitorava o exterior constantemente; ele precisava ser invocado. De dentro do Vaso de Jade Pura, uma forma espectral emergiu lentamente.


— O que é?


Ye Zhongyu segurou o artefato divino. 


— Este é o item de que o descendente de Nuwa falou. Mas tentei de tudo, ele não responde.


A Alma Proibida riu friamente. 


— Claro que não. Apenas lixo produzido em massa é "plug-and-play". Itens divinos são únicos. Cada um tem seu próprio encantamento.


Ye Zhongyu franziu a testa. 


— Então há uma frase-chave específica. Inútil ter a garrafa sem a chave... o que fazer agora?


A Alma Proibida flutuou para mais perto, observando-a com suspeita. 


— Estranho... por que parece exatamente com o Vaso de Jade Pura? Nunca ouvi falar de Nuwa possuindo algo semelhante.


Ele conhecera Nuwa por quase toda a sua vida. Entre os deuses antigos, nada permanecia segredo por muito tempo. Eles conheciam os poderes e tesouros uns dos outros, mesmo que apenas por rumores.


Se nem ele tinha ouvido falar disso... 


— Isso significa que Nuwa deve tê-lo criado depois que morri — murmurou a Alma Proibida, encarando fixamente os padrões que fluíam sobre a garrafa.


Sua expressão mudou subitamente. 


— Isso é ruim.


No exato momento, uma voz fria e familiar ecoou de fora da tenda: 


— Então é aqui que você está.


Ye Zhongyu girou nos calcanhares. As duas garrafas em sua mão congelaram de repente. O gelo cobriu-as, espalhando-se pelos seus braços como fogo selvagem. O frio era tão intenso que parecia que seus membros haviam ficado entorpecidos.


Ele tentou segurar o artefato com mais força, apenas para agarrar o ar. Ele havia desaparecido.


Ele sentiu uma ondulação no espaço; lá, e depois não mais ali. Uma rajada de vento frio irrompeu através da tenda, rasgando-a. De pé na névoa, vestido de branco e orvalhado por geada, estava Ling Qingxiao, irradiando uma presença fria e imponente.


Ye Zhongyu tentou gritar por socorro, mas o caos já havia irrompido no acampamento. Os soldados demoníacos estavam em pânico. Eles haviam sido emboscados.


Ling Qingxiao seguira o rastro de Lei Da. No momento em que Lei Da pensou que haviam chegado à segurança, ele, na verdade, levara Ling Qingxiao diretamente até eles. Enfurecido, Ye Zhongyu estilhaçou o gelo em seu braço com um surto de poder demoníaco e convocou sua arma.


Ele apontou para Ling Qingxiao, gritando: 


— O Reino Imortal clama por retidão, mas seu imperador recorre a ataques furtivos! Onde está o artefato?!


Antes que pudesse receber uma resposta, uma força sinistra explodiu da fenda espacial selada. Uma sombra maciça e grotesca emergiu.


— Você!


Era a Alma Proibida, e ao seu lado apareceu Luo Han.


Seres divinos não eram limitados pelo tempo e espaço. A Alma Proibida nunca esperara ser contida de fato. Luo Han sabia disso. Seu plano nunca fora prendê-lo por muito tempo.


Ela precisava apenas de uma coisa: tirar o Vaso Purificador de Calamidades das mãos de Ye Zhongyu. Agora, estando face a face novamente após incontáveis anos, a Alma Proibida contemplava aquela que causara sua morte e aprisionamento eterno.


Seu ódio explodiu. Ele descartou todas as pretensões, liberando totalmente seu poder. Névoa negra surgiu, murchando tudo o que tocava. Uma luz vermelha riscou o céu, estranha e retorcida. Agora que todos os seus inimigos haviam aparecido, a Alma Proibida não viu necessidade de se esconder.


Ele destruiria os Seis Reinos. Se ele tivesse que morrer, então todos morreriam com ele. Luo Han inclusive.


— Eu sou supremo sobre os Seis Reinos — declarou ele. — Se eu morrer, ninguém viverá.


Mas Luo Han estava preparada. A inimizade deles começara na era dos mitos; o certo e o errado não importavam mais. Apenas um deles sobreviveria a este confronto final. Ela convocou uma luz dourada radiante, formando selos divinos intrincados com os dedos. Cada gota de seu poder divino foi canalizada para o Vaso Purificador de Calamidades.


— Eu sou Luo Han, Dao Celestial. O Céu é impiedoso, ele pune o mal e recompensa o bem. Todos os seis reinos estão dentro de seu ciclo. Em nome do divino, que o julgamento caia. Aberto.


O Vaso Purificador de Calamidades começou a brilhar. Um feixe de luz dourada disparou para o céu, perfurando as nuvens, lado a lado com a estranha luz vermelha irradiando do Vaso de Jade Pura. As duas luzes colidiram no ar, competindo por domínio.


Luo Han controlava o Vaso Purificador de Calamidades, tentando atrair a Alma Proibida para dentro dele. Mas a Alma Proibida claramente sentiu o perigo da garrafa; não havia como ele se submeter voluntariamente.


Como um cabo de guerra divino, ambos os lados puxavam com tudo o que tinham. O resultado dependeria inteiramente de quem era mais forte.


O confronto entre Luo Han e a Alma Proibida foi tão avassalador que atraiu a atenção de todos os cantos do campo de batalha. Ye Zhongyu percebeu imediatamente: a garrafa na mão de Luo Han era fatal para a Alma Proibida.


Então este era o artefato divino de Nuwa? Não, era uma armadilha. Uma arma projetada especificamente para combater a magia proibida antiga. Enfurecido, Ye Zhongyu investiu contra Luo Han com sua lâmina. Mas foi interceptado no meio do golpe; gelo deteve seu ataque.


Ele se virou e viu Ling Qingxiao, geada rodopiando ao seu lado. A espada divina perdida há muito tempo fora convocada. Desde que ascendera a Imperador Celestial, Ling Qingxiao raramente desembainhara sua espada. As poucas vezes em que o fizera, sempre foi por sangue.


Apenas duas vezes antes: uma, quando cortou o túnel espaço-temporal pelo qual Luo Han tentara escapar. E agora, isto. A batalha explodiu.


Ling Qingxiao colidiu com Ye Zhongyu. Os soldados imortais e demoníacos abaixo deles começaram a lutar ferozmente, cada um protegendo seus próprios reis enquanto atacavam os do inimigo. A noite pacífica transformou-se em um banho de sangue infernal. Feitiços rugiam. Espadas voavam. Carne era despedaçada.


Yun Menghan tropeçou no campo de batalha em meio a tudo aquilo.

Postar um comentário

0 Comentários