Capítulo 14


 Capítulo 14


Quando Zhu Qing retornou ao dormitório da academia de polícia, já era muito tarde.


Seu pedido de alojamento estava pendente há muito tempo, e o trajeto diário de três horas a deixava exausta.


Agora, deitada no beliche de metal com a pintura desbotada e descascada, a luz fluorescente forte acima dela feria seus olhos, enquanto o velho ventilador ao lado zumbia ruidosamente.


As palavras do mordomo Cui ainda ecoavam em sua mente.


Pela janela, ela notou que a locadora de vídeo ao lado do portão lateral da academia de polícia ainda estava acesa.


Uma ideia passou por sua cabeça. Zhu Qing sentou-se abruptamente e apressou-se em direção à saída do campus.


Cerca de dez minutos depois, ela retornou segurando um DVD antigo alugado e bateu hesitante na porta da inspetora do dormitório.


— Posso pegar a TV emprestada?


A inspetora ajustou seus óculos de leitura, seu rosto abrindo-se em um sorriso gentil ao reconhecer Zhu Qing. — Ah, é você.


Aquela aluna tinha deixado uma impressão profunda.


Naquela época, ela havia batido vários recordes nos exames finais de graduação — alguns poderiam até chamá-la de uma lenda de sua turma.


A inspetora a convidou para entrar, abrindo lentamente uma gaveta para recuperar um controle remoto com os botões gastos.


— Você ainda não comeu, não é? O refeitório fechou faz tempo. — A senhora entregou a ela metade de um *char siu bao*. — Tome, coma algo para encher o estômago.


Zhu Qing agradeceu, enfiou o bolinho na boca e abaixou-se para examinar o aparelho de VCD atentamente.


A máquina tinha sido fornecida pelo departamento de logística no ano passado, mas ninguém a usava, deixando uma fina camada de poeira sobre ela. Somente quando Zhu Qing se agachou é que notou que os cabos vermelho, amarelo e branco estavam conectados de qualquer jeito nas entradas da TV. Ela os reconectou corretamente e pressionou o botão de ligar.


— Eu fiquei apertando os botões, mas nada aconteceu... — Antes que a inspetora pudesse terminar, a TV brilhou repentinamente com um tom azulado.


— Está funcionando, está funcionando! — a senhora exclamou animada. — Agora podemos assistir!


Uma ex-aluna da academia de polícia que virou inspetora, e que ainda conseguia consertar eletrônicos nas horas vagas.


Enquanto o aparelho de VCD começava a rodar, a inspetora imaginou os futuros turnos da noite com filmes para passar o tempo e sorriu de orelha a orelha.


As imagens na tela foram ganhando nitidez.


Era um drama de mais de uma década atrás, estrelado por Sheng Peishan, uma ex-finalista do top três do concurso Miss Hong Kong.


Em um beco estreito, Sheng Peishan, vestida com um *qipao* e segurando um guarda-chuva, deslizava através de uma garoa fina.


A câmera deu um zoom quando ela se virou de repente, as lágrimas brilhando em seus olhos, retratando o sofrimento com uma perfeição de partir o coração.


A inspetora desenrolou um novelo de lã, com os olhos colados na tela. — Chorar na hora certa... atrizes são mesmo de outro mundo.


...


Ao amanhecer do dia seguinte, enquanto o céu empalidecia no horizonte, Zhu Qing já estava em um ônibus cedo para Kwun Tong.


Nos becos silenciosos e desolados de Kwun Tong, ela encontrou a banca de jornal administrada pelos pais da falecida He Jia'er.


O quiosque de zinco estava iluminado por um brilho amarelo fraco. O pai de He organizava os jornais da manhã, enquanto a mãe de He recolhia latas de cerveja descartadas na noite anterior com uma pinça longa — sucata que podiam vender por dinheiro.


Ao ouvir o propósito de Zhu Qing, a mãe de He largou as latas, limpou as mãos repetidamente na roupa e a guiou por vielas estreitas até a casa deles.


A habitação pública era concedida por sorteio, e a mãe de He ainda se lembrava da noite sem dormir em que ganharam aquele apartamento.


A unidade apertada era antiga e desordenada, cada centímetro lotado de pertences, forçando-os a desviar de obstáculos apenas para se mover.


O quarto interno, ligeiramente maior, tinha sido de He Jia'er. Nenhuma bagunça era guardada ali e, mesmo após dez anos, permanecia impecável, preservado exatamente como tinha sido.


— As roupas, sapatos e bolsas dela estão todos aqui — disse a mãe de He, abrindo o guarda-roupa. Sua voz tinha ficado mais rouca em apenas alguns dias. — Os outros policiais já olharam da última vez.


Vestidos bem cortados, saltos de grife brilhantes e bolsas de couro macio pendiam dentro do guarda-roupa surrado — completamente deslocados.


Ainda assim, estavam impecavelmente organizados, cada ruga alisada.


Muitos ainda tinham as etiquetas presas.


— Por que aquele homem teve que matá-la? — A mãe de He engasgou de repente. — Jia'er era uma boa menina. Mesmo que fosse teimosa, ela nunca o teria importunado...


O olhar de Zhu Qing desviou-se das roupas caras para a parede manchada.


Certificados de mérito descascados, conquistados por He Jia'er desde a infância, estavam colados na superfície salpicada de mofo.


— Estes... — Ela deu um passo à frente. — Preciso levá-los para a delegacia.


...


Enquanto isso, na residência Sheng, Sheng Peishan parou sua cadeira de rodas do lado de fora do quarto das crianças.


A empregada, Marysa, estava atrás dela, respondendo respeitosamente à pergunta anterior da jovem patroa. — O jovem mestre não fez birra. Ele apenas... não disse nada.


A porta estava entreaberta. Sheng Peishan espiou para além da figura gordinha de Marysa para dentro do quarto.


Ela olhou para o copo de leite morno em sua mão.


Sinceramente, ela não era próxima do irmão mais novo, nem era boa em confortar crianças.


Certa vez, o jovem mestre Sheng fora mimado e obstinado, um verdadeiro pequeno tirano. Mas com seu rosto angelical — apenas seu biquinho conseguia derreter corações —, ninguém guardava rancor.


Contudo, após as mortes de Sheng Wenchang e Qin Lizhu, tudo mudou. Seguranças não o seguiam mais, os criados tornaram-se negligentes e, em poucos meses, mesmo quando Sheng Fang fazia cenas, os adultos simplesmente o ignoravam, limpando suas bagunças mecanicamente sem repreensões...


Lentamente, todos os seus truques usuais perderam o poder. Sheng Peishan se perguntava: será que este garotinho agora duvidava de si mesmo?


— Senhorita, devemos chamar a inspetora? — sugeriu Marysa timidamente. — O jovem mestre gosta muito dela. Ele até ligou para a delegacia para conversar com ela outro dia.


No assento da janela, a pequena figura estava encolhida.


Sheng Fang estava de costas, segurando um boneco do Homem de Ferro, imóvel e estranhamente silencioso.


— A inspetora Zhu parece se dar bem com ele — murmurou Sheng Peishan. — Sobre o que eles conversaram?


— Ouvi... o jovem mestre dizer: "Então nem todos os pais protegem seus filhos até que cresçam".


— Ao que parece, a inspetora disse a ele...


Sheng Peishan: — Ela também não tem pais.


— Senhorita, como a senhora sabia? — Marysa arquejou. — O jovem mestre disse ao telefone... que a inspetora era órfã!


Sheng Peishan não respondeu, entregando o leite morno a Marysa.


— Leve para ele — disse ela. — Estou cansada.


A tia Liu deu um passo à frente, levando a jovem patroa de volta ao seu quarto.


Pouco antes de a porta fechar, Sheng Peishan falou novamente.


— Não deixe ninguém entrar.


— Estou esperando uma ligação.


...


Zhu Qing retornou à delegacia bem a tempo para o briefing matinal.


O quadro branco para o caso dos restos mortais ainda exibia sua teia de setas e fotos.


Com um aceno de Mo Zhenbang, ela adicionou novos detalhes ao quadro.


Sheng Peishan certa vez adiou a mudança por preocupações com *feng shui* — isso poderia estar conectado a Chen Chaosheng interrompendo os turnos noturnos no canteiro de obras?


E o acidente de carro de Sheng Peishan também ocorreu durante a fase de construção da mansão.


— Espere — está sugerindo que Sheng Peishan pode não ser tão inocente quanto parece?


— Ela tem trinta e sete anos — disse o tio Li. — Mesmo aos dezessete, crescendo na família Sheng e navegando pela impiedosa indústria do entretenimento — quão ingênua ela poderia ser?


Se isso tivesse sido dito dias antes, Zeng Yongshan teria saltado em defesa de Sheng Peishan.


Mas agora, com todos aqueles depoimentos contraditórios entrelaçados, até ela estava confusa.


— Você se lembra... — relembrou Zeng Yongshan —, daquele dia em que o segundo genro cometeu suicídio, durante o depoimento da Segunda Senhorita, ela disse que se quisesse acabar com a própria vida, deveria ter feito isso há mais de uma década.


— Isso contradiz completamente o relato do mordomo Cui — disse Zhu Qing. — O *feng shui* da mansão na encosta estava errado, então, mesmo após três dias e noites de rituais, eles não conseguiram escapar daquele terrível acidente de carro — que aconteceu há dez anos.


— Poderia ser... — Xu Jiale franziu a testa —, que ela estava deliberadamente obscurecendo a linha do tempo do acidente?


Os olhos de Zhu Qing se estreitaram abruptamente.


Ela reabriu o arquivo do caso, folheando os depoimentos das moças da boate.


— Esta 'Ah May' mencionou que, da última vez que viu He Jia'er, alguém em um carro de luxo veio buscá-la, com o porta-malas cheio de sacolas de compras de marca.


Zhu Qing: — Do início ao fim, ninguém realmente viu com clareza se a pessoa naquele carro era um homem ou uma mulher.


— O quê? — Zeng Yongshan pareceu atordoada antes de perceber de repente: — Verdade... Quem disse que o motorista de um carro de luxo precisava ser um homem?


Eles tinham sido enganados por suposições enraizadas.


Na verdade, quem estava ao volante naquela época era a Segunda Senhorita da família Sheng — antes de sua deficiência.


Mas por que ela faria tal coisa?

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